Uma Amazona de cabelos verdes claros andava pela entrada do Santuário observando tudo. Estava admirada e ao mesmo tempo triste por ver que algumas coisas na reconstrução do local estava diferente de quando tinha pisado pela ultima vez naquele lugar. Tinha boas e más recordações do Santuário. E parecia que não era apenas a reconstrução que estava diferenciando o lugar, como também os rostos. Tinha muitas pessoas novas lá. Em sua cabeça se passava certa consumição. Por que o Santuário estava se preparando tão arduamente? Seria uma nova guerra que estava por vir? Contra quem seria essa possível guerra? E o que sentiu há alguns tempos atrás seria realmente verdade ou apenas fruto de sua imaginação? Poderia ser este ultimo pensamento, afinal passou vários anos sem contato com uma alma viva sequer, e a loucura podia ter tomado conta de seu ser. Já havia feito isso outra vez, em um tempo que uma grande tristeza assolou a sua alma, mas agora podia ter sido diferente. Como seria possível sentir todos os Cavaleiros de Ouro morrer e depois senti-los vivos, assim do nada? Nem mesmo sentiu um aumento de poder para trazê-los de volta a vida. E outra questão a atormentava mais do que qualquer outra: quem era o responsável por isso? "Não entendo o que se passa aqui... Na batalha das doze casas me aproximei do Santuário, mas não tive coragem de entrar temendo que a minha presença pudesse acarretar ao destino de todos habitantes desse lugar. O mesmo aconteceu durante a batalha contra Poseidon... O que me perturba mais é o fato de uma pessoa que agora não passava de ossos, estar vivo novamente... Que absurdo. Isso é impossível, eu o enterrei a mais de treze anos atrás. Como explica uma...?" Seus pensamentos foram interrompidos quando trombou de frente com alguém mais alto que ela, e foi diretamente ao chão com tudo. A pessoa que a derrubou, prontamente ofereceu a sua mão para ajudá-la a levantar enquanto desculpava-se:
- Mil desculpas. Eu estava meio distraído e não percebi você.
- Meio distraído?... Seu retardado, não tem idéia de quem sou ou na encrenca que acabou de se... – dizia ao mesmo tempo em que dava um safanão na mão do Cavaleiro, mas ao ver de quem se tratava, sua voz morreu na garganta, e só conseguiu pronunciar uma única palavra, que saiu em um gemido esganiçado – Saga?
- Ao que parece você conhece meu irmão... – disse um pouco decepcionado – Eu me chamo Kanon.
- Ah, havia me esquecido de que Saga tinha um irmão gêmeo. – falou com desdém.
- Obrigado pela parte que me toca amazona...? – e ficou esperando a resposta, mas o que veio a seguir o deixou irritado.
- Não terei o desprazer de me apresentar ao irmão daquele lá...
Ela olhou em direção ao salão do Grande Mestre, e Kanon pôde perceber que aquela amazona sabia mais sobre seu irmão do que parecia. Talvez fosse uma amazona que frequentava a sala da piscina durante a noite... Sem dizer mais nada, a amazona saiu de lá pisando fundo. Parecia que estava tendo um pequeno terremoto por onde passava tamanha a raiva que continham em seus passos e em seu cosmo.
Kanon estava prestes a ensinar boas maneiras a aquela amazona mau-educada, quando alguém o chama. Bom, não bem a ele que se referia, mas estava chamando-o indo a seu encontro, o que o deixava mais irritado ainda. Esperou a pessoa chegar para ver o que queria.
- Saga, quer treinar comigo? É que não estou a fim de treinar sozinho e...
- Ah! Outro que me chama pelo nome do meu irmão. Se você está a fim de me irritar hoje como aquela estúpida amazona, pode esquecer Shura.
- Nossa, Kanon, que mau-humor, e logo cedo hein? Que bicho te mordeu? Ou melhor, que amazona te mordeu? – Shura deu um leve sorriso.
- Uma amazona cabelo-de-capim, e muito mau-educada.
