Sumário: Jensen é um adolescente problemático, que após perder a mãe, tem de conviver com o pai que o ignora e com o sentimento de que nada em sua vida se encaixa. Até que ele conhece Jared, um rapaz novo na cidade e com energia que emanava pelo corpo. E então, as coisas prometem mudar. AU. PADACKLES.

N/A: Minha imaginação fluiu para escrever isto e aqui estou com uma nova fic! Espero que gostem sinceramente! Nessa historia eles estão na escola, então, acredito que por motivos óbvios, decidi que Jensen teria 16 para 17 anos, e Jared 15 para 16, mais ou menos. Portanto não estranhem se a diferença de idade entre os dois não combina com a diferença real.

Disclaimer: Não é necessário dizer que eles não me pertencem…


Capítulo 2: Amigos?

Jensen saiu debaixo do carro que estava ajudando Jim Beaver a consertar e suspirou de um jeito cansado. O mais velho coçou a barba e o encarou com um pouco de preocupação. O garoto era como um filho pra ele, e ele sabia da situação com Roger.

- Algo errado, Jen?

O loiro apenas sacudiu a cabeça negativamente.

- Eu vou ter que sair um pouco mais cedo hoje, Jim… meu pai pediu que eu pagasse umas contas pra ele.

- Sem problemas. Pode ficar tranqüilo, garoto. E aí, como foi o primeiro dia na escola ontem?

- Normal. Sabe, o de sempre. As mesmas pessoas, as mesmas coisas… não tem nada de diferente.

- Hum… e então, já está pensando na faculdade?

Jensen se levantou do chão e limpou as mãos com um pano, parecendo incomodado com o rumo da conversa.

- Sabe que isso não está nos meus planos.

- Pois devia estar. – Jim usou um tom sério e Jensen ergueu os olhos. – É o seu futuro, Jensen? Não pensa nisso?

- Penso sim. Mas você sabe muito bem o que eu quero fazer.

- Sei, mas não concordo. Você é um garoto inteligente, pode fazer muito mais do que isso, filho… e eu quero que você seja mais do que isso. Quero que tenha um futuro.

Jensen pegou sua mochila e assentiu. Jim o puxou pelos ombros e fez o mais novo o olhar nos olhos.

- Sabe o quanto é importante pra mim, Jensen. Você é como o filho que eu nunca tive… e tudo que eu mais quero, garoto, é ver você bem. Você pode ao menos tentar…

- Eu vou, Jim, prometo.

- Ok… agora vá fazer o que seu pai te pediu logo de uma vez.

O loiro saiu da oficina com passos curtos e assim que ganhou a rua, sua mente começou a vagar como sempre quando ele caminhava. Os pensamentos iam e vinham com velocidade, e ele se pegou pensando no que Beaver lhe havia dito a respeito de futuro e faculdade. Como seria se Jensen realmente fosse para a faculdade, se ele tivesse uma chance de fazer as coisas diferentes. Será que seu pai olharia pra ele com outros olhos?

Talvez seu pai nunca o olhasse com outros olhos.

Era inútil pensar que as coisas em sua família pudessem ser diferentes em relação a ele e seu pai, que as coisas pudessem se acertar e serem como antes de sua mãe falecer. Nunca mais seriam a mesma família.

O ponto de ônibus já estava ficando perto, e Jensen deixou esses pensamentos um pouco de lado enquanto começava a prestar atenção nos horários de ônibus para o centro da cidade. Foi aí que ele sentiu o peso de uma mão enorme pousar sobre seu ombro direito e ele teve um sobressalto. Quando se virou, pronto para fazer algo em sua defesa, notou que aquele rapaz alto, Jared, o encarava rindo com covinhas à mostra.

- Porra, você é maluco?!

Jared riu mais abertamente enquanto Jensen respirava fundo, tentando se acalmar do susto que havia acabado de tomar.

- Não, mas fiquei feliz de você ter ao menos falado alguma coisa com mais de uma sílaba agora. Aonde vai?

- Fazer uma coisa pro meu pai. Eu… preciso pegar o ônibus.

O loiro se virou e Jared foi o acompanhando ao seu lado, como se nada estivesse acontecendo. Jensen o olhou com estranheza e pensou que Jared era um cara muito esquisito.

- Que está fazendo? – Jensen perguntou o olhando de lado.

- Bom, se você vai pro centro, eu também vou. Assim é bom que eu conheço um pouco da cidade… eu não vi você na escola hoje…

- Eu cheguei atrasado. – O loiro desconversou. – Olha, eu não sei se é boa idéia você ir comigo, ok, eu não posso demorar e…

- Relaxa, Jen. – O moreno lhe deu outro sorriso. – A gente volta cedo.

