No Mundo Inferior

Todos os Cavaleiros estão sentados à mesa do lado oposto aos Espectros. Nas extremidades, as cadeiras estavam vagas. O ar estava bastante pesado devido às diferenças entre eles:

- Porque nos mantêm aqui? – Saga parecia intrigado com essa questão. Principalmente por um ser ter ajudado de certa forma seu irmão.

- Por mim vocês jamais teriam voltado à vida. – esse foi Lycaon Phegyas

- Pois não pensem que faremos o que nos mandarem. Só servimos a deusa Athena. – diz Milo irritado com a situação em que eles se encontravam.

- Eu não sei o que "Vossa Alteza" quer com idiotas como vocês. - Faraó de Lyra falou em tom de deboche ao mencionar vossa alteza.

- Não sei por que, mas sinto que devemos acatar suas ordens. – essas palavras de Lune soaram como se fosse para o vazio.

- E desde quando um Espectro tem sentimentos ou qualquer outra coisa? - perguntava Milo com desdém.

- Malditos, não vou ficar de braços cruzados escutando desaforos.

Sylphid já ia se levantar para dar uma lição em Milo, quando o Sacerdote se faz presente, com uma bandeja com um prato de carne crua, um cálice e uma jarra:

- BASTA! Seus idiotas, se Vossa Alteza escutar essas asneiras, nem faço idéia do que ela faria com vocês. – ele deposita tudo na ponta principal, e se dirige ao lado oposto, onde se senta. De um lado está Milo, e do outro Sylphid. - Lorde Hades era muito justo com seus Espectros, não é o mesmo caso de Vossa Alteza... Ela faz apenas o que quiser sem distinguir inimigo ou aliado, e responde apenas a Lorde Hades. Para o bem de vocês, jamais se esqueçam disso.

- Sacerdote, afinal de contas, quem é ela realmente? – Sylphid estava tão curioso que não dava mais a mínima com o que Milo tinha dito há pouco tempo atrás..

- Acho que já devem ter escutado algo sobre "Alteza das Trevas".

- Aquela da lenda? – Radamanthys olhou para o Sacerdote assustado, e continuou quase sem voz - Você diz, aquela que foi aprisionada no Muro das Lamentações?

- O Anjo da Morte, que vive nos dois mundos, e não pertence a nenhum deles. Cujo verdadeiro nome jamais deve ser mencionado por nenhum Espectro ou alma perdida. – Aiacos falava absorto em pensamentos relacionado ao ser em questão.

- Exatamente. Agora entenderam? – o Sacerdote se remexeu sentindo-se desconfortável com tantas perguntas.

- Mas isso é terrível. O que a fez despertar tão cedo? – Minos parecia espantado com essa revelação.

- Do que estão falando? – Mu estava sem entender nada daquela conversa.

- No tempo que estive morto, uma áurea me isolava das outras almas, como se estivesse me protegendo... – Aiolos foi interrompido por Radamanthys que estava bufando de raiva.

- Blasfêmia... Ela jamais perderia tempo com um inútil como você.

As portas da sala se abrem com um grande estrondo, revelando a Amazona, com uma cobra em suas mãos e todos se calam, enquanto ela se senta na cadeira principal, entre Aiolos e Lune. Ela pega o cálice, e faz a cobra despejar seu veneno dentro dele. Coloca a cobra já morta encima da bandeja. Despeja o conteúdo da jarra dentro. Já ia colocar o cálice na boca quando Aiolos interrompe:

- Não pode fazer isso.

- Cavaleiro de Athena, meta-se apenas com o que lhe diz respeito. – Aiolos fuzilou com os olhos o Sacerdote, como se ele não quisesse o bem de sua senhora, a ponto de deixar ela cometer uma loucura dessas.

Então ela bebe o conteúdo como se Aiolos não tivesse protestado, e depois come a carne com uma avidez que deixou todos de boca aberta. Aiolos apenas observa cada passo achando tudo muito esquisito. Parecia que a pequena gota que descia pelo canto da boca era sangue. Estaria enganado? Súbito, percebe uma marca em sua mão. Parecia uma queimadura do medalhão em forma de ave que ela usava.

Quando Milo ia comer uma coxa de frango, o Sacerdote segura seu pulso, fazendo-a cair, e todos olharem em sua direção:

- Vocês não devem comer nada enquanto estiverem aqui.

- E por que não? – ao mesmo tempo pegava outra coxa de Sylphid, e olhando desafiador para o Sacerdote. Quando ia comer:

- A menos que queira viver o resto de sua vida no Mundo Inferior. - o Sacerdote concluiu.

