23 de Fevereiro de 2000
Ron caminhava de um lado para o outro no dormitório, em desespero. Quatro dias inteiros tinham passado, e Hermione continuava deitada naquela cama, sem reagir. Madame Pomfrey dissera que fora uma sorte ela não ter morrido na hora. Fora um milagre ela não ter respirado directamente o veneno. E agora seria um milagre se ela acordasse.
Ron sentou-se no chão e cobriu o rosto com as mãos. Como fora estupido. Como fora idiota. Sim, ela enganara-o, mas o que isso interessava agora? Só queria que ela acordasse, voltasse a abrir aqueles olhos lindos e a sorrir novamente.
Se pudesses voltar no tempo, deitaria tudo para trás das costas, perdoar-lhe-ia de todo o coração, só para poder estar junto dela, para nunca mais se afastar. Se ele estivesse junto dela e não junto de Mary, teria a protegido, teria feito tudo para que ela não respirasse nenhum veneno, teria de bom grado trocado de lugar com ela. Mas não havia forma de voltar atrás no tempo. Não havia nada a fazer, só esperar que ela acordasse, nem que tivesse de esperar a vida inteira.
Encostou a cabeça aos joelhos e deixou as lagrimas caírem. E se ela não resistisse? Abanou a cabeça, tentando afastar a ideia, só o facto de pensar nisso lhe causava uma angústia desmedida. Se acontecesse o pior ele ia atrás. Nada mais na sua vida interessava se não a tivesse a ela . Sem ela nada fazia sentido, ela era a vida dele. Cada segundo que passava sem ela melhorar, era a sua vida que lhe fugia também.
- Por favor Hermione, volta para mim – disse, em lagrimas. – És a minha vida e sem ti eu morro. – disse, soluçando com mais força.
Horas passaram e continuou na mesma posição, deixando as lagrimas cair livremente. Nada mais lhe interessava. Há 4 dias que só comia o que Ginny e Harry, preocupados, o forçavam a comer. Mal conseguia dormir, e nas raras vezes que sucumbiu ao cansaço e fechou os olhos involuntariamente, sonhou com o momento em que ela desmaiou na sua frente, e acordou a gritar por ela.
Tudo na sua vida se resumia a ela. Levantou-se lentamente, e dirigiu-se mais uma vez a enfermaria, à procura de notícias.
24 de Abril de 1966
Estava uma noite linda. A lua cheia brilhava no céu carregado de estrelas, uma leve brisa corria deixando no ar um cheiro a flores silvestres. À distância, um lobo uivava. Maryanne passeava junto ao lago, perdida nos seus pensamentos.
- Maryanne! Ainda bem que conseguiste vir!- – Matthew aproximou-se dela, sorrindo.
- Foi difícil, por pouco não fui apanhada pelo Filtch…o que me queres para me fazeres vir aqui a esta hora Matt? – Maryanne aproximou-se dele e pegou-lhe na mão.
- Precisava de te ver…o que se passa contigo ultimamente? Parece que foges de mim..foi alguma coisa que eu fiz Maryanne? Fiz alguma coisa que te chateou?
Maryanne sorriu, e os seus olhos ganharam um brilho especial, ao olhá-lo nos olhos – Sabes bem que nunca farias algo que me chateasse. Simplesmente tenho andado tão ocupada com as aulas e os trabalhos de casa. Há muita coisa para estudar este ano e eu não posso baixar as notas. – mentiu, desviando o olhar, sentindo-se culpada.
A verdade é que se afastara dele propositadamente. Sem se aperceber, o seu olhar e o seu sorriso tinham aos poucos, começado a persegui-la de manhã à noite. Era nele que pensava mesmo antes de adormecer, e era nele que pensava assim que acordava. Se não se afastasse, em breve tudo estaria perdido. Ela não podia, de forma alguma, criar esses laços com alguém. Não podia fazer isso com ela, e muito menos podia fazê-lo a ele. Ele era a pessoa mais fantástica que já conhecera, e não merecia que alguém o magoasse.
Mattheu suspirou – não consegues arranjar tempo para nos vermos de vez em quando? Tenho sentido muito a tua falta – disse, corando um pouco.
A medo, levantou uma mão e tocou-lhe no cabelo dourado. Maryanne não fez nada para impedir. Não conseguiu. O seu coração batia forte de mais, parecendo que ia rebentar no seu peito, e a respiração tinha parado ao seu toque. Como desejava que aquele momento nunca acabasse, que pudessem assim para sempre, juntos, naquela noite perfeita. Suspirou e sorriu-lhe.
- Vou tentar arranjar um tempo de vez em quando Matt. Eu prometo. Mas agora acho que devíamos entrar. Vamos ter problemas se nos apanham aqui a esta hora.
- Prometes? – perguntou Matthew, com os olhos a brilhar, aqueles olhos com que Maryanne sonhava todas as noites.
Maryanne hesitou um pouco, e Matthew baixou a cabeça tristemente, olhando para o lago.
- Prometo. – disse por fim suspirando - Agora, vá, até amanha. – Aproximou-se um pouco dele, para o beijar na face. Nesse exato momento, sem qualquer aviso, Matthew virou a cara para a encarar, e os seus lábios encontraram-se.
Foi como se toda a sua vida passa-se para um plano inferior. Nada mais importava. Tanto fazia se o Filtch os apanhasse e a expulsasse, tanto fazia que o mundo acabasse naquele momento. Naquele instante, que pareceu durar tanto e ao mesmo tempo durar tão pouco, Maryanne sentiu como se tudo finalmente batesse certo na sua vida.
Agora sabia. Toda a sua vida culminara para aquele momento, finalmente chegara ao seu porto de abrigo. Era com Matthew que era feliz e queria continuar ali, naquela noite perfeita, naquele abraço quente, naquele beijo apaixonado, para toda a eternidade.
Afastaram-se a custo, e olharam-se nos olhos, sem saber o que dizer. Nesse momento, ouviram latidos que se aproximavam, e a magia do momento quebrou-se instantaneamente. Maryanne despediu-se rapidamente e fugiu para dentro. Só parou no seu dormitório, e olhou-se no espelho. Estava com as faces coradas, os olhos brilhantes e um ar completamente chocado e…feliz. Sorriu e levou a mão aos lábios, revivendo aquele momento. Sorriu feliz. Nessa noite, não pensou em nada. Não pensou na Rosa Dourada, não pensou no seu destino traçado há 17 anos, não pensou na Senhora e no que lhe diria. Apenas sonhou com um lindo rapaz de caracóis escuros, que lhe roubara o coração.
Paula: Muito, muito obrigado pelo seu review. São os reviews que dão força a um autor para continuar com as histórias, principalmente quando eles são tão carinhosos com o seu! Muito obrigada pelo interesse, e sim, vou fazer tudo para continuar a postar, nem que mais ninguém leia, agora irei fazê-lo pelo menos por ti! Beijos grandes!
Pitgoras: Sim, eu sei que 360º é uma volta completa e se volta ao mesmo lugar :) ! Peço a ti e a todos os meus leitores desculpa pelo erro. É um erro idiota de quem publicou o resumo de madrugada e nunca mais o leu com atenção :S. Obrigada pela correcção, e o erro já foi eliminado.
