Um ano e meio se passou desde que os Cavaleiros de Ouro retornaram do mundo dos mortos. Eles haviam voltado à rotina de treinamentos com muito mais garra, afinal de contas eles deveriam ensinar seus devidos aspirantes as armaduras de ouro. Nenhum deles comentava sobre o que havia acontecido há tempos atrás, principalmente sobre o Anjo da Morte. Quanto a Athena, por mais que se esforçava, nunca conseguia curar Seiya de um mal desconhecido até mesmo para ela.
O Santuário estava quase pronto, e havia poucos soldados, os quais trabalhavam em sua reconstrução, o que estava demorando muito por causa das poucas pessoas trabalhando.
Aiolos havia treinado duro todos esses meses, para tentar esquecer os acontecimentos do Mundo Inferior, mas estava difícil. Por isso ele exagerou no treino daquele dia, e estava exausto. Tudo o que queria era deitar em sua cama e dormir naquele final de tarde, porém não conseguia pregar os olhos. Não sabia se era porque estava cedo, ou se era por causa do calor. Achou melhor dar umas voltas para ver se conseguia ficar melhor para poder descansar quando retornasse a sua cabana. Ele caminha por meia hora e chega a uma conclusão, teria que dar um jeito de encontrá-la e perguntar novamente o motivo ao qual o trouxe de volta a vida. Eis que ele interrompe seus pensamentos ao enxergar um vulto se aproximando do portão principal do Santuário. – "Será que ela resolveu me procurar aqui no Santuário?" – Aiolos apressa o passo para receber a pessoa que poderia esclarecer todas as suas duvidas. Ao perceber que se tratava de um soldado de vestes diferentes para um lugar como aquele, se desanima com o encontro. Mas já que estava ali, decidiu saber de quem se tratava:
- Alto lá. De onde você veio, e a mando de quem?
- Sou Aysir de Asgard, e tenho uma mensagem urgente de Hilda de Polaris para a deusa Athena.
- Nesse caso me acompanhe soldado.
Eles sobem as escadarias das doze casas. Por onde passavam o soldado observava tudo incrédulo, não conseguia acreditar que um lugar tão seguro como o Santuário podia ter sofrido muito com a batalha de Hades. Ao chegarem ao templo de Athena, encontram a deusa conversando com Shyriu. Os dois se ajoelham perante ela, que faz um gesto para que se levantem. O soldado se aproxima dela, entregando um bilhete para Athena:
- Trouxe esta mensagem da princesa Hida.
Athena começa a ler para si, e depois lê para os demais. Com o semblante preocupado disse:
- Creio que deve haver um terrível engano. Este santuário só tem três amazonas formadas, as quais eu tenho conhecimento de suas localizações. – Aiolos se aproxima dela e fala baixo em seu ouvido:
- Athena, existe mais uma amazona que era mestra de varias novatas aqui no santuário.
- Se você diz isso Aiolos, creio que ela já esteja aposentada, devido ao tempo em que a conheceu. – ela pensa um pouco, e fala para todos ouvirem – Por via das duvidas enviarei algum cavaleiro para averiguar.
- Impossível. Eu não posso ir porque estou passando os conhecimentos do meu falecido mestre para Pitolomeu, aspirante a armadura de ouro de libra. Shun está recebendo ajuda de June para ensinar os alunos na ilha de Andrômeda. Hyoga está treinando na Sibéria com Camus Céfiso e Aécios. E quanto a Ikki deve está na ilha da rainha da morte ou no vulcão Kanon, ele é o menos provável de se encontrar.
- Athena, se me permitir eu irei averiguar.
- E quanto as seus deveres para com seu aluno? Não irá te atrapalhar?
- Não. Aiolia é capaz de cuidar disso, já que ele foi treinado por mim quando era pequeno.
- Nesse caso, irei pedir que Tatsume providencie as passagens para amanha cedo.
- Shyriu, poderia me acompanhar? Assim se você encontrar Aiolia diga para ele que estou em minha cabana arrumando algumas coisas antes da viagem.
- Tudo bem, Aiolos. Já terminei o meu relatório semanal mesmo. Vamos, soldado, providenciarei um lugar para seu descanso.