Com isso, Milo larga a comida, e os outros cavaleiros tiram suas mãos da mesa. Os Espectros soltam um sorriso petulante a quem estivesse a sua frente.

- Que sacanagem. – Milo ficou chateado, pois estava morrendo de fome.

Todos terminam de comer exceto os cavaleiros, é claro, mas mesmo assim eles permanecem sentados a espera do que seria dito.

- Lune, traga o livro de entrada à sala de guerra.

Ela se levanta e sai da sala, e os Cavaleiros acompanham o Sacerdote até seus aposentos.

Em um dos quartos

Mu está em pé olhando curioso pra Shaka, que está sentado na cama.

- Shaka, você, que dizem ser o homem mais perto de deus, sabe algo sobre esse tal Anjo da Morte?

- O pouco que sei, prefiro não falar. – e se deita na cama pra dormir, encerrando a conversa. Mu decide deixar pra lá, e fazer o mesmo.

No quarto de Aldebaran e Shura, os dois estão dormindo.

Já no quarto ao lado

Saga está sentado em sua cama, e Kanon está na outra cama:

- Saga, fiquei muito feliz em saber que você não se curvou aos planos de Hades.

- Nunca faria isso, Kanon. E eu também estou feliz por saber que se redimiu... Tenho orgulho de ser seu irmão. – disse puxando o outro pra um abraço fraternal – Como senti sua falta todos esses anos.

- Eu também senti sua falta, principalmente quando mais precisei.

No outro quarto

Kamus está deitado, observando seu amigo andando, pra lá e pra cá. Já estava ficando tonto de tanto escutar:

- Como você voltou a vida o que pretende fazer quando encontrar uma certa Amazona? Lembrando que só temos uma chance na vida, e não se deve desperdiçar.

- Com tudo o que vai acontecer, Milo, nem eu sei...

Então escutam umas conversas muito estranhas, vindas do quarto ao lado:

- ... e eu perderia a cabeça. – Afrodite dizia sentado na beirada da cama, onde Mascara da Morte estava deitado, olhando de rabo de olho, bastante cismado.

- Mais que merda. Com tantos Cavaleiros pra dividir o quarto, tinha que ser logo com a maior bicha do Santuário?... – Então fala com tom de nojo – Peixes, não enche o saco, e vai dormir nos quintos dos infernos... A única maneira de você perder a cabeça comigo seria ela rolando podre por aí... Ha, ha, ha, vê se pode? – Afrodite se afasta, e vai deitar em sua cama indignado resmungando:

– Seu grosso.

No ultimo quarto:

- Eu imagino o que você passou todos esses anos, no cocyto, o lugar destinado às almas daqueles que se rebelaram aos deuses... Fui jogado vivo, e congelou até a minha alma... O que dirá a você, irmão. – Aiolos que estava na janela até então, resolveu se virar pra olhar seu irmão:

- No inicio eu sofri bastante, pois só tinha duvidas. Queria saber como você estava, já que era novo e taxado como irmão do traidor. Se tinha conseguido realizar seu sonho de ser o Cavaleiro de Ouro de Leão. Se por acaso tinha descoberto sentimentos iguais aos que senti com Phebe. Se ela cumpriu com a promessa de melhorar seu humor, e se tornar uma pessoa melhor para com os outros. Se ela tava amando outra pessoa, e assim esquecendo o nosso passado. Se ela tentaria tirar sua vida, já que nunca poderia morrer, e já estava cansada disso... Tantas eram as duvidas que estavam me deixando louco, junto com a dor de estar preso aqui, e da dor de sentir-me traído por meus amigos Saga e Shura... Mas logo tudo isso passou.

Aiolia continua olhando seu irmão, esperando escutar algo que o confortasse depois de tantos anos em agonia. Mais do que tudo se sentiu um maldito traidor, por ter desconfiado de seu irmão, que sempre fez tudo por ele e por Athena. Pensou: "E eu retribuo dessa maneira... Não mereço ser irmão de uma pessoa com um coração tão puro." Aiolos continua:

- Minha alma foi arrancada de lá. Tudo ficou calmo, sem sofrimento, ou dúvidas... - ele deu um longo suspiro - Sabe, tudo isso que está acontecendo me fez lembrar algo que uma alma me contou sobre a tal lenda que os Espectros falaram... "O Anjo da Morte virá escolher uma alma perdida para libertar das trevas, e quando esse dia chegar, o Mundo Inferior, a Terra e o Olimpo sofrerão grandes mudanças. Apenas sua chegada irá acabar com a ganância dos deuses que digladiam desde tempos imemoriais. Fará justiça a todos. Porém não é permitido que os mortais invoquem seu verdadeiro nome... Então suplico Alteza das Trevas, venha nos salvar... Rogo por sua misericórdia, Anjo da Morte. Traga a justiça, que a muito não se faz presente". – Aiolos dá um largo sorriso, e continua: – Entre tantas almas ela me escolheu... Sempre a via como um vulto com uma áurea vermelha. Por muitas vezes queria saber como ela era, e quando a vi com aquela máscara medonha, me espantei... Agora fico imaginando que por baixo daquela mascara se esconde um lindo e adorável rosto.

