Cap3: Cadê o abacaxi?

Gina: A Mia me abandonou...

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"Se você acha Virginia, que poderá matar aula hoje. É melhor você mudar totalmente de idéia."

Era o que a Tonks estava dizendo para mim. Antes, lógico, de gritar com um cara que parara do nada.

Mas como esse é um livro de respeito, não vou dizer os milhares de palavrões que a Tonks disse.

"Eu já disse que eu não vou matar nenhuma aula."-falei, como se parecesse santa. Estava claro para todo mundo que a primeira coisa que eu faria era achar uma daquelas lojas de CDs, entrar, ficar a tarde inteira escutando a voz do Chris Cornell ou de outro artista bom, mas a Tonks não deixaria que eu fazer uma coisa tão horrorosa.

"Você acha que me engana, Virginia."-disse a Tonks, agora ela estava REALMENTE nervosa, parecia que teria um colapso se outro carro aparecesse do nada à sua frente.

Na verdade, a Tonks nunca é assim. Tá, ela fica assim quando a minha mãe a manda fazer muitas coisas, mas, falando sério agora, ela está bem melhor.Pelo menos ela não está mais derrubando os copos, como fazia na primeira semana que veio trabalhar para a gente.

A história dela pelo que eu entendi é complicadíssima. Ela veio do interior da Inglaterra à exatamente seis anos. Você pode achar que a Tonks é uma senhora, na verdade, ela está mais para senhorita. Têm pelo que eu entendi 29 anos. A família dela a expulsou porque ela queria casar com um cara um pouco menos... privilegiado do que ela, mas a gente só sabe até aí. Não sei se ela tem vergonha, ou se ainda tem muita raiva.

"Até parece que eu te engano, Tonks."-eu falei displicente.

"Eu sei muito bem que você odeia o seu cabelo, Gina."-ela falou, enquanto batia com os dedos no volante.-"Eu sei que você quer se passar por rebelde, mas pelo amor de Deus, Virginia, não pinte mais nenhuma roupa de preto.

"Em primeiro lugar. Eu não odeio o meu cabelo. Eu só o odeio quando ele não colabora comigo.Em segundo lugar, eu não sou rebelde, eu só gosto de preto."

Cara, rebelde? Eu por acaso sou uma rebelde agora? Mas eu prefiro ser rebelde do que me vestir igual a Mariah Carey.

Alguém me salva pelo amor de Deus!

"Você não é rebelde?"-disse Tonks. Agora ela estava realmente atônita.-"Então, me desculpe, senhorita sensível que fica estressada porque eu te chamei de rebelde."-então, a Tonks fez a maior burrice possível.

Ela que estava na faixa extrema da esquerda, foi com tudo à direita. Todos os carros buzinaram e ela mandou todo o mundo para aquele lugar.

E eu só podia olhar, aterrorizada.

Quando ela achou um lugar para estacionar, afinal, ela não ia me deixar na porta do ateliê, a gente teve que andar um bocado. E eu nem pude reclamar, porque pelo olhar da Tonks, se eu reclamasse, eu teria que voltar a pé para casa que fica uns 10 quilômetros do centro.

Mas o que me deixou com mais raiva ainda dessa aula de desenho é que o ateliê da Minerva McGonagall ficava em cima de... uma loja de CDs.

Não, não era uma loja muito certinha, não. Já que, numa tarde de uma terça-feira, estava tocando Alexisonfire. Sim, você leu direito. Alexisonfire. A banda que mais berra.

Eu estava maravilhada. Eu nunca tinha entrado naquela loja antes, mas pelo que eu vi, aquela loja era a melhor. Ela tinha aqueles quadros dos delinqüentes que, uma vez na vida, tentaram assaltar a loja. Só que os caras pareciam o Keith Richards. Todos meio pancados.

"Virginia!"-eu escutei a Tonks me chamando, com uma certa censura na voz.-"Venha agora!"

E eu obedeci. Muito triste, mas obedeci. Subi as discretas escadas e pude, para a minha tristeza, perceber que eu não escutava mais os berros. Só escutava uma música bem calma.

Fala sério, mudar desse jeito, deve fazer mal para os neurônios.

Mas eu me assustei quando eu vi... um corvo!

Um corvo estava me olhando de um modo um tanto assustador. O que mais me espantou foi que o corvo falava:

"Corvo lindo! Corvo lindo!"