Os três fazem uma reverencia para Athena e partem em direção a escadaria. Quando eles chegam às cabanas Aiolos separa-se dos dois. Horas depois a porta de seu casebre se abre de uma forma violenta. Era Aiolia transtornado, imaginando o pior. Aiolos continua arrumando algumas coisas necessárias para sua partida.
- Aiolos, eu percebi que nesses meses você tem estado um pouco distante. Mas eu não imaginava que pretendia partir. Não me diga que pretende...
- Não irei ao lugar em que você está imaginando. Não á nada pra mim ali, Aiolia... Estava precisando dar um tempo dessa rotina, aí apareceu essa oportunidade de resolver um problema em Asgard, então resolvi ir. Poderia cuidar de Átrius pra mim?
- Claro que pode contar comigo. Sempre... Mas quanto tempo pretende ficar fora?
- Não sei. Só o tempo pra resolver esse mistério sobre a tal amazona desconhecida.
- Você acha que pode ser Phebe?
- Não sei de nada, Aiolia. É por isso que eu tenho que ir.
- Então tenha uma boa viagem, e cuidado... Os inimigos podem ser bastante traiçoeiros.
- Eu terei. Agora eu preciso descansar. – Os dois se olham por um tempo querendo entender o que se passava na cabeça do outro. Aiolia decide sair.
Mundo Inferior
Assim como no santuário tem a sua rotina, nos outros mundos também as tem, que podem ser mudadas como será o caso agora. Um rapaz de cabelos vermelho vinho acaba de adentrar o mundo inferior causando uma grande confusão.
- Quem você acha que é para sair entrando nos domínios de Hades dessa forma?
- Alguém que pode ir e vir sem precisar do consentimento de um mero Espectro.
- Ora seu... – nesse momento surge o Sacerdote.
- Mas o que diabo está acontecendo aqui?
- Esse abusado invadiu este reino, fazendo a maior algazarra.
- Você é que me agrediu. Eu vim em paz. – O Sacerdote olhou para o invasor e disse olhando para o Espectro:
- Pode ir, Sylphid... Eu cuidarei disso.
- Primeiro Vossa Alteza das Trevas não aparece mais diante dos Espectros a um bom tempo... E agora isso.
O Sacerdote ignorou o comentário de Sylphid, e faz um sinal para que o invasor o seguisse. O rapaz obedece e entram na sala de guerra onde se sentam. O invasor coloca os pés na mesa e fica todo relaxado. O Sacerdote lança um olhar de desaprovação, mas o outro nem se importa.
- Onde está a regente deste mundo, "Vossa Alteza das Trevas"? - enfatizou com desdém vossa alteza das trevas e ao perceber que o outro não havia gostado daquele tom, mudou para um tom neutro - Há mais de um ano que senti sua energia desaparecer... Cheguei a pensar que era só um disfarce, mas agora sei que aconteceu algo, pois ela não ficaria muito tempo sem cometer suas atrocidades.
- Me esqueci de que você é o único que tem esse dom.
- Dom!... Você quer dizer maldição. – o rapaz ficou tão revoltado que ao mexer os pés um copo que estava encima da mesa caiu no chão se quebrando em vários pedaços.
- Que seja. Não me importa como você denomina isso... Você melhor do que ninguém sabe a resposta.
- Quer dizer que ela vai mesmo cumprir com aquela lei?... Não me faça rir... Ela não tem respeito a nada.
- Não é verdade... Essa é a única lei que se aplica a ela.
- No entanto não muda o que ela fez... E o que mais me irrita é a questão de trazer os Cavaleiros de Athena de volta a vida, passando por cima de tudo o que não podia...
- Você sabe das responsabilidades dela e o porquê de seus atos. Ela sempre faz aquilo que ela julgar que deve fazer.
- Ela nunca foi justa em seus julgamentos... Ainda consegue lembrar que ela não teve nenhuma misericórdia no passado?
- Vejo que nunca esquecerá aquilo. Deveria se dar por satisfeito por não ter acontecido coisas ainda piores. - lembrar daquela época trazia muitas recordações, boas e ruins. Deu um longo suspiro e disse - Creio que não temos mais nada a conversar.
O Sacerdote já se preparava para sair dando as costas para o invasor, mas este pergunta com um pouco de interesse:
- Como será que ela está se saindo?
- Não tenho como saber... Sem o seu medalhão seu poder diminui e se torna muito vulnerável.
- A pior coisa que apareceu em nossas vidas foi esse maldito medalhão.
