Alguns dias haviam-se passado desde que o torneio Tribruxo havia sido anunciado, todos estavam ansiosos para o anuncio dos campões, Cedrico Diggory era o mais cotado para ser escolhido por Hogwarts, possuía um porte atlético, jogava pela Lufa-Lufa no quadribol, coisa que Vincent desprezava com todas as forças de seu ser, e ao que tudo indicava era uma excelente pessoa, deveria ser escolhido mesmo.

O dormitório da sonserina estava bastante cheio, com a presença dos alunos de Durmstrang, que haviam se alojado ali, ficariam todo o ano letivo até o fim do torneio. Mas nada daquilo importava a Vincent, até mesmo de Dafne ele havia ficado mais distante, uma coisa estava em sua cabeça desde a viagem de trem: A identidade do misterioso homem que estava com a sua mãe, e mais importante que isso, será que ele e sua mãe realmente estavam tendo um caso? Vincent sabia que sim, mas precisava ouvir o homem dizer aquilo, mas não importava o quanto tentasse não se lembrava de forma alguma de seu rosto ou nome completo, tinha apenas três palavras: "Ruf". Imaginava se tratar de alguém chamado Rufus, mas quantos Rufos podiam existir por aí? Milhares, milhares de milhares, era óbvio que não seria fácil de encontrá-lo, não seria simples nem fácil.

Vincent estava bastante disperso, não que não prestasse atenção nas aulas, mas estava aéreo, pouco concentrado, isso foi percebido pela professora McGonagall, que chamara Vincent para uma conversa depois da aula.

– Vincent. – A professora começou a falar pausadamente, como era de costume. – Eu não costumo conversar com meus alunos fora do horário das aulas, mas... Eu tenho percebido que o senhor está um tanto quanto aéreo durante as aulas, e temo dizer que não é apenas em minha matéria, mas em todas, sei que não é meu dever como professora participar de forma tão invasiva em sua vida pessoal, mas poderia me dizer o que está acontecendo?

– Boa noite, professora. – Vincent falou sempre em seu tom cortês. – Não é nada de mais, professora. – Vincent falou calmamente, enquanto olhava para a docente que estava a sua frente, obviamente não a encarava, tratava-se de uma norma de etiqueta. – Apenas estou um pouco concentrado em um assunto... – Não sabia exatamente se podia tocar naquele assunto com a professora McGonagall, mas iria tentar a sorte. – Recentemente eu me lembrei de algo que estava "bloqueado" em minha memória. – Aquela história parecia louca até mesmo para Vincent que havia vivido aquilo, mas de qualquer forma precisava compartilhas com a professora. – Enfim, professora, eu acabei por descobrir que tenho um padrinho, mas não tenho ideia de quem seja, talvez a senhora por ter dado aula a minha mãe, talvez a senhora possa saber de algo. – Não tinha muitas esperanças de que ela soubesse de algo.

– Vincent, eu realmente acho que há alguma coisa com você. – A professora manifestou-se antes de ouvir do que ele havia para dizer, balançou a cabeça positivamente algumas vezes, titubeando para ver se conseguia lembrar-se de algo. – Entendo, entendo. – Ela falou alguns segundos depois de Vincent terminar de falar. – Sinto muito, Vincent, mas temo que não posso ajudá-lo... – Justamente como ele imaginava. – Não imediatamente, eu diria. Sua mãe e eu nunca fomos muito próximas, mas há alguém que pode ajudá-lo: uma professora de defesa contra as artes das trevas que era muito amiga da sua mãe, ela aposentou-se há alguns anos, e entrarei em contato com ela, se há alguém neste mundo que pode ajudá-lo é esta senhora, agora mesmo enviarei uma carta para ela. – A professora falou decisiva, enquanto olhava para os lados, procurando pena e papel para escrever a carta para a tal professora.

Alguns dias mais se passaram e Vincent não conseguia se contiver em ansiedade, estava aguardando a carta da professora, havia se reaproximado de Dafne, e estava novamente conseguindo dedicar-se ao máximo as aulas, acumulando muitos pontos para a Sonserina, coisa que não parecia ser o suficiente, pois todo ano era a mesma coisa a Grifinória sempre saia-se vitoriosa, era algo de outro mundo, ou talvez de infindáveis trapaças de Potter e seus amigos, aquilo era o mais provável sem dúvidas.

