Sumário: Jensen é um adolescente problemático, que após perder a mãe, tem de conviver com o pai que o ignora e com o sentimento de que nada em sua vida se encaixa. Até que ele conhece Jared, um rapaz novo na cidade e com energia que emanava pelo corpo. E então, as coisas prometem mudar. AU. PADACKLES.

N/A: Minha imaginação fluiu para escrever isto e aqui estou com uma nova fic! Espero que gostem sinceramente! Nessa historia eles estão na escola, então, acredito que por motivos óbvios, decidi que Jensen teria 16 para 17 anos, e Jared 15 para 16, mais ou menos. Portanto não estranhem se a diferença de idade entre os dois não combina com a diferença real.

Disclaimer: Não é necessário dizer que eles não me pertencem…

Capitulo 4: Quase Perfeito

Quando Josh entrou no quarto do irmão naquela manhã de domingo, este estava distraidamente tocando alguma musica em seu violão e anotando qualquer coisa num papel entre as pausas. Bateu de leve na porta já aberta, só mesmo pra chamar a atenção de Jensen e deixá-lo saber que ele estava ali, que queria falar alguma coisa. O mais novo ergueu os olhos e sorriu, chamando-o para sentar-se com ele na cama.

- Oi, Jen. – Ele sorriu, fechou a porta e em seguida foi juntar-se ao irmão. – E aí, tudo certo?

- Tudo.

- Hum… papai comentou alguma coisa a respeito de você ter saído e se atrasado… eu vi… como você ficou depois. Ele bateu em você de novo, não foi? Ele estava bebendo outra vez?

Jensen sacudiu a cabeça e indicou que ele não se preocupasse.

- Ah, Josh… deixa essa droga pra lá.

- Deixar pra lá nada, Jensen. Eu ralhei feio com ele, cara… você já vai fazer dezessete e você é um menino muito bom… papai não tem motivos pra fazer isso com você, e além do mais, essa coisa da bebida já está passando dos limites.

- Você só vai piorar as coisas.

- Eu só quero ajudar vocês. – Josh sacudiu a cabeça, triste. – Sabe que ele ficou assim depois da mamãe morrer… ele não consegue superar isso. Mas já está na hora.

- Josh… escuta. Você vai pra faculdade em duas semanas. Vai viver a sua vida… - Jensen deu um sorriso fraco. – Eu estou muito feliz por você e quero que dê tudo certo sempre. Para de se preocupar com isso, só vai ferrar com a sua cabeça enquanto você devia estar se preocupando com outras coisas… como você mesmo disse, eu vou fazer dezessete esse ano, eu posso me virar sozinho. Esse é meu ultimo ano na escola mesmo, e você sabe que ano que vem eu já vou começar a trabalhar integral e…

- Jensen, para com isso. Olha… o Jim é um paizão pra você, eu sei, e eu também sei o quanto você ama trabalhar na oficina, o quanto você adora fazer isso. Mas cara… eu quero mais do que isso pra você, e eu tenho certeza que o Jim também. Você tem que ir pra faculdade, tem que sair daqui. É sua chance de viver sua vida também. Você pode fazer um curso nessa área, sei lá, mas… você precisa. Não quero que você viva assim. Quero que você tenha um futuro seguro. Na faculdade você vai conhecer um lugar diferente, encontrar pessoas novas… vai fazer amigos. Aqui sua vida vai ficar sempre da mesma forma, você sempre vai ficar sozinho. Não quero isso pra você.

- Isso não faz diferença, Josh.

- Claro que faz! Ninguém pode viver isolado e nem mesmo você, sabe disso. Não quer arrumar uma namorada, por acaso? – Josh sorriu e Jensen riu, sacudindo a cabeça.

- Claro, se ela não resolvesse chutar o meu traseiro em dois dias ou menos.

- Ah, que isso, Jen… você é um cara e tanto. As garotas ainda vão fazer fila por você, maninho.