- Eu sei... Mas esse é o destino que os deuses resignaram a ela. Embora não creio que isso tudo termine bem.
Em outro lugar de Hades
- ...e o Sacerdote entrou na sala de reuniões com esse individuo.
- Coisas entranhas estão acontecendo no Mundo Inferior desde que Vossa Alteza assumiu como regente... Devemos ficar de olhos bem abertos.
- Acha que o Anjo da Morte está conspirando contra este reino?
- Não creio... Mas esse Sacerdote não me parece confiável.
Asgard
O soldado que estava no Santuário é acompanhado por Aiolos que está vestido com sua armadura, andando pelos corredores do palácio. Eles levaram alguns dias para chegarem, por causa de uma nevasca muito forte. No final do corredor encontraram um salão onde estavam Hilda e Freiya. O soldado se ajoelhou seguido por Aiolos e diz:
- Este é o Cavaleiro de Ouro enviado pela deusa Athena, Aiolos de Sagitário.
- Seja bem vindo a Asgard, Cavaleiro. Espero que a sua estada seja agradável, e que possa desvendar esse mistério que assola este reino.
- Obrigado pela recepção, senhorita Hilda... Eu gostaria de falar diretamente sobre os fatos.
- Pouco sei sobre essa amazona, esperava que você pudesse me dizer... Bado fazia sua ronda de rotina na floresta de Asgard, quando presenciou uma mulher fugindo com uma criança no colo. Ela estava muito ferida, o que indica ter enfrentado muito mais do que aqueles três guerreiros que a estavam perseguindo. Ela se viu sem saída e resolveu atacar, e quando Bado a ajudou, eles fugiram. Bado foi atrás deles, mas já tinha perdido de vista, então resolveu ver como ela estava. Quando chegou, encontrou-a inconsciente. Ele trouxe os dois para o castelo e desde então ela está no mesmo estado, tornando impossível interrogá-la.
- Mas por que você acredita que ela pertença ao Santuário de Athena? Deduzir apenas pelo fato dela usar uma mascara, eu lhe digo que algumas guerreiras subordinadas a outros deuses também usam máscaras. – se sentiu um idiota por usar as mesmas palavras que seu irmão usou um dia.
- Antes de haver aquela batalha entre Asgard e o Santuário, por causa do anel Nibelugen, Athena me enviou uma carta com o selo do santuário... Fiz uma comparação com o selo da roupa do menino e a carta. É idêntico.
Aiolos abre bem os olhos como se isso pudesse fazê-lo enxergar a verdade com mais clareza e pensa: "Depois de tantos anos, será que seria Phebe? Mas ela não ficaria assim por tão pouca..." – seus pensamentos foram interrompidos por um barulho de vidro quebrado. Aiolos corre em direção ao lugar onde escutou o barulho. A porta estava fechada. Aiolos arrombou a porta e entrou no quarto, todavia não havia ninguém ali, apenas as janelas quebradas.
- Era aqui que estava a amazona desconhecida e a criança.
Ele pulou pela janela e começou a seguir as pegadas na neve. Estava ficando cada vez mais difícil seguir as pegadas porque estava nevando muito forte e não dava para enxergar um palmo a sua frente. Para variar as pegadas estavam se apagando com o rigor do clima. Eis que ele escuta algo na direção leste, e resolve ir atrás daquele som disperso.
- Solte o menino ou eu derrubarei os dois.
Aiolos conseguiu enxergar um vulto na beira do precipício. Quando escuta o ultimato.
- Você que pediu mulher estúpida. Morra com esse pequeno espúrio.
- Não! – o grito de Aiolos não foi o suficiente pra impedi-lo. Tudo estava perdido, e só restava ao Cavaleiro de Sagitário vingar a morte dos dois. Ele agride o covarde, até que este caia no precipício. Uma ironia do destino. Aiolos enxerga a Amazona segurando um galho, prestes a cair, enquanto que sua outra mão segurava a criança. Aiolos não pensou duas vezes e pulou no desfiladeiro no momento que o galho quebrou. Ele conseguiu salvar os dois, graças às asas de sua armadura.
