Já se passava mais de uma semana desde o casamento, o casal havia viajado em lua de mel para algum lugar que Harry já não se recordava mais direito qual era. A casa dos Weasley estava bem movimentada nos últimos dias, com membros da Ordem passando de vez em quando por ali para discutir algum assunto importante e outras coisas, a Toca era a sede temporária da Ordem para caso de necessidades. O clima de romance entre Harry e Gina crescia, como não poderia deixar de ser naqueles dias que estava ali juntos.

Por outro lado duas pessoas não se encontravam exatamente satisfeitas com o rumo de suas vidas naquele momento. Hermione, por algum motivo parecia perdida nos últimos dias e evitava manter qualquer tipo de conversa com Harry, Gina ou Rony que durasse mais de quatro ou cinco frases, passava o dia perdida em livros como se tentando fugir de si mesma. E Rony estava bastante triste e sem vontade de fazer nada desde o fora que havia levado da garota.

- Harry... Por que ela fez isso?

- Mulheres não são nada simples de se entender Rony – disse o garoto despreocupado.

- Mas você e a Gina por exemplo... Tudo parece tão fácil.

- Não é fácil – Foi a resposta imediata de Harry sem pensar por mais de um segundo... Mas aquilo não era exatamente verdade, tudo entre ele e a garota era extremamente simples e fácil, estavam em um êxtase que por muitas vezes fazia até mesmo que esquecessem que havia uma guerra acontecendo ou algo do gênero, era como se o mundo estivesse em paz e fosse feito apenas para eles.

Mas aquele dia parecia que seria um pouco diferente dos demais, desde o inicio da manhã já começavam a chegarem membros da ordem para o que seria aparentemente uma importante reunião. Harry e os outros como sempre de nada era informados, oficialmente ainda não eram membros da Ordem, mas desta vez foi diferente de todas as anteriores, os garotos foram chamados à sala de reunião que já estava cheia.

- Harry James Potter – disse um homem que Harry nunca havia antes visto. Estava encostado junto a janela observando a sala, era alto e de um físico imponente, como se tivesse sido esculpido em academias, seus cabelos eram de cor castanha, bastante bagunçados sobre a cabeça, o rosto seria o que metade da população trouxa perguntaria o motivo de não estar estampando algum anuncio publicitário. Sorriu observando o garoto, aparentava não ter mais de 30 anos. – estava curioso em conhecer finalmente o lendário escolhido, filho de James e Lilly.

- Dante. Como sabe estamos sem tempo para apresentações – disse Lupin para o homem com calma – agora tomem seus lugares. – os garotos se sentaram, e Harry pôde ver que Neville também estava ali – hoje oficialmente Harry, Hermione, Rony e Neville tomam lugar em sua primeira reunião como membros da Ordem. E para os que ainda não sabem Dante foi chamado por Snape para ser o novo professor de Defesa Contra Artes das Trevas em Hogwarts.

Harry observava aquele homem por vários momentos, ainda não tinha certeza das motivações que o faziam pensar naquilo, mas por algum motivo não conseguia confiar naquele olhar e sorriso, pareciam ter sido colocados ali a força, e Snape o contratara... Não fazia sentido ele ser fiel a Ordem e ser contratado pelo assassino de Dumbledore, mas por hora o garoto guardaria essas acusações para ele mesmo, não poderia as fazer ali, investigaria mais tarde, a sós.

- Cargo esse que o coloca nas fronteiras inimigas – cortou Moody – caro Dante, você acredita ser realmente capaz de se manter fiel a nós logo abaixo dos olhos do novo diretor?

- Não acho que a minha fidelidade seja motivo de discussão aqui – disse Dante em um tom de voz calmo – e Hogwarts precisa de alguém que proteja aqueles alunos das mãos de Voldemort – algumas pessoas na sala tiveram calafrios ao ouvir o nome do Lord, mas aquele homem não parecia se importar realmente com isso – E alguns aqui devem saber o motivo de Snape confiar em mim para este cargo, apesar dele não saber que integro a Ordem.

- Sua fidelidade a nós nunca foi comprovada garoto – disse Moody em um tom irritado. Era óbvio que ele concordava com os pensamentos de Harry sobre a não-confiabilidade daquele homem.