Jensen riu. Não costumava pensar muito nessa coisa de namorada, relacionamento… era algo que sempre considerava 'fora dos seus limites'. Algo surreal demais pra uma pessoa como ele.

- Mas… me diz aí, Jen. Quem é o seu amigo? – Josh perguntou com certa curiosidade. – Você foi visitar alguém ontem, e isso não é muito comum. E eu também sei que não foi visitar o Jim.

- Ah… Jared. – Jensen sorriu. – Ele é da minha classe. É novo na cidade, o pai veio transferido pra cá, eu acho.

- E foi legal lá, o que vocês fizeram?

Jensen deu de ombros e começou a contar:

- Nós jogamos vídeo game, conversamos… sei lá, coisas normais… de… amigos. Jared é um cara legal. A família dele é bem bacana também. Ele tem mesmo muita sorte.

- Que bom que você tem alguém pra conversar além de mim, Jen. Agora que eu vou embora eu fiquei pensando sobre isso, mas… já que você tem um amigo, eu fico mais tranqüilo. Não gosto de ver você tão sozinho. Mas de qualquer maneira quero que saiba que se acontecer qualquer coisa, qualquer tipo de problema, você pode me ligar à hora que for. Eu largo tudo lá se você me pedir, e estou aqui o mais rápido que puder, viu? – Josh sorriu e afagou os cabelos loiros de seu irmão mais novo. – Quero que você fique bem, Jensen. Eu te amo muito.

- Ah, também amo você, irmão.

Eles sorriram um para o outro e Jensen pareceu um pouco mais contente. Josh ia se levantando quando o mais novo o chamou.

- Ei, Josh, papai está lá embaixo?

- Não. Ele foi passar o dia na casa daquele sócio dele… só deve voltar no fim da tarde. Por que? Precisa de alguma coisa?

- É que… Jared tinha me chamado pra sair hoje e… eu ia pedir ao pai.

- Pode ir tranqüilo, Jen, eu falo com ele quando ele chegar. Pode deixar.

- Sério? Fala mesmo?

- Jen… vai se divertir. Anda… liga pro seu amigo e diz que vocês podem sair. Mas vê se chega cedo, ta bom? Não vai deixar ele nervoso à toa.

- Valeu, Josh.

Jensen desceu as escadas junto com seu irmão, ansioso por chegar logo ao telefone e ligar para Jared. Não sabia explicar, mas parecia que a casa minuto que passava, gostava mais e mais daquele garoto falante e caloroso. Jared o estava conseguindo cativar de uma maneira tão rápida e profunda que Jensen nem sabia como descrever. Só sabia que era muito bom quando ele estava ao seu lado.

- Alô…

Era a voz do Sr. Padalecki. Jensen respondeu um pouco tímido.

- Sr. Padalecki? Aqui é Jensen…

- Ah, oi, Jensen! – a voz dele mudou de formal para animada em poucos segundos. – Como está?

- Tudo bem, senhor.

- Quer falar com o Jay? Eu vou chamá-lo, só um minuto…

Jensen ficou apreensivo enquanto esperava. E se Jared tivesse mudado de planos e resolvido sair com alguém mais, ou talvez o tivesse pedido pra ligar só por pura educação? Ia ser constrangedor demais se Jared lhe dissesse que não poderia ir e…

- Jen?

Era ele. Oh, droga, agora não tinha volta.

- Ah… oi, Jared.

- Puxa… - Jared disse e Jensen pode jurar que ele estava sorrindo. – Eu achei mesmo que você não fosse ligar, eu já estava ficando nervoso. E aí? Você vai poder sair hoje?

- Ah… claro. Posso… meu pai saiu com um amigo e meu irmão disse que tudo bem. Você quer se encontrar depois do almoço?

- Claro, ia ser legal. Duas horas ta bom pra você? Podemos marcar perto da escola e daí decidimos algo legal pra fazer. – Jared parecia animado com a coisa toda.

- Hum, ok então. Eu espero você duas horas no muro da escola.

- Certo, até mais então, Jen.

