19 de Fevereiro de 2000
A aula de herbologia do 7º ano decorria com empenho e concentração. Nesse dia estavam a transplantar Imocus Inagras, plantas venenosas especialmente perigosas.
- Atenção meninos, não se descuidem! – avisou novamente a professora sprout – Se tocarem por descuido em alguma das manchas roxas das folhas, a planta lançará pó venenoso para vocês! Muito cuidado.
Não se ouvia qualquer barulho na sala. A tensão era máxima, pois o risco da tarefa era elevado. Hermione preparava-se para transplantar a sua Imocus cuidadosamente. Nesse momento ouviu uma risadinha abafada alguns metros junto de si. Olhou distraidamente, e o seu coração pareceu parar no seu peito. Ron, que estava ainda a tratar da terra para mudar a sua imocus, sujara ligeiramente Mary Morgan, uma aluna dos Ravenclaw, a qual se tinha vingado, sujando-o de seguida. Hermione olhou para Ron que sorria, bem disposto, para a rapariga, pensando no tempo em que esse sorriso era para si. Doía que ele não sentisse minimamente a falta dela. Se ele adivinhasse como ela se sentia…será que isso mudaria algo? Será que o faria repensar as coisas que lhe dissera, ou o faria sentir-se vitorioso por ela estar a sofrer?
Distraidamente, agarrou a folha da sua Imocus, mantendo o olhar por mais uns segundos em Ron. Quando olhou para o que fazia, já era demasiado tarde. Sem se aperceber, tinha tocado numa das manchas roxas proibidas. No momento seguinte não conseguia já respirar e tudo à sua volta se tornou escuro. A última coisa que viu antes de entrar na escuridão foi Ron puxando uma madeixa escura de Mary, enquanto sorria animadamente.
11 de Março de 1981
A primavera tinha chegado mais cedo a Hogwarts, e o sol brilhava quente. Por todo o jardim, vários alunos aproveitavam os primeiros raios de sol, espalhando-se pelos relvados, rindo e conversando. À sombra da árvore habitual, Matthew e Maryanne conversavam calmamente.
- Então, tens já tens planos para depois dos exames? – perguntou Matthew
Maryanne sorriu enigmaticamente. Não lhe fora permitido ter planos, traçar objectivos ou ter desejos. Toda a sua vida fora planeada no dia em que nascera, e não havia outras opções. Mas claro, não podia revelar isso a Matthew. – Se pudesse, gostava de ser curandeira, ou algo semelhante. Gostava muito de poder fazer algo pela felicidade das pessoas, por as ajudar a melhorar, a melhorar as suas vidas.
- eu acho que conseguirás ser tudo aquilo que desejares. Tens inteligência para isso e muito mais – disse Matthew sorrindo, com todo o seu amor por ela reflectido no seu olhar.
- E tu Matthew? Quais são os teus planos para a vida fora daqui?
- ainda não sei bem….eu adoro ser keeper, mas sinto que só isso não me realizaria. Às vezes fico cansado de tanta fama, tanto assédio pelas raparigas, tanta rivalidade e conflito à volta dos jogos….
- Com que então o Sr. Príncipe Encantado está cansado de ser adorado? Era capaz de jurar quando te observava que adoravas toda aquela atenção – disse Maryanne, com um sorriso trocista.
- Talvez eu me tenha transformado num Príncipe encantado de uma princesa só – respondeu, piscando-lhe o olho – e sabes? Tenho a certeza que já posso parar de procurar por ela.
Maryanne corou ligeiramente, desviando o olhar para o lago, fingindo-se desentendida. Matthew, ao seu lado, atirou uma pedra ao lago, ficando a vê-la afundar-se.
- Sabes?- disse, virando-se para a encarar - Tomes o destino que tomares quando junho acabar, sei que serás sempre perfeita no que escolheres. – sorriu-lhe com ternura, e levantou uma mão, afastando-lhe uma madeixa dourada do rosto - Mas faças o que fizeres, eu vou estar sempre aqui, à espera que regresses e fiques ao meu lado. Eu não tenho grandes certezas quanto a nada na minha vida, mas há uma coisa sobre a qual estou totalmente seguro: o que sinto por ti. Desde o dia em que te conheci, no barco a caminho da escola que o meu coração te escolheu, e nesse dia eu soube que seria para sempre.
- Matthew…. por favor, não digas essas coisas. – suplicou Maryanne - Eu não quero, eu não posso criar laços.
- Mas porquê Maryanne? – perguntou, tristemente.
- Por favor, não insistas…..é melhor eu regressar ao castelo. – dizendo isto, Maryanne levantou-se, afastando-se rapidamente, tentando conter as lágrimas. Fora inocente pensar que se podia aproximar de Matthew e no final deixá-lo sem criar qualquer dano. Agora era tarde de mais, para ambos. Fechou os olhos, recordando como o seu coração batera mais forte com as palavras dele. Abanou rapidamente a cabeça. Não podia pensar nele, não podia pensar nessas coisas. – É melhor é ir estudar qualquer coisa, para ver se me distraio. – pensou, dirigindo-se para a biblioteca.
N/a - Olá a todos! Aqui fica mais um capítulo. Espero sinceramente que estejam a gostar. Esta é uma fic que eu tenho há anos na minha cabeça, mas que nunca tive coragem de escrever e tornar publica. Agora que finalmente a ganhei, não deixem de expressar a vossa opinião, é muito importante para mim.
Beijos!
