BLACK BLOOD


O lençol de seda estava enrolado no pequeno e aparentemente frágil corpo feminino, Kagome começava a abrir os olhos ainda um pouco sonolenta, já passava das quatro da tarde quando acordara com o barulho de água caindo do chuveiro. Levantou-se da cama amarrando o lençol no corpo enquanto se dirigiu ao banheiro da suíte.

Assim como no quarto a luz dentro do banheiro era fraca, mas nem isso ou o ar carregado de vapor a impediam de ver claramente quem estava no chuveiro.

- Imaginei que fosse dormir um pouco mais hoje, devido ao esforço durante a madrugada. –a voz rouca tinha certo tom de malícia

- Refere-se a antes ou depois de chegarmos em casa? –ela respondeu no mesmo tom

Natsume riu.

- Venha cá.

Com as mãos molhadas ele a segurou pelos braços e trouxe para debaixo do chuveiro, a água caindo sobre a seda fez com que o lençol colasse em seu corpo. O homem percorreu com o olhar cada curva demarcada do corpo feminino, colocou as duas mãos em sua cintura segurando-a com força, abrindo os lábios depositou-os na curva do pescoço fino e delicado apenas beijando-o.

- Preciso que faça um serviço para mim.

Kagome apenas respondeu com um 'sim' abafado.

- Quero que se encontre com Taisho e descubra algumas coisas sobre ele.

- Mas mestre, eu pensei que...

Natsume lhe mordiscou o pescoço descendo as mãos até as coxas de Kagome retirando a seda que lhe envolvia o corpo.

- Você fará. –o par de azuis claríssimos encontraram os negros com uma ordem firme- Ainda hoje, e depois me encontrará em Black Blood.

- Sim mestre.

- Ótimo, agora, antes de você ir... –de uma só vez encostou as costas da mulher contra a parede molhada levantando seu corpo e logo em seguida encaixando-a em sua cintura- Tenho fome. –os quase brancos olhos ganharam pigmentação vermelha enquanto ele cravava os dentes no pescoço da serva

Sesshoumaru não fora trabalhar naquela sexta-feira, justificou-se com Jaken dizendo estar com uma enxaqueca muito forte depois de tantas taças de Martini na noite anterior. Na verdade passara a manhã e a tarde toda em casa pesquisando sobre a casa noturna Black Blood, seu dono e a misteriosa Kagome.

Apesar de todo o tempo devoto a pesquisa, não obteve grandes resultados. Apenas o que já sabia, era uma boate onde apenas os mais ricos e importantes de Los Angeles eram permitidos frequentar. Porém algo em especial lhe chamou a atenção, enquanto pesquisava sobre Kagome encontrou um antigo artigo do jornal local relatando o desaparecimento de uma mulher de 24 anos que desaparecera após um baile beneficente na periferia da cidade. O artigo datava de 1943 e constava o nome Kagome Higurashi como o da mulher desaparecida, mas para o azar de sua curiosidade o artigo não apresentava fotos.

O telefone de serviço tocou sobre a mesa de vidro do escritório, Sesshoumaru levou um pequeno susto ao ser pego de surpresa pelo som estridente, não tinha nada marcado para aquele fim de tarde e não esperava nenhuma visita, mas atendeu ao chamado.

- Taisho.

- Oh, Sr. Taisho, aqui é Kagome, está ocupado agora? –a voz familiar o surpreendeu

- Ah, não, não estou.

- Que ótimo! –a empolgação o surpreendeu- Será que poderia me receber agora? Mesmo não tendo marcado hora.

Por alguns poucos segundos Sesshoumaru pensou e destravou o portão de entrada.

- Pode entrar, já desço.

Encontraram-se na sala principal do primeiro andar, Sesshoumaru convidou-a para que se sentasse e pediu ao mordomo que lhes preparasse café.

- Desculpe a aparência, não esperava visitas para hoje. –vestia uma calça jeans batida com camiseta branca e a barba estava por fazer

Sesshoumaru passou rapidamente os olhos pela figura feminina sentada a sua frente, vestido branco rodado e um guarda sol de renda, o mesmo estilo vintage da noite anterior.

- Desculpe a pergunta, mas sempre se veste assim?

- Uh, sim. –respondeu sem muito interesse repousando a xícara sobre a mesa de centro- Sr. Taisho eu pedi que me recebesse hoje a pedido de meu mestre.

- Ora, de novo esse mestre. –largou-se na poltrona fazendo um gesto com a mão para que continuasse

A mulher estreitou os olhos com o descaso de Sesshoumaru e logo prosseguiu.

