Após passar 15 maravilhosos dias na mansão Greengrass, Vincent agora estava em um trem que o levaria de volta a casa dos Cooper, muito a contra gosto voltava àquele inferno, mas havia recebido uma carta de Cooper, a qual amassava entre dentro da mão.
Vincent Selwyn,
Espero que esteja aproveitando bastante suas férias, pois afinal, está em uma casa de luxo, com pessoas da mais alta classe bruxa, a família que você pediu a Deus... Mas infelizmente sua família de sangue precisa de você, seu irmão está doente, e precisa de seus cuidados...
Atenciosamente: Nathaniel Cooper.
Vincent estava com uma raiva gigantesca daquilo tudo, sabia muito bem que Cooper havia feito questão de adoecer Leander, não com poções ou algo do tipo, mas com suas palavras, malditas palavras depreciadoras. Vincent desde os 8 anos havia criado um escudo de gelo glacial para não ouvir as duras criticas que Cooper lançava contra ele... Mas Leander não havia conseguido criar aquilo, Leander era mais fraco. Lembrava-se da primeira vez que havia respondido Cooper, tinha apenas 8 anos, quando sua consciência começou a acordar, e perceber que os abusos domésticos que sofria não podiam ser tolerados...
Estava na residência dos Cooper, sua madrasta ainda era Audrey Bartowsky, a mãe de Leander, Vincent arrumava as almofadas e Cooper, que ainda trabalhava no Ministério da Magia aquela época, ainda não havia voltado do serviço, estava bastante atrasado, seu turno acabava as 18h, e já eram 21h.
– Esse garoto só sabe chorar? – Leander tinha apenas 6 anos naquela época, e além disso, havia sua gêmea, Lily, os dois pareciam aquelas crianças de comercial de margarina, enquanto Leander era um chorão, sua irmã era mais quieta, e estava sempre a seguir Vince.
– Ele já vai parar Vince. Está com saudade do pai, aliás, todos nós estamos. – Audrey comentou com pesar, afinal Cooper quase não parava em casa. – Audrey comentou pesarosa, Vincent sabia que ela desconfiava da fidelidade do marido, e com razão. – Viu só já está parando. – De fato o garoto já estava parando de chorar, Vince não sabia por que, mas estava feliz pela choradeira ter parado.
Alguns minutos depois Cooper passou pela porta, com as roupas bastante arrumadas, enfim, totalmente aplumado. Audrey lançou um olhar fulminante contra o marido que apenas respondeu com um sussurro: "– Não enche".
O olhar clínico de Cooper analisou a sala inteira, passando pela sala de jantar, e por fim, voltou a Vince, que era o responsável pela arrumação.
– Isto está um lixo... – Cooper havia começado novamente com a sua enxurrada de ofensas. – Mas você não aprende nunca, e parece que a única mulher nesta casa, não serve para nada, nem para ensinar, nem para cuidar de seus filhos... Olhe como esta criança está porca... – Disse olhando para a roupa que Leander estava usando, e provavelmente havia acabado de sujar com um doce.
– Nate, não fale assim com as crianças... – Audrey passivamente tentava acabar com as crueldades do marido.
– Não está um lixo... – Pela primeira vez Vince havia rebatido a acusação de Cooper. – Não temos a obrigação de arrumar isso, uma família bruxa que se preze tem um elfo doméstico, só uma pessoa baixa como você para colocar uma criança para arrumar suas coisas, e ainda querer criticar qualquer coisa que seja... – Vincent apesar da pouca idade sempre fora muito bom com palavras, passava muito tempo lendo livros antigos e de boa linguagem. – A partir de hoje eu não limpo nem arrumo mais nada, arrume um elfo doméstico ou meus tios irão saber do que anda fazendo comigo, tenho marcas para provar...
Desde aquele dia Cooper nunca mais ordenou que Vince ou qualquer outro dos irmãos trabalhasse com os serviços domésticos, havia até mesmo comprado um elfo doméstico, e nunca mais o havia machucado...
– Estamos a apenas uma estação do ponto final... Preparem suas coisas. – A voz asmática do maquinista despertou Vince de seus devaneios, não gostava de lembrar-se daquela época, algumas cicatrizes ainda doíam em seu corpo, não que fossem físicas, mas eram emocionais, estavam para sempre marcadas na memória de Vincent. Após ouvir uma segunda chamada, Vincent se levantou e pegou a pouca bagagem que havia trazido, uma mochila apenas, com um feitiço indetectável de extensão, que estava recheada com tudo que ele precisava.
