Capitulo V – Mudanças no Santuário-parte II

Arena, segunda-feira

Já havia se passado uma semana desde que começou o treinamento rotativo. Um certo Cavaleiro de Capricórnio estava que não se cabia de tanta felicidade. Treinaria com a amazona que tirava seu sossego. Ele já tinha tudo esquematizado em sua cabeça. Quando terminasse o treino da manha, teria uma conversa com ela. Diria tudo o que estava sentindo.

O treino estava indo muito bem, até que Shura se lembra do dia em que seus corpos estavam juntos naquela parte da arena. Seu rosto corou com a lembrança. Na tentativa de se concentrar no treino, ele se defende do golpe Shina, e lança sua Excalibur.

Mas o que se passou despercebido foi quando Shura lançou sua Excalibur em Shina, e ela pensou que não havia acertado. Sua mascara cai no chão, partida ao meio, revelando seus grandes olhos azuis. Ela ficou estática, permitindo uma cena encantadora ao Cavaleiro de Capricórnio, que ficou admirando-a profundamente. Uma lágrima escorria dos olhos da Amazona de Cobra, que inesperadamente correu em direção a sua cabana. Shura despertou de seu transe e correu atrás dela chamando por seu nome, mas não era ouvido.

Pouco tempo depois ele chega na cabana, e não hesita em entrar. Ele encontra Shina jogada de bruços na cama, chorando tanto, que dava dó de se ver. Shura sentou-se na beirada da cama, passando a mãos nas costas dela, tentando acalmá-la. Não era assim que tinha planejado falar com ela sobre seus sentimentos, nem muito menos queria fazer ela chorar. Entre soluços, sua voz sai embargada de uma grande tristeza e raiva também:

- Para você não bastava o que Seiya me fez, não é? Tinha que me humilhar também, Shura.

- Não foi por querer... foi um acidente... – Shura estava com medo de magoá-la mais. Não sabia que aquela amazona turrona podia ser tão sensível.

Todavia, para seu espanto, ela se levantou rapidamente. Seu olhar agora parecia de pleno ódio.

- Acidente? Com vocês Cavaleiros de Ouro não acontecem essas coisas.

- Todos nós somos apenas seres humanos, que tem direito a cometer um pequeno deslize.

- Pequeno deslize?... Saiba que poderia ter me ferido ou matado... Afinal, posso saber com o que se distraiu?

Agora sim, Shura ficou constrangido. Sabia que havia sido sua culpa por estarem naquela situação, pois em um treinamento a coisa era seria e não podia se distrair. Mas também sabia que o golpe ao qual desferiu não a machucaria. Alem do mais, pensou que ela desviaria de seu golpe. Todavia, teria que ser sincero ao responder a pergunta da amazona.

- É que eu... distrai-me reparando em você. A muito tempo que eu gosto de você e...

- Não caçoe de mim, Cavaleiro de Capricórnio. Não sou tão burra quanto pensa...

Essa foi a gota d'água para a paciência de Shura. Como ela podia pensar assim de uma pessoa como ele? Seu orgulho foi ferido pela pessoa que ele mais amava. Irritou-se tanto a ponto de puxá-la bruscamente. Seus lábios estavam quase se encostando, e disse em uma voz sensual e ao mesmo tempo cheia de rancor:

- Não me confunda com os pirralhos que conhece... E não é porque sou um Cavaleiro de Ouro... Já vivi, morri, e fui trazido de volta a vida. Isso me fez saber o que quero, e jamais desistir.

Nessa hora, Shura dá um beijo cheio de paixão. No inicio Shina tentava se livrar daquele abraço e do beijo. Mas estava muito difícil. Não era pelo fato de Shura ser um Cavaleiro de Ouro, e sim por sentir o mesmo por ele. Sim, esse sentimento surgiu mutuamente no dia em que tiveram uma folga do Santuário e dançaram juntos na boate. Mas o que se passava pela sua cabeça era: "Ele não pode gostar de mim depois de todos saberem que Seiya foi o primeiro homem a ver meu rosto". No entanto, para Shura isso não importava, pois sabia que no fundo Seiya e Athena tinham um sentimento um para com o outro. Shina sentiu que não conseguiria mais tentar resistir ao homem que estava tirando toda a sua sanidade naquele momento. Acabou se entregando aquele fogo da paixão contida no âmago de ambos. Ele fazia caricias ousadas, e logo ela começava a imitá-lo, no entanto, um pouco tímida ainda. Logo suas roupas eram arrancadas e jogadas ao chão, com uma certa urgência.

Embora essa seja a primeira vez de Shina, demonstrou aprender logo aquela dança sensual e selvagem que seus corpos exigiam. Não se importaram com mais nada, nem mesmo o treino a tarde.

E daí por diante todas as noites eram bastante "calientes" naquele quarto...