- Cabelo-de-capim? Ah! Cabelos verdes... Você diz a Shina, não?
- Não... Essa que apareceu a pouco eu não conheço.
- Então deve ser a tal amazona que estava em Asgard.
- Não creio. Aiolos ainda não voltou, e essa daí conhece o Saga.
- Seja quem for saberemos depois... Vamos treinar agora?
- Vou daqui a pouco, Shura.
Em outro lugar, próximo a umas ruínas, a amazona de cabelos verdes estava um pouco mais calma, quando escutou uns ruídos, e decidiu averiguar. Foi sorrateira até o lugar onde duas pessoas estavam.
- Muito bonito Cavaleiro de Leão. Você e Marin estão aqui namorando em pleno dia, em vez de estarem na arena treinando.
- Phebe Stoneheart? Não acredito... É você mesma?
- De carne, osso e divin... – a palavra morreu em sua garganta ao se lembrar que não estava falando apenas ao Cavaleiro de Leão.
- Não se preocupe comigo, senhora. Entre eu e Aiolia não há nenhum segredo.
- Aiolia, sabe que não gosto quando falam de mim, mesmo que seja bem de mim... Dessa vez vou deixar passar, por consideração a seu falecido irmão. – Os dois gelaram, e ela percebeu que tinha algo estranho no ar – Vou dar uma volta pelo santuário... Encontre-me aqui ao cair da tarde, Aiolia.
Ela sai deixando as duas pessoas tão tensas que nem conseguiram esboçar uma resposta.
- É agora que esse Santuário vai abaixo de vez.
- Por que diz isso, Aiolia?
- Vai por mim, Marin. Quanto menos você souber melhor para você e para mim também.
- Acho melhor a gente pegar aquele atalho para nos reunir com todos, antes que dêem por falta da gente.
Phebe vai sem pressa, até a arena onde todos estavam treinando. Todos os Cavaleiros de Ouro pararam na mesma hora quando sentiram a sua presença. Até Marin e Aiolia já estavam ali graças ao caminho que eles pegaram, e porque eles foram bem rápidos. Ninguém tinha percebido realmente que eles haviam chegado há pouco tempo.
- Ora, ora. Dizem que os vivos sempre aparecem... Mas no seu caso, não sei o que se pode dizer Phebe...
- Não é assim que se trata uma mulher como ela, Shura.
- Tem razão. Alguém como ela deve ser tratada assim... – ele empunha seu punho, mas é detido no meio do caminho.
- Eu falei sério, Shura... Todos nós devemos deixar ela em paz. – este fala com uma voz serena, enquanto detinha o ataque do amigo.
- No seu lugar, Capricórnio, aceitaria o conselho de seu amigo Kanon.
- Eu sou o Saga, Phebe. – ela ficou incrédula. Nunca poderia imaginar ser defendida por uma pessoa como ele. Saga olha para os demais e continua: – Com a volta de Phebe Stoneheart, sugiro que encerremos o treino por hoje. Vamos nos reunir no templo de Athena.
Templo de Athena
Minutos depois no salão, todos já se encontravam ajoelhados em forma de respeito perante a deusa.
- Athena, esta é Phebe Stoneheart. Ela foi uma mestra amazonas há muitos anos atrás. Tem um grande valor para o Santuário.
- Sinto um grande cosmos dentro de você. Se compara a de... – Athena se interrompeu olhando melhor para Phebe, e continuou sem fazer o tal comentário que pretendia fazer – Mas isso não vem ao caso agora. Seja bem vinda de volta, Phebe.
- Obrigada, Athena. Espero que a minha volta sirva pra alguma coisa...
- Com todo seu conhecimento, servirá sim. Acho que vocês têm muitas coisas a conversar... - pensou um pouco melhor tomando uma decisão - Acho que isso merece uma comemoração. Todos estão liberados para sair essa noite.
- Eu prefiro ficar aqui no Santuário, Athena.
- Vou ficar aqui também.