Desceu do trem com uma sensação de embrulho estomacal, vagou um pouco pela estação, e então encontrou com Cooper sozinho, possivelmente a esposa havia ficado em casa cuidando de Leander, que pela urgência da carta, estava muito mal.
– Fico feliz por ter aceitado o apelo que fizemos, não estamos em condições de cuidar de seu irmão. – Cooper disse com certo desdém na voz.
– Você nunca teve condições de nada, Cooper. – Vincent respondeu com a voz gelada. – Podemos ir logo? A viagem de 4 horas foi cansativa, caso não saiba.
– Você continua muito insolente, Vince, muito insolente... – Cooper falou dando um pequeno sorriso malicioso. – Como estava a estadia na casa dos Greengrass? – Ao pronunciar o sobrenome Greengrass, Vince pôde sentir uma ponta de nojo na voz do Cooper mais velho.
– É de família... É de família... – Vincent respondeu impaciente, não entendia porque Cooper ainda tentava conversar com ele, era impossível. – A estadia estava maravilhosa, diga-se de passagem, eles sabem como receber um convidado. – Encarrou a história naquele ponto, não iria se delongar muito.
Caminharam então para o lado de fora da estação, entraram no carro de Cooper que fez questão que Vince sentasse no banco da frente junto a ele, o percurso era de duas horas, Vincent não aguentaria todo aquele tempo com Cooper no carro.
– Já ouviu falar na família Johanson, Vince? – Após trinta minutos na estrada, Cooper começou a falar com Vince, um assunto completamente aleatório para o menino.
– Sim, devo ter ouvido falar, em Hogwarts, provavelmente. – Vincent respondeu secamente, enquanto olhava para a estrada, sem dar muita atenção.
Cooper não tentou continuar com a conversa, havia extraído a informação que precisava de Vince, ele não sabia nada substancial sobre a sua segunda família. O restante da viagem foi bastante tediosa, Cooper não abriu a boca, e Vincent também não, o som do carro não estava ligado, e Vince não podia ler, enfim, havia sido um desastre total.
– Sentiu saudades? – Cooper perguntou ironicamente, enquanto caminhava em direção a casa.
– Não vou nem me dignar a responder, Sr. Cooper. – Vincent respondeu, enquanto andava calmamente para próximo da casa, sentia uma sensação de tristeza, não queria de forma alguma estar de volta àquele lugar.
Por fim os dois entraram na casa, que não estava tão bagunçada assim, o elfo havia dado um jeito de arrumar tudo, mas ainda sim tinha certa desorganização, além do que, o local não se comparava em nada com a residência dos Greengrass.
– Onde está o Leander? – Vincent perguntou escondendo sua irritação por estar ali.
– No quarto de vocês... – A Sra. Cooper respondeu olhando para Vincent de cima a baixo. – Nathan não havia dito que o filho mais velho dele era tão bonito. – Vincent olhou a mulher de cima a baixo, como se estivesse medindo o nível de loucura dela.
– Vou subir então... – Vincent respondeu, medindo suas palavras, afinal já havia achado estranho o jeito daquela mulher, não queria correr riscos. Então subiu rapidamente as escadas, chegando ao quarto dos dois, onde Leander parecia estar sendo velado, pois estava imóvel na cama.
– Vince... Você veio. – Leander disse com um pequeno sorriso no rosto, fazendo algum esforço para se sentar.
– Como se eu tivesse tido escolha, não é? – Vincent comentou calmamente, enquanto sentava-se em sua cama. – Está mais dura do que eu me lembrava... Enfim, do que você está morrendo? – Vincent tinha um jeito todo delicado de tratar as pessoas, principalmente as pessoas que estavam danificadas.
– É... Só por isso que você veio mesmo... – Leander falou decepcionado, imaginava que Vince havia voltado por estar preocupado com ele, mas não era nada daquilo. – Enfim... Eu não sei, comecei a sentir algumas dores de cabeça, e depois foi só piorando, enjoos, febre, e agora meu corpo todo dói.
– Ah, eu sei, é o mal do Cooper. – Vincent comentou calmamente. – E o que já te deram para ver se melhora? – Leander respondeu que não haviam dado nada de substancial para melhorar, Vincent então mandou então o elfo da casa preparar algum remédio forte para o garoto, e então com o passar dos dias, o quadro do menino foi melhorando, e a tensão superficial entre Cooper e Vincent foi crescente, mas não chegaram em um embate direto, ainda estava muito cedo para aquilo, mas não tardaria a acontecer, aliás, seria em muito breve.