- Vocês estão bem? – a resposta foi uma afirmação com a cabeça. Quando chega ao chão, ele percebe que ela era um pouco baixa, usava uma mascara simples e uma tiara com um rubi. Seu cabelo era vermelho- vinho preso por uma longa trança. Com certeza ele nunca havia visto tal amazona em sua vida. A nevasca estava piorando, achou melhor levá-los logo para palácio.
Quando chegam ao palácio, Freiya pega logo a criança que estava no colo da Amazona. Ela olha bem para ver se estava ferida, e depois a leva para se alimentar perto da lareira. Aiolos acompanhava tudo, e viu que não havia mais com o que se preocupar. Dirigiu-se a Amazona.
- Quem é você? – não obteve resposta. Pensou que ela não havia escutado, e resolveu refazer a pergunta em bom tom para que escutasse dessa vez. Deu na mesma, o que o deixou irritado, pensando que ela estava brincando com ele. O Cavaleiro de Sagitário pegou em seus ombros e sacudiu enquanto perguntava com a voz firme – Quem é você e o que faz com uma criança jurada de morte?... Deixe de enrolar e responde logo as minhas perguntas.
- Solte-a, Cavaleiro. Ela não pode responder nenhuma pergunta que faça.
- Agnar! Ainda bem que voltou. Minha irmã estava muito preocupada com você.
- Hilda, sabe muito bem que as vezes eu tenho que me ausentar deste reino gélido, e que também, eu sei me cuidar sozinho.
- Você a conhece? – Hilda perguntou um pouco irritada.
- Sim... Lady Syf é uma princesa de terras longínquas, e treinou comigo uma parte de nossa infância.
- E por que ela não pode responder a minha pergunta?
- Seu mestre me contou que ela perdeu a memória, e desde então vaga errante pelo mundo.
- Como faço para encontrar essa pessoa? Há muitas duvidas a esclarecer.
- Impossível. Pois ele faleceu há algum tempo. Ele me contou isso um ano atrás. Tudo o que sei agora é que ela está só neste mundo...
- Como pode ter certeza de que ela é a mesma pessoa que você conheceu em sua infância?
- Simples. Esse anel em seu dedo é o brasão de sua extinta família... Agora se me dão licença, vou me recolher a meus aposentos. A viajem foi muito exaustiva.
Hilda observa-o sair da sala e se deparar com Bado na entrada.
- Agnar, passou mais tempo fora dessa vez. Encontrou o que...? – Agnar dá apenas um tchau com a mão e continua seu caminho. Bado achou o comportamento do amigo um pouco estranho.
Desde que o conheceu perdido na floresta de Asgard, se tornaram grandes amigos. Foi ele que havia apresentado a Hilda e Freiya. Desde então vive no castelo ajudando na proteção das duas princesas. Ele se aproximou dos outros, com uma cara de quem não estava entendendo nada, e pergunta:
- O que deu em Agnar? Quase esqueceu de me cumprimentar.
- Sei lá... Bom, sugiro que todos se recolham para seus quartos. O dia hoje foi muito conturbado.
- Mas e quanto ao jantar, minha irmã?
- Cuide disso e de qualquer outra coisa. Deixe nossos convidados bem acomodados... Boa noite a todos.
- Gostaria de pedir que Lady Syf e a criança fiquem em meu quarto. Assim se houver algum invasor eu cuidarei dele.
- Me acompanhe Aiolos. – pediu Freiya estranhando em seu pensamento o modo estranho que sua irmã estava agindo. Aiolos e Syf vão com Freiya para outro quarto um pouco menor que o outro, já que aquele outro estava com a janela quebrada.
Todos já haviam jantado, e estavam dormindo agora, era o momento propício para uma pessoa usando uma longa capa branca com capuz, sair de seu quarto e andar silenciosamente pelo corredor. Quando chegou a seu destino, bateu levemente na porta, que se abre revelando o dono do aposento.
- Vamos, Hilda, entre. Sabia que mais cedo ou mais tarde apareceria, por isso fiquei esperando.
Ele deu espaço, e ela entrou. Assim que ele fechou a porta, Hilda o abraçou:
- Por que demorou muito pra voltar, Agnar? – falou com a voz embargada de magoa.
- Agnar? Você nunca me chama assim quando estamos sozinhos. É sempre meu amor...
- É porque eu fiquei irritada com você hoje... Eu pensei que sabia tudo sobre você.
- Meu amor, Syf foi uma companheira de luta, e somente isso. Ela nunca poderia ser comparada com a sua pele delicada ou com a sua doçura.