- Estou cansada da viagem. Por isso vou ficar com vocês, Aiolia e Marin... Caso contrario acompanharia os outros. Não é sempre que Cavaleiros e Amazonas podem ter uma noite de folga.
Assim que Athena recolheu-se a seus afazeres, Saga chamou a atenção de todos:
- Solicito a todos que não façam mais aqueles comentários maldosos sobre Phebe, que a maioria estavam acostumados a fazer. Nenhum de vocês, cavaleiros de ouro, tem esse direito depois de tudo que aconteceu... Vocês sabem do que eu estou falando.
Saga sai do salão deixando todos os cavaleiros envergonhados pelo que fizeram no passado diante do olhar incrédulo de Phebe.
Mais tarde em uma parte do Santuário
Aiolia esperava impaciente a pessoa que queria evitar o máximo possível encontrar naquele momento. Sempre teve muita consideração por ela, e depois de tantos anos sem se ver, em outras circunstâncias, ele estaria eufórico de alegria com esse reencontro. Mas agora era diferente, seu irmão voltou à vida, e mudou muito desde o tempo que aqueles dois haviam se conhecido. Qual seria a reação dela ao saber disso? Não teve mais tempo para pensar nisso, pois ela acabara de se fazer presente.
- Está tenso, Cavaleiro de Leão... O que se passa nessa cabecinha?
- A senhora sabe ler os pensamentos. Por que não faz isso então?
- Ultimamente não tenho confiado muito nesse poder. – parou um pouco analisando algo que já havia pensado há muito tempo. O seu outro eu pode ter manipulado as suas decisões a muito tempo atrás, e tinha receio dessa probabilidade acontecer novamente. - Tenho lá as minhas razões, Aiolia.
- Ainda tem pensado muito no tempo em que Ares dominava o Santuário?
- Isso entre outras coisas também. Mas não é sobre isso que eu quero falar. – olhou bem séria para Aiolia – O Saga mudou muito, não acha?
- Quando era pequeno ouvi uma vez que vocês dois haviam discutido, e que foi algo muito sério. E pelo clima tenso que se instaurou na arena, realmente vocês não se davam muito bem... – parou por alguns segundos esperando alguma reação, mas como ela não replicou, continuou – O Saga, assim como os outros que foram revividos, mudou. Ele agora é uma pessoa que é capaz de tudo para lutar por Athena e pela justiça.
- Por que vocês, Cavaleiros de Athena, foram revividos? E por que tem tantas pessoas novas?
- As duas perguntas levam a mesma resposta. Fomos revividos apenas para treinar esses novatos que irão substituir os Cavaleiros de Ouro.
- Isso não faz sentido, Aiolia... Hades não faria isso a troco de nada. Então por que ele travaria mais uma batalha contra Athena, para simplesmente depois reviver seus inimigos?
- Claro que ele jamais faria isso, Phebe. Quem foi o responsável por isso foi o Anjo da Morte, e nos ordenou que não confrontasse em nenhuma batalha.
Aiolia se sentiu um pouco incomodado em falar nesse ser, algo que se passou despercebido pela amazona, que estava absorta em seus pensamentos.
"Anjo da Morte! Será o mesmo ser que a deusa Afrodite me contou um dia? Aquele ser de tal lenda que se fala no Mundo Inferior?..." Tudo ficou confuso na mente de Phebe Stoneheart, e ela saiu correndo sem dizer mais nada, deixando Aiolia preocupado. Teve vontade de correr atrás dela, mas com a chegada de Marin, se conteve.
- Phebe passou por mim como se fosse um furacão. O que deu nela?
- Nem eu sei o que se passou aqui. Tudo o que fiz foi mencionar a história do Anjo da Morte.
- Você acha que ela sabe de alguma coisa sobre o que aconteceu no Mundo Inferior?
- Do jeito que a conheço, se ela sabe de alguma coisa não nos dirá nada.
- Então é melhor deixar para lá se não podemos fazê-la dizer o que sabe. Não acha?