Jensen terminou de se despedir e desligou. Novamente aquela sensação boa que provinha de Jared, e aquele frio na barriga estavam de volta só de pensar que iria vê-lo hoje.

***************

Quando Jared viu Jensen se aproximando do local marcado para o encontro, achou que era o cara mais sortudo do mundo. Jensen estava sorrindo em antecipação, puxa, Jen era um cara lindo. Lindo de verdade. Ele tinha essa coisa, esse ar tão doce e inocente, que despertava em Jared uma vontade insana e repentina de o beijar de uma vez e o resto que fosse pro inferno.

Mas as coisas não eram tão simples assim.

Jensen não sabia que Jared era gay, e com certeza o mais novo não queria estragar nada agora. Contaria no momento oportuno, daí Jensen que decidisse o que quer que fosse. Só não queria perder a amizade que estava começando a se formar agora.

- Oi… - Jensen disse ainda com aquele sorriso.

- E aí? Tudo bem?

- Tudo… bom… você tem algum lugar que quer ir hoje, ou…

- Estou aberto a idéias. – Jared disse, soltando um sorriso e mostrando as covinhas.

- Então… bom, se você quiser, a gente podia ir até o lago. É uma boa caminhada e hoje está fazendo bastante calor.

Jared animou-se instantaneamente com aquela idéia de lago. Se eles fossem nadar, com certeza ele teria a sorte de ver Jensen sem camisa outra vez.

- Por mim é uma idéia ótima. Vamos andando então, você mostra o caminho… muita gente costuma ir até lá nos fins de semana?

- Nah… - Jensen sacudiu a cabeça assim que eles começaram a caminhar. – Bom, não na parte que eu costumo ir, na verdade. Geralmente é bem calmo, o pessoal prefere mesmo ir pra o shopping ou pra um clube… eu sempre preferi o lago porque pelo menos ali eu podia ficar sozinho.

- Então é como se fosse um lugar só seu? – Jared perguntou sorrindo, chutando uma pedrinha que estava pelo caminho.

- Mais ou menos. Meu irmão também gosta de ir até lá às vezes, mas eu bato o recorde. – Jensen disse sorrindo. – Quando faz muito calor, sempre estou eu lá.

- Bom, mas agora que você vai me levar até lá, pode ter certeza de que também vou ser um freqüentador assíduo. Daí a gente pode ir sempre juntos… claro, se você quiser.

- É… talvez não seja má idéia.

Eles continuaram caminhando juntos, sempre conversando sobre coisas pequenas e simples. Era o jeito que Jared arrumava pra fazer Jensen falar, e pelo visto estava dando certo, já que agora o loiro costumava dizer mais coisas do que simplesmente respostas curtas.

O caminho que levava até o lago era uma trilha recheada de árvores, por onde o sol passava apenas em partes. Mas era muito bonito. Jared nem fazia idéia de que havia um lugar assim por ali, e foi mesmo uma surpresa quando finalmente chegaram até a beira do lago. Não era enorme, mas a água era clara e tranqüila. As árvores circundavam o local e davam uma bela sombra nas margens, o que fazia dali um local bem fresco. Dava mesmo vontade de mergulhar.

- Você tem sorte de vir aqui sempre. – Jared disse, olhando em volta.- É mesmo muito bonito. E está vazio.

- Eu disse.

E Jensen tratou logo de tirar a camisa que estava vestindo. Chutou os tênis para longe e ficou somente com a bermuda que estava usando; depois ficou ali, encarando Jared como se esperasse ele tomar uma iniciativa e fazer o mesmo, mas o garoto continuava ali parado e o olhando como se tivesse visto um fantasma.

- Você não vai entrar? Ou ta querendo ir com essa roupa toda mesmo? – Jensen perguntou com um sorriso maroto.