Aiolia não podia acreditar no que acabara de ouvir, em uma ação feroz ele segura nos ombros de Sagitário e balança com força, como se isso o fizesse voltar à razão:

- Você enlouqueceu de vez, foi? Ela é a aliada de Hades. Alem do mais, onde fica seu grande amor por Phebe? Esqueceu-se dela por... por essa coisa, que nem nome tem?

Aiolia parecia indignado com o que ouviu de seu irmão. E Aiolos sentiu-se um pouco mau com as duras palavras de Aiolia. Isso fez lembrar-se que havia jurado seu eterno amor por ela. Mas será que ela o condenaria por pensar que nunca mais voltaria à vida, e a esqueceu? Mas se ele deu liberdade para ela seguir em frente, então por que ela não poderia fazer o mesmo com ele? Deveria ter o mesmo direito. Sorriu novamente, e desabafou de vez:

- Sim enlouqueci... O amor faz isso com as pessoas. Com certeza, é muito bom amar alguém.

- Só quando o sentimento é recíproco.

- Nossa... Como você está azedo. – se levantou se dirigindo a porta.

- Aonde vai, Aiolos? – este já está saindo, quando responde:

- Andar um pouco, antes que me passe sua amargura.

- Você não pode... – Aiolos fechou a porta, deixando Aiolia falando sozinho.

Andando pelo corredor, Aiolos estava absorto em pensamentos: "O que deu no Aiolia? Não me lembro que ele fosse assim quando era pequeno. Se bem que pode ser possível, depois de tudo o que passou, poderia ter se tornado uma pessoa amarga. Hum... Será que ele está gostando de alguém no Santuário, e que agora estão em crise? Ou seria algo pior? Bem, seja o que for, ele já é adulto, e pode resolver seu problema sozinho. E será melhor que... Espera aí, parece que tem alguém naquela sala... Será ela ou um dos Espectros?"

Foi se aproximando cuidadosamente da porta entreaberta no final do corredor, e conseguiu ver de quem se tratava. Ela estava em pé perto da mesa e de costas para porta. Resolveu chegar mais perto, sem fazer um ruído sequer, desejando aproveitar o máximo possível daquele momento sem ter de escutar palavras secas e sem sentimentos:

- Não devia dormir Sagitário? – ela continuava o que fazia sem se abalar.

Qualquer resquício de duvida desapareceu de sua mente. Ela sabia quem ele era. Sentiu que seu coração falhou uma batida por uns instantes. Não tinha voz para responder ao ser que fazia sua respiração parar. Felizmente ela estava sem sua armadura agora, e seu corpo se mostrava o mais perfeito que tinha visto em sua vida. Vestia uma túnica preta um pouco acima do joelho, sandálias com tiras cruzadas até a panturrilha. A máscara encima da mesa aguçava sua vontade de chegar mais perto para poder ver seu rosto. Conteve-se, apenas imaginando como deveria ser. Pra seu desapontamento, quando ela se virou um pouco para pegar sua mascara, seus longos cabelos cobriram a visão de seu rosto. Ela coloca a mascara e em seguida, põe o livro encima da mesa. Sua delicada mão indica onde deveria sentar-se. E assim o fez, ficando de frente a ela, olhando desapontado por não poder ver seu rosto. Ele amaldiçoou a existência de quem inventou as máscaras, nessa hora. Longos minutos de silêncio se fez presente, minutos que parecia uma eternidade. Ela se sentou, e voltou a ler o livro. Aiolos estava se sentindo inseguro para puxar conversa com ela. Já teve a péssima experiência com uma certa amazona de temperamento explosivo. E se ela fosse do mesmo jeito? E pensou que ela poderia ser até pior que Phebe, nessas questões. De uma forma ou de outra teria que fazer alguma coisa, já que estava ali mesmo. Encheu os pulmões de ar, como se isso fosse dar mais segurança:

- Você é a Alteza das Trevas que se fala na lenda? – sua voz saiu com um pouco de tremor, talvez por que a resposta pudesse ser algo que não fosse muito agradável. O que aconteceu de certa forma, o deixou aliviado.

