BLACK BLOOD


Sesshoumaru voltou para casa mais cedo que o de costume esperando que Kagome ainda estivesse dormindo. Procurou-a no primeiro andar sem que a encontrasse, subiu as escadas indo direto ao quarto de hospedes encontrando-o de cama feita onde a camisola e a toalha branca estavam dobradas. Nervoso socou a porta.

Deitado sobre os lençóis de seda o grande corpo masculino rolava de uma ponta a outra da cama.

- Estou entediado. –parou olhando para o teto- Kagome... –suspirou

- Sim?

A presença feminina preencheu o quarto tirando um sorriso dos lábios do homem.

- Você demorou muito a voltar, estou entediado e com fome.

A mulher riu indo em direção ao closet, jogou o vestido e sapatos sujos no chão pegando uma camiseta grande e velha. Voltou sentando-se na ponta da cama.

- Aquelas crianças não vão mais causar problemas.

Natsume não respondeu, apenas manteve o olhar sério preso ao teto.

- Algo mais o incomoda mestre?

Com rapidez ele a puxou pelo pulso jogando-a sobre seu corpo.

- Como ele a tratou? Sesshoumaru.

- Apenas me ofereceu um quarto e nada mais. Quando eu saí ele ainda não havia voltando do trabalho, acredito ter sido melhor assim.

O homem concordou com o olhar.

- Não vou à Black Blood hoje, e você também não. –observou a mulher sobre seu corpo fazer uma expressão confusa- Essa noite vamos a uma festa beneficente na periferia da cidade.

- Natsume eu não acho-

- Você vai. Um homem em minha posição não deve ir desacompanhado a esse tipo de eventos, e se tenho a você deve me acompanhar.

Virou-os na cama ficando por cima.

- Comprei um vestido novo para você, será a mulher mais desejada da noite.

- Oh, um vestido novo? –ela riu- Quero vê-lo.

- Não. –aproximando seu rosto do dela encostou seus rostos virando o dela para o lado- É uma surpresa, só à noite. –abrindo a boca aos poucos aproximou-a do pescoço de Kagome penetrando os dentes lentamente

Kagome soltou um grito abafado mexendo-se sob o corpo pesado de Natsume. A dor que a mulher sentia lhe trazia prazer, finalmente sentiu o sangue preencher sua boca e escorrer pelo pescoço manchando a seda branca.

Com uma mão segurando-lhe a cabeça e com a outra as costas lhe erguendo o corpo sentando-se com ela sobre suas pernas.

- Natsume chega.

Com a mão em suas costas apertou-lhe com mais força contra seu peito, ouviu seu gemido baixo. Tirando a boca de seu pescoço traçou uma trilha de beijos manchados de sangue até os lábios rosados invadindo-os com a língua.

Desceu a mão pelas costas de Kagome colocando-a por baixo da blusa retirando a peça íntima, em seguida puxou a própria calça chutando a peça para o lado. Com as duas mãos ergueu-a pela cintura encaixando-a em seu quadril.

- Oh droga... –envolveu-lhe os braços no pescoço- Você nunca me escuta.

- Eu sei que você gosta. –desceu as mãos até seu quadril levanto e descendo-a lentamente- E eu estava faminto.

As luzes dos holofotes do clube podiam ser vistas há quilômetros, a fileira de carros era impressionante, a fotógrafos lotavam a entrada cobrindo os convidados com o brilho do flash de suas câmeras.

No salão de entrada os organizadores do evento recebiam seus convidados mostrando o caminho aonde a verdadeira festa acontecia. Passando por um alto e largo portal branco chegava-se a área com piscina onde boiavam velas em cumbucas redondas de vidro, as mesas rodeavam-na preenchendo o grande espaço a céu aberto. Ao fundo um palco montado abrigava a pequena orquestra.

O casal que atravessava o salão até a área da piscina captava todos os olhares causando comentários.

- Só eu não me sinto a vontade? –perguntou a mulher trajando um vestido justo de um ombro só coberto de brilho vermelho, os olhos pintados de sombra preta realçando-lhe a beleza exótica

Seu acompanhante riu. A figura alta trajava blusa de algodão preta de mangas longas com suspensórios branco, vestindo calças pretas riscadas de giz branco e o paletó do conjunto cobrindo-lhe os ombros.