- Não, eu… vou, claro…

Jared fez o mesmo e tirou a camiseta azul que estava vestindo, os tênis e logo estava só de bermuda assim como seu amigo. Jensen tratou logo de pular na água com tanta vontade que fez Jared sorrir e apenas olhar para ele surpreso, enquanto agora o loiro estava na superfície de novo, os cabelos molhados e um sorriso enorme no rosto:

- Cara, você tem medo de água, é? – Ele provocou.

Jared nem respondeu: se jogou também, contente o suficiente por poder estar ali com ele, por algo assim estar acontecendo. Estava prometendo ser um grade dia. Jensen estava alegre, e isso era legal de se ver. Mal Jared teve tempo de tirar os cabelos castanhos do rosto e já sentiu uma enxurrada de água ser direcionada ao seu rosto.

- Caramba… - Jared meio que riu e encarou Jensen, que parecia esperar ele revidar ou algo assim. – Você vai ver só o que eu vou fazer com…

E Jensen riu enquanto jogava água nele outra vez, mais rápido do que o moreno podia imaginar.

- Você é lerdo como uma garota, grandão.

- E você é um engraçadinho. Vamos ver se é tão rápido assim nadando… quer uma corrida até o outro lado ida e volta? Quem perder paga um refrigerante depois…

- Fechado… - Jensen disse convicto. – Porque eu… Ei!!!

E lá ia Jared na frente, sem nem esperar Jensen terminar de falar. O loiro sacudiu a cabeça e começou a persegui-lo, mas o moreno era grande e consequentemente tinha braços e pernas longas, o que lhe dava uma vantagem muito maior. Essa Jensen teria que perder.

Não ficou chateado por Jared ter roubado, não ligou a mínima pra vantagem que ele tomou ser impossível de bater. Parecia que, a cada minuto que se passava, as coisas que envolviam Jared tornavam-se simples e muito mais empolgantes ao mesmo tempo. Ele gostava do sentimento, e queria que as coisas pudessem ser sempre assim, queria que Jared estivesse sempre ali.

Quando retornaram à margem, cansados e ofegantes, Jensen ainda encontrou fôlego para rir e jogar mais água no rosto de seu amigo.

- Você é um péssimo perdedor, Jen. – Jared declarou enquanto saía do lago e sentava-se à margem, observando Jensen fazer o mesmo.

- E você é a droga de um trapaceiro. – Disse sorrindo.

Eles ficaram em silencio por um pouco, somente observando as águas tranqüilas e ouvindo o barulho dos pássaros e do vento nas folhas das árvores. Parecia tudo tão perfeito e colocado de uma maneira tão especial… Jared achou que esse dia estava sendo melhor do que ele havia planejado, mesmo sendo algo tão simples. Jensen fazia tudo ficar mais bacana.

Jared olhou para seu amigo de lado, reparando nas marcas que ainda estavam ali. As marcas que pareciam constantes no corpo de Jensen, aquelas que Jared gostaria de poder fazer desaparecer.

- Ainda dói?

- Hum? O que? – Jensen o olhou com uma expressão de duvida.

- Esses hematomas. – Jared apontou para a região lateral dele, próximo às suas costelas.

- Não muito. Quando eu encosto… mas eu já estou melhor. Não se preocupe.

- Cara… por que deixa seu pai fazer essas coisas com você? Não é justo.

- Ele é meu pai, Jared. – Jensen disse num tom serio. – Não é como se eu pudesse impedir ele de fazer alguma coisa… alem do que, ele nunca me bate à toa.

- Então você concorda com isso? – Jared estava incrédulo. – Você acha certo que seu pai espanque você desse jeito?! Cara, eu sei que a gente não se conhece há muito tempo, mas… você parece ser uma pessoa legal, tranqüila… não acredito que mereça isso.

- Deixa essa coisa pra lá. – Jensen resmungou. Não gostava de falar sobre isso, detestava lembrar-se das coisas a que tinha que se submeter.

- Eu vou deixar. – Jared assentiu, não querendo que o mais velho se irritasse. – Mas quero que você saiba que pode contar comigo se precisar, ok? Pode ligar lá pra casa a qualquer hora, pode aparecer quando quiser… você sempre vai ser bem vindo.

