Conforme o movimento do trem se intensificava, as pessoas que estavam dentro da cabine começavam a cair no sono alguns devido ao cansaço, outros devido a pílulas de dormir. Mas Vincent estava acordado, mas estava enevoado em suas lembranças, sempre tivera muitas memórias bloqueadas, de vez em quando alguma começava a despertar, e talvez com todo aquele silêncio e estar em um lugar paradisíaco, estava fazendo com que uma delas viesse a tona.

Era a primeira vez que andaria de trem, pelo o que conseguia se lembrar, estava bastante novo, com aproximadamente 3 anos, caminhava com sua mãe em meio a uma multidão de pessoas, não iria para algum lugar mágico tinha certeza, pois haviam pegado um trem comum, Schering Daises era o nome do local. Joanne estava com um semblante bastante feliz no rosto, iria encontrar com alguém, ele tinha plena certeza disso.

Sua mãe apesar de estar bastante feliz Joanne aparentava estar preocupada com alguma coisa, não poderiam ser os comensais da morte, pois faziam alguns anos da queda do Lord das Trevas, e os comensais remanescentes estavam escondidos embaixo de pedras, vivendo vidas falsas.

– Vamos conhecer Schering Daises, meu anjo. – A mãe de Vince sussurrava para o garoto silencioso de mais para a idade. – Às vezes fico preocupado com esse seu silêncio todo, sabia? Lembra-me muito o seu tio, e isso me preocupa tanto... – Joanne comentou com pesar, não parecia ter apresso positivo por seu irmão mais velho. Vincent via as coisas como se estivesse assistindo a um programa, ou estivesse tendo um sonho, talvez fosse o mais provável no fim das contas.

A viagem em direção a Daises era bastante longa e não era por acaso, tratava-se de uma parte muito isolada da Inglaterra, mas que durante a Guerra serviu muito bem aos postos do país, tanto no quesito trouxa quanto no mágico. Em consideração a isso havia se criado uma linha de trem que embora poucas pessoas a usassem ainda encontrava-se ativa, para preservar a memória do local.

O percurso levou exatas 4 horas, um tempo consideravelmente longo para aqueles que não sabem esperar, mas Joanne sabia como agradar o filho pequeno, um livreto de feitiços para criança era o suficiente para manter o calado Vince ainda mais calado. Ao saírem da estação foram recepcionados por um homem de aparência bastante elegante, culto, Vincent apenas não conseguia ver seu rosto, por algum motivo...

Após a recepção foram em direção a uma grande casa que ficava no centro da cidade, Vincent podia perceber uma coisa Schering Daises apesar de ter alguma população trouxa era uma cidade predominantemente bruxa, daria uma perna para morar em um lugar como aquele. Ao entrarem na casa foram recebidos por um elfo muito do mal encarado, que se referia a Joanne como "minha senhora", por isso era correto presumir que a casa pertencia aos Selwyn, e por consequência a ele...

Um furo como nos filmes antigos se passou durante o "sonho", ao ter novamente a visão nítida do local, Vincent, o homem misterioso e Joanne, estavam caminhando por algum lugar na cidade, ficava próximo a uma grande floresta, gigantesca, que acreditava ser invisível aos trouxas.

– Sabe... – O homem aproximou-se mais de Joanne. – Dizem que seu irmão entrou na floresta. – Joanne olhou preocupada para dentro da mesma, nem mesmo os mais fortes raios solares conseguiam atravessar aquela escuridão.

– Montie não seria louco de entrar... – Joanne sentou-se em um dos bancos da praça colocando o pequeno Vincent em seu colo, alheio a tudo aquilo ele brincava com os cabelos da mãe. – A floresta é um lugar muito perigoso, nem mesmo Dumbledore arriscou-se a chegar ao fim dela... – O homem apenas balançou a cabeça positivamente.

– Mas sabe que seu irmão tornou-se uma pedra em nosso sapato, não? – O homem com voz de trovão falou mais uma vez, ele olhava para os lados, bastante cuidadoso, então segurou uma das mãos de Joanne. – Eu tenho muito medo do que ele pode fazer contigo... Selwyn está com sede de vingança e todos sabem disso, ele virá atrás do garoto... Quer o dinheiro que o Selwyn pai deixou para ele.

– Eu não tenho coragem de fazer nada contra Montie, ele é meu irmão mais velho, anjo... – Joanne apelou para sua voz um pouco mais condescendente com o homem. – Eu posso me cuidar, você sabe... – Ela apoiou a cabeça nos ombros do homem. – Só me preocupo com o que ele pode fazer com o meu pequeno pedaço do paraíso aqui... – Joanne disse acariciando levemente os cabelos do Vincent calado que olhava para um ponto qualquer bastante concentrado.