- Ora minha querida Kagome, o que é um pouco de atenção durante a noite? Nada a que não estejamos acostumados.

A acompanhante suspirou.

- Você adora toda essa atenção.

Rindo caminharam juntos até uma mesa longe do palco e de toda a agitação. Alguns ainda se deram ao trabalho de irem até a mesa tentando socializar-se, porém a frieza nos olhos de Natsume eram o suficiente para tirar-lhes a ideia da cabeça.

- Como eu detesto esse tipo de ambiente, repleto de falsos bons samaritanos. –reclamou enquanto virava uma taça de champanhe

- Bem, acho que o senhor achará a festa mais divertida daqui para frente. –os olhos negros apontaram para a outra figura alta que se aproximava trajando terno branco

Natsume levantou-se estendendo a mão para apertar a de Sesshoumaru em seguida apontado para uma cadeira, Kagome apenas o cumprimentou em um gesto simples sem que se levantasse.

- Não sabia que compareciam a esse tipo de eventos.

- E por que não comparecer? É uma ótima oportunidade para exibir minha serva em vestidos caros e sexy.

As ultimas palavras desconcertaram levemente o outro homem ao passar os olhos rapidamente pelas curvas marcadas pelo vestido provocante.

- Realmente lhe cai bem.

Conversaram sobre assuntos casuais sem qualquer relação a negócios durante um longo tempo até que a musica tocada pela pequena orquestra começou a chamar casais para a pista de frente ao palco. Natsume suspirou demonstrando o desinteresse em dança, o que significava uma abertura para Sesshoumaru.

- Se importaria –a atenção dos olhos azuis voltou-se para os âmbares- que eu convidasse Kagome para uma dança?

A serva olhou para seu mestre com a certeza de que ele recusaria o pedido, mas ele sorriu.

- Entretenha-a por alguns minutos.

Sesshoumaru levantou-se estendendo-lhe a mão que com certa desconfiança a ruiva aceitou, em seguida guiou-a até a outra ponta da piscina.

- Com sua licença.

As mãos grandes tomaram-lhe a cintura e a mão esquerda, cuidadosamente puxando-a para mais perto de seu peito. Acompanhando-o depositou-lhe a outra mão sobre o ombro e advertiu:

- Não sou boa nisso, então peço que não se decepcione.

- Apenas deixe que eu a guie.

Antes que tivesse tempo para responder eles já se movimentavam entre os outros casais, ele se mexia com graça e perfeição, chegara a pensar que até poderia se sair bem naquela dança até o momento em que os paços de seu acompanhante ficaram mais rápidos e complexos. De repente soltou-lhe a cintura segurando-a apenas pela mão e em seguida lançando-a para rodá-la e puxa-la de volta batendo de costas contra seu peito. Os outros casais paravam de dançar aos poucos para observá-los abrindo mais espaço para dançarem. Ainda de costas levou uma das mãos de Kagome até seu pescoço e a outra levou-a até seu quadril segurando-as enquanto mexia os corpos lenta e sensualmente até próximo do chão, subiu-os rapidamente tomando-lhe a mão e a girando novamente e puxando de frente ao encontro de seu peito. Com uma mão segurando-lhe as costas, desceu a outra de sua cintura até a coxa erguendo-a e prendendo em sua perna, lentamente aproximava seu rosto do dela enquanto ela apenas afastava o seu até deitar-se sobre seu braço, a mão subiu pela coxa passando pelo ventre e entre os seios até que alcançasse o pescoço e finalmente o rosto. Os lábios vermelhos se entreabriram quando repentinamente os de Sesshoumaru se fecharam puxando-a de forma a ficar ereta, a música havia acabado.

As pessoas em volta junto aos músicos os aplaudiram. Os olhos negros estavam preenchidos de constrangimento, o parceiro de dança tomou-lhe a mão puxando-a para voltar à mesa, ela a puxou de volta.

- Foi um ato grosseiro de sua parte.

Ele riu.

- Aquilo é dançar de verdade, vamos lá, admita. Foi divertido.