"David!"-berrou uma voz. A dona dessa voz, finalmente, apareceu. E eu percebi que aquela ela era a tal Minerva.

Só que Minerva McGonagall era um tanto excêntrica. Os cabelos estavam presos num coque tão apertado que eu pensei que se esticasse mais um pouco, ela perderia os seus cabelos. E não é um fio, é, tipo assim, o cabelo inteiro. As roupas que ela usava eram estranhas também. Ela usava uma bata que poderia até ser um vestido, mas por baixo ela vestia uma calça. Ambas eram lilás. O que mais espantou é que ela era bem alta e que o seu rosto era muito, mas muito sério.

"Você deve ser a Virginia."-ela disse numa voz que, invés de ser séria, era bem calma.

"Sim, prazer senhora McGonagall"-eu disse, da maneira mais educada possível. Já que a mulher mais parecia estar na Índia do que na Inglaterra.

"Me chame de Minerva."-e, ao se virar para a Tonks, disse num tom um tanto descrente-"Você é a mãe?"

A Tonks arregalou os olhos e disse:

"Por Deus! Não. Sou a empregada da família."-e ao se virar para mim, disse.-"Às cinco horas, Gina."

Então ela se despediu da McGonagall e a esta disse para mim:

"Vá até a saleta ao lado, por favor."

Eu rapidamente obedeci.

E ao sentir o cheiro da tinta fresca, ao escutar a música relaxante, eu estava mais confortável. E fiquei muito mais feliz ao ver aqueles banquinhos e na frente, aquele bloco de papel. Pude ver os outros quatro alunos me olharem com um certo interesse, mas decidi logo me sentar, e escolhi um banquinho perto da janela.

Quando estava na metade do caminho, escutei uma voz:

"All Star muito legal"

Rapidamente me virei. E pude ver que quem falara aquilo era um garoto!Um garoto que eu não tinha visto.

Um garoto falara comigo, Virginia Weasley. Sabe quando isso acontece?

Quase nunca! Quase nunca um garoto elogia o meu tênis (tá, o Harry fala comigo, mas ele nunca me elogia. Não desse jeito).

Só que não era um garoto feio. Não, era um garoto lindo. Ah, Meu Deus! Ele era loiro, os olhos eram cinzas, meio azulados. Eu logo, logo, percebi que eu o conhecia de algum lugar. Só não me lembrava de onde.

Mas pelo jeito dele, ele deve ser aqueles garotos super populares e, como eu o conheço, ele deve estudar na minha escola.

Só que tem um problema. Como um garoto bonito, que tem cara de ser popular, que estuda na minha escola, pode estar ali, em um ateliê?

Sim, porque a maioria dos garotos da minha escola são tipo, sei lá, o Mike Tysson. Eles podem ser lindos, mas você muda logo de idéia ao ver o jeito que eles comem no refeitório.

Agora que eu percebo o quanto eu estava ridícula. Afinal, não é normal uma pessoa ficar toda vermelha porque escutou um elogio...do seu tênis, certo? E também não é normal, uma pessoa ficar viajando, sem estar sentada.

Eu percebi que tinha uma coisa cutucando a minha cabeça e ao ver que era aquele corvo... eu só consegui berrar.

Todas as pessoas que estavam na sala me olharam com muito medo, pois aquele grito foi igualzinho daquelas mocinhas nos filmes de terror, mas antes que eu pudesse me desculpar, eu escutei a voz enérgica da Minerva McGonagall:

"David!"-e ao olhar para mim, disse.-"Aconteceu alguma coisa com você Gina?"

"Não... ele só me assustou."-eu disse bem baixinho, então, eu só consegui andar até o meu banco, sem dizer uma única palavra.

Foi então que eu vi a mesa, com uma toalha branca e com uma cesta cheia de frutas em cima.

"Desenhem o que vocês vêem."-e então a Minerva McGonagall saiu do lugar.

Cara, ela é problemática? Só pode ser isso, afinal, se fosse assim, eu poderia estar podre de rica nesse momento. Sim, eu poderia estar ensinando as garotas a se desenharem beijando o Keanu Reeves, por exemplo.

Além do mais, o meu pai está pagando quinhentas libras para a Minerva McGonagall me ensinar a desenhar de uma maneira decente.