Terças feiras para Vincent eram especialmente cansativas, duas aulas de Defesa contra as artes das trevas com Moody, o melhor professor que já possuíra, logo após eram mais dois tempos do estudo de poções, e para finalizar um tempo de feitiços, esgotava qualquer um pouco preparado, mas Vincent conseguia aguentar aquilo perfeitamente, ainda mais motivado pelas coisas do passado de sua mãe, e o seu obviamente.

– Vince, a professora McGonagall está o esperando. – Astória disse ao passar por Dafne e Vincent no meio do corredor que levava as masmorras. – Disse que é importante, melhor ir logo. – Astória terminou de falar e caminhou em direção ao salão comunal da sonserina.

– Acho melhor eu ir, Daf. – Vincent sabia do que se tratava, mas a priori preferia não comentar nada nem com Dafne nem com Astória, para não provocar nenhuma expectativa exagerada. Dafne apenas beijou Vincent para se despedir dele, e voltou ao comunal. O caminho a sala de transfiguração era bastante longo, mas Vincent estava em polvoroso, esperava realmente que fosse a professora que havia respondido a correspondência, chegou com relativa facilidade a sala, talvez com o folego um tanto quanto prejudicado, nada que pudesse interferir com o que estava por vir.

– Vincent, obrigado por vir. – Minerva usava sempre seu tom cortês para se referir aos outros, era uma mulher de modos bastante admirados por Vincent, sem falar que o conhecimento dela sobre qualquer assunto era também muito admirável.

– Imagine professora. A senhora é quem está me prestando um favor inestimável. – Vincent respondeu, caminhando para dentro da sala de aula, Minerva estava com uma carta nas mãos, parecia reler algumas vezes para se certificar que tudo estava corretamente como ela esperava. – Sem querer parecer intrometido, mas essa é a carta da professora? – Vincent estava de fato bastante ansioso para aquilo, quem sabe o que a professora poderia lhe dizer sobre sua mãe?

– Não poderia negar isto para um dos meus melhores alunos, filho de uma das minhas melhores alunas, não é? – Minerva falou pausadamente, enquanto passava novamente os olhos sob a carta, para ter certeza de que tudo estava como previsto. – Sim, Vincent, eu vou poupá-lo de ler a carta toda, que está embalsamada de sentimentos de aluno/professor. Ela está muito feliz por termos entrado em contato, e quer marcar um encontro com você, no próximo passeio para Hogsmeade, ela estará em um pequeno salão de chá que acabou de reabrir, às 14h, e diz ter informações valiosas sobre sua mãe. – Minerva então entregou a carta para Vincent, caso ele quisesse ler com todas as palavras que a professora havia usado, obviamente Vincent não leria nada daquilo, estava bastante entusiasmado para conversar com a tal mulher para descobrir tudo o que ela sabia sobre sua mãe.

A semana passou com uma velocidade impressionante, Vincent finalmente pôde contar a Dafne e Astória sobre o ocorrido, mas o fato era que em anos não sentia todo o ânimo que estava sentindo para conhecer a ex-professora Windia.

Antes que alguém pudesse perceber a carruagem que levava a Hogsmeade já estava entrando na cidade, Vincent havia tratado de ir para a cidade 20 minutos antes do combinado para evitar qualquer imprevisto, pois Windia morava na Romênia e ficaria na Escócia por apenas um fim de semana.

– Vince, você quer que eu vá com você? – Dafne perguntou, o clima no local estava bastante frio, portanto os dois estavam andando bastante juntos. – Eu gostaria de saber mais sobre a sua família. – Dafne as vezes sentia-se excluída por Vincent, muito pouco ele falava de sua vida, ou da vida de seus familiares, era algo frustrante por se dizer, mas talvez aquele fosse o preço por estar namorando Vincent Selwyn, o mais brilhante aluno de Hogwarts. Apesar de todos os defeitos Vincent era uma das mentes mais talentosas vivas, possuía muito potencial e ainda estava em seu quarto ano. Dafne entendia um pouco da personalidade de Vincent, mas não completamente talvez fosse isso que ainda os mantinha juntos, porque se pode dizer que Vincent não é nenhum poço de carinho e ela sentia isso na pele todos os dias em que estava com ele, mas talvez todo aquele mistério que o envolvia servia para ela ainda ter interesse em ficar com ele.

