30 de Janeiro de 1980
Maryanne Carnwell arrumou sem pressas os livros de transfiguração. A aula tinha sido produtiva. Tinha respondido a todas as perguntas que a professora tinha feito, e tinha acertado em todas, tendo conseguido vários pontos para os Ravenclaw. Mas isso não era novidade. Maryanne era a aluna mais brilhante do seu ano, e segundo alguns professores a melhor da escola em muitos anos. Estudar era algo tão natural em si como respirar, e adquirir conhecimento era tão importante como alimentar-se.
Dirigiu-se lentamente pelos corredores, até à biblioteca, sozinha, como sempre.
Apesar de se dar bem com todos os seus colegas e ser uma colega de quem todos gostavam, por ser verdadeiramente generosa, partilhando o seu saber sempre de boa vontade, ajudando todos os que tinham dificuldades nos estudos, e ter uma doçura natural, que encantava até mesmo os professores, o seu tempo era normalmente dedicado à leitura e ao estudo. Afinal, o seu objectivo ali era esse: concluir os seus estudos com o máximo conhecimento atingido, para o poder aplicar da melhor forma no seu futuro.
Especialmente bonita, Maryanne chamava a atenção por onde quer que passasse, mas não pelos seus cabelos loiros lisos, compridos e brilhantes, ou pelos seus grandes olhos de um castanho chocolate que pareciam dominar todo o seu rosto, mas essencialmente pela sua aura de rainha, que a acompanhava em todos os momentos, que despertava as atenções. Tudo o que ela fazia, fazia-o com uma elegância especial que não deixava ninguém indiferente. Tude nela tinha um ligeiro toque de mistério, como se escondesse segredos por revelar.
Entrou na biblioteca e dirigiu-se à sua mesa do costume. No entanto, não se sentou. Na mesa, mesmo em frente à única cadeira, estava uma rosa. Uma rosa dourada. Maryanne ficou a olhar, dividida entre o espanto e o medo. Como alguém poderia saber o que aquela rosa significava? Algum aviso do género "eu sei quem és e estou de olho em ti?". Sentindo-se observada, olhou à volta. No entanto, a biblioteca estava vazia. Sem qualquer vontade de continuar ali, guardou a rosa no saco e dirigiu-se para o dormitório.
17 de Fevereiro de 1980
- Maryanne, espera! – uma rapariga ruiva, com belos olhos verdes dirigia-se para ela.
- Olá Lily, tudo bem? – Maryanne sorriu bem disposta, parando para esperar pela amiga.
- Então, como correu o teste de Transfiguração?
- Ora, eu acho que sabia tudo, mas sou capaz de ter perdido uns pontos na 1 e na 20. E a ti?
- Outro excede as expectativas, provavelmente! – sorriu-lhe Lily – A mim correu me mais ou menos, com o idiota do James sempre a tentar olhar para o meu teste, nem me consegui concentrar.
- Sabes, acho que ele só faz isso para se meter contigo. Cá para mim, ele tem uma queda por ti. – Maryanne piscou-lhe o olho.
- Merlin, que horror! Nunca, mas nunca sairia com ele! Só se tivesse enlouquecido!...E falando em queda, quem tem alguém caído por alguém és tu!
- O que queres dizer com isso?
- Hoje ao almoço ouvi a Amelia comentar com a Mary que alguém deixou uma rosa na tua cama! Parece que tens um admirador secreto!
Maryanne congelou. Tinha passado quase 15 dias desde o episódio da rosa na biblioteca. Nesse espaço de tempo, outras 4 rosas tinham aparecido.. E agora, mais uma. Quem estaria a enviar-lhe aquelas rosas? O que queria dela?
Deixando Lily no caminho para a sua torre, dirigiu-se ao seu dormitório. A rosa lá estava. Mas, desta vez, tinha um bilhete enrolado nela. Abriu-o com as mãos a tremer e o coração a bater mais forte na expectativa, e leu.
Maryanne
Encontras-te comigo amanhã às 17H, junto ao lago?
Com amor,
M.