A noite estava sendo bastante longa, Vincent estava se comunicando com sua namorada Dafne, e com Astória por cartas, com auxílio de sua fiel coruja: Garrett. Até que uma coruja bastante diferente de Garrett pousou no peitoril da janela, trazendo uma carta, que havia sido escrita com letras bastante infantis, dificultando a leitura de Vince.
Papai, a mamãe se trancou no quarto e estava até agora a pouco preparando alguma coisa no caldeirão... Heath achou que era bom te escrever, venha aqui!
Heath... Já havia lido aquele nome em algum lugar... Claro! A carta, a carta que havia chegado antes do natal a tantos anos atrás, Vincent saiu andando calmamente do quarto onde estava, e foi em direção ao quarto de Cooper.
– Ei, Cooper. – Vincent disse batendo com um pouco de força na porta. – Cooper, acorda, é uma carta da sua filha!
No mesmo instante que Vincent pronunciou a palavra "filha", a porta do quarto se abriu, e um furioso Cooper apareceu, tomou a carta das mãos de Vince, e leu palavra por palavra. Uma ruga de preocupação surgiu em sua testa e com isso ele deu um salto no lugar em que estava.
– Vista seu irmão, vamos a casa delas... – Cooper ordenou, enquanto entrava no quarto para se vestir adequadamente. – Ande! O que está esperando? Um decreto imperial?
– Um, por favor, bastaria... – Vincent respondeu irônico. – Leander, vá se vestir, vamos visitar nossas meias irmãs. – Vincent ria a cada palavra que pronunciava, era como se perfeito castelo de amantes que Cooper havia criado estivesse desmoronando.
– Mas Vince... Não temos gêmeas na família... – Leander respondeu com a voz de sono.
– Se vista logo, criatura. Logo você vai poder ver. – Vincent respondeu, enquanto jogava umas roupas decentes para o jovem louro vestir. – Termine de se arrumar que eu vou descer terminar de escrever minha carta para a Daf, e esperar o Cooper. – Após terminar de falar, Vincent desceu correndo as escadas e terminou a carta que já estava meio abarrotada dentro de seu casaco e deu para Garrett enviar.
– Vamos Vince, ande, ande. – Cooper falou de forma apressada, segurando Leander com força pelo braço esquerdo.
– Largue o braço dele, não vou falar duas vezes. – Cooper e Vince se encararam por alguns segundos, e então Cooper largou o braço do mancebo, que ficou alisando-o por alguns segundos.
– Você se acha muito importante não é? Muito imponente? Uma hora isso vai cair, Vincent, aguarde. – Cooper praguejou, enquanto caminhava em direção à lareira. – Ouçam bem! Residência das Johanson! – E então jogou o pó de flu na lareira, desaparecendo. Leander foi em seguida.
– Então era por isso que ele me perguntou aquele dia no carro? – Vincent riu sozinho enquanto comentava mentalmente aquele fato. – Residência das Johanson. – Falou, jogando o pó dentro da lareira, sendo enviado para a casa de suas meias irmãs.
Cooper já estava longe de vista quando Vincent chegou, Leander estava sentado no sofá "principal" ao lado de uma pequena menina loura, que parecia bastante aflita.
– Aquele ali é o Vince. – Leander apontou para o rapaz que havia acabado de entrar na casa das jovens pela lareira. – Se apresente para ele, ele gosta de pessoas educadas.
– Oi, irmaozão. – A jovem menina falou com doçura na voz, e então tentou sair do sofá para se aproximar de Vince, mas foi impedida por Leander. – Eu quero cumprimentá-lo. – Ela argumentava.
– Olá, senhorita. – Vincent respondeu friamente ao cumprimento da menina. – Eu, como ele disse, me chamo Vincent, Vince para os mais íntimos, e você é?
– A chorona é a Chloe, e eu sou a Heather. – Uma voz do além surgiu na sala, não que aparentasse ser mais velha que a da menina loura, era um pouco mais maduro. – E você é o incrível quem? Você mesmo, loirinho com cara de pamonha.
Antes que Vince pudesse prestar atenção de onde vinha à voz, a menina loura havia conseguido se soltar dos bloqueios de Leander, e havia abraçado Vincent, na altura que conseguia que era mais ou menos sua cintura.
– Pelo amor de Deus. Alguém tire essa criança daqui. – Vincent reclamava, enquanto tentava fazer com que Chloe abrisse os braços para que o soltasse.