– Não, minha querida, eu prefiro tratar disso sozinho. – Vincent então se aproximou de Dafne, beijando-a na testa, e então logo depois passou a caminhar em direção ao tal salão de chá. Vincent era alguém que não conseguia ficar sem pensar em algo, e na maioria das vezes ficava imaginando porque uma menina como Dafne ainda perdia seu tempo com alguém como ele, ele não dava nem um terço de tudo que Dafne precisava, não era muito atencioso, tudo o que fazia era escutar enquanto ela falava e falava sobre as amigas, os dramas familiares e tudo aquilo que não era de fato importante para Vincent, mas uma namorada ajudava a manter as aparências, não era normal um garoto de 14 para 15 anos, um bom partido como ele, estar desacompanhado. Por fim abaixou-se e deu alguns selinhos em Dafne, precisava manter as aparências acima de tudo, arrancando alguns suspiros da garota. – Se cuide... Meu amor. – Aquelas palavras custaram a sair da boca de Vincent, talvez fosse algo que iria amargar sua boca para sempre.

Dafne quase se derreteu ao ouvir o que Vincent havia dito, em talvez 6 meses de namoro fosse a primeira vez que ele se referia a ela daquela forma carinhosa, Dafne então pôs-se nas pontas dos pés e beijou Vincent em meio a multidão que estava chegando, era uma cena vergonhosa para o Selwyn, mas precisava continuar com aquilo custe o que custar. Por fim, desvencilhou-se de Dafne com algum esforço psicológico e se dirigiu para o lugar onde havia marcado de encontrar com a Sra. Windia, o local parecia ser bastante agradável, tocava uma música antiga, dos anos 60, ou 50, talvez, era clássica da forma que Vincent gostava, as atendentes todas muito bem vestidas demonstrava o respeito que os proprietários mostravam a seus clientes, Vincent então sentou-se em uma das mesas mais próximas ao final do salão, mas onde era muito bem visto por quem entrava, e não demorou muito mais que 10 minutos para a Sra. Windia, pelo menos mantinha a suposição de se tratar dela, e mais um rapaz que Vincent conhecia por capas de revistas entrar no local. O rapaz era Kyle Strafthor, um domador de dragões romeno que fazia muito sucesso mundo a fora com suas performances e seus livros sobre a criação dos dragões. Os dois então se encaminharam para a mesa onde ele estava, logo ele então teve a certeza de que a gentil senhora tratava-se de Windia.

– Vincent! – A idosa falou enquanto sentava-se a mesa, auxiliada por seu possivelmente neto, a sentar-se. – Quanto tempo, meu caro, a ultima vez que eu o vi você tinha apenas 4 anos, não é Kyle? – A mulher esperou o rapaz sentar-se em uma cadeira que ficava ao lado da de Vincent. Vincent olhou por alguns longos segundos o rosto de Kyle, e foi como se uma nuvem da memória tomasse lugar do rosto do rapaz, lembrava-se de uma visita dele, Kyle deveria ter no máximo 7 anos naquela época, e não saia da barra da saia da avó, mas ele mudara muito de lá para cá, assim como Vincent.

– Sim, vovó, da ultima vez que e o vi ele não aparentava ter muito mais que meio metro de altura. – Kyle deu um sorriso sincero enquanto a velha Windia ria bastante como se estivesse em um show de piadas. – Mas posso ver que ele cresceu bastante, e tornou-se um adolescente bem forte. – Se Vincent não fosse uma pessoa bastante estudada para certos assuntos, poderia jurar que naquele momento Kyle havia lhe passado uma cantada qualquer. – Mas e então, vovó, por que viemos mesmo? – Kyle aparentemente ficou sem graça, e então passou a olhar para a entrada do salão.

– Vincent cresceu tanto, mas tanto, que sua mãe ficaria muito orgulhosa. – A mulher novamente falou, parecendo ignorar parcialmente o flerte que Kyle havia jogado contra Vincent, Windia era uma mulher muito sensata de fato. – Mas e então, por que estamos aqui mesmo? – Talvez o Alzheimer estivesse chegado mais cedo para aquela gentil senhora que havia se oferecido para disfrutar um pouco do passado de Vincent. – Ah sim... Me lembrei, você disse que gostaria de saber sobre o seu passado, até onde eu sei, não é? – Vincent acenou que sim com a cabeça estava bastante ansioso para ouvir o que a senhora tinha a dizer. – Você nasceu em uma época difícil é claro, o poder do Lord das Trevas era implacável, entende? – Claro que Vincent entendia, não estava interessado em detalhes tão mínimos, como a explicação dos poderes do Lord das trevas. – Mas enfim, vamos continuar, Nathan ficou bastante feliz por ter seu primeiro filho, o primeiro de muitos é verdade, é verdade. – Kyle, Vincent e Windia riram em uníssono, enquanto a senhora voltava a se concentrar para contar a história.