Agnar a beija com suavidade, enquanto retirava a sua capa. Para Hilda estava tudo bem agora que seu amado deu a entender que não tinha olhos para Syf. Depois de vários meses sem a companhia dele ela se sentia um pouco triste e entediada, mas com a sua volta... Resolveu deixar isso para lá e se entregar aos seus desejos.
Em outro quarto
Aiolos acorda com o choro da criança. Lança um rápido olhar para a amazona, mas esta continuava dormindo. Ele se levanta tentado imaginar como uma amazona poderia ter ficado tanto tempo desacordada, e ainda conseguia dormir feito uma pedra. Aproxima-se do menino constata que a fralda estava ensopada. Abre uma gaveta da cômoda e pega umas fraldas limpas. Nessa hora ele se lembra de quando seus pais morreram deixando Aiolia ainda bebê sobre seus cuidados. Para ele que ainda não era um cavaleiro de ouro, não tinha direito a ter criados a sua disposição. Mas no caso dele o Grande Mestre abriu uma exceção. Permitiu que uma parte do dia uma criada tomasse conta de Aiolia, e assim que ele terminava o treino ele voltava correndo para cuidar de seu irmão. Havia noites em que Aiolia estava doente, e Aiolos não podia dormir. Mesmo assim tinha que treinar no dia seguinte mesmo estando cansado da noite mal dormida. Mas isso só foi até Aiolia crescer o suficiente para seu irmão treiná-lo arduamente... Mas a vida foi injusta mais uma vez para os dois irmãos. Teve que deixar Aiolia abandonado a sua própria sorte. Não teve como não lembrar o que Aiolia havia contado sobre os maus momentos que passou sendo o "irmão do traidor", e do treinamento árduo nas mãos de Shura, que cuidou dele em nome da velha amizade. Teve que ser criado e treinado pela pessoa que mais tarde ficou sabendo se tratar do assassino do traidor, ou seja, o assassino de seu irmão. Foi muito doloroso para Aiolia quando soube disso, e pior ainda foi quando tudo ficou esclarecido. Aiolos se sentiu muito triste e culpado por tudo o que fez seu irmão mais novo passar.
Bom, agora teria que colocar o menino para dormir, pois pela manha teria um dia agitado. Quando conseguiu, colocou o menino berço, e foi para sua cama dormir. Mas não conseguiu dormir de imediato. Quando aceitou vir a Asgard, imaginou que encontraria aquela que um dia amou muito, ou por uma razão estranha, aquela que ele conheceu no reino dos mortos. Ao pensar neste ser, ficou imaginando como estaria o Anjo da Morte, e por que ela não aparecia no Santuário, pelo menos para ver se os cavaleiros estavam cumprindo sua ordem.
De volta ao quarto de Agnar, horas mais tarde
Agnar certifica-se que Hilda estava dormindo, e sai do quarto sem fazer barulho. Andou pelo corredor até chegar à porta de um quarto, e bate levemente apenas para o seu ocupante despertar. A porta se abre, revelando o rosto sonolento de Aiolos.
- Agnar! O que faz aqui uma hora dessas?
- Preciso falar com você. Acompanhe-me até a cozinha.
Aiolos o segue. Ao chegar à cozinha, Agnar serve um pouco de leite em dois copos, e oferece um a Aiolos, que pega e bebe um pouco, olhando curioso para o outro rapaz.
- Se você vai levar Lady Syf para o Santuário, deve saber de alguns detalhes. – da uma pausa e continua – Sem a sua memória, ela é como uma criança que foi jogada ao mundo sem nenhuma preparação... O que eu quero dizer, é que Syf não sabe distinguir o certo do errado, entende? – o Cavaleiro assentiu.
- Se ela ficar aqui correrá perigo?
- Não tenho certeza. O aconselhável é que ela fique no Santuário que é o lugar mais seguro. E mais uma coisa de suma importância, ela não pode se ferir muito.
- Por quê? Ela tem algum tipo de doença imunológica? Sabe me dizer se é muito sério?
- Não muito, mas evite o máximo possível... Agora é melhor a gente dormir, pois amanha será um dia longo para vocês.
No dia seguinte...