– Eu sei muito bem como você se sente. – A outra garota então foi se revelando, era ruiva, carregava alguma coisa que Vincent reconhecia como sendo dele, não sabia exatamente o que era ela havia saído de um canto escuro que havia sido formado por um móvel que ficava próximo a entrada do corredor. – Essa menina é um grude só. – Disse caminhando em direção ao sofá, onde Leander estava sentado. – Eu sei que nossa família tem certo histórico de idiotice, mas nunca imaginei que pudesse estar tão avançado. Você tem esse tamanho e não sabe falar seu nome? Que vergonha, o grandão aí também não sabe falar?
– Sim, eu sei senhorita. Mas sei perfeitamente a hora de ficar calado e a sua acabou de chegar. – Vincent respondeu calmamente, pois finalmente havia conseguido fazer com que a jovem menina loura largasse de sua cintura. – Caso a Mortícia Adams não tenha ouvido, eu me chamo Vincent, sou meio irmão das duas, o mais velho, diga-se de passagem, e na ausência do Cooper, ou da mãe de vocês, eu estou no controle, de acordo? – A garota Heather fez uma careta inenarrável ao ouvir o que Vince havia dito, mas ficou quieta naquele instante, pois Chloe havia se pronunciado mais rapidamente.
– Claro que sim, irmaozão, tudo o que você pedir. – Vincent olhou para a menina de cima a baixo, e reavaliou sua primeira opinião sobre ela.
– Eu... Eu... Não sou idiota... – Leander depois de muito tempo rebateu as ofensas de Heather. – Meu nome é Leander Cooper, muito prazer.
– Pff. Leander é? E você tem que conviver com o general aí todo dia? – Heather perguntou com desdém na voz, enquanto batia as pernas no sofá, fazendo uma espécie de barulho irritante.
– Eu gosto dele... Apesar de tudo no fundo ele é uma pessoa legal, bem lá no fundo, muito no fundo do fundo. – Leander respondeu enquanto olhava para Vince.
– Por que ele chama o pai de Cooper? – Chloe perguntou, intrometendo-se na pequena conversa dos dois. Vincent estava alheio a reunião de crianças, olhava para a lareira um tanto quanto pensativo.
– Ele não gosta do Cooper, ele foi um mau pai para o Vince, entende? – Heath balançou a cabeça positivamente ao ouvir aquilo, ela entendia perfeitamente, mas Chloe relutava em acreditar, ela via em Cooper o pai perfeito.
– Heather e Chloe. – A voz de Vincent foi ouvida pela primeira vez em alguns minutos. – O que aconteceu com a mãe de vocês? – Vince estava curioso, pensava em algo como suicídio.
– Chloe, deixa que eu falo. – Heath tomou a dianteira da conversa, ela se parecia mesmo com Vince em algumas coisas, tinha aquele ímpeto todo. – A mamãe, esta muito chateada com o... Cooper. – Heath havia aderido a forma com que os seus "irmãos" chamavam o pai. – E então ela preparou alguma poção para tomar, ela se trancou no quarto, e a chorona começou a chorar, e aí eu disse para ela escrever alguma coisa para o... Cooper, é isso.
– Entendi, entendi. – Vincent cortou o assunto rapidamente, era realmente suicídio que a moça havia planejado. – Qual o nome da mãe de vocês, meninas?
– Anita, Anita Johanson. – Chloe falou rapidamente, como se fosse uma espécie de discagem automática em seu cérebro. Vince já havia ouvido falar naquela mulher, ela havia ganhado um prêmio de poções na época que ainda era estudante. Cooper devia ter uma lábia muito boa, para conseguir conquistar mulheres inteligentíssimas como sua mãe e essa senhora.
A sala ficou silenciosa por alguns minutos, até que Chloe desatinou a chorar novamente, chamando a atenção de todos que estavam ali, Leander logo tratou de tentar consolá-la de alguma forma, enquanto Vincent e Heather se encararam de repente, mostrando como estavam mutuamente enojados com aquilo.
– É sempre assim... Loe, seu pai faz as besteiras dele, fica um tempão sem ver a mãe, e aí acontece algo assim. – Heath se pronunciou, levantando de onde estava e caminhando em direção a cozinha. – Ei, general Francisco Franco, pode me ajudar? Quero comer alguma coisa, mas minha mãe colocou algum encantamento que não me deixa ligar o fogo. – Ao terminar de falar, a menina já estava dentro da cozinha, pegando algum utensilio para cozinhar.