– Nathan e sua mãe ainda moravam em uma das mansões de seu avô, em um local chamado Schering Daises, você deve ter algumas lembranças de lá, mas era muito novo para se lembrar daquele maravilhoso lugar, não é? – A mulher divagava de mais para o gosto de Vincent, e Kyle parecia compartilhar do mesmo sentimento de Vincent, não que estivesse arrependido de contatar a mulher, gostaria apenas que ela fosse mais objetiva. – Por fim vocês esconderam-se lá com medo do Lord das Trevas, e sua família estava ameaçada, seu tio, Montie, é um dos maiores comensais da morte que já pisaram na face da terra. – Se isso lhe fosse dito há alguns anos Vincent discordaria veementemente, mas agora sabia que aquilo era verdade. – Seu avô então colocou o feitiço Fidelius na casa e até a tormenta do Lord das Trevas passar vocês ficaram seguros. Quase 1 ano foi necessário para isso, mas finalmente vocês estavam em segurança, ou pelo menos todos nós pensávamos isso... – A mulher então chamou a garçonete que caminhava de um lado para o outro.

– Um chá de camomila para mim, por favor. – A garçonete anotou o pedido de todos, e estranhamente Kyle havia pedido a mesma coisa que Vincent, deixando-o levemente assustado. – Então, Sra. Windia, eu a contatei por uma informação em especial, espero que não seja muito rude de minha parte querer pular direto ao assunto, mas o horário de visitas a Hogsmeade acaba logo. – Vincent falou pisando em ovos, havia uma remota possibilidade de magoar a senhora e ela não abrir mais o bico. O chá então chegou rapidamente e eles voltaram a conversar enquanto bebiam.

– Claro meu querido, também temos que ir logo, pois nossa chave de portal para a Romênia sairá logo. – A senhora tomou mais um gole de chá, esperando que Vincent fizesse a pergunta.

– Muito obrigado. – Vincent agradecera primariamente. – Esses dias eu me lembrei de algo, algo sobre Schering Daises, e então eu vi um homem, que minha mãe disse que era meu padrinho, a senhora saberia dizer quem é? – Vincent perguntou ansioso, enquanto terminava de tomar a xicara de chá.

– Mas é claro que eu o conheço, meu jovem. – A senhora abriu um largo sorriso. – Aliás, quem não o conhece? Ele é um dos membros mais famosos do Ministério da Magia. – Ela estava fazendo suspense sem dúvidas. – Rufus Scrimgeour, o chefe da seção dos aurores. – Vincent ficou bastante pensativo ao ouvir o que ela havia dito, tinha uma lição especial com alguém muito importante dentro do Ministério, talvez aquilo pudesse servir como porta de entrada para o Ministério, algo que Vincent sonhara desde pequeno.

– E como eu faço para entrar em contato com ele? – Vincent perguntou curioso, quase não estava mais se aguentando na cadeira onde estava sentado.

– Ele virá para o torneio Tribruxo, mas acho melhor enviar uma correspondência para ele marcando o local, dizem que ele é um pouco explosivo. – A mulher deu uma risada um tanto quanto sarcástica e levantou-se. – Bem Vincent, estamos de saída, espero que consiga mais respostas para o que procura. – Ao terminar de falar Windia beijou o rosto de Vincent, já Kyle apertou a mão do mesmo e jogou um pedaço de papel sob seu colo.

Após sair do local Vincent pôde ver que era o endereço de correspondência do rapaz na Romênia, talvez devessem manter contato, Kyle era uma pessoa famosa e poderia apresentar contatos importantes para Vincent, escreveria para ele no outro dia, o importante agora seria marcar um encontro com Rufus Scrimgeour, e esclarecer ainda mais pontos de seu passado, como o incidente que havia causado os problemas psicológicos de sua mãe, sentia que estava cada vez mais próximo de encontrar a verdade.