Haviam se passado alguns dias desde o "incidente" da Copa Mundial de Quadribol, os jornais não falavam outra coisa se não da marca negra que pairava no ar. Fudge havia encoberto completamente a morte de Edmond, precisava minimizar toda a catástrofe que havia sido a Copa, a partida não conseguia cobrir de forma alguma todo o ataque de comensais da morte, as pessoas aterrorizadas e todas as reclamações. Potter havia ficado em maus lençóis após os eventos, por acreditarem que ele havia conjurado a marca negra, Samuel Greengrass ainda achava que havia forças ocultas por lá, como algum comensal da morte do alto escalão, não um covardão como Edmond. Astória se sentia em dívida de vida com Vincent após todos aqueles eventos, e Samuel nunca mais desconfiou do garoto, mostrando-se mais favorável a uma aproximação amistosa. Dafne havia ficado ainda mais apaixonada por seu namorado, e Leander, segundo sua ultima carta que recebera havia visto uma senhorita ser morta por comensais da morte e havia ficado traumatizado. Heather havia escrito as cartas prometidas para Vince, narrando algumas coisas que a preocupava, como a atitude depressiva de sua mãe, fora isso estava tudo bem, por algum motivo Chloe quase nunca era mencionada na carta.
O regresso a Hogwarts se aproximava, e o clima que pairava sobre a sociedade bruxa não podia estar mais denso, o retorno do Lord das Trevas seria catastrófico, tanto para a administração de Fudge, que não era uma das mais aprovadas, para a vida bruxa em geral. Voldemort era o pior bruxo das trevas até então, e ninguém queria seu retorno. A compra no beco diagonal foi feita por Samuel e alguns aurores, não permitiam mais a saída de Astória nem de Dafne, apenas poderiam sair para ir a Hogwarts, o lugar mais seguro da Europa.
Faltando apenas três dias para o regresso a Hogwarts Vincent recebeu uma inesperada carta, de uma pessoa inesperada, a qual ele imaginara nunca mais ver na vida, a mãe de seu meio irmão Leander havia enviado uma correspondência a ele, que provavelmente havia passado pela casa de Cooper antes de chegar à mansão dos Greengrass.
Caro Vince,
Depois de muito tempo, estou de volta à Inglaterra com a sua irmã mais nova. Espero vê-lo em breve, pois ela irá embargar para Hogwarts consegui uma transferência extraordinária com Dumbledore.
Faço votos de que esteja bem,
Audrey.
Vincent havia ficado estupefato ao ler o que a carta dizia, não havia tido noticias de Audrey há anos, e agora recebia uma correspondência forçando-o praticamente a encontrar-se com as duas, não tinha nem ideia de como estariam, esperava que Lily não estivesse ficado tão... Leander, só sabia que seria um encontro bastante constrangedor. Como a educação mandava, Vincent havia escrito uma carta marcando um horário para encontrá-las na praça de alimentação da estação, três horas antes do trem sair, para que pudessem "rasgar seda a vontade", não que aquilo fosse do agrado de Vince, mas a educação mandava. Para aproveitar o revés do tempo as meninas Greengrass iriam visitar uma parenta rica que estava na cidade.
O esperado dia de volta as aulas havia chegado, as malas de todos já estavam prontas no hall de entrada da casa dos Greengrass, e como era de se esperar os três garotos estavam bastante animados para voltar ao colégio. A pedido de Vince iriam algumas horas mais cedo para a estação para que ele pudesse se encontrar com Audrey, como a granja ficava muito longe de King Cross, eles requereram um transporte mágico de alta eficiência, para que tudo pudesse ficar nos eixos.
Chegaram à estação um pouco mais cedo do que o planejado e muito mais cedo do que o horário planejado para a saída do trem, como estava no horário de pico dos trouxas, King Cross estava completamente cheia, dos trouxas da pior espécie. Alguns até esbarraram em Vince, que se não estivesse acompanhado de Dafne, lançaria algumas maldições contra o povo que avançava.
– Vincent, enquanto você se reúne com as duas, Dafne, eu e Astória iremos visitar Frida, voltamos às 11h30, ok? – Desde o incidente na Copa Mundial de Quadribol Samuel havia mudado seus modos com Vince, passando a confiar mais no mesmo. Eleonor havia ficado em casa, estava com alguma doença que preocupava Samuel e as meninas.