- Contudo minhas habilidades já foram – o homem continuava sem se abalar, e isso irritava Moody – nunca seria pego por comensais facilmente ou usado como ferramenta.

- Certo, certo. Agora os dois fiquem quietos – esbravejou Tonks, que agora estava diferente, com um tom sério. Harry sorriu de leve ao notar a aliança de noivado no dedo da Auror – temos muita coisa para discutir no lugar dessas picuinhas pessoais aqui.

- Harry... – interrompeu Lupin olhando para o garoto – Horacio e Dumbledore nos avisaram antes dos últimos acontecimentos que você tinha uma descoberta sobre aquele-que-não-deve-ser-nomeado e que seria você que nos deveria explicar.

O garoto agora se lembrou de tudo que só tinha contado para Hermione e Rony sobre as Horcruxes de Voldemort e o que realmente havia acontecido naquele dia com Dumbledore na caverna. Contou com calma toda a história que havia descoberto, e citou o fato de que não faziam ideia aonde encontrar ou como destruir aqueles objetos. Dante deixou escapar um riso mudo e foi rapidamente fitado por Moody com raiva.

- Senhor Eastwood – disse Moody vorazmente – se tiver algo a adicionar, fale.

- Acredito que eu poderia ser bastante útil para Harry e os outros nisso – disse o homem – conheço a maldição e como quebrar ela.

- E como saberia? – Moody realmente sentia raiva – É um conhecimento perigoso e que não é qualquer um que poderia ter acesso. Nem mesmo Dumbledore conhecia.

- Não sou qualquer um Moody – O olhar de Dante era capaz de fazer uma criança chorar naquele momento – não como você. – aquela voz tinha um tom arrogante e estranho.

- Você se acha tão melhor que os demais Eastwood. – Moody sacava sua varinha naquele momento – por que não prova ser tão bom dando uma amostra a todos?

- Eu não faria isso no seu lugar Moody – interrompeu a discussão Quim, Dante não havia movido sequer um musculo para aquela ameaça – não é hora nem lugar para isso.

- Remo – disse Dante olhando para Lupin – peço que me deixe testar os garotos e alguns outros membros da Ordem e que eu possa ensinar algumas coisas nesses últimos dias antes de meu regresso a Hogwarts. Acho que o que tenho a lhes dar venha a ser bastante útil.

Lupin acatou o pedido de Dante e a reunião se deu por terminada naquele momento, o homem chamou Harry, Rony, Hermione, Neville, Gina, Fred, George, Percy e mais dois ou três aurores que não era conhecidos ainda pelos garotos para que o seguissem até o exterior da casa. Todos obedeceram com a exceção de Harry que ficou para trás, queria conversar com Lupin sobre aquele homem, não conseguia ter a menos confiança nele.

- Lupin... Quem é esse cara? E por que deveria confiar nele?

- Dante Eastwood... Ele estudou em Hogwarts no mesmo tempo que eu. O mister perfeição na visão de todos. – disse Lupin com um tom leve de deboche – E motivos para confiar nele não posso te dar, mas ele pode vir a nos ser bastante útil se for fiel no fim de tudo isso.

- E um desastre se não o for – disse Moody irritado colocando a mão sobre o ombro de Harry – vou com vocês supervisionar o treino dado por ele.

Saíram pela porta caminhando na direção que os demais haviam seguido, Moody tinha um ar irritado e bastante bravo, ele realmente detestava Dante e Harry estava curioso sobre os seus motivos, mas não era ainda a melhor hora para fazer essa pergunta. Seguiram por alguns minutos até uma barracão montado em um canto escondido do terreno d'A toca. Entrando lá puderam observar algo muito parecido com um clube de duelos clássico. Todos estavam sentados observando Dante e explicava algo em frente a sala.

- Certo. Algum voluntário para demonstrar um duelo?

- Vamos deixar os garotos apenas assistirem isso – esbravejou Moody – por que não cruza varinhas comigo para essa demonstração Eastwood?