Fora do castelo se encontravam seis pessoas de despedindo. De um lado estava Hilda, Agnar, Bado e Freiya. Do outro lado estava Lady Syf e Aiolos com a criança em seu colo. Freiya passava a mão na cabeça da criança enquanto Hilda dizia:
- Espero que regressem em segurança ao santuário.
- Tomem bastante cuidado ao saírem dos limites de Asgard.
- Bado tem razão. Nunca se sabe quando aqueles guerreiros podem atacar novamente.
- Eu creio que eles não irão aparecer, mas de qualquer forma seguirei seu conselho, Agnar. Devemos ir. Aqui anoitece muito rápido.
- Cuidem bem desse menino, por favor.
- Não se preocupe Freiya. Cuidarei dele mesmo que custe a minha vida... Vamos, Lady Syf.
Eles seguiram pelas trilhas de vales e floresta em silencio e atentos por um dia quase inteiro. Como o clima estava ameno em comparação aos rigorosos dias de Asgard, puderam fazer todo esse percurso. Já começava a anoitecer e a nevasca parecia ter aumentado de intensidade. O que fez Aiolos parar entregando o menino que até então estava em seu colo a Syf.
- Não vamos conseguir prosseguir com esse tempo. Vamos ter que nos abrigar... - olhou a sua volta e disse apontando para a sua direita - Leve o menino até aquela caverna, e me esperem. Vou procurar algo para nos aquecer a noite.
Ela o viu se afastar e resolveu ir a tal caverna.
No meio da floresta Aiolos, não consegue enxergar quase nada. Estava escuro por causa da nevasca e das arvores. Decidiu que o melhor a fazer seria derrubar alguns galhos, o suficiente para durar toda a noite, e voltar logo antes que não conseguisse mais encontrar o caminho de volta.
Ao chegar à caverna, escuta o menino chorar muito, mas como não conseguia enxergar nada não havia muito que se fazer a não ser preparar logo a fogueira. Estava difícil de pegar fogo, pois a lenha era verde e estava úmida por causa da neve. E ainda por cima aquela maldita Amazona não cuidava do menino. Até que finalmente conseguiu acender a fogueira. Olha para Syf com certa raiva nos olhos.
- Mulher, não vai fazer esse menino parar de chorar não, é?
- Se eu soubesse o que fazer já teria feito.
- Depois de quase dois dias sem falar, até que enfim disse algo. Comecei a achar que além de estar sem memória, também era muda. – disse completamente irônico.
Por um minuto Aiolos pensou ter reconhecido aquela voz. Era tão parecido, até mesmo no jeito frio de falar. Não poderia ser... "Penso tanto nela que já estou começando a confundir as coisas... Agnar disse que Syf era uma princesa e"... Seus pensamentos foram interrompidos ao escutar Syf falar algo que o perturbou ao mesmo tempo em que recebia o menino no colo.
- Faça Dohko ficar em silencio.
- O que você disse? – ela não respondeu e foi para o final da caverna onde se deitou, deixando Aiolos sem saber o que pensar. – "Só pode ser um engano, ou uma incrível coincidência... só pode ser isso... O mestre ancião morreu no mundo inferior. Mas por que esta criança tem o mesmo nome que ele? Seria apenas coincidência, ou o fato de ter em sua roupa o selo do Santuário tem alguma ligação? Tantas dúvidas"... achou melhor cuidar do menino, e deixar para resolver isso depois, com a cabeça fria.
Horas depois, Aiolos se aproxima de Syf o que a faz acordar imediatamente.
- Eu quero respostas. E não adianta dizer que perdeu a memória e não se lembra de nada... Como você encontrou esse menino?
- Estava caminhado por um vilarejo perto de Münster quando vi uns guerreiros invadindo uma das casas, e agredindo seus ocupantes. Quando cheguei lá para ajudar, eles já haviam matado o homem e estavam atacando a mulher. Mesmo sem poder fazer nada por ela ainda tentei salvá-la, mas foi inútil. Então peguei o menino e sai correndo a esmo. Por varias horas corri, até que pensei estar segura, e parei para descansar. Mas eles apareceram e me defendi. Apareceram mais guerreiros, e eu decidi fugir. Quando eu percebi já estava naquele reino.
- Essas pessoas estavam realmente dispostas a matar essa criança... Agora me diga como você sabe o nome desse menino?
