Sumário: Jensen é um adolescente problemático, que após perder a mãe, tem de conviver com o pai que o ignora e com o sentimento de que nada em sua vida se encaixa. Até que ele conhece Jared, um rapaz novo na cidade e com energia que emanava pelo corpo. E então, as coisas prometem mudar. AU. PADACKLES.
N/A: Minha imaginação fluiu para escrever isto e aqui estou com uma nova fic! Espero que gostem sinceramente! Nessa historia eles estão na escola, então, acredito que por motivos óbvios, decidi que Jensen teria 16 para 17 anos, e Jared 15 para 16, mais ou menos. Portanto não estranhem se a diferença de idade entre os dois não combina com a diferença real.
Disclaimer: Não é necessário dizer que eles não me pertencem…
Capitulo 5: Faculdade?
Jared andava preocupado de verdade com Jensen.
Ele não havia aparecido na escola na segunda feira, e nem mesmo na terça. Aquela era uma quarta, então ele esperava de verdade que Jensen desse um sinal de vida e viesse afinal para as aulas.
A família dele estava em casa, disso Jared sabia, pois ele havia mesmo dado uma passada por lá um dia à noite e reparou em luzes acesas pelo lugar, então não entendia o porquê do sumisso repentino de seu amigo. Esperava que fosse apenas um resfriado ou algo assim, e não que Jensen houvesse tido algum contratempo pior.
Quando chegou à sala, no entanto, Jared sentiu um peso ser retirado de suas costas assim que notou Jensen sentado no lugar de sempre, bem ao fundo, a cabeça enfiada em um livro, apoiada sobre o braço direito dele. Ele parecia distraído e compenetrado, Jared achou que ele estava sempre lindo. Não importava o jeito como estivesse.
Jared sorriu e foi sentar-se ao lado dele. Tocou seu braço vagarosamente para lhe chamar atenção e sentiu que Jensen recuara por reflexo, como se tivesse tomado um susto ao vê-lo ali.
- Oi, Jen. Você andou sumido.
Ele não respondeu. Deixou o livro descansar sobre a mesa e continuou com a cabeça deitada no braço, olhando vagamente para a janela que estava atrás de Jared. Seus olhos verdes estavam tão… opacos… sem vida. Jared sentiu um bolo se formar no estomago.
- Você está bem? – Jared insistiu. Nenhuma resposta. Não era bom sinal. Tocou no ombro dele e mais uma vez Jensen recuou, como se um simples toque fosse machucá-lo. – Jen… está me assustando desse jeito. Eu fiquei preocupado com você e… que porra aconteceu com a sua boca?!
Agora que Jared havia reparado, Jensen estava com os lábios cortados e inchados, assim como um lado de seu rosto, formando mais um hematoma arroxeado. Sentiu seu sangue gelar nas veias.
- Eu só cai… - Jensen disse pela primeira vez, ainda olhando para o nada, sua voz quase um sussurro.
- Você caiu? – Jared parecia incrédulo. – Jensen…
- É sério… eu caí e bati com a boca na quina da cama. Foi só isso.
- Por isso você faltou esses dias?
Jensen assentiu. Era em partes verdade sim, não queria que Jared visse o quão ferrado havia ficado seu rosto depois daquilo. Mas era verdade que caíra… seu pai não o havia jogado ali de propósito, ele que fora idiota o suficiente para não apoiar o peso de seu corpo com as mãos ou algo assim. Havia sido sua própria culpa. Assim como a sujeira que fez no quarto. Ele era um homem, não era? Havia feito o errado, havia saído sem pedir permissão e nem ao menos conseguia agüentar a droga de um castigo sem mijar nas calças e se vomitar todo. Então talvez nem fosse tão homem assim…
Havia faltado também porque as dores foram piores dessa vez, e não dava pra andar sem ter que ficar se curvando. Ele vomitou duas noites seguidas e quase nem conseguiu comer direito. Toda vez que sentia cheiro de comida seu estomago se revirava e ele estava ali prestes a vomitar outra vez, como fizera na segunda de noite, bem no chão da sala. Seu pai tinha toda razão de ficar com raiva.
- Eu fui um porco esses dias… - Ele murmurou para si mesmo e Jared o olhou com confusão.