- Sim. – ela tinha dito tão seca, que talvez fosse melhor não perguntar mais nada.

Para seu próprio espanto, sua língua não correspondia aos temores da mente:

- Com tantas almas para resgatar das trevas, por que me escolheu? – estava tão desesperado que as palavras foram praticamente cuspidas de sua boca.

- E porque não? – continuava com respostas secas como se não estivesse interessada naquele assunto.

Aiolos já não sabia o que fazer. Como aquela garota podia ter uma voz suave, ser tão linda e ser tão fria ao mesmo tempo? Não conseguia entender como ela se importou em salvar sua alma, mas não dava a mínima para ele depois de revivido. Demonstrava que não tinha nenhum tipo de sentimento. Não parecia ter raiva ou paixão em suas palavras e ações. Como lidar com uma pessoa assim? E o fato de continuar a ler o livro dos mortos, e de como falava só piorava a situação. Resolveu mudar de assunto:

- Por que usa a mascara, se Pandora, que até então era a única mulher entre os Espectros, não usa?

- Não sou obrigada a usar.

Aiolos se intimidou com seu tom de voz que saiu muito rude, indicando que já estava ficando impaciente. Então se deu conta do ocorrido no dia anterior, e olhou para o ombro dela:

- Como perdeu muito sangue, deveria ficar em repouso, e não estar aqui, trabalhando.

Ele a observa por um longo período. Já estava achando que ela não daria uma resposta. Sem mais porque ela fecha o livro e olha pra ele. Então com a mão direita ela afasta um pouco o tecido de sua túnica do lado esquerdo. Quando ele viu seu ombro, quase cai da cadeira, assustado. Não tinha nenhum ferimento, nem mesmo uma cicatriz. Ou estaria enxergando errado?

- Como se recuperou tão rápido?

- Você não entenderia Cavaleiro. Volte a seu quarto, ou poderá ter um encontro com algum Espectro ao sair daqui.

Aiolos pensou "Um encontro com os Espectros seria algo desagradável e certamente poderia prejudicar algum de meus companheiros." Percebendo que não haveria mais conversa, saiu sem dizer nada em direção ao quarto. Nem tinha mais o que pensar. "Aquela amazona não tinha cosmo, como ela poderia se curar? Não creio que os Espectros tenham a habilidade de curar e nem poderia ser um dos Cavaleiros que a curou, com certeza eu saberia. Então como? A única pessoa que podia fazer isso seria..." Seus pensamentos foram interrompidos ao entrar no quarto e encontrar seu irmão acordado, diante da janela. Ao perceber que não estava mais sozinho, solta um suspiro:

- Me desculpe Aiolos, não queria descontar minhas frustrações encima de você. Ando com muita coisa na cabeça.

- Tudo bem, Aiolia. Sei como se sente... Mas se quiser desabafar, conte comigo.

- Obrigado, mano. É muito bom ter você de volta. – ele diz isso enquanto se aproxima para dar um longo abraço. Com o término do braço, Aiolia percebe um semblante de duvida maior do que quando ele saiu distorcer a feição sempre suave de seu irmão.

- Aiolos que cara é essa? Vamos diga o que aconteceu para te deixar assim.

- Não é nada. – viu que não tinha convencido seu irmão, e resolve se abrir – Ela é a mesma da lenda... Só não sei o que ela pretende fazer conosco.

- Mais cedo ou mais tarde saberemos... É melhor dormimos. – Aiolia vai se deitar em sua cama, e daí teria muito no que pensar "Algo vai acontecer... Tenho medo que meu irmão sofra com mais uma decepção."

No dia seguinte todos estavam reunidos na mesma mesa do dia anterior, para desjejum. Ao terminarem, novamente com a exceção dos Cavaleiros de Ouro, esperam as ordens do Anjo da Morte.

- Eu só queria saber até quando vamos ficar apenas olhando os Espectros comerem, sem poder beliscar nada.

- Ao que parece, Milo, até morrermos de fome. – dizia Aldebaran, que já estava com fome enorme.

Os Espectros dão um sorriso vitorioso para que os cavaleiros vissem como estavam gostando de vê-los inquietos pelo destino incerto. Ela que apenas observava tudo fez um gesto para os Espectros se retirassem. E eles obedecem de imediato, deixando os Cavaleiros em seus devidos lugares:

- Retornem ao Santuário, e encontrem aprendizes para substituir vocês... E o mais importante, não devem se meter em nenhuma batalha que venha a acontecer.

Milo se levanta possesso, assim como alguns Cavaleiros:

- O que? Substituir os Cavaleiros de Ouro, que são mais forte dentre as outras classes dos Cavaleiros de Athena?