- Discordo.

Kagome sentou-se novamente ao lado de Natsume e Sesshoumaru de frente para ambos.

- Mas que bela dança –elogiou o mestre segurando-lhe o rosto- Não sabia que era capaz de dançar daquela forma.

- Não é nada de mais. Apenas algo que aprendi quando viajei à Espanha. -disse o outro enquanto virava o champanhe

- Ora, mas o final foi realmente impressionante, como foi mesmo?

Virou a mulher ao seu lado para que o encarasse subindo uma das mãos de suas coxas até o ventre e mais lentamente subindo por entre os seios demorando-se no decote meia-lua, as bochechas da serva estavam vermelhas como os lábios, a mão finalmente parou em sua nuca segurando-lhe os cachos, aproximando-lhe os lábios mordeu-o lábio inferior puxando e soltando-o.

- Algo assim, certo? Exceto pelo final, claro. –Natsume riu

Sesshoumaru estava constrangido e irritado, finalmente percebera que para cada provocação que fizesse a Kagome, Natsume as faria em dobro. Estava em clara desvantagem.

A festa seguiu com seu cronograma finalizando com as doações de seus presentes, após fazer sua doação Natsume foi embora acompanhado de sua serva deixando para trás um Sesshoumaru indignado com sua impotência perante a presença do sócio.

Passou-se uma semana desde a ultima vez que Sesshoumaru encontrou Natsume e Kagome durante a festa beneficente, não visitava Black Blood há quase duas semanas, na verdade não tinha muito o que fazer na casa noturna, seu sócio cuidaria de tudo como sempre fez, por isso tratou de concentrar-se na administração de sua empresa.

Tudo estava em ordem e não havia muito com o que se preocupar, Jaken como sempre tratando da parte financeira e com a ajuda de Inuyasha supervisionava a produção e distribuição dos produtos farmacêuticos, a Sesshoumaru sobrando os assuntos burocráticos entre outras negociações.

Durante a noite, em sua casa, Sesshoumaru terminava de ler alguns documentos antes de assiná-los quando o telefone tocou.

- Boa noite sócio!

Havia de confessar que a ultima pessoa de quem esperaria uma ligação aquela hora seria Natsume.

- Boa noite –começou- algum problema?

- Não exatamente, vou fazer uma viagem amanhã e volto dentro de três dias. Quero que cuide de Black Blood e Kagome durante minha ausência.

- Bem, quanto a Black Blood não se preocupe, também é minha responsabilidade, mas não acha que Kagome pode se cuidar sozinha?

Ouviu o outro suspirar.

- Minha serva nunca ficou sozinha antes e serão três dias sem qualquer serviço para ela, ocupe-a da forma de julgar melhor. Estamos combinados, Kagome chegara a sua casa pela manhã, boa noite sócio.

Antes que tivesse tempo para responder Natsume havia desligado.

Sesshoumaru jogou a cabeça para trás passando a mão pelo cabelo, suspirou.

- Acho que não tem jeito, é melhor eu dormir. Esse vai ser um longo final de semana.

Próximo às três da tarde a campainha tocou, Sesshoumaru foi atender pessoalmente, durante os fins de semana os empregados estavam dispensados.

- Pensei que chegaria pela manhã. –pegou a valise redonda preta de bolinhas brancas das mãos femininas

- A sua tarde é a minha manhã. –sorriu seguindo-o para dentro da casa

- Vai ficar no mesmo quarto que da ultima vez, tenho algo preparado para você lá, vista e desça aqui.

- Vestir? Eu trouxe minhas próprias roupas.

Sesshoumaru riu.

- Vai ter oportunidade de usá-las, mas durante o dia quero que use o que lhe preparei, agora suba e me diga se não servir.

Meio resistente Kagome subiu, Sesshoumaru deitou-se no sofá enquanto a esperava. Minutos depois os saltos estalavam nos degraus da escada.

- Só pode ser brincadeira, certo?

O homem fechou os lábios segurando o riso. Kagome usava um vestido preto curto e rodado com babados brancos na barra, por cima um avental impecavelmente branco e meias sete oitavos da mesma cor.