– Você pode não ter coragem para fazer nada, mas eu tenho. – A voz de trovão do homem foi se intensificando. – Se ele ousar chegar perto de você mais uma vez, ele verá do que – O homem havia dito seu nome, mas Vincent não se lembrava de forma alguma. – É capaz. – O homem com suas mãos um tanto quanto danificadas pelo trabalho acariciou os cabelos de Joanne. – Assim que você largar o Cooper e vir morar comigo nada Montie poderá fazer, nem contra você, nem contra o pequeno Vincent. – Em seguida o homem depositou um beijo na testa de Joanne.

– Ruf... – A mulher começou a falar calmamente. – Eu sei que ele é uma pessoa horrível... Mas é meu irmão, é tão difícil assim de entender isso? – A voz dela foi novamente tomando o tom normal. – Eu não quero que nada de mal aconteça com ele... Sem falar que ele é muito poderoso, andou aperfeiçoando muito suas artes das trevas nos últimos anos, talvez tenha ido à floresta para isso, e tomara que de lá ele nunca volte... – Apesar de não querer ver alguém matar seu irmão, ela não queria mais vê-lo vivo, era uma ameaça para seu menino, e para ela própria. – Quanto ao Nathan eu vou largá-lo o mais rápido possível, ele é uma péssima pessoa, não será uma boa influência para Vincent. – Disso ela tinha toda certeza Cooper não tinha a mínima condição de cuidar de Vincent, ou de qualquer outra criança que fosse.

– Hum... Joanne, você tem ciência do que está me pedindo? – O homem falou sério, enquanto fitava a estrada. – Você está me pedindo, para deixar um perigoso comensal da morte a solta... – Os dois se encararam novamente, como uma troca de forças. – Mas bem... Seu pai, o homem que me ensinou tudo, também não gostaria de ver seu filho jogado em uma cela em Azkaban, ou numa vala... – Ele passou o braço puxando-a para mais perto. Vincent podia perceber que eles estavam prestes a se beijar.

Mas então Vincent foi despertado de seu sono por algumas cutucadas que havia recebido em suas costas, pôde ver todo o sonho se desfazer diante de seus olhos enquanto percebia que era Astória quem o estava acordando.

– Vem, Vince, já chegamos a Hogsmeade. – Astória dizia calmamente, enquanto saia da Cabine, sendo acompanhada por Vincent. O trem inteiro já estava vazio, eles possuíam o costume de só sair do vagão quando toda a ralé já havia saído para não ter que se misturar com pessoas de baixa classe social. Mas Vincent não estava com cabeça para isso, estava pensando no sonho que tivera, talvez fosse apenas um sonho mesmo, mas tinha para ele que não se tratava apenas daquilo, precisava se lembrar do tal homem que estava com sua mãe, o padrinho que ele não conhecia.

Subiram de carruagem para Hogwarts como era de costume, como só cabiam 4 pessoas em cada carruagem Leander e Lily foram com alguns alunos do segundo ano, enquanto Vincent, Dafne, Astória e Draco ficaram na mesma carruagem. Vincent nunca havia reparado, mas existiam alguns bichos estranhos puxando a carruagem, preferiu não falar nada, pois ninguém havia se manifestado.

Os ares em Hogwarts aquele ano estavam diferentes, talvez o incidente da Copa Mundial De quadribol estivesse afetando o clima festivo de um dos lugares mais felizes da terra. Mas logo tratou de saber que não era exatamente por aquilo, Hogwarts seria a sede do famoso Torneio Tribruxo, e hospedaria uma pessoa bastante especial, conhecida de Vincent, Bartô Crouch, o Chefe do Departamento de Cooperação Internacional em Magia, havia mudado de departamento alguns meses antes. Vincent não se interessava muito no torneio Tribruxo, ainda mais por ser vetado a alunos com menos de 17 anos, como Bartô viria a explicar futuramente.

Dumbledore fez todo o seu habitual discurso de inicio de ano como era previsto, e foi muito aplaudido por Vincent, um dos maiores fãs do Diretor de Hogwarts. Após isso Dumbledore deu a palavra a Bartô Crouch que acabou por informar os pormenores do torneio Tribruxo. Vincent agora não estava interessado naquilo, precisava falar com Bartô Crouch para descobrir a identidade do homem misterioso que estava com sua mãe, e talvez conseguir resolver algumas das questões que ainda estavam sem respostas em sua mente.