O caminho até a granja havia sido bastante tortuoso, tratava-se de um caminho longo e bastante conturbado por migrações de aves e animais fantásticos. A granja se localizava em um local bastante abastado, onde a moradia era dada apenas a bruxos que possuíam emprego fixo e uma renda anual maior que 25000 galeões.

O local em si era um pequeno pedaço do paraíso, longos e longos campos floridos, um pântano ao fim da propriedade, e um belo rio que cortava a granja e se esgueirava por uma propriedade ao lado, uma fazenda bastante extensa.

A casa principal, chamada assim, pois havia outras duas, uma para visitas e outra funcionava como um mausoléu para os fantasmas que desejassem pernoitar por lá. A casa principal era de caráter magnifico remontando os casarões de nobres e outras pessoas de posses, após algumas horas de viagem, Vince e a família Greengrass chegaram a Thrushcross Grange.

– Que saudade do ar deste local. – Astória disse bastante animada ao descer do carro. – Me renovada, só por estar respirando os ares desse lugar.

– De fato, Ast, essa terra nos renova. – Dafne se pronunciou após passar toda a viagem calada, Astória conjecturava que ela havia aproveitado a viagem, pois havia ficado ao lado de Vince o tempo todo. – Mas bem, onde está a criadagem que não veio carregar as malas? – Neste mesmo instante alguns elfos domésticos bastante mal encarados, surgiram, fazendo uma reverência exagerada, seus narizes quase tocavam o chão. Em seguida recolheram todas as malas que estavam no bagageiro do carro.

Após todos estarem devidamente instalados na granja, Eleonor resolveu se pronunciar. – Bem, agora precisamos decidir em qual dos quartos Vincent irá ficar... Ele não pode ficar na casa de visitas, é um convidado de honra. Devemos sem dúvidas instalá-lo em um de nossos quartos, talvez o quarto vazio ao lado do quarto da Astória seja adequado. – Após Eleonor terminar de falar, Samuel ficou um tanto quanto pensativo.

– Sem dúvidas, Vincent não pode ficar em um quarto afastado de toda a movimentação da casa. – Samuel estalou os dedos e então outro elfo doméstico apareceu. – Leve as coisas de Vincent para o quarto vago ao lado do de Astória. – O elfo nada disse, fez uma longa reverência, e desapareceu, levando as malas de Vince consigo, em seguida todos os outros elfos desapareceram, levando as coisas.

Todos em seguida entraram na casa, um belíssimo paraíso na terra, eram as únicas palavras que poderiam descrever toda a graça que circundava o recinto, eram bastante grandes e decoradas, com várias peças ornamentais de diversas eras, monarquias e etc. Uma especialmente chamava a atenção, era uma espada cravejada de pequenas esmeraldas, era feita de metal de duende, assim como a espada de Gryffindor, a espada estava pendurada acima da lareira, juntamente com alguns outros ornamentos que não chamavam tanto a atenção.

Em seguida, o grupo familiar subiu em direção ao andar dos quartos. Muitos quadros bastante antigos e valiosos estavam dispostos pela parede, era de fato uma família bastante abastada.

Samuel e Eleonor se dirigiram para o quarto de ambos, ficando a encargo de Astória e/ou Dafne apresentarmos o quarto para Vince, Dafne não protelou, se ofereceu prontamente.

– Ast, você ainda tem que se instalar e etc., eu posso muito bem apresentar o quarto ao Vince, o que me diz? – Dafne sem que Vince pudesse ver, fez uma carinha à lá gatinho de botas, fazendo com que Astória concordasse.

– O que você não me pede rindo que eu não faço chorando? – Astória disse rindo, e indo em direção ao seu quarto, o quarto que Vince ficaria era um pouco depois do quarto de Astória, a porta do quarto era feita de mogno, e era decorada com alguns ornamentos que lembravam algo da família Greengrass.

– Bem, Vince, é aqui. – Disse Dafne calmamente, abrindo a porta do quarto, exibindo um recinto digno de um príncipe herdeiro.

– Muito obrigado, Dafne. Excetuando-se o quarto em que fiquei quando fui à Rússia, esse é o maior quarto que eu já fiquei. – Disse Vince calmamente, enquanto entrava no quarto, o quarto era de tal elegância que possuía uma pequena mesa onde poderiam tomar chá. – Dafne, seria muita ousadia te chamar para entrar? Quero conversar com você.