- Isso é inconcebível.

- Espera, Shura... Haverá outra batalha? – perguntou Saga apreensivo para saber o restante dessa conversa. – Como pode saber desse fato?

- Silêncio, o que foi dito deve ser acatado. Vossa Alteza ordena que prepare o Santuário para as consequências de um futuro sombrio. Não existe outro motivo para todos voltarem à vida se não esse. – dá uma longa pausa para os Cavaleiros absorverem o que foi dito. Então continua - Partam imediatamente, sem esquecer o que foi dito aqui. Entenderam?

Os Cavaleiros afirmam com a cabeça, e se dirigem a porta. Na saída, Aiolos lança um ultimo olhar para Amazona, que permanecia sentada, e ao seu lado se encontrava o Sacerdote.

- Vamos embora, Aiolos. – Aiolia disse ao mesmo tempo em que o puxava.

Em um canto escuro, dois Espectros escutaram tudo em silencio para não serem percebidos.

- Ele não vai gostar nada disso. O que vamos fazer?

- Eles não podem sair daqui...

- Então vamos providenciar isso, e ele não arranca nossas cabeças.

Os Cavaleiros já estão no 4º circulo, quando começam a ser agarrado por várias almas, que queriam levá-los para o pântano. O único jeito foi enfrentá-los:

- O que diabos está acontecendo aqui? – perguntava Máscara da Morte enquanto tentava se livrar das almas.

- Não faço a mínima idéia, mas devemos nos livrar deles, antes que consigam o que querem.

- Pois eu sei, Shura. Aquela maldita nos deu esperança, para depois nos trair com esse ataque covarde. – Aiolia estava mais irritado pela questão de seu irmão depositar tanta confiança em um ser que não merecia.

Eles lutam desesperadamente por suas vidas, e toda vez que se livrava de uma alma aparecia o dobro. Já estavam exaustos de tanto lutar e ainda assim continuar na mesma situação. Até que surgem as armaduras de Sagitário, Virgem e Aquário, para protegê-los.

- Como é possível que elas estejam em perfeitas condições depois de serem totalmente destruídas?

- O mesmo que aconteceu com vocês... Só que agora elas estão mais fortes.

- Sacerdote? – um sorriso brotou no rosto de Aiolos ao ver que o Anjo da Morte não era nada disso que os outros estavam pensando.

- Afastem-se, almas perdidas. Sou o sacerdote do Anjo da Morte, me devem respeito. - todas as almas obedecem, e os Cavaleiros ficaram a vontade. – Tenho algo a revelar para vocês, que apenas os que residem neste mundo sabem... Existe uma lei que para não ser cumprida, Hades usou o artifício de exilar minha Senhora no Muro das Lamentações por mil anos mortais... Mas vocês quebraram o muro e agora ela pagou sua dívida com vocês, porém ela tem...

O Sacerdote percebe que não estão mais sozinhos.

– Não posso explicar mais... Devem partir agora.

Os Cavaleiros continuam no mesmo lugar esperando saber o que tinha deixado o Sacerdote tão apreensivo. Ele olhava para todos os cantos.

- Voltem ao Santuário e façam o que ela mandou. Nunca esqueçam o motivo de terem voltado...

Os Cavaleiros resolveram obedecer, e partiram sem olhar para traz. Se tivessem feito isso, teriam visto o Sacerdote ser estrangulado por um Espectro.

- Não devia ter os deixadoeles fugirem... a menos que seja um dos traidores do Mundo Inferior. – Lycaon Phegyas falou, enquanto observava Rock de Golen dando cabo do Sacerdote, e demonstrou seu nojo por um ser que apenas se deixava levar pelo momento angustiante, sem fazer nada para impedir sua morte certa.

- Não há graça em aniquilar um covarde que nem tenta se livrar da morte.

- Sou um Sacerdote, não me é permitido lutar... Porém, se minha senhora souber o que me aconteceu, ela não terá misericórdia.

- E quem disse que ela irá saber? - Rock de Golen ria da forma em que o outro tentava se proteger, confiando que uma estranha pudesse ajudá-lo.

- Ela tem o dom de trazer a vida e a morte... Ainda quer continuar?

- É melhor deixar pra lá. Mas... para o seu bem, é melhor que isso fique entre nós. – ao dizer isso, Rock de Golen olhou surpreso para o autor dessa frase, e ao ver o rosto sério de Lycaon Phegyas, decidiu soltar o Sacerdote.

– Se você acha melhor assim, Lycaon. Que seja...

E deixam o Sacerdote no chão respirando com um pouco de dificuldade.

continua...

Até o próximo capitulo.