– Eu vou para a cozinha ajudar a menina. Leander ajude a gêmea dois a se distrair, enquanto eu ajudo a gêmea um a cozinhar. – Vincent se levantou então e foi em direção a cozinha, ao chegar encontrou uma Heather muito frustrada, ela tentava ligar o fogo e um pequeno chispo o apagava. – Eu sei como desativar isso. – Vincent comentou, já puxando sua varinha de dentro das vestes.
– Claro que o general Francisco Franco sabe. – Heath respondeu com desdém, enquanto olhava para Vince. – E o que você quer em troca? – Ela havia se acostumado com o pensamento de que nada vinha de graça, ainda mais para dois desconhecidos.
– Sou um aluno aplicado, fazer o quê? – Vincent respondeu calmamente, já murmurando alguns encantamentos simples para desfazer aquele. – Tudo o que eu quero é que você me escreva, não precisa ser todos os dias, mas eu quero uma constância. – Heath riu com desdém.
– Que bonitinho, quer ser meu amiguinho. – Ela disse sarcástica, vendo que agora conseguia acender o fogo. – Sério, Vince, o que você quer? Por que quer que eu te escreva?
– É simples, menina. Eu reúno evidências contra o Cooper desde que eu tenho 10 anos, e suas cartas vão me ajudar, cara pálida. – Vincent disse como se aquilo fosse o descobrimento do fogo. – Além do mais, você é família, pode precisar de ajuda não sei no que, que você faz no dia a dia. – A segunda parte era mentira, não estava muito interessado nas atividades diárias das gêmeas.
– Hum... Pode deixar "irmaozão", vou te escrever dia sim dia não. – Heath havia ficado satisfeita de não ser a única a não gostar dos modos de Cooper. – Me poupe da brincadeira, General. – Heath era esperta e bastante independente via podia ver isso, ela havia terminado de cozinhar o miojo sem precisar pedir a ajuda de ninguém, não poderia parecer um feito muito grande, mas para crianças daquela idade mexer com o fogo, coser perfeitamente o alimento, era algo bastante admirável.
Os dois então voltaram para a sala, cada qual com sua tigela de miojo, e outras duas, uma para Chloe e outra para Leander, que já estavam dormindo no sofá. Heath e Vince não tardaram a dormir também, ele havia dormido bastante desconfortável na poltrona, e ela havia dormido no sofá com as outras duas crianças. Aproximadamente 8 horas da manhã Cooper desceu as escadas da casa, abraçado com a sra. Johanson, e acordou todos os filhos o mais carinhosamente possível, arrancando comentários sarcásticos de Vincent.
– Eu morri e vim parar no inferno? Cooper me tratando assim, vem chumbo grosso a frente. – Heath riu do comentário de Vince, Loe não mostrou nenhuma reação, e Leander estava encabulado, não estava se sentindo a vontade na presença da mãe das meninas. – Cooper, eu preciso voltar para a casa dos Greengrass ainda essa semana, as aulas estão quase chegando, a copa mundial de quadribol, e eles querem que eu vá com eles, então... Eu preciso ir para lá.
– Tudo bem, Vincent, você pega o trem amanhã mesmo, não se preocupe. – Cooper respondeu bastante amável. A noite anterior deveria ter sido muito boa para ele excetuando-se a parte da tentativa de suicídio, obviamente. – Agora vamos tomar um café da manhã em família, porque precisamos voltar para casa logo.
Os filhos então depois de estar devidamente despertos, foram para a cozinha arrumando-se para tomar um café totalmente fora do habitual, Chloe estava radiante, nunca havia tido uma mesa de café tão cheia. Vincent estava com uma expressão entediada no rosto, Leander estava meio palerma de sono ainda, e Heath... Heath estava dormindo em cima da mesa.
– Acorde anjo. – Foi o que Anita disse para fazer a ruivinha acordar, o que funcionou muito bem, pois ela ergueu o rosto e ficou atenta ao que estava se passando: nada. Pouco tempo depois o café foi servido, não houve uma grosseria por parte de Cooper, como era habitual no meio dos cafés da minha em que Vince estava presente. Após o café, Vince preparava-se para ir embora, quando foi chamado por Heath.
– Você disse que iria para a casa dos Greengrass... Como eu faço para te encontrar? – Heath e Vince estavam em um canto da sala, não podiam se dar ao luxo de que descobrissem o plano dos dois.
– Eu marquei o endereço daqui, mando minha coruja vir, e ela te trás o endereço com a minha primeira carta com as instruções, e assim nos comunicamos, pode ser? – Vincent explicou calmamente para a menina, dando um pequeno bocejo em seguida, ainda estava exausto. Por fim ele e Leander se despediram das meninas e de Anita, e voltaram sem maiores atritos para casa.