- Como o senhor deve ter pesquisado –fez uma leve pausa vendo a reação afirmativa e surpresa de Sesshoumaru- meu mestre tem muito dinheiro, mas apenas o investe em Black Blood. Ele gostaria de saber se o senhor estaria disposto a ter um novo sócio em sua indústria farmacêutica.

- Bem –voltou-se a uma postura mais séria- Os únicos acionistas na empresa são meu irmão e eu, e tem sido assim desde que nosso pai faleceu, não vejo o por que de mudar isso agora.

Kagome levantou-se e deu a volta na mesa de centro aproximando-se de Sesshoumaru até que ficasse frente a frente. Inclinou um pouco o tronco do corpo para frente, estando seus olhos na mesma altura do par de âmbares.

- Pense melhor senhor. Seria algo vantajoso para ambos os lados. –sorriu levemente sedutora

- Diga-me senhorita Kagome.

- Sim?

- O que seu mestre acha de dividir suas posses?

- Eu não poderia-

Antes que pudesse perceber Sesshoumaru a havia segurado pelos braços e deitado sobre a mesa atrás de si.

- Há algo diferente em você, algo que me chama a atenção, mas não sei o que é.

Permaneceram naquela posição por algum tempo olhando-se diretamente, sem nem ao menos piscar.

- Não me lançou para o alto como fez ao homem da noite passada.

Os lábios vermelhos se curvaram em um sorriso cheio de malícia.

- Não seria esperto de minha parte, estou em sua casa. Além do mais –colocando as pernas em volta da cintura masculina pode sentir parte dos músculos do corpo bem definido- não vejo necessidade.

- Pensei ter dito que não fazia esse tipo de serviço.

- E não faço.

Rapidamente jogo os braços em volta do pescoço de Sesshoumaru erguendo seu corpo e depositando-lhe um rápido beijo nos lábios, depois aproximou os de sua orelha e disse com voz suave:

- Pense no assunto.

Com um sorriso travesso soltou-se do corpo do homem e caminhou até a saída cantarolando algo que Sesshoumaru sentia já ter ouvido, mas há muito tempo.

Ao entrar no escritório a prova de sons de Black Blood Natsume esperava sua serva sentado sobre a mesa de madeira escura esculpida ao estilo vitoriano.

- E então?

- Ele realmente pesquisou sobre o senhor e Black Blood, também disse que nunca pensou na ideia de mais acionistas em sua empresa além de seu irmão.

- Oh... É mesmo?

Em um movimento rápido puxou-a pelo pulso prendendo-a entre suas pernas jogando levemente o corpo da mulher para trás. Com a mão livre deslizou-a do abdome até o decote onde a deixou por alguns segundos até percorrer caminho até sua nuca, segurando o cabelo macio. Contornou os lábios vermelhos com a língua até penetrar-lhe a boca com um beijo feroz.

- Você tentou seduzi-lo. –afirmou seco

- Uh, mas apenas para que ele cedesse à ideia de sociedade. –os lábios vermelhos continuaram abertos pedindo por outro beijo quente

Os fios lisos e negros da franja caíam parcialmente sobre os olhos de Natsume, de um jeito que muito poucas pessoas já haviam visto, mas que Kagome conhecia muito bem.

- Eu não lhe dei ordens para isso!

Tendo afirmado abriu rapidamente o fecho nas costas de Kagome beijando-a com força.

- Você é minha.

Com agilidade puxou as alças do vestido que caiu até sua cintura, Natsume tirou-a de dentro do amontoado de camadas de tecido deitando-a no chão. Ficando sobre ela puxou-lhe as penas colocando-as em sua cintura. As mãos entraram por baixo da camisola fina segurando um dos seis, o que fez com que Kagome soltasse um gemido abafado. Sentindo o corpo dela chamando pelo seu ele a deixou com olhos levemente tingidos de vermelho.

- Lembre-se que você é minha. Ninguém mais pode lhe tocar assim.

Levantou-se passando a mão no cabelo puxando a franja para trás.

- Mas agora que já o provocou, é bom que dê certo.

Apenas terminada a frase e ouviram-se duas batidas na madeira da porta.

- Quem é? –Natsume gritou

E ouviu algo parecido a 'Sesshoumaru' em resposta. Ao abri-la a figura confiante adentrou o cômodo deparando-se com a imagem de uma Kagome a trajes íntimos sentada no chão. Sentindo o olhar pesar sobre seu corpo ela apenas sorriu de forma maliciosa e caminhou até o encontro do peito de Natsume que a escondeu em seus braços.

- A que devo a visita Sr. Taisho?

- Vim comunicar que aceito a sociedade, mas com uma condição.

Natsume riu e fez sinal para que prosseguisse.