- Jensen, quer parar de dizer besteiras? Ei, você não está bem. Não está bem de verdade… não quero ver você assim, você estava tão contente no domingo… será que podemos passar um tempo juntos hoje depois da escola?
- Eu preciso trabalhar hoje. – Jensen respondeu, olhando-o pela primeira vez. – Mas você pode ir comigo se quiser.
- Então eu vou. Você vai gostar se eu for?
Ele concordou com a cabeça, mas não disse nada. Era óbvio que iria gostar que Jared fosse! O que mais gostava era que quando Jared estava por perto, Jensen sentia-se seguro e… como iria dizer, acalentado, talvez. Sentia tudo se aquecer, sentia como se nada mais importasse. Mas tinha medo de que Jared o deixasse sozinho, tinha medo que se cansasse e um dia sumisse. E ele iria, não iria? Jared iria pra faculdade no ano que vem… o que significava que aquela amizade tinha seu tempo em contagem regressiva. Jensen sentiu seu peito se apertar só nesse pensamento. Estava gostando muito de ter um amigo pra ter que deixar tudo ir por água abaixo assim.
Sentiu Jared tocar sua mão esquerda, que repousava sobre sua própria coxa. Sentiu Jared segurar sua mão e lhe fazer um carinho tímido. Jensen olhou para ele e viu que seus olhos demonstravam receio e preocupação. Então, Jensen fez um carinho de volta e se esforçou para sorrir. Não ligava para o fato de que Jared gostava de tocar. E por um lado era bom mesmo sentir algum carinho vez ou outra, mesmo que fosse dele.
- Okay. – Jared sorriu e soltou a mão dele. – Olha… eu tenho que terminar o dever de matemática, estava aqui pensando se você podia me dar uma ajuda. Pode ser?
Jensen deu de ombros e ergueu a cabeça para olhar os cadernos dele. Talvez fosse mesmo bom se distrair com alguma coisa e daí o dia na escola passasse mais rápido.
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Jensen entrou na oficina com Jared o acompanhando bem de perto, olhares curiosos em volta por todos os carros que havia ali. Alguns pareciam ter conserto, outros aparentavam estar em perda total. Eles caminharam até a parte principal da oficina e Jensen colocou uma de suas mãos no bolso, batendo de leve no capô de um carro preto, sabendo que Jim com certeza estaria ali embaixo.
Jim soltou um grunhido de surpresa e Jared olhou curioso para ver quem seria o tal sujeito com quem Jensen trabalhava. Jim parecia ser simpático, pelo que Jared constatou. Mais ainda quando abriu um sorriso enorme e puxou o loiro para um abraço apertado.
- Oh, meu garoto! – Ele se afastou um pouco e colocou as mãos em seus ombros, olhando-o atentamente. – Jen…
- Eu estou ótimo, Jim. Vim pra trabalhar.
O mais velho o observou, meio que tentando acusá-lo de que não parecia tão bem assim. Mas acabou cedendo, sacudindo a cabeça em negação. Olhou para o garoto alto atrás de Jensen e pareceu esperar por uma apresentação formal. Nunca o tinha visto antes, e não era comum ver Jensen andando por ai com outras pessoas.
- Ah… esse é Jared. – Jensen apresentou e deu um sorriso. – Ele é… meu amigo.
- Prazer conhecê-lo, senhor. – Jared estendeu a mão e Jim cumprimentou-o de volta.
- Prazer. – Jim murmurou. – Nunca vi você por aqui, garoto.
- É, eu… sou novo na cidade.
Jim assentiu, ainda dando uma ultima olhada para ele de um jeito um pouco desconfiado e começou a andar em direção a um carro que estava suspenso por um macaco, e com o capô aberto. Jensen fez um gesto com a cabeça para que Jared se juntasse a eles e o moreno aceitou, caminhando agora ao lado do loiro.
- Bom, Jen, eu deixei esse aqui pra você… - Jim bateu na lataria do carro, indicando de qual estava falando. – O Sr. Humble adora o seu trabalho, então esse aqui é seu.