O homem sorriu observando Moody, Harry pôde sentir uma pitada de crueldade naquele sorriso, mandou que o auror subisse ao palco de duelos, e voltou a olhar para os garotos. Harry se sentou entre Hermione e Gina que estavam entretidas em observar o que aquilo viria a ser. Neville e Rony pareciam também aturdidos na observação do que estava para acontecer.

- Eu realmente não confio nele...

- Nem eu Harry – suspirou Hermione – mas acredito que o Moody possa nos mostrar a verdadeira face dele.

- AS REGRAS SÃO SIMPLES. O PRIMEIRO A DESISTIR OU NÃO PODER SE LEVANTAR PERDE. – Disse Dante em um tom ameaçador e ao mesmo tempo elucidativo enquanto caminhava e ficava de frente com Moody com varinha em punho. Os devidos cumprimentos foram dados e sete passos contados.

- Expe... – começou a proferir o feitiço Moody, no entanto se viu fadado ao silencio após um simples movimento de varinha de Dante.

- Olho-Tonto... Você realmente iria apenas tentar me desarmar assim se eu fosse um comensal? – o homem debochava do velho auror – As historias que já ouvi sobre você me levaram acreditar que era melhor que isso. Refaça.

- Estupe... – Dante balançou a cabeça e moveu a varinha novamente calando Moody.

- Tente mais forte. Você não me obrigou a falar um feitiço ainda.

Harry olhou por um momento para Hermione, queria uma explicação do que estava assistindo. A garota entendeu e rapidamente explicou para o garoto – Silencio... Ele esta calando as magias de Moody sem o menor esforço. – era uma explicação simples e plausível, mas ainda assim era difícil de acreditar que Moody estava perdendo tão feio.

- Fogomaldito. – Exclamou Moody fazendo com que diversas labaredas começassem a correr de sua varinha e pelo chão do campo de duelo.

- Agora sim Alastor. Um feitiço ao nível de um auror – Dante sorria movendo sua varinha em direção as chamas – Escarnifiry – chamas negras se projetaram da varinha do homem e contornaram as de Moody as fazendo aos poucos desaparecerem. As chamas seguiam na direção de Olho-Tonto.

- Você sabe que esta magia foi proibida Eastwood. – esbravejou Moody – Protego. – as chamas negras bateram numa barreira de magia invisível convocada por Moody, algumas pequenas labaredas puderam passar pela barreira e começaram a queimar o braço do Auror.

- Expelliarmus – Dante desarmou Moody que sentia o braço arder em chamar. E foi caminhando lentamente até ele. – bem... Parece que ele já não tem condições de se levantar, a vitória é minha. – Finite. – as chamas pararam de queimar e Moody tentou se levantar com dificuldade. Não era só o braço queimado que doía, o orgulho ferido machucava ainda mais. – agora que já entenderam do que se tratarão nossos treinos, posso começar a lhes ensinar como se portar contra comensais, em duelos e ensinar alguns truques uteis... Que o ministério, agora nas mãos de Malfoy, adoraria que não conhecessem.

Uma semana se passou em que os garotos eram treinados por Dante de forma bem intensiva. O homem havia começado ensinar aos garotos alguns feitiços ainda desconhecidos por Harry, e um que o garoto já conhecia e o fez sentir mais estranheza no homem que começara a ensinar a eles a maldição do príncipe mestiço, Snape, Sectumsempra. Durante os duelos travados na aula Harry pôde perceber aos poucos a evolução em cada um dos que ali estavam.

Apenas Neville agora fazia frente a Harry em duelos, os demais ainda estavam níveis abaixo, mas ainda assim evoluindo ao ser próprio tempo. Dante parecia sentir um orgulho traiçoeiro quando um duelo terminava com machas de sangue no tapete ou com ferimentos mais graves do que simples arranhões. Mas agora não era isso que estava assustando Harry, e sim outra coisa... O próprio garoto sentia um prazer mórbido em ferir aqueles com quem duelava, e isso não estava certo.

Havia mais uma coisa errada... A proteção da toca aparentemente foi rompida em uma tarde de sol aonde todos estavam treinando no barracão, gritos foram ouvidos e os garotos correram do barracão para ver do que se tratava. A velha casa dos Weasley estava em chamas e um bruxo de varinha em punho apontava para ela rindo de forma maquiavélica. A segurança da toca fora vencida.