Jensen somente concordou com a cabeça, parecendo pensativo. Depois de um pouco sentiu Jared lhe acertar um soco no ombro, bem de leve, só pra chamar sua atenção.

- Você me deve um refrigerante, Ackles.

- Achei que você tivesse até se esquecido dessa droga. – Jensen sorriu e começou a vestir sua camisa. Pegou a carteira do chão e calçou os tênis, enquanto Jared fazia o mesmo. Depois passou as mãos pelos cabelos loiros com rapidez para se livrar do excesso de água que ainda estava ali. – Que foi?

Jared estava lá observando-o agora, parado, como se fosse algo muito interessante olhar para ele. E era. Observar Jensen era mesmo algo muito interessante e Jared não conseguia pensar em fazer outra coisa nesses momentos em que estava com ele.

- Nada! Só… pensando no que eu vou beber.

- Eu vou de Coca. – Jensen disse assim que começou a andar.

- É, então acho que vou escolher o mesmo que você…

***************

E eles foram caminhando juntos até bem próximo da casa de Jensen quando eram quase seis da tarde, o sol já estava baixo. Estavam ainda tomando seus refrigerantes, porque aqueles que compraram assim que chegaram à lanchonete se acabou muito rápido e o calor estava exagerado naquele dia. Fizeram um lanche juntos e Jared estava satisfeito por Jensen sorrir muito o tempo todo.

No caminho estavam satisfeitos implicando de leve um com o outro e Jared descobriu que Jensen sabia ser divertido e gostava de brincar também. Não se contentava em apenas implicar verbalmente com seu amigo, mas vez ou outra lhe acertava um soco de brincadeira ou lhe empurrava de leve, fazendo Jared perder o equilíbrio e sorrir. Porque tudo que Jensen fazia parecia perfeito.

- Você dá graças à Deus porque estou com as mãos ocupadas e não te acerto, Jen.

- Hum, ameaças e mais ameaças, mas na verdade eu não estou vendo ação nenhuma, grandão. Pra um cara tão grande você age pouco e fala demais. – Jensen desafiou, com um sorriso debochado no rosto.

Jared deu uma gargalhada e instintivamente abraçou Jensen pelo pescoço enquanto caminhavam. Primeiro achou que Jensen fosse o afastar, mas o loiro somente se concentrou em sugar o resto de Coca Cola da latinha, dando passos curtos enquanto o braço enorme de Jared repousava sobre seus ombros. Jared sorriu e manteve o contato até que eles pararam de caminhar e chegara a hora de se despedirem.

- Foi legal hoje. – Jared disse com um sorriso, afastando-se de Jensen. – A gente podia fazer isso mais vezes.

- Sempre que fizer calor. – Jensen piscou e colocou uma das mãos no bolso. – Então a gente se vê amanhã na escola, grandão.

- É. Eu vou nessa então… até mais, Jen.

Jensen acenou e atravessou a rua para ir pra casa, deixando sua lata vazia no cesto de lixo da calçada. Parecia leve, estava sentindo-se tão bem como nunca antes. Era como se sua vida fosse boa… ele não sabia mesmo que era tão legal assim ter um amigo com quem pudesse fazer coisas bacanas.

Entrou em casa e respirou fundo, olhou em volta e viu que não havia ninguém ali. Josh devia estar no quarto ou então havia saído, e seu pai ainda devia estar com o tal amigo. Tomara que demorasse muito pra chegar.

- Josh?! – Ele chamou enquanto subia as escadas. – Eu cheguei, você ta em casa?

Jensen subiu as escadas calmamente, ansioso para ir tomar um banho e se trancar no quarto o resto da noite. Mas foi ai que ele percebeu que não estava sozinho em casa, que havia mais alguém ali com ele. Roger estava acabando de sair do banheiro e sua expressão não era de felicidade. O cheiro de bebida acertou Jensen em cheio e ele pensou em quanto seu pai devia ter enchido a cara naquela tarde, o quanto devia estar alterado… os olhos dele estavam vermelhos e ele olhava pra Jensen daquela maneira que… que fazia o loiro sentir calafrios profundos.