Mas ao ver aqueles lápis e ao ver aquele bloco de papel, eu pensei, por que não esquecer esse absurdo e começar a desenhar?

É, aquilo era muito melhor do que ficar pensando em quanto o seu pai está gastando.

Então, eu comecei a desenhar, observava a cesta de frutas com tanta intensidade que não percebi que aquele corvo estava novamente no meu ombro...

"AIIIII!"-eu berrei ao ver que, faltavam alguns fios do meu cabelo.

Segundo grito de morte, em uma única tarde. Realmente, estou batendo todos os meus recordes.

"David! Devolva o cabelo da Gina."-eu pude escutar a Minerva McGonagall gritando e pude ver que os meus seis fios estavam agora na minha mão.-"Perdoe o David, Gina. Eu acho que ele está meio obsessivo pelo seu cabelo, afinal, ele é tão brilhante."

Eu fiquei vermelha que nem um pimentão, então disse bem baixinho:

"Não tem problema."

Mas pude ver que o garoto popular estava nesse exato momento rindo, na verdade, ele estava gargalhando, eu então, fiz a minha pior cara para ele. O cara percebeu e disse, numa voz bem engasgada:

"Desculpa, mas foi muito engraçado."

Eu, ainda vermelha, não falei nada, apenas voltei a desenhar.

Percebi que eram quase cinco horas da tarde, quando a música que estava tocando parou e o locutor começou a despejar as desgraças do mundo.

"Coloquem agora, os seus blocos na frente da janela."-disse a Minerva McGonagall.

Eu obedeci e, pela primeira vez pude observar o que eu tinha desenhado. E pude ver o desenho das outras pessoas.

Bom, sinto dizer, mas o meu desenho era o melhor.As uvas estavam muito perfeitas e só para melhorar eu coloquei um abacaxi, sabe como é, para não deixar um espaço em branco.

"Uau, Jen, você melhorou bastante."-disse a Minerva, mostrando o bloco para todos, A Jen tinha feito um desenho minúsculo e não dava para saber se aquela bola era mesmo uma uva.

Ela foi falando de todos e foi aí que eu descobri o nome do garoto popular:

"Muito bom, Draco."-disse Minerva. McGonnagal.-"Você também melhorou bastante, John."

Mas ao passar pelo meu, a Minerva parou e disse:

"Vejo que você desenhou o que você conhece, Gin."

Eu, nesse exato momento, disse:

"É, eu acho que sim."

"Você desenha o que conhece, não desenha o que você vê."

"Ahn... tem alguma diferença?"-entenda, eu não sou uma pessoa que sempre retruca, mas aquele papo tava tão estranho que eu resolvi perguntar o que estava estranho naquele desenho.

"Lógico que sim. Por acaso você está vendo um abacaxi naquela cesta?"

Eu nem precisa olhar para o lugar. Eu sabia que não tinha nada.

"E as uvas que você desenhou estão perfeitas, as minhas estão bem amassadas."-pude ver nesse exato momento, para o meu horror, que todos na classe concordavam com ela.-"Bom, a aula acabou. Espero ver todos vocês na quinta."

E eu só pude completar, em pensamento:

"Nem no seu sonho."

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Gina: Sim, enquanto eu estava escrevendo esse capitulo, eu percebi que não teria a companhia da senhorita Mia Termopolis, pois eu não sei onde ela se meteu, ou melhor... ela está em Aspen! Ela está em Aspen enquanto eu estou aqui, no meu quarto, quase congelando.E a única coisa que eu recebo é um e-mail falando para eu escrever bonitinho. Ai, ai.. O que eu faço sem a minha editora?

Continua...

N/a: Sim, a autora sumiu por algum tempo, mas cá estou eu com um capitulo fresquinho.

O Draco apareceu (palmas!).Tudo bem que ele não apareceu totalmente né? Pois este Draco está muito bonzinho certo?

Sim, deve ser a música que eu estou escutando nesse exato momento para me deixar com muito bom humor (escutando The Used- I caught fire (in your eyes)).

Bom, eu espero as suas magníficas reviews (aceito as broncas também XD).

Beijos

Ana

Ps.:Sentiram a falta da Mia? Quem sabe ela não volta no próximo cap?

Ps2.: Uau! O capitulo ficou grandinho.