Jensen o encarou novamente, curioso agora pelo modo como ele lhe havia chamado pelo apelido de maneira tão natural e despretensiosa. Jared parecia ser um cara tão bem resolvido e alegre, não era mesmo o tipo de pessoa que poderia cogitar aproximar-se dele, querer fazer amizade. Não fazia o tipo de pessoa que gostava de andar com Jensen, porque afinal, ninguém gostava.

- Nós vamos pegar um ônibus, então? – Jared perguntou assim que eles chegaram ao ponto.

- É, parece que sim. Não dá pra ir ao centro a pé. – Jensen disse enquanto enfiava as mãos nos bolsos da calça jeans.

- Legal, é bom que eu vejo quais os ônibus pegar. Eu aprendo rápido. E eu também tenho algum dinheiro, a gente podia ir fazer um lanche depois, ou algo assim

Jensen não respondeu. Somente fez sinal para o ônibus e logo os dois estavam embarcando para o centro da cidade.

**************

Após irem até o banco e pagar as tais contas para o Sr. Ackles, os dois rapazes caminharam um ao lado do outro pelas ruas da cidade, Jensen muito calado e Jared muito curioso. Às vezes, parecia uma criança e o loiro se recusava a responder perguntas por vez e outra. Jared não se incomodava com as reações de Jensen. Na verdade, achava-o bacana e muito interessante, como um mistério a ser desvendado.

- Então, e aí, seu pai faz o que? – Jared indagou um pouco depois.

- Ele tem um mercadinho… perto de casa.

- Hum… e ele é um pai legal?

Jensen deu de ombros e continuou andando. Jared logo percebeu que ali, havia algo pra ser descoberto mais tarde.

- E você tem namorada?

A pergunta que Jared fez veio de repente, e Jensen o olhou com certa curiosidade, diminuindo um pouco o passo em que estavam caminhando. Depois deu de ombros e sacudiu a cabeça em negativa, voltando a caminhar normalmente. Jared somente concordou com a cabeça.

- Você namora? – Jensen perguntou, para surpresa de Jared.

- Não… na verdade não.

- Eu sei que não aqui… mas onde você morava antes, não tinha uma namorada?

Jared deu um pequeno sorriso e respondeu:

- É… tinha uma pessoa com quem eu ficava, mas não chegou a ser um namoro propriamente dito. Só curtimos um tempo.

Jensen concordou com a cabeça, enfiando as mãos nos bolsos. Sentiu Jared lhe dar um pequeno cutucão no braço e olhou para ele.

- Ei, aquele parece um bom lugar pra gente fazer um lanche. O que você acha?

- Jared, eu não…

- Ei, eu estou te convidando. Você ta afim? A gente pode pelo menos tomar um suco.

Depois de aceitar, Jensen seguiu Jared de perto, prestando atenção no moreno, meio que tentando analisá-lo. O garoto era sem duvida elétrico e muito animado, gostava de conversar e fazer amizade. Mas ainda assim, Jensen não entendia porque ele insistia nessa coisa de chamar sua atenção, de querer sua companhia… nem seu próprio pai queria ter sua companhia e porque esse tal Jared, que nem ao menos o conhecia direito, estava fazendo tanta questão disso.

Não que Jared parecesse ser má pessoa, longe disso. E também não era como se Jensen não gostasse de ter uma companhia após tanto tempo. Jensen só não conseguia assimilar o que estava acontecendo.

Jared escolheu uma mesa com dois lugares, um de frente para o outro, e deu um sorriso. Pegou o cardápio e empurrou para o loiro, dizendo que ele podia mesmo escolher qualquer sanduíche que estivesse ali. Jensen ficou meio desconfiado, mas em seguida aceitou.

Escolheu alguma coisa barata e um refrigerante, em seguida estendendo o cardápio para que Jared pudesse ler também e escolher o que queria. Enquanto ia lendo as opções, Jared perguntou casualmente:

- Você gosta de basquete?

Jensen deu de ombros.

- A gente podia jogar junto qualquer hora dessas. – O moreno sugeriu. – Na sua casa, já que você não curte muito sair…

- Lá em casa não dá. – Jensen respondeu com certa rapidez, e Jared o encarou com mais curiosidade. – É que… papai não gosta muito que eu leve visitas.

- Você nunca leva ninguém na sua casa? Ninguém mesmo?

O loiro sacudiu a cabeça em negativa e Jared assentiu.

- Talvez você pudesse ir ate a minha casa. Meus pais não vão ligar se você for, aliás, eles vão ficar muito felizes de saber que eu já fiz um amigo. – Jared abriu um sorriso enorme. – Eu tenho uma irmã menor, ela às vezes é meio irritante, mas eu prometo manter ela longe. Podemos ver alguns filmes, jogar basquete, assistir um jogo, sei lá. Qualquer coisa que você quiser.