Ele parou de caminhar pelo corredor da casa, seu pai não seu moveu. Não se ouvia nem uma respiração por ali.

- Pensei que pra sair você precisasse de permissão.

A voz dele estava arrastada e Jensen teve certeza de que estava ferrado.

- Josh me disse que o senhor tinha saído e daí ele…

- Por acaso Josh é a porra do seu pai?!! – Roger gritou de repente e Jensen teve um sobressalto, recuando um ou dois passos. – Hein?! Responde!

- N-não senhor…

Roger caminhou até Jensen em passos rápidos, mas mesmo assim cambaleando, a bebida havia sido demais. Agarrou o filho pelos cabelos e puxou-o para bem perto, sem importar-se com os pequenos gemidos de dor que ele soltava, sem se importar com a expressão de terror em seu rosto.

- Você nunca aprende, Jensen… de quem você puxou ser assim, hein?! Parece que eu sempre preciso te dar um corretivo…

- Não senhor… me desculpe…

Ele ia implorando sem mesmo saber o que dizia, só queria que seu pai lhe deixasse em paz. Estava sendo arrastado para seu quarto e não queria de modo algum que tivesse que apanhar de novo, não havia feito nada de errado… ou havia?

- Pai…

- Cala a merda da sua boca! – Roger o jogou com toda sua força em direção ao chão, mas Jensen acabou batendo a boca na quina de sua cama. Seu pai não pareceu se importar com o sangue que agora sujava o rosto de seu filho. – Ótimo. Agora continue com sua boca fechada se não quiser ficar sem os dentes também.

Jensen tocou sua boca com a ponta dos dedos e as lagrimas foram escorrendo vagarosamente. Ele estava sangrando mas não conseguia sentir dor: tudo o que sentia era medo, medo do que iria acontecer ali. Seu pai o agarrou pela camisa e o ergueu, logo em seguida empurrando sua cabeça violentamente de encontro ao chão seguidas vezes, o que fez Jensen ver as coisas um pouco embaçadas.

- Não vá desmaiar, seu desgraçado… - Roger bate em seu rosto com as costas da mão direita ao ver que seu filho estava quase fechando os olhos. – Eu quer que você sinta! Olha pra mim!

O mais novo obedeceu, mesmo que praticamente não visse nada. Sentiu as pancadas nas costelas, sentiu a dor violenta no estômago repetidas vezes, como se não fosse acabar nunca. Pediu silenciosamente que pudesse morrer ali, que dormisse e não acordasse mais. Queria tanto que aquele inferno acabasse… Outro chute na barriga o despertou de suas preces, seguido por outro mais forte ainda bem no meio de suas pernas. Jensen sentiu tudo o que comeu voltar à tona naquela hora e logo ele estava vomitando ali mesmo no chão de seu próprio quarto, o sangue se misturando a todo o resto. Seu pai pareceu satisfeito com o que via. É, parecia, porque Jensen podia jurar que ele estava sorrindo com o canto dos lábios.

- Agora, seu porco, trate de limpar essa bagunça toda que você fez, ouviu bem? Não quero ver nada fora do lugar por aqui.

O rapaz ouviu a porta do quarto se fechar com toda força e suspirou, tentando manter a sua respiração normalizada. Fez um esforço sobre-humano para se erguer e afastar-se da sujeira que havia feito, seu corpo todo doendo em inúmeras partes diferentes.

E sentou-se no chão mesmo, bem no centro do quarto, olhando vagamente para qualquer ponto na parede branca. As lágrimas queimavam seu rosto.

Seu dia perfeito havia sido arruinado em poucos minutos. Não era assim que devia ter acabado…

Continua…

N/A: Mais um capitulo, e dessa vez bem rapidinho! Obrigado a quem leu e deixou review, sempre fico muito feliz em recebê-las! Um grande abraço!