Ela se aproximou onde estava deitado o menino, uma cama cheia de folhas que Aiolos arrumou de jeito que ficasse confortável e aquecida. Syf apontou para uma parte da manta do menino onde estava escrito em letras minúsculas "Dohko". Aiolos ficou com os olhos arregalados. Estava totalmente incrédulo. Tudo parecia um quebra-cabeça ao qual faltavam peças.
Olhou para Syf com mais dúvidas ainda, e viu que esta não tinha mais nada a acrescentar. Aiolos resolveu não perguntar mais nada para aquela Amazona esquisita, ou ia acabar enlouquecendo.
Quando amanheceu e o clima havia amenizado, retornaram a caminhar. Ao chegarem à Sibéria, enxergam de longe Kamus e Céfiso treinando. Kamus parou o treinamento ao sentir o cosmo do amigo.
- Pensei que havia me enganado... - disse estendendo a mão para fazer uma saudação - O que o traz aqui, Aiolos? Aconteceu algum problema no Santuário?
- Não... quero dizer talvez... Ah! Nem sei por onde começar.
- Seria melhor começar pelo inicio. Vamos para minha choupana, e lá você me explica com mais calma.
- E quanto ao treinamento, mestre Kamus?
- Sei que você é muito dedicado, mas se quiser pode tirar o dia de folga, ou treinar com Hyoga e Aécios.
Kamus pegou um caminho entre as grandes geleiras, sendo acompanhado por Aiolos e a amazona. Percorreram todo o caminho em silencio. Quando chegaram se acomodaram perto de uma pequena lareira.
- Quem é essa amazona, Aiolos? – Kamus perguntou olhando com ma certa curiosidade para a dita cuja.
- Foi exatamente por causa dela e desse menino que vim a Asgard.
- Veio punir uma amazona porque ela teve um filho?
Kamus estava atônito com a idéia que, Aiolos, um Cavaleiro fervoroso em suas idéias de justiça, veio de tão longe para cumprir uma ordem absurda. Ao perceber a indignação na voz do amigo, pôs logo a se explicar.
- Esse menino não é filho dela. Na verdade ela o salvou de...
Aiolos é interrompido por um forte estrondo vindo da porta. Todos olham nessa direção e enxergam Hyoga transtornado:
- Mestre, Athena corre algum perigo?
- Que maneiras são essas, Hyoga? – Kamus o olhava repreendendo.
- Desculpe mestre Kamus. É que eu fiquei preocupado com o que poderia estar acontecendo, pois senti a presença de outro Cavaleiro de Ouro, e...
- Se não parar de interromper, nem eu saberei... Pode continuar Aiolos.
- Como eu estava dizendo: Lady Syf o salvou de uns guerreiros. Eles mataram os pais do menino e pretendiam fazer o mesmo com ele. Ela se refugiou em Asgard, e eu vim averiguar o ocorrido. Tive até que enfrentar alguns deles... Depois descubro que o menino carrega gravado em suas roupas o selo do Santuário, e também o seu nome que me deixou atordoado...
- Que nome seria esse que tem o poder de te deixar assim?
- Dohko.
Aiolos falou um pouco temeroso. Quanto a Hyoga e Kamus, conseguiram ficar mais gelado que a geleira do Ártico, tamanho foi à tensão ao ouvir essa única palavra.
- Você tem certeza disso? Isso é muito sério, Aiolos...
- Não ousaria brincar com algo tão delicado assim.
- Nesse caso é melhor retornarmos ao Santuário imediatamente. Lá Athena poderá solucionar esse mistério.
Continua...
Eu tinha escrito 7 capítulos no meu PC, mas aconteceram muitas coisas e eu tive que recomeçar a partir desse capitulo, pois os anteriores foram postados em outro site. Eu só tive que copiar, e fazer alguns ajustes. Olha só o que aconteceu: "simplesmente a minha placa-mãe queimou, depois disso o HD desmagnetizou perdendo todos os dados que levei anos pra pegar, e pra finalizar, o monitor também queimou." É por isso que eu digo: "quando algo começa a dar errado, pode esperar que as coisas vão piorar, e mais tarde vem a calmaria." Heheheheheh
No inicio desses problemas com meu PC, me deu o maior desanimo. Eu tive até vontade de desistir. Mas agora consegui superar essa crise como se fosse uma FÊNIX ressurgindo das cinzas.
Valeu a todos e até o próximo capitulo.