- É. Mais o que me intriga é o estado que ele saiu daqui. Se Phebe a conhece, o que ela sabe sobre esse ser?
A resposta para a pergunta de Aiolia talvez fosse algo terrível e que deveria se esquecida até mesmo por Phebe.
Longe do Santuário
Em uma movimentada boate, estavam Aldebaran, Milo, Mascara da Morte, Kanon, Saga, Shura, Shina,Afrodite, Mú e Shaka, em um canto afastado da pista de dança, sentados à mesa. Esses dois últimos discutiam o tempo todo, e os outros já estavam ficando sem paciência.
- Eu ainda acho que não deveríamos ter saído do Santuário. Ainda por cima vir a uma boate barulhenta. E se acontecer alguma coisa com Athena?
- Deixa de ser estraga-prazeres, Shaka. Não vai acontecer nada, principalmente com Aiolia, Marin e Phebe por lá. E mesmo que algo acontecesse o que poderíamos fazer? Desobedecer a ordem do Anjo da Morte?
- A gente podia passar a noite sem falar naquele ser, Mú.
- Pela primeira vez eu concordo com você, Shura. Olha, Phebe assusta qualquer um com aqueles poderes de morta-viva, mas aquela lá é tenebrosa. Dá-me até arrepios.
- Mascara da Morte, o que eu falei sobre comentários da vida de Phebe? Vocês não conseguem ficar juntos sem fazer certos comentários maldosos, não é?
Saga diz isso em alto e bom tom ao mesmo tempo em que bate com a mão na mesa, estremecendo tudo, até mesmo os seus companheiros, que não esperavam esse tipo de comportamento por parte de Saga. O cavaleiro de gêmeo era sempre tão educado e calmo... Ele percebe o que fez e se levanta indignado saindo da boate sem dizer nada, deixando todos perplexos com a reação dele.
- Que isso? Nunca vi Saga agir desse jeito.
- A culpa é desses três, Aldebaran. Quanto a você, Mú, sabe que Shaka só sabe meditar, e não conhece as coisas boas da vida...
A maioria riu do comentário de Milo. Já Shaka, se levantou e seguiu o mesmo caminho de Saga. Kanon olhou feio para Milo que se encolheu na cadeira.
- Oi, meu nome é Karen. Eu e minhas amigas aqui não conhecemos ninguém nesta cidade.
- Todos me chamam de Mascara da Morte – falou ao se levantar olhando diretamente para a mulher de longos cabelos ruivos que acabou de se apresentar. – e estes são Mú e Milo. Que tal se a gente der umas voltas pela redondeza para nos conhecermos melhor?
- Boa idéia. Mas... eu posso te chamar de MM? É que esse apelido que você tem é muito assustador.
- Ha! ha! ha! Uma gata como você tem esse direito... vamos então, Karen? – sem cerimônia nenhuma Mascara da Morte a segura pela cintura e conduz para a saída da boate.
- Me lembrem de passar o resto da minha vida torrando a paciência dele com essa história de "MM". – Milo disse essa ultima palavra todo meloso, com os olhos picando. Alguns de seus amigos tiveram que disfarçar o sorriso da interpretação que Milo fez do ocorrido.
- Esse seu amigo além de ser apressadinho, me parece ser uma pessoa muito ranzinza, não é Milo? – dizia uma moça baixa de longos cabelos verdes escuro.
- Psra dizer a verdade às vezes ele leva as coisas muito a sério, mas é só saber lidar com ele, e tudo bem... Desculpe você sabe meu nome, mas eu não sei o seu.
- É que às vezes eu sou um pouco desligada. Meu nome é Marri. Você sabe dançar?
- Deixe que eu lhe mostre e verá que palavras não podem descrever o quanto sou bom nisso... entre outras coisas também. – ele disse essa ultima frase em um tom baixo para não assustá-la, mas a amiga dela escutou. Assim que os dois saíram pzra pista de dança.
- Que carinha mais convencido. Só porque é bonito... – a garota de cabelos e olhos azuis claro sorria ao olhar para os dois que já estavam dançando. E viu que realmente Milo dançava bem.