- Terá 10% de participação em uma das filiais de minha empresa e eu terei o mesmo de participação em Black Blood.

Natsume o olhou com ferocidade nos olhos, mas logo riu debochadamente, como se lhe tivesse sido contada uma piada muito má elaborada.

- Façamos o seguinte, o senhor espera até o fechamento da casa e então observa o que realmente acontece por aqui. Se mesmo após ver com seus próprios olhos aceitar, tudo bem por mim.

Sesshoumaru concordou e passou as horas seguintes com Natsume e Kagome dentro do escritório até às três da manhã, quando Natsume anunciou o fim do expediente.

- Então Sr. Taisho –o homem saiu na frente de seu escritório puxando Kagome logo atrás de si até o meio do salão- aqui é meu pequeno reino.

Sesshoumaru estava extasiado, havia dezenas de olhos vermelhos como os de Kagome, praticamente todos os empregados da casa de show os tinham.

- Não gosto de dar voltas então vou ser bem direto. A maior parte de meus empregados tem um sangue especial, diferente do seu e da grande maioria de meus frequentadores, são o que vulgarmente ganhou ao longo dos séculos o nome de vampiro. Os outros empregados estão aqui por vontade própria, sendo pagos e recebendo algo mais.

Os olhos de Sesshoumaru percorreram cada canto escuro do salão, vendo empregados mordendo outros empregados.

- Uma simples mordida de seres como nós em humanos como você, independente da parte do corpo mordida, traz um prazer enorme, sendo melhor que até o próprio sexo, porém melhor apenas que o seu sexo entre humanos. Sexo entre seres como nós é mais prazeroso até que nossa mordida, nosso corpo é mais quente, mais sensível a cada toque, até mesmo um beijo na intensidade certa pode lhe trazer o orgasmo. Creio que sentiu rapidamente a diferença ao tocar minha adorada serva.

Sesshoumaru o olhou com raiva, mas de forma que trouxesse a Natsume a resposta de sua suposição.

- Este é meu reino Sr. Taisho, considere meus empregados como meus súditos, e minha bela Kagome, a que carrega meu sangue, como minha única concubina. Meu reino é um refúgio para aqueles de minha espécie que precisam de proteção e ajuda. Acha que é capaz de lidar como seres como não? –sorriu sentindo-se vitorioso

Sesshoumaru passou novamente os olhos sobre o lugar e suspirou encarando o chão. Natsume riu. Os olhos âmbar encontraram os esbranquiçados com intenção desafiadora.

- Negócio fechado, quando podemos assinar um contrato formal?

O olhar frio de Natsume foi ignorado por Sesshoumaru que continuou sorrindo.

- Amanhã –respondeu- Amanhã enviarei a minha parte dos papeis, e peço que faça o mesmo.

- Certo, amanhã enviarei o necessário.

Sesshoumaru caminhava em direção à saída quando ouviu o chamado de Natsume.

- Envie os papeis depois das três, antes disso Kagome e eu estaremos ocupados.

O homem confirmou e finalmente deixou o estabelecimento.

Na tarde do dia seguinte Sesshoumaru convocou uma pequena reunião com seu irmão e o administrador Jaken. Durante a reunião anunciou o novo sócio e sua nova sociedade em Black Blood. Os presentes se surpreenderam com a notícia tão repentina, mas logo se animaram com a ideia de receberem tratamento especial na casa noturna.

- Os papeis já foram assinados e o acordo está fechado, essa noite visitarei Sr. Ryuuzaki para um cumprimento menos formal.

Os presentes concordaram, após isso a reunião estava encerrada.

Em Black Blood Natsume informou aos empregados sobre o novo sócio, mas que sua presença não iria interferir no funcionamento normal durante a noite.

Horas mais tarde Sesshoumaru entrou no escritório de Natsume deparando-se com o sócio jogado sobre o divã de acolchoado dourado. Sentada ao seu lado no chão estava Kagome segurando uma xícara de chá.

- Bem vindo senhor meu sócio. –Natsume sentou-se pegando a xícara das mãos da serva enquanto fez um gesto para que o outro se sentasse- Kagome prepare uma xícara de chá para meu sócio.

A mulher concordou e se levantou indo em direção à mesa no canto da sala para preparar o que lhe foi ordenado.

- Sesshoumaru –começou Natsume- Posso chamá-lo pelo nome certo? Afinal agora somos próximos.

- Ah, sim. –concordou recebendo a xícara das mãos de Kagome- Obrigado Kagome.

A mulher riu sentando-se no mesmo sofá que ele. Natsume estreitou os olhos encarando ambos.

- Então você pretende vir a Black Blood todas as noites?

Sesshoumaru olhou para Kagome e sorriu.

