18 de Fevereiro de 1980
Maryanne caminhava a passo rápido, até ao lago. O seu coração parecia que lhe ia sair pela boca, da forma como pulava no seu peito. Quem seria que lhe mandava aquelas mensagens? O que saberia sobre ela?
Quando se aproximou viu um vulto, encostado a uma árvore. Maryanne nem quis acreditar no que via. Matthew Connors a enviar-lhe rosas? Impossível!
Entretanto..
Matthew caminhava nervoso, de um lado para o outro, junto ao lago. Se a ansiedade matasse ele já seria um fantasma como o Nick Sem Cabeça. Riu baixinho com a ideia. Depois suspirou. Será que ela não viria? Se calhar tinha ignorado as rosas, como o tinha ignorado todos aqueles anos. Mathew crescera habituado a sentir o seu coração a bater mais forte sempre que aquela rainha de cabelo dourado passava junto dele no corredor. Quando aqueles olhos fantásticos cruzavam os dele, sentia como se lhe tirassem todo o ar que respirava. Mas, durante anos, parecia que ela nunca sequer reparava sequer que ele existia. Nos seus caminhos entre as aulas, a biblioteca e a sala comum, não havia tempo para olha para ele, falar para ele ou lhe dar qualquer hipótese de se aproximar. Mas agora Mathew não aguentava mais. Estavam no seu último ano de Hogwarst. Dentro em breve, todos se formariam e cada um seguia o seu caminho. Tinha que arriscar tudo agora, antes que a perdesse para sempre.
Encostou-se a uma árvore e suspirou. Às vezes a vida era mesmo irónica. Ele, Matthew Connor, capitão de Quidditch dos Hufflepuff com uma legião de fãs femininas, podia basicamente namorar com quem escolhesse. E logo o seu coração tinha que se enfeitiçar pela única rapariga na escola que parecia alheia aos seus encantos. Mas não se importava. Afinal de contas, era a rapariga mais maravilhosa da escola e não se conseguia imaginar a ser feliz com nenhuma outra. Maryanne Cranwell não era o género de rapariga substituível. Ela era fantástica e única, e só se podia sentir feliz por o seu coração a ter escolhido.
De repente viu-a. Maryanne, linda como sempre, caminhava apressadamente para o local onde ele estava. De repente ela também o viu e parou. Ficaram parados, a olhar um para o outro, sem saber o que dizer.
- Olá Mayanne – disse, nervoso, como sempre ficava quando ela estava perto dele.
- És tu que me tens enviado as rosas? – disse Maryanne, sem um sorriso.
- Eu…..sim, fui eu que te mandei as rosas.
- O que é isto tudo afinal? Uma brincadeira de mau gosto? – Maryanne sentiu-se frustrada. Se Matthew tinha algo a dizer-lhe, para que tantos jogos? Porque não tinha dito de uma vez.
Matthew sentiu-se encolher. Não tinha esperado que ela caísse nos braços dele emocionada. Afinal, ela diferente de todas as outras. Mas também não esperava tanta frieza. – Foi apenas uma tentativa de me aproximar de ti…de ser romântico..pensei que gostarias.
Maryanne suspirou, ganhando coragem para a próxima pergunta, a pergunta decisiva – E porquê rosas douradas? Porque não vermelhas, amarelas ou laranja?
Matthew sorriu – Reparei há uns tempos na tua tatuagem. Pensei que as rosas douradas teriam um significado especial para ti. Apesar de não saber qual, achei que gostarias especialmente dessa cor, por isso transfigurei umas quantas rosas brancas, para ficarem douradas. Não gostaste?
Maryanne sentiu um grande alívio. Magicamente, toda a tensão que sentia há 2 semanas desapareceu do seu corpo. Agora podia respirar. Afinal ele não sabia de nada, fora apenas uma tentativa de lhe agradar. Mais calma, sorriu-lhe abertamente, e os seus olhos escuros brilharam, fazendo Matthew sorrir. – Gostei, eram lindas. Sabes, é verdade, as rosas douradas são muito especiais para mim.
- O que achas de darmos um passeio pelo lago? Gostavas? – Matthew fez o seu sorriso irresistível, agora um pouco mais confiante.
- Será um prazer! – Maryanne sorriu, e começaram a caminhar. – Afinal, porque me enviaste as rosas? Porque não falaste comigo? – disse mais séria.
Matthew desviou o olhar, receoso de a encarar, e por outro lado tendo medo de se perder naqueles olhos encantadores e perder a coragem de responder. – Para ser totalmente sincero contigo, nunca tive coragem. Acho que se tivesse que tomar o primeiro passo cara a cara contigo, nunca o teria conseguido. Alias, tenho o tentado desde que te conheci no primeiro ano. – disse, corando um pouco.
- O que mudou agora? Com rosas ou não, estás aqui, comigo, a ser sincero…o que mudou?
Matthew sorriu para si próprio. Típico da Maryanne, não perder um único pormenor, afinal, não era a melhor aluna da escola por acaso. – Era agora ou nunca não é? Dentro de meses a escola termina e poderia nunca mais te ver.
- Maryanne sorriu, sem dizer nada. Os olhos de Matthew brilharam à sua visão. Como ela era fantástica com os seus sorrisos. Tudo nela era segredo e mistério, e tudo isso só a tornava mais incrível aos seus olhos. – Gostavas de te encontrar comigo em Hogsmeade, no próximo fim de semana – o seu coração bateu mais forte, enquanto aguardava a resposta.
Maryanne desviou o olhar para o lago, pensando. Matthew era uma companhia agradável. Era um rapaz encantador, com os seus caracóis castanhos e um sorriso fantástico, extremamente simples e simpático apesar de todo o seu talento como keeper e da enorme quantidade de fãs que nunca o largava. Mas não podia dar lhe esperanças. O seu destino estava traçado desde o dia em que nascera. Suspirou e sorriu-lhe com doçura – Gostava muito Matthew, gostava de conhecer melhor, e de ser tua amiga. – respondeu, enfatizando a palavra amiga.
Matthew sorriu abertamente. Não era o que queria, mas era um começo. E isso para já bastava-lhe.