- Não se leve pelas aparências, senhorita. Meu amigo tem esse jeito meio arrogante de falar, mas é uma excelente pessoa.
- E eu que pretendia ser rude com você, Mú, pensando que fosse igual a seus amigos excêntricos. Meu nome é Nádja... Olha, eu estou com um pouco de calor, e vou sair um pouco e respirar ar puro.
- Quer que eu a acompanhe, Nádja? É que não é muito bom andar pela cidade sozinha.
Nádja concordou com um leve sorriso enquanto estendia a mão para ele sugerindo que desejava sua companhia. Os dois saíram, e Shura se levantou da cadeira também.
- Eu vou ao bar escolher um drink, mais alguém quer algo de lá?
Afrodite, Aldebaran, e Kanon aceitaram, e Shura foi providenciar bebida para todos com exceção de Shina que apenas conversava com ele e Afrodite. Nessa mesma hora, uma loira de olhos azuis chega à mesa, sem cerimônia nenhuma, e já vai puxando logo a mão de Kanon.
- Vamos dançar gatão?
- Claro. E por que não? Espera só um instante. – Kanon bebe um grande gole de sua bebida e deixa o copo na mesa.
- Ah, já ia me esquecendo. A minha amiga de cabelos pretos ali queria saber se o seu amigo grandalhão está disponível.
- Agora mesmo. Vamos logo, pessoal. – Aldebaran levanta-se pegando a mão de Kanon e sai praticamente arrastando os dois.
- Só mesmo Aldebaran para ser tão desastrado assim. – comentava Afrodite que parecia ficar entediado com tudo.
Shura voltou com as bebidas, estranhando de inicio a falta dos dois amigos ausentes, mas resolveu deixar para lá e curtir a noite.
As horas passaram, e só ficaram mesmo na mesa Afrodite, Shina e Shura. Este ultimo recusava o pedido de varias garotas que apareciam na mesa querendo dançar ou dar um passeio. Sempre dava uma desculpa como "obrigado, mas estou um pouco cansado". Preferia ficar conversando com Shina e Afrodite, que ao ver uma garota se dirigindo a mesa disse para Shura:
- Lá vem mais uma Shura.
Capricórnio já estava cansado de ficar arranjando desculpas para não sair da mesa. Com esse desanimo, baixou a cabeça, esperando pela proposta.
- Oi, Shura. – este reconheceu a voz da garota e levantou a cabeça, e ela continua – Você poderia me dizer por que Saga ficou estranho comigo depois que eu o chamei por seu nome?
- Saga saiu mais cedo, Karina. Você estava dançando com o irmão gêmeo dele, Kanon, que odeia ser confundido.
- Ah, então foi por isso que ele me deixou sozinha na pista de dança para ficar com a outra lá. - nessa hora, ficou corada tamanha a vergonha que passou ao xingá-lo, e continua sem jeito – Bom, como eu podia adivinhar que Saga tinha um irmão gêmeo idêntico?...
- Não se preocupe com isso, Karina. Logo, logo Kanon esquece o ocorrido. – Shura disse isso já imaginando o papelão que a garota podia ter feito, já que ela tinha um gênio forte.
- E onde está aquele seu amigo simpático?
- O Aiolos? Ele teve que sair da cidade a negócios...
- Quando você encontrá-lo diga que eu e Tamisys mandamos lembranças, ok? Eu tenho que ir agora. Já está tarde.
Quando Karina saiu, dois pares de olhos, pares de olhos estes que não se podia ver, por causa da mascara, mas dava pra sentir que eram diretos a ele olhavam inquisidores para o Cavaleiro de Capricórnio, este se viu em maus-lençóis.
- Quer dizer que o ex-Grande Mestre, o lendário Cavaleiro de Sagitário, e o Cavaleiro que é considerado o mais fiel a Athena saíram do Santuário sem permissão da deusa?