- Você não vem todas as noites, vem?

- Está interessado em Kagome? –o outro homem antecipou a resposta da serva- Lamento lhe informar que ela não é uma empregada da casa, eu já lhe disse isso, mas pense nela como minha noiva.

A última palavra fez Sesshoumaru expressar uma careta amarga, entregou a xícara vazia a mulher ao seu lado sem olhá-la.

- Kagome só vem quando é chamada –prossegui Natsume- Você mesmo já presenciou o verdadeiro trabalho dela.

- Claro.

- A propósito Kagome, você tem um serviço marcado para hoje certo? Cuidar daquelas crianças desordeiras.

Kagome levantou-se fazendo um cumprimento em seguida deixando o escritório.

O estacionamento do shopping estava vazio, exceto por um grupo de adolescentes rindo alto com garrafas de bebida em mãos.

- Ei, vocês! –a silhueta feminina saiu das sombras caminhando em direção à luz sob o poste- Espero que limpem essa bagunça antes do amanhecer. –apontou para o amontoado de corpos atrás do grupo

Os adolescentes riram e alguns se levantaram indo em direção à mulher.

- Acho que a moça está querendo se juntar a eles, o que acham?

A mulher riu passando os dedos entre o cabelo e logo em seguida suspirou.

- Talvez seja o contrário.

Os lábios vermelhos curvaram-se em um sorriso e logo seus olhos negros tomaram o mesmo tom rubro. Antes mesmo que o grupo tivesse tempo para se defender a mulher os atacou mutilando-lhes parte do corpo.

- Ah, fiz bem em escolher um vestido vermelho, assim é mais fácil disfarçar as manchas de sangue. –sentou-se sobre os corpos no chão enquanto observava os adolescentes recolhendo as partes de seus corpos

- Você é a concubina do Sr. Natsume? –um deles perguntou

- É, sou. E ele espera que vocês ajam de forma mais consciente, vocês não devem matar suas presas. Mas caso isso aconteça, tenham o cuidado de limpar sua bagunça. –levantou-se andando para fora do estacionamento- Antes do sol nascer.

Sesshoumaru acordou às cinco da manhã com o telefone de serviços tocando ao lado de seu quarto. Passando as mãos pelos cabelos prateados bagunçou-os indo até o escritório.

- Quem é? –a voz grave estava rouca de forma sensual

- Kagome. –disse simplesmente

O homem não hesitou em abrir o portão e desceu apressado, ao abrir a porta a mulher já o esperava com sangue pingando das mãos e da barra do vestido.

- O que aconteceu? –fez sinal para que ela entrasse

- Nada de mais, apenas fiz meu serviço como foi ordenado.

Antes de entrar retirou os sapatos sujos de terra.

- Você como sócio de meu mestre tem de ajudá-lo em seus negócios, e no momento ele está em uma reunião importante, não posso interrompê-lo. Posso passar a noite aqui? –sorriu

- Acho que não seria bom você ir a um hotel nesse estado, vou preparar o quarto de hóspedes enquanto isso tome um banho. É por aqui.

Sesshoumaru a guiou até a suíte de hospedes entregando-lhe uma toalha branca junto a uma camisola da mesma cor. Ela os recebeu deixando-o sozinho para que arrumasse o quarto.

Alguns minutos depois saiu vestindo a camisola com a toalha enrolada nos cabelos, Sesshoumaru a esperava escorado no batente da porta.

- Acho que por uma noite é o suficiente, bom, aproveite a estadia.

- Uh, obrigada.

- Kagome –Sesshoumaru voltou aproximando-se- posso perguntar uma coisa?

Retirando a toalha molhada dos cabelos sentou-se na cama.

- Acho que posso fazer isso em agradecimento.

- Bem –sentou-se ao lado da mulher- quantos anos você tem?

Ela fingiu envergonhar-se e logo em seguida riu.

- Tenho 24, mas por que o senhor se interessou por isso?

- Você sempre morou aqui, têm parentes?

- Sim e não, aonde quer chegar com essas perguntas Sesshoumaru?

- Os anos 40 eram bem animados eu presumo, tem boas lembranças?

Kagome jogou a toalha sobre o rosto do homem ao seu lado engatinhando até a cabeceira da cama, enfiou-se sob a colcha preta fechando os olhos.

- Estou cansada, se o senhor não se importa. Poderia apagar a luz ao sair? Boa noite.

- Claro. –Sesshoumaru deu as costas e apagou as luzes antes de sair do quarto


jusamurai: Obrigada ;3 espero que continue lendo.

A quem mais estiver lendo peço desculpas pelo atrasado do segundo capítulo, até o próximo e divirtam-se. ;*