15 de Janeiro de 1999

Hermione saiu apressadamente da aula. Era cada dia mais insuportável, olha para o Ron, senti-lo tao perto dela, conseguir ouvi-lo e sentir o seu cheiro e no entanto não lhe poder sequer tocar.

Quando entrou no Expresso há quase 2 meses sabia que ia ser difícil suportar um ano junto dele, mas nunca, nunca pensou que lhe custasse tanto. Era uma tortura vê-lo feliz e bem disposto, conversar e rir com todos como se nada se tivesse passado, como se o que aconteceu entre eles tivesse sido algo pouco importante.

Como podia ela ter importado tão pouco para ele? Depois de tudo o que tinham passado juntos.

O Harry e a Ginny continuavam a aproximar se dela, ou pelo menos a tentar. Até agora, tinha conseguido manter-se à distância. Não só por não querer obriga los a tomar uma posição entre ela e o Ron, mas principalmente por não querer criar laços de novo, habitua los a ela para dentro de uns meses ter que os largar para sempre. E eles não podiam saber. Não podiam saber de nada.

Na semana anterior, Ginny tinha insistido em prender lhe o cabelo com um gancho que o Charlie lhe enviara da Romenia, e que Hermione tinha achado lindo. Por pura sorte não tinha visto a tatuagem. E depois, como a explicaria? É claro que podia inventar que a fizer apenas porque lhe apetecera, mas Ginny não era burra e conhecia-a bem, sabia que ela não era o género de pessoas de fazer tatuagens.

Mas isso era a Hermione filha dos dentistas Granger. Essa Hermione tinha morrido há muitos meses.

Entretanto…

Ron fingia interesse na discussão de Quiddich com Dean e Harry, mas na verdade não ouvia nada. A sua atenção e o seu olhar estavam presos numa silhueta de cabelo comprido e encaracolado que desaparecia ao fundo do corredor. Dia apos dia, fizera tudo para que ela saísse do seu coração, mas parecia que quanto mais tentava arranca-la mais ela se agarrava. Não conseguia para de pensar nela, sonhar com ela. Se continuasse assim, ia acabar por enlouquecer. Já nem a comida lhe interessava, não tinha sabor e nem sequer tinha apetite. Não conseguia dormir, os treinos estavam cada vez piores para não falar das aulas. Mas, afinal, qual era o espanto? Toda a sua vida se fora naquele dia de julho.

Também Hermione estava diferente. Havia qualquer coisa nela de majestoso, qualquer coisa que não existia antes. Parecia que guardava um segredo que não podia relevar. Todos os seus actos pareciam envoltos em mistério. Tinha havido um tempo em que podia adivinhar tudo o que ela pensava, que a conhecia melhor do que a si próprio. A sua ligação era tão grande, que podia sentir o que ela sentia e senti-la sem sequer a ver. Agora já não sabia que ela era. Era uma estranha que frequentava as aulas com ele e que não respondia a nenhuma pergunta. Era uma estranha que se isolava, não sorria, e evitava os amigos. Alguém chegara e a roubara, roubara a sua Hermione e a levara para sempre. Mas mesmo assim ele nunca ia deixar de a amar, mudasse o que mudasse, fizesse o que fizesse o seu coração ia sempre ser dela. No havia como negar, mas também não havia como o aceitar.

22 de Julho de 1999

- Ron, dessa maneira vais acabar por fazer um buraco no chão! Para um segundo! A Hermione não vai responder mais rápido por estares a andar de um lado para o outro!

- Mas ela não me responde há 4 dias! QUATRO DIAS! Eu sinto que ela não está bem! Sinto que se passa alguma coisa! – respondeu Ron, aflito, mas nunca parando de andar.

- Ela não te disse na carta que ia vir nesse dia com os pais da australia? Da lhe tempo, está a recuperar o tempo perdido com eles. Provavelmente ainda não teve tempo para responder à tua carta. Não sejas obcecado, vais ver que não se passa nada! – nesse momento, uma coruja negra apareceu no horizonte. Alguns minutos depois aparecia à janela, trazendo uma carta na pata.

- É dela! É da Hermione! Finalmente – gritou Ron, enquanto rasgava o envelope.

Querido Ron

Desculpa a demora, aconteceram algumas coisas que me fizeram esquecer me de tudo por momentos. Logo te contarei tudo.

Podemos vernos amanhã? Às 5h naquele parque perto da minha casa?

Até lá

Com amor

Hermione

- Ela está bem! Está tudo bem! – suspirou Ron, aliviado – Quer –se encontrar comigo amanha às 5h no parque!

- E como vais fazer para ires ter com ela? É domingo amanhã, o parque vai estar cheio de Muggles. – disse Harry, sensatamente.

- Pois…. Hmmmm….E se fosse de autocarro muggle? Podes vir comigo? Sabes como eu sou com essas coisas deles, provavelmente ia parar à outra ponta da cidade.

- Claro que vou. Enquanto vocês conversam eu dou uma volta pela zona. Obviamente não quero ficar a assistir.

- Ora – As orelhas de Ron coraram profundamente – acho bem que não fiques. É que tive uma ideia fabulosa. Sabes, e se eu lhe desse já aquela prenda que tenho para ela, se lha desse amanhã? Era uma surpresa fantástica não era?

- Eu acho que era óptimo!

- O que achas que ela vai dizer ? – perguntou Ron, agora nervoso.

Harry desatou a rir – Achas que a Hermione algum dia na vida dela te ia dizer que não casa contigo? Não te preocupes e vai mas é preparar o discurso! – Harry riu-se, e saiu do quarto à procura de Ginny.