- Bom... é que foi por um motivo muito especial. – Shura estava tenso – E foi só essa única vez. – mentiu, pois já havia saído varias vezes com Saga as escondidas quando eram adolescentes.
- Quem sou eu para recriminar? Afinal de contas, já sai do Santuário sem permissão para resolver um assunto pendente.
- Que eu saiba você acabou não resolvendo nada. – Peixes falou com um sorriso cínico no rosto, e Shina o fuzilou com os olhos por trás da mascara.
Shura percebeu que Afrodite pretendia fazer mais um comentário, e com certeza seria sobre a noite em que conheceu a garota que estava a pouco tempo falando com ele. Viu que seria melhor tirar Shina dali antes que a coisa ficasse pior.
- Está a fim de dançar, Shina?
- Você passou a noite toda recusando os convites das garotas que vinham à mesa. Por que só agora está interessado em dançar comigo? – Shina ficou desconfiada e deixou isso em sua voz ser percebida pelo Cavaleiro. Shura viu que aquela ali era páreo duro.
- Porque eu não queria que você ficasse sozinha na mesa. E porque acho que como você não pode beber nada por causa da mascara, talvez quisesse dançar para se divertir um pouco. O motivo mais forte é que gosto dessa musica.
- Eu também gosto. Está certo, Shura, eu aceito... Mas e quanto ao Afrodite?
- Vocês podem ir. – Afrodite faz um gesto com a mão como se não se importasse muito com o que eles fossem fazer depois. Na verdade ele estava até com vontade de voltar para o Santuário. Mas ficou apenas observando o casal de amigos se divertindo com os outros, que nem percebeu a aproximação de um rapaz de longos cabelos pretos a mesa. Só virou para ver quem era quando este tocou seu ombro.
- Triste, não? A minha irmã me deixou sozinho para dançar com o seu amigo. – o rapaz se referia a Aldebaran, pois a moça que estava com ele se parecia muito com o recém-chegado. – E pelo jeito seus amigos fizeram o mesmo com você... ?
- Afrodite, prazer. – ele estendeu a mão para o rapaz.
- O prazer é todo meu... Afrodite é o nome da deusa grega do amor e da beleza. – parou um pouco analisando aquele rosto delicado que parecia de uma mulher, e depois continua – Um nome apropriado para um ser divino como você. Meu nome é Lukas.
- Por que não me acompanha em um drink?
E assim a noite se seguiu com todos se divertindo até o amanhecer. Por apenas uma noite todos esqueceram suas obrigações como protetores de Athena.
Bom, quase todos. Shaka voltou para sua casa, e resolveu meditar. E Saga ficou perambulando por Atenas, pensando em um jeito melhor para duplicar o desempenho de todos nos treinos.
No santuário
Phebe já devia ter pregado os olhos, mas há horas que ela pensava na conversa que teve com Aiolia. Seus temores pareciam estar corretos.
– Aiolos também voltou à vida... Mas por que ele também? E por que ele não se encontrava nesse lugar como era antigamente? – Quando pensou ter solucionado todo o mistério apareceu mais outro para pairar no ar. – Será que o Anjo da Morte resolveu fazê-lo de escravo, ou pior, Espectro? Se for um dos dois casos, por que nenhuns dos Cavaleiros mostram que se importam com o destino de um deles?... Pelo jeito terei que ter outra conversa com Aiolia, e se ele não falar nada, terei que fazer algo que não queria nunca mais precisar fazer... ler seus pensamentos.
No dia seguinte
Apenas Aiolia, Marin e seus alunos foram treinar pela manhã. Quanto aos demais cavaleiros e amazonas foram treinar só pela tarde, até ao anoitecer.
No refeitório altamente moderno que Athena mandou construir para melhorar o desempenho dos cavaleiros, sem ele terem que gastar tempo cozinhando, estavam todos os cavaleiros juntos em um canto. Quanto aos aprendizes estavam espalhados por todos os lados.
- Passei a noite pensando em algo que pode ser muito bom para todos... Proponho que todos os cavaleiros e amazonas de prata façam um treinamento rotativo por um determinado tempo até ver se dá certo.