- Legal. – Jensen deu um tapinha do lado do carro e sorriu, satisfeito. Sabia que adorava carros, adorava seu trabalho, e já estava muito decidido que, não importando o que, era isso o que faria de sua vida para sempre. Podia acontecer o que fosse. Ele amava o cheiro dos automóveis, gostava de ouvir o barulho que eles faziam quando eram acelerados… era o seu mundo. Isso, ninguém poderia tirar dele nunca. – Ele precisa do carro pra que dia?
- No máximo até sexta, então sugiro que você coloque as mãos na massa. – Jim deu de ombros e foi voltando para o carro que estava trabalhando antes, ainda falando com Jensen. – Mas então, me diga, filho, a quantas anda a sua inscrição pra faculdade?
Jared percebeu os ombros de Jensen ficarem ligeiramente tensos antes que ele começasse a verificar o capô aberto do carro à sua frente. Ele se abaixou para pegar algumas ferramentas e deu um suspiro chateado.
- Jen. – O mais velho chamou outra vez. – Já veio alguma resposta?
- Não, porque eu não mandei nenhuma carta pra universidade nenhuma. – Ele respondeu baixo, começando a desmontar alguma coisa.
- E por que não? – Jim levantou os olhos para ele. – Será que eu vou ter que fazer isso por você, garoto?
- Não. Nem se dê ao trabalho.
O tom de Jensen era sério e Jared, que estava sentado em cima de uma bancada vazia, achava aquilo tudo muito estranho. Que coisa era essa? Jensen não queria ir pra faculdade ou era mera impressão dele?
- Jensen… sabe que eu não posso mesmo te forçar a nada. – A voz de Jim era suave e paternal, e logo Jared viu que o cara tinha um grande carinho por Jensen. – Mas a gente já conversou sobre isso e você devia mesmo pensar melhor. Você não acha, Jared?
O moreno pareceu pego de surpresa com a repentina entrada dele próprio no assunto, mas mesmo assim não podia perder a oportunidade de falar algo a respeito daquele assunto.
- Eu… concordo com o senhor. A faculdade é muito importante mesmo, e vai ser muito legal se o Jensen for… todo mundo sempre sonha em ir pra faculdade e…
- Acontece que eu não pertenço ao seu mundo, Jared. – Jensen disse num tom ríspido e o moreno tratou de fechar a boca, mesmo assim seu rosto não escondendo a chateação pela resposta malcriada que recebera. – E eu tenho a minha vida bem aqui, numa oficina. É isso que vou fazer.
- E você não pretende sair daqui? – Foi a vez de Jim falar. – Vai ficar pra sempre morando com seu pai?
- Não. Eu vou me virar sozinho, mas não quero ir pra faculdade. Só isso. Agora por favor será que eu posso me concentrar um pouquinho no meu trabalho? Senão eu não consigo entregar o bendito carro à tempo.
Jared baixou os olhos e ficou ali refletindo sobre o assunto, enquanto observava o amigo trabalhar no automóvel. Jensen não queria ir pra faculdade? Seria a oportunidade perfeita pra se livrar de seu pai e simplesmente ter uma vida diferente, uma vida com objetivos e ideais. Foi aí que Jared começou a se entristecer ao pensar que, no ano seguinte, ele próprio estaria indo para a faculdade e iria ficar longe de Jensen. Não iriam mais se ver todos os dias… talvez a amizade se perdesse no caminho e… Jared nem queria pensar sobre isso. Porque a cada minuto que passava, achava que estava mais e mais apaixonado pelo loiro.
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Jared estava chateado.
Ele e Jensen haviam se sentado juntos na beira do mesmo lago onde estiveram no domingo à tarde e o seu amigo estava silencioso demais, triste demais para o gosto do mais novo. Estavam ali por pura insistência de Jared, que queria muito ver o lugar perto do por do sol. Como Jensen sabia que podia chegar em casa até às oito nos dias em que trabalhava, resolveu acompanhá-lo, mas a conversa de mais cedo havia influenciado negativamente em seu humor. Odiava tocar nesse assunto.
O moreno olhou de lado para Jensen, que simplesmente observava as águas tranqüilas, parecendo incomodado. Jared ficou mais triste ainda.
- Se você quiser, Jen, a gente não precisa ficar aqui. – Ele disse numa voz suave, mas a decepção presente em sua voz.