– Seja razoável com elas, meu amor. – Dafne disse rindo, enquanto soltava-se do braço de Vince, depositando um beijo em seu rosto. – Se cuide nos vemos em breve.
– Ouvi dizer que a menina tem a minha idade, não vai me trocar, hein? – Astória subiu nas pontas dos pés, dando um beijo no rosto de Vince, em seguida passou a mão na cicatriz quase imperceptível que havia ficado por conta do feitiço de Edmond. – Queria muito ficar, não gosto da tia Frida. – Vincent havia ouvido falar que Frida era do extremo norte, e era uma bruxa cheia de tesouros e outras coisas.
Como combinado pela carta, Vincent esperava por Audrey e Lily na praça de alimentação, sentado a penumbra de alguns objetos de decoração, algumas garotas trouxas passavam e ficavam olhando, algo que acabou por embrulhar o estômago de Vince.
Alguns minutos depois Audrey, uma loira bastante bonita de feições meigas e delicadas apareceu no horizonte, juntamente com uma menina loira de feições mais fechadas que as da mãe, mas ainda aparentava possuir alguma amabilidade, ela também possuía os chamados olhos dos Cooper, Audrey ao perceber onde Vincent estava correu juntamente com a menina para o local.
– Vincent! – Audrey abaixou-se para dar os dois beijos que a educação mandava. – Olhe só como você está crescido, nem parece mais aquele garotinho de antigamente. – Fale com o seu irmão, menina. – Lily praticamente estava escondida a penumbra, apenas olhando para os olhos de Vince.
– Olá, Vince... – A menina aproximou-se e beijou seu rosto, sentando-se no banco ao lado de Audrey.
– Como foi de viagem? – Não tinha a menor ideia de onde elas estiveram, fazia pouco caso de saber também, apenas seguia uma rigorosa cartilha de etiqueta, e segundo a mesma, ele devia agir desta forma. – Olá, senhorita. – Vincent respondeu calmamente a menina que estava agora o encarando.
– Foi tudo muito bem, muito bem. – Audrey respondeu de forma serena. – E como está o Nate? Casado eu imagino. – Os dois riram, enquanto a pequena Lily continuava a encarar Vince. – Filha, é feio ficar encarando as pessoas. – Assim que Audrey terminou de falar, Lily parou de encarar Vincent.
– Vince... Posso te chamar assim, não? – Lily pela primeira havia se pronunciado por conta própria. – Você é da sonserina, não é? – Lily se aproximou de Vince, arrastando a cadeira, fazendo um som horrível, que incomodara algumas pessoas. – Eu quero ficar por lá, dizem que é uma boa casa. – Lily então se distanciou novamente de Vincent.
– Que excelente... – Sentia certo ímpeto de olhar o relógio para saber por quanto mais tempo teria que aguentar aquela tortura imensurável, se pelo menos Leander estivesse por ali para aguentar as pontas com Audrey, mas não estava. – Bem... Ele está bem, com muito vigor, e etc. – Vincent odiava Cooper de forma bastante significativa, Audrey sabia muito bem disso, mas preferia ignorar. – Pode me chamar assim, senhorita. – Vincent respondeu contendo sua impaciência com a garota. – Sim, é uma excelente casa, tenho feliz que será bastante feliz por lá. – Respondia calmamente às perguntas feitas pela menina, a lembrança de Dafne o fazia ficar com uma calma exorbitante. – Leander vai muito bem também. – Vincent resolveu apimentar um pouco mais aquela conversa de família, estava um tédio total, e imaginaria que assim poderiam distanciar o assunto de sua vida com Cooper.
– Sim, querido, é excelente. – Audrey falou dando um sorriso bastante largo para Vince, olhando-o novamente de cima a baixo. – Você cresceu muito, meu querido, tornou-se um rapaz tão bonito... – Vincent sentiu que sua cadeira havia hesitado alguns passos para trás após as palavras de Audrey. – Eu imagino que sim... Nate sempre fora cheio de vida, assim como você será... – Vincent daria parte da fortuna de seu avô para não se tornar alguém como Cooper, ainda que Montgomery fosse um horrendo comensal da morte, Vincent preferia se tornar alguém instruído como ele de largos poderes mágicos e habilidades ocultas. – Oh! Como pude eu me esquecer do meu rapazinho! – Audrey fez um gesto com a face que acabou por assustar um pouco Vince. – Ele está indo para Hogwarts constantemente? Como Nate o trata? – Audrey pareceu ter desperto de uma espécie de transe.