– Claro, mas podemos deixar isso para um pouco mais tarde? Eu preciso tomar um pouco de chá, por conta da hipoglicemia. – Dafne estava de fato um tanto quanto mais pálida do que antes. – Bem, daqui a alguns minutos eu volto, com licença. – Ao dizer isso, Dafne saiu lentamente do quarto, tomaria o chá o mais rápido possível, não gostaria de deixar Vince esperando.

Passados alguns minutos, Dafne bateu delicadamente na porta do quarto de Vince, sendo recebida rapidamente.

– Já está melhor? – Vincent perguntou, ao abrir a porta e dar de cara com Dafne, que estava um pouco mais corada do que antes.

– Sim, sim, obrigado por perguntar. – Dafne disse calmamente, enquanto olhava para dentro do quarto, parecia estar completamente inalterado.

– Sei que soa meio estranho eu lhe convidar para sentar em sua própria casa, mas sente-se. – Disse ao passo que ia direção à mesa, puxando a cadeira onde Dafne sentaria, Vince havia feito um gesto de cavalheiro.

– Muito obrigado, Vince. – Dafne disse ao sentar. – Mas bem, sobre o quê quer falar comigo? – Estava de fato com a curiosidade aguçada, Vince havia reagido adversamente ao seu beijo, mas agora as coisas estavam quase mudando, ela podia sentir.

– Dafne... – Disse Vince ponderadamente, maquinando que palavras deveria usar. – Desde aquele... – Não sabia exatamente como tocar naquele assunto, mas era necessário. – Desde que nos beijamos... Eu fiquei com isso na cabeça, quer dizer... O que levaria uma pessoa a gostar de mim, tanto quanto sua irmã me disse que você gosta? – Vince percebeu que Dafne havia ficado bastante corada ao ouvir a pergunta dele, ainda mais depois da afirmação que havia sido feita.

– Vince... – Dafne não sabia como explicar aquilo, afinal nem ela entendia direito. Mas pensava que se não explicasse agora para Vince o que sentia, talvez não tivesse outra chance. – Eu não sei, Vince... Desde que voltamos ao terceiro ano, assim que eu olhei para você no trem, eu senti algo que não sentia antes... – Dafne tentava se explicar, mas as palavras a traiam, aliás, sentimentos não podem ser descritos com simples palavras, Dafne e Vince não sabiam daquilo, muitas pessoas passam toda a vida sem saber, outras nascem sabendo, algumas aprendem do jeito mais doloroso, e uns raros sortudos descobrem isso juntamente com a pessoa amada. – Vincent, eu não sei como explicar como e/ou porque eu me apaixonei por você, simplesmente aconteceu, e eu não sei como parar. – Dafne ficou bastante constrangida, afinal estava diante de um escudo de gelo, o escudo verdadeiro não era Vince, ela conseguia ver isso, e sim aquilo que ele projetava para defender-se de algo que ela não sabia algo que ela poderia apenas conjecturar.

– Dafne, eu não... – Vince não conseguia terminar de falar, as palavras fugiam e ele mesmo lutava contra si, uma parte dizia que deveria terminar aquela conversa ali mesmo, deixando Dafne sozinha, mas a outra, dizia que ele deveria dar uma chance ao que poderia acontecer entre os dois, afinal levando em conta fatores empíricos e tantos outros, namorar uma Greengrass traria enormes benefícios, mas não era apenas por isso que Vince considerava aquela situação, nunca havia experimentado a sensação de ter outra pessoa, além dele mesmo, gostando dele. – Eu não estou disposto a deixar isso passar... Eu refleti muito desde aquele beijo... E acho que... Podemos... Não sei como dizer isso... Mas acho que apesar dos pesares, poderemos tentar alguma coisa... Pelo pouco que me conhece sabe que eu não sou uma das pessoas que mais sente neste mundo... Mas acredito que podemos tentar fazer isso, ou um dia, quando olharmos de volta para o passado, iremos pensar que poderíamos ter tido a melhor época de nossas vidas, e a deixamos passar, por medo do que podia acontecer... – Naquele instante Vince quebrou uma espécie de protocolo, dobrou-se sobre a mesa, inclinando-se para mais próximo de Dafne. – Dafne, eu escapei disso uma vez, mas acho que não podemos protelar mais... – Dafne e Vince aproximaram-se mutuamente, encostando os seus lábios com delicadeza, e então se beijaram, completando o beijo que havia sido negado no passado.