- Eu… não costumo ir muito à casa das pessoas… - Jensen deu um pequeno sorriso sem graça.

- De ninguém?

- Bom… - Jensen coçou a nuca. – Eu vou à casa do Jim. Ele é meu chefe na oficina. Ele é… bom, meu amigo também.

- Cara… então você precisa mesmo ir a lugares diferentes. – Jared sorriu. – Vou avisar a minha mãe que você vai nos visitar no sábado, ta bem? Daí ela com certeza vai fazer um bolo ou coisa do tipo.

- Mas eu…

- Você gosta de chocolate?

Vencido, Jensen concordou com a cabeça. Jared era uma criatura estranha que estava forçando passagem em seu mundo, querendo fazer parte da vida que Jensen tentava tanto esconder do resto das pessoas. Era estranho, mas no fundo não deixava de ser bom. Era bacana saber que alguém estava querendo se aproximar, querendo lhe dar um pouco de atenção. Isso não acontecia desde que sua mãe se fora.

Lancharam e Jared, para surpresa de Jensen, ficou quieto a maior parte do tempo. O loiro comeu rápido, olhava constantemente o relógio e não puxava assunto nunca.

- Você ainda vai trabalhar hoje? – Jared perguntou assim que eles saíram da lanchonete. O sol estava sumindo. Jensen estava começando a ficar estranho.

- Não. Eu só preciso ir pra casa. Meu pai me disse pra voltar antes de escurecer. Eu preciso ir…

- Ei, ei, calma. – Jared riu e segurou o braço dele. – Nós já vamos. Seu pai é bravo assim?

- Ele só não gosta que eu descumpra as regras… - ele respondeu com a voz fraca.

- Então tudo bem, vamos pra casa, pode ficar tranqüilo.

Jensen caminhou para o ponto num passo rápido, estava quase correndo. Jared se preocupou. Não era nada normal um rapaz da idade de Jensen não ser feliz, não era normal que ele ficasse tão nervoso a respeito de um simples horário e também o fato de não poder levar amigos em casa. É, mas Jensen não tinha amigos.

- Não vai dar tempo… - o loiro sussurrava enquanto o ônibus seguia seu caminho. Jared bateu de leve no ombro dele e deu um sorriso, tentando lhe passar um pouco de segurança.

- Fica frio, Jensen. Você nem esta tão atrasado assim…

**************

Jared fez questão de deixá-lo na esquina de sua casa, e o nervosismo de Jensen já o havia alcançado por inteiro. O loiro mexia com as mãos sem parar, andava rápido demais. Quando chegaram ate o local, Jensen fez uma breve pausa e disse:

- Obrigado por ter me pago o lanche. Valeu mesmo.

- Ora… - Jared sorriu. – Amigos são pra isso. A gente se vê na escola amanhã, ok?

Jensen assentiu e continuou seu caminho a passos largos e apressados, o coração palpitando sem parar. Seu pai estaria nervoso. As coisas não ficariam boas para seu lado, isso é certo. Principalmente porque, assim que avistou sua casa, viu que seu pai estava parado bem na porta com uma expressão nada amigável.

- Pai! – ele se apressou em falar, assim que chegou perto o suficiente. – Eu… me desculpa, eu…

- Moleque… - Roger o segurou pelo braço com extrema força, tanto que o rosto de seu filho transpareceu em dor. – Eu não lhe dei por acaso uma ordem?

- Sim senhor… e-eu… tive um contratempo… pai… meu braço.

- Se desse valor ao seu braço, estaria em casa na hora.

Roger puxou-o para dentro, raiva emanando de seus olhos. Já Jensen, este só sentia medo. Pelo cheiro que vinha de seu pai, ele havia bebido de novo, o que indicava que Josh não estava em casa pois seu pai nunca bebia quando o mais velho estava em casa.

- Eu prometo, pai, não vou mais me atrasar…

- Você promete?! E quem é você pra me prometer alguma coisa?!

Jensen mordeu o lábio inferior, seu pai fitou-o com indignação e raiva.

- Sempre ensino você a ter respeito por mim, e pelas ordens que você insiste em desobedecer! Mas já estou ficando de saco cheio disso, garoto! Vamos lhe dar outro corretivo… - Roger ia falando e ao mesmo tempo arrastando Jensen pelo braço, apertando cada vez mais.

Jensen engoliu o choro. Não era uma criança, não precisava mesmo apanhar, não devia chorar também. Se seu pai queria castigá-lo, encararia isso como um homem e não derramaria mais nenhuma lagrima. Talvez assim, acabasse mais rápido seu sofrimento.