– Leander é o meu irmão gêmeo? Não lembro muito dele... – Lily comentou calmamente, enquanto requisitava a presença de um dos garçons. – Meu caro, eu quero um milk shake de chocolate, minha mãe um de morango, e o Vince?... – Lily olhou em direção ao mais velho, que falou calmamente. – Um de chocolate também, sim? – O garçom então saiu calmamente em direção ao bar.
Algum tempo se passou durante aquele rasgamento de seda entre os três presentes, até que a hora marcada para se apresentarem a estação chegou.
– Eu tenho que ir precisarei me encontrar com os Greengrass fora da estação. – Vincent se levantou calmamente, já não aguentava mais ficar com aquelas duas, principalmente com Audrey, que parecia uma matraca, contando histórias que ninguém estava interessado em saber.
Não iria sair da estação, iria para a plataforma 9¾ encontrar talvez com algum de seus antigos colegas e ficar esperando pelos Greengrass por lá. Mas para a sua infelicidade acabou encontrando-se com Nathan Cooper, que estava a muito contragosto acompanhando seu filho Leander, e estavam juntos de uma mulher que Vince havia visto apenas em revistas, era Madame Calista, uma estilista bruxa talentosíssima, mas o que tinha de talento, tinha de feiura. Leander olhava de forma estranha para a moça que estava ao seu lado, como se estivesse com medo que ela o devorasse, tamanho era sua feiura. Vince estava para sair do campo de visão dos Cooper, quando Nathan acabou o chamando.
– Vincent, venha ao menos cumprimentar sua família. – O trio praticamente avançou em direção ao local onde Vincent estava, e conforme Leander se aproximava era possível ver algumas marcas vermelhas em seus braços finos. – Está é Heliodora Calista, minha nova namorada. – Vincent olhou a mulher de cima a baixo, e então tentou refletir o motivo de Nathan estar com aquele ser desprovido de qualquer tipo de graça e beleza.
– Muito prazer, senhora. Sou Vincent Selwyn, e na medida do possível admiro seu trabalho. – Vincent estendeu a mão para a mulher. – Bem, eu estou um pouco atrasado para ir, tenho que encontrar com os Greengrass, e etc. Vemo-nos em Hogwarts, Leander. – Vincent estava pronto para virar as costas, quando notou que Leander havia derramado alguma coisa em sua roupa, manchando-a levemente, aquilo já era motivo para Cooper começar com suas agressões, mas mal sabia que eles estavam sendo observados por alguém que há muito já estava sedento de vontade de dar uma lição em Cooper: Era Lucius Malfoy, o chefe, do chefe, do chefe de Nathan.
– Bom dia a todos. – Lucius falou cordialmente, ainda olhando para Leander. – Madame Calista, que prazer encontrá-la por aqui. – Ele disse calmamente. – Leander, eu posso conversar com você por alguns instantes? – Vincent pôde sentir a espinha de Cooper gelar.
– Claro, claro que sim, senhor. – Leander e Lucius caminharam em direção a um canto isolado, enquanto Cooper olhava para a situação totalmente aterrorizado. Passado alguns minutos os dois retornaram, Lucius estava com uma expressão dura no rosto.
– Então você anda maltratando seus filhos, Cooper? – A voz de Lucius ia diminuindo a cada palavra. – Você deve se sentir muito frustrado para fazer uma coisa dessas não é? Afinal sua família está tão na lama, com seu emprego medíocre que você tem que namorar o monstro estilista para arrumar tecidos? – Lucius riu secamente, e então pegou uma carta que estava dentro das vestes. – Eu iria esperar o trem sair para fazer isso... Mas o Ministério não precisa de um inútil como você por nem mais uma hora... – O impetuoso Cooper estava quieto como um cachorro sem dono, apenas pegou a carta e não disse uma palavra. Vincent e Leander quase não conseguiram se contar, enquanto ouviam as palavras de Lucius. – Vincent, acho bom você ir ao trem, ele irá sair 15 minutos mais cedo. O que quer dizer que ele sairá agora.
Uma correria se seguiu após as palavras de Lucius, Vincent e Leander acabaram conseguindo embarcar no trem, ficando por brincadeira do destino na mesma cabine que Dafne, Astória, Lily e Draco.