Jensen se virou rapidamente para olhar para ele, e disse antes de virar para frente outra vez:
- Não, tudo bem. Estou bem.
- Não está não. Você está bravo comigo, não está? Porque eu falei aquela coisa sobre a faculdade… por que você não quer ir afinal, Jen?
- Eu só… - ele sacudiu a cabeça. – Eu não quero.
- Mas por quê? – Jared usou um pouco mais de ênfase. Queria entender os motivos dele e poder, de alguma forma, ajudar.
Jensen deu de ombros, seu rosto carregado de dúvidas.
- Eu… é que… - Ele sacudiu a cabeça. Havia lágrimas em seu rosto e Jared instantaneamente sentiu seu coração doer profundamente. – Não sou bom com isso, Jay. Pessoas… muitas pessoas e… eu vou estar sozinho… e se eu não… conseguir fazer nada direito? Se eu for um fracassado?
- Jensen. Nem pense numa coisa dessas. Você é ótimo… e é muito capaz de fazer qualquer coisa que cruze em sua mente, sabia disso? Você é capaz de fazer isso, é capaz de conseguir. E pode sim fazer amigos e se dar bem com as pessoas… não deixe certas coisas atrapalharem seu caminho. – Jared viu o choro dele aumentar gradativamente e tocou seu rosto devagar. – Você vai ficar bem.
- Não, eu não vou ficar bem. E nem vou pra faculdade nenhuma. Sabe por que, Jared? Por que o meu pai nunca vai pagar os meus estudos. Nunca vai me ajudar e ele mesmo já disse isso pra mim uma pá de vezes.
- Mas ele está pagando a faculdade do seu irmão, não está? – Jared perguntou, não conseguindo compreender o porquê daquilo.
- Claro. Papai ama o Josh… sempre foi assim. Mas comigo… bom…
Jared suspirou e fez um carinho nos cabelos loiros. Sentia por Jensen. Seu coração doía por ele e a sua maior vontade era de tirá-lo de perto daquele homem que lhe fazia tão mal.
- E por que, Jensen? Por que seu pai trata você assim?
- Eu não sei… não sei… - Ele falou, enxugando o rosto com as mãos. – Acho que… eu devo ser uma droga de filho mesmo, sei lá, uma pessoa… que não vale à pena.
- Droga, Jensen, não fala assim. – Jared parou o carinho que estava fazendo e puxou levemente seu rosto para que o outro o encarasse. – Você vale muito à pena, sabia disso? Eu nem posso dizer o quanto.
- A gente mal se conhece… por que você faz tanta questão assim da minha companhia? Eu não consigo entender.
- Por que você é uma pessoa incrível. E eu gosto de estar com você, gosto do seu jeito… e aposto que você também iria gostar mais de você mesmo se parasse de ouvir as besteiras que seu pai fala pra você. Não acredite em nada, ta bem? Mas acredite quando eu disser que você é especial pra mim.
Jensen olhou timidamente para os olhos de Jared e, ao sentir a intensidade de tudo aquilo que ele estava transmitindo, ficou vermelho da cabeça aos pés. E acreditou profundamente tudo o que o outro rapaz falava era verdade.
Virou-se para frente a fim de evitar o constrangimento de estar ruborizado por causa de Jared, fixando-se no por do sol. Sentiu o moreno escorregar o braço por seus ombros, como da vez em que estavam caminhando, e sentiu-se seguro e aquecido por dentro. Sorriu.
Jensen pensou que seria muito legal se pudesse ficar assim com Jared pra sempre. E pensou que também era muito bacana assistir um por do sol, principalmente com uma companhia como aquela.
Continua…
N/A: Outra atualização rápida, porque estou muito inspirada para essa fic e simplesmente não consigo parar de escrevê-la! Estou também muito feliz em receber as reviews de todos vocês que estão lendo. Às vezes eu esqueço de responder, mas pode ter certeza que eu leio com todo carinho. Só para registro, também odeio ver o Jensen sofrer, mas é algo necessário para o plot da historia funcionar perfeitamente. Sei que dói no coração mas… bem, tudo só está bem quando acaba bem, então esperem para ver. Um grande beijo e até o próximo!