- Treinamento rotativo? Mas para que isso, hein Saga?
- Simples Aldebaran. Essa é uma forma de aprimorar nossas técnicas, analisando o ponto fraco de cada oponente, e vice-versa.
- Boa idéia, Saga. Assim poderemos mostrar a nossos alunos nossas técnicas na pratica pela parte da manhã, e pela tarde eles tentam mostrar o que aprenderam de manhã. Assim teremos um melhor aproveitamento dos treinos. – mas não era só por esse motivo que Shura ficou instigado com a idéia. Quem sabe se pegaria Shina como parceira de treino pelo menos uma vez? Seria muito bom se conseguisse treinar com ela toda semana, pensou esboçando um leve sorriso.
- Exatamente, Shura. Mais tarde vou levar o relatório a Athena, e aproveito para sugerir isso a ela.
Horas mais tarde, Templo de Athena
Athena escutava atentamente ao que Saga falava. Estavam reunidos a certo tempo, conversando sobre a idéia que teve na noite anterior.
- Isso é muito interessante, Saga. E quando pretende colocar suas idéias em pratica?
- Depois de amanhã, Athena. Será tempo suficiente para ponderar sobre as duplas. Assim que eu conseguir analisar todos, e montar o esquema, colocarei um panfleto no refeitório e outro na arena.
- Mudando de assunto... Como foi a noite de folga ontem? Todos divertiram bastante?
- Han?... Sim, foi muito bom para todos.
- Que bom... Se for só isso, Saga, podemos encerrar essa reunião por hoje?
- Sim... Boa noite, Athena. – Saga faz uma reverencia respeitosa, e sai pensando: "Saori é uma deusa, mais também é uma adolescente. As vezes, nós cavaleiros, esquecemos desse fato. Ela é tão atarefada com os problemas do santuário, e das suas empresas. Quase não tem tempo para si própria, principalmente cuidando de Seiya por se sentir culpada pelo estado em que ele se encontra".
Continua...
Que bom que vocês agüentaram ler esse capitulo até o fim. Heheheh!
É que esse pra mim foi um pouco complicado, por se tratar de mexer com uma personagem tão delicada como Phebe... Vai que Lyre, com seus poderes estranhos de Morta-Viva aparece aqui para mandar a autora para Hades, com ida e sem a volta proporcionada pelo Anjo da Morte. Do jeito que ela é enfezada, não vai sobrar nada de mim. Aí quem vai terminar essa fic, hein? hahahahaha
Brincadeiras de lado... Quanto a questão dos cavaleiros terem um dia de folga e eles resolveram ir a uma boate, digo:
Os cavaleiros retornaram a vida, e como Athena deixou que eles curtissem um pouco para quebrar a rotina, achei que seria o momento propicio para colocar em plano algo que passou pela minha mente sórdida, e que logo vocês saberão.
E eu também não podia deixar o coitado do Afrodite (Cavaleiro de Peixes) na mão. Tive que dar um final razoável a uma pessoa como ele. Não acham?
Notas da autora: Quero deixar claro que a personagem Phebe Stoneheart foi retirada da Fanfic "A Rosa e a Flecha" de Lyre Weren. No caso Phebe (Lyre Weren) aqui é uma pessoa amargurada por sua má sorte, mas é uma pessoa boa embora não pareça. Não posso dizer mais nada ou vou estragar o que reservo para o oitavo capitulo. Então vamos seguindo devagar até chegar lá.
AAAHHH! Já ia me esquecendo. (Essa é uma frase que tenho utilizado o tempo todo. O que posso fazer, sou esquecida mesmo?)
Infelizmente a fanfic de Lyre Wren não se encontra mais nos sites, então fica dificil que alguem leia "A rosa e a flecha parte I". É uma pena, mas pelo menos estou aqui homenageando duas autoras Arthemisys e Lyre Weren que me deram inspiração para começar a escrever mesmo sem saber.
KaylaArmilas