- Estou sem empregados até quarta-feira, enquanto estiver aqui pode fazer os serviços simples da casa como forma de agradecimento.

- Está bem –suspirou- mas eu não sou boa cozinhando.

- Não sou muito exigente quanto à comida, se precisar de alguma coisa pode me chamar, estarei no escritório.

Levantou-se pegando a valise do chão, a deixaria no quarto de hospedes no caminho para o escritório.

Próximo às seis horas Kagome subiu levando uma xícara de café até o escritório de Sesshoumaru.

- Vou preparar o jantar, alguma sugestão?

- Tem frango no freezer e alguns legumes na geladeira, o que conseguir fazer com isso está bom.

A mulher não respondeu, apenas desceu direto para a cozinha. Pré-aqueceu o forno enquanto descongelava o frango, pegou algumas batatas e cenouras na geladeira e picou-as depois de descascadas. Preparou sopa de legumes com pão francês e vinho tinto.

Sesshoumaru desceu atraído pelo cheiro encontrando a mesa posta.

- O frango ainda está no forno, enquanto isso aproveite a entrada.

Sesshoumaru provou da sopa olhando do prato para Kagome.

- Precisa de mais sal.

Ela forçou um sorriso indo de volta para a cozinha. Abriu o forno puxando a travessa com o frango.

Sesshoumaru deixou o talher cair com o grito feminino, correu até a cozinha encontrando o forno aberto com o frango caído no chão e uma Kagome sentada com as mãos queimadas. Desligou o fogo fechando o forno para em seguida ajudar a mulher a sentar-se.

- Você ficou louca? Tirar o frango sem luvas é como implorar para se queimar! –esbraveceu

- Eu disse que não era muito boa cozinhando. –ignorou o olhar repreensivo de Sesshoumaru

- Uma coisa é não ser boa, outra coisa é ser estúpida. Vamos cuidar dessas mãos.

Segurou-lhe os pulsos para então virar suas mãos com a palma para cima.

- Não é necessário, eu me curo de forma rápida, vê?

As mãos estavam com a palma rosada e a pele macia, não havia sinal de poucos minutos atrás terem se queimado.

Sesshoumaru estava espantado, mas ao mesmo tempo aliviado, seria um problema entregar Kagome ferida à Natsume.

- Me explique sobre isso. –pediu sentando-se em outra cadeira, dando a certeza de que não sairiam dali antes de ouvir o que queria

A ruiva suspirou encarando-o como se não estivesse de acordo, mas começou a falar.

- Não é fácil matar alguém como eu. Posso levar um tiro na testa que não morrerei, uma estaca em meu coração ou até mesmo arrancá-lo não fará diferença, se arrancar qualquer membro ou órgão de meu corpo ele se regenerará, mas isso leva algum tempo, tudo depende do tamanho do dano.

- Você é praticamente imortal! –exclamou admirado- Mas obviamente tem uma fraqueza, qual?

Kagome se levantou dando-lhe as costas.

- Não estou permitida a revelar isso a qualquer um, principalmente você.

A afirmação o surpreendeu, mas tinha certa base lógica. Natsume não poderia correr o risco de ser morto agora que tinha um sócio.

- Tudo bem então, você pode jantar enquanto eu cuido de limpar as coisas por aqui.

Ela riu.

- Só como quando quero, meu verdadeiro alimento é o que corre por suas veias. –sorriu maliciosa- A não ser que queira ser meu jantar eu não comerei esta noite.

- Ótimo –os olhos negros se arregalaram- então pode limpar a cozinha enquanto eu termino de ler alguns documentos em meu escritório.

- Uh, como queira.

Após limpar a cozinha Kagome tomou um banho vestindo uma camisola de seda preta, Sesshoumaru conseguiu irritá-la mais do que Natsume com essa brincadeira de empregada, mas ele teria o troco.


Jh - Desculpa a demorar, eu faço tanta coisa durante o dia que eu acabo esquecendo de postar. D:

A quem mais lê (se é que leem kk) desculpa a demora, o capítulo já estava pronto, mas eu realmente acabei esquecendo de publicá-lo D: vou tentar ser mais rápida com o próximo capítulo. Divirtam-se e até a próxima.