23 de Julho de 1999

- Achas mesmo que foi boa ideia vir ter a casa dela? - perguntou Ron, nervoso

- Ora Ron, o autocarro chegou cedo, e ela vai adorar a surpresa, vais ver.

Enquanto conversavam, foram-se aproximando da casa de Hermione. Ron, atento a tudo para o caso de se cruzarem com ela, reparou imediatamente num casal, algumas casas ao lado da de Hermione. Ela, de cabelos castanhos encaracolados, estava abraçada ao rapaz, loiro e alto. Após um momento, ele afastou se um pouco dela e beijou-a. Nesse momento, Ron já estava suficientemente perto, e viu, chocado, que a rapariga era a Hermione.

Nesse momento, toda a sua vida parou. Foi como se todo o seu mundo se tivesse desmoronado. Ele devia estar a sonhar, a alucinar, não era possível. Não era possível que a sua Hermione o enganasse, o trocasse por outra pessoa. Não a sua Hermione, que tão corajosamente tinha lutado ao seu lado na guerra e ao longo de tantos anos. Não a sua Hermione com quem partilhara tudo ao longo dos últimos 7 anos da tua vida, e a quem tinha dado tudo de si no último mês. Nesse momento sentiu uma dor intensa, como se lhe tivessem arrancado o seu coração, a sua alma. Nesse momento, soube que nunca mais voltaria a ser feliz, que a sua vida tinha acabado ali.

Sem parar para pensar, dirigiu-se a eles e deu um forte soco no rapaz, que caiu ao chão, e ficou a olhar para ele, agarrado ao nariz que sangrava, sem perceber o que se tinha passado. Hermione ficou a olhar para ele, chocada. Provavelmente não esperava vê-lo tão cedo, e não esperava ser apanhada, pensou, com revolta. Sem dizer uma única palavra, sem sequer olhar para ela, virou-lhe as coisas e começou a afastar-se.

- Espera Ron! Eu posso explicar! Não é nada do que estás a pensar! – Hermione correu atrás dele.

- Não quero ouvir as tuas explicações. O que eu vi chega-me bem. Não acredito que fosses capaz de fazer o que fizeste, de me enganar e de me trair depois de tudo o que vivemos juntos. Eu devia ter adivinhado quando deixas-te de me responder. Pensei que te conhecia, mas afinal não passas de uma miúda reles em quem não posso confiar. Esquece que eu existo, porque para mim acabou tudo aqui. – dizendo isto desapareceu, limpando as lágrimas que teimavam em cair, sem sequer se preocupar com todos os muggles que passavam na rua.

Entretanto…

- Bem Steve, está quase na hora. Acho que vou indo. – sorrindo para o amigo, Hermione preparou-se para pegar na mala e afastar-se da rua onde vivera desde bebé – Muito, muito obrigada por tudo! Não sei o que teria feito sem a tua ajuda – completou, com as lágrimas a virem-lhe aos olhos.

Steve sorriu com ternura e abraçou-a – Minha linda, sabes que podes sempre contar comigo. Sempre foste uma amiga para mim. Mais que isso até sabias? Sinto-me muito feliz de te ter ajudado. Sabes, por mim podias ficar o tempo que quisesses. Vou sentir muito a tua falta.

- Não posso Steve. Não posso abusar de ti, não me sentiria bem. E de qualquer forma, o meu namorado já estava mesmo a contar passar o mês de agosto comigo. Também vou sentir muito a tua falta.

- Vais mesmo? Sabes? Apesar de tudo o que aconteceu contigo estes dias, que foi terrível, estares comigo foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos. Quando te mudaste há um ano, pensei que te tinha perdido para sempre, e agora, do nada, voltaste à minha vida. Por favor, não desapareças de novo sim? – Steve levantou uma mão e acariciou-lhe o rosto com ternura – És muito especial para mim sabias?

Dizendo isto, beijou-a. Hermione ficou por alguns segundos sem reacção. Conhecia o vizinho desde pequena, tinham andado juntos na escola quando crianças, e nunca percebera o mais leve sinal que ele pudesse gostar dela. Quando finalmente passou o choque e ia reagir afastando-o, Steve foi bruscamente afastado dela por alto que o empurrara com força. Ficou baralhada por uns segundos, tentado perceber o que tinha acontecido, quando com terror se apercebeu. Fora Ron, vindo sabe-se lá de onde, que tinha esmurrado Steve. Agora, sem qualquer palavra, afastava-se dela a passo rápido. Harry, a alguns metros , olhava boquiaberto, sem reacção.

Desesperada, correu atrás dele.

- Espera Ron! Eu posso explicar! Não é nada do que estás a pensar!

- Não quero ouvir as tuas explicações. O que eu vi chega me-bem. Não acredito que fosses capaz de fazer o que fizeste, de me enganar e de me trair depois de tudo o que vivemos juntos. Eu devia ter adivinhado quando deixas te de me responder. Pensei que te conhecia, mas afinal não passas de uma miúda reles em quem não posso confiar. Esquece que eu existo, porque para mim acabou tudo aqui. – dizendo isto desapareceu, sem sequer se preocupar com todos os muggles que passavam na rua.

Hermione ficou parada no local onde ele desaparecera, durante o que lhe pareceram anos. Não sabia o que pensar, o que fazer. Estava tudo acabado. Conhecia Ron, ele não a ia querer ver os próximos tempos. Ia alimentar um ódio enorme por ela, estando convencido que ela o enganara. Lentamente, começou a sentir as lágrimas a caírem-lhe pelo rosto. Vivera quase metade da sua vida com aquele rapaz. Julgava que ele a conhecia, mas ele não a conhecera. Se a conhecesse, saberia que ela nunca enganaria ninguém, muito menos a ele. Depois de tudo o que tinham passado juntos, deveria saber que se ela dizia que o amava era porque isso era verdade, e porque queria estar com ele toda a sua vida. Ao pensar nisto, foi como se alguém lhe espetasse um punhal em cheio no seu coração, deixando uma ferida que nunca mais poderia ser sarada. Ele confiara nela. Nem sequer a quisera ouvir. Se a amasse teria lhe dado hipótese de se explicar, teria-lhe dado a via da dúvida. Não havia volta a dar. Ele não a queria voltar a ver e afinal. Era apenas mais uma pessoa que a abandonava, tudo em menos de uma semana. Parecia que, de repente, estava destinada a ficar completamente sozinha. Sem sequer olhar para Steve, que continuava sentado no passeio agarrado ao nariz, pegou na sua mala e afastou-se sozinha. A partir de agora era assim que ia viver a sua vida: sozinha.