Arena, a noite de segunda-feira

Milo estava pregado. Dessa vez Saga não estava distraído como no primeiro dia. Por isso o Cavaleiro de Gêmeos pegou pesado com ele. Todos já estavam no refeitório, e ele estava ali, em um canto da arena, tentando limpar as suas feridas. Não queria dar esse gostinho para alguém ficar rindo de sua cara, era muito orgulhoso pra isso.

- Quer dizer que o grande Cavaleiro de Escorpião, levou a maior surra de todos os tempos, não é?

- Seja quem for, não estou a fim gastar meu tempo com bobagens. Volte de onde veio. – Milo estava irritado com seu estado lastimável, mas estava mais irritado ainda por ser pego assim de surpresa por uma pessoa que estava satirizando com sua cara.

- Seu corpo está tão machucado assim, que nem consegue lembrar de uma de suas vitimas? É lamentável. – a pessoa se fez presente, e em posição de ataque – Eu vim especialmente para te punir pelo que fez...

Ao dizer isso, a Amazona de Camaleão o ataca com seu chicote prendendo os pés de Milo e depois puxa com força o derrubando no chão. Como ele havia sido pego desprevenido, não teve reação logo no inicio, mas ao se ver no chão, seu orgulho ferido o fez reagir. Pegou o chicote que estava preso em seu pé, e puxou também, o que a fez cair no chão. Ele se levanta, tirando a poeira de suas roupas, para dar um pouco de dignidade a sua posição, afinal de contas, não deixaria uma amazona fazer o que bem entendesse com ele, um Cavaleiro de Ouro.

- Em primeiro lugar, nem te conheço, Amazona. Em segundo lugar, não gosto que ninguém fique me acusando a esmo... Pode ser mulher, mas isso eu não admito.

Ela se levanta rapidamente, e o ataca com chutes e socos, porém eram todos defendidos pelas mãos ágeis do Cavaleiro, que logo após, da um empurrão nela, a fazendo se distanciar um pouco.

- Maldito... Eu vim vingar meu mestre e todos aqueles que você destruiu.

- Menina, nunca te vi na vida. É melhor você parar com isso ou vai acabar se machucando... – realmente Milo não conseguia ver direito quem era por causa da pouca luz da noite.

- Nunca. Eu vim com o objetivo de matar o assassino de meu mestre Albiori, e não sairei daqui enquanto não o fizer pagar caro por seus crimes.

- Esperai... Você deve ser a Amazona de Camaleão, que sobreviveu ao massacre na ilha de Andrômeda.

- Exatamente... Sou a única sobrevivente do massacre que você causou.

- Agora mesmo que eu não luto contigo. Você está sendo treinada por Phebe, e se algo te acontecer, ela vai ficar irritada comigo. E eu não sou doido para provocar a ira dela...

- Você não devia se preocupar com Phebe e sim com a sua executora, eu June, Amazona de Camaleão.

A amazona partiu outra vez pra cima de Milo, que apenas defendia. Não queria machucá-la, mas também não queria continuar com aquele impasse. Não teve jeito. Deu um forte soco em seu ventre, a fazendo desmaiar, indo de encontro ao chão. Ele olhou para o corpo inerte no chão, e depois olhou pro céu, vendo que logo, logo choveria. Achou que deveria ir pra sua casa logo, ou ficaria todo encharcado. Deu uma certa distancia da amazona caída, pretendendo ir pra sua casa.

- Mas se eu a deixar aqui, ela é que vai se molhar na chuva... Depois do que fez, até que ela merece isso mesmo. – Olhou pra trás, vendo que ela não poderia se abrigar da chuva. – Sou um Cavaleiro de Athena, e não um desalmado como ela pensa.

Foi até a amazona, e a colocou em seus braços caminhando em direção das cabanas. Teria que se apressar, antes que começasse a chover. Foi só pensar nisso que caiu o maior toró. "Eu e essa minha maldita boca" pensou consigo mesmo. Viu dois caminhos. Um daria na Vila das Amazonas, que era o caminho mais longo. O outro daria nas choupanas onde os Cavaleiros estavam morando (Afinal de contas eles não podiam interferir em qualquer guerra que acontecesse, então porque deveriam ficar nas doze casas?). Seria melhor se ele a levasse pra sua casa, por ser mais perto, mas o que aconteceria quando ela acordasse? Com certeza ela tentaria lutar com ele outra vez... Decidiu pelo caminho que levaria a Vila das Amazonas. Chegando em uma das cabanas, bateu a porta, torcendo que sua dona estivesse em casa.

- Mas quem é o doido que sai do conforto de sua casa, em uma noite chuvosa, para me amolar numa hora dessa? – quando abriu a porta deu de cara com um certo Milo sorridente, entregando-lhe a amazona desacordada – Milo! O que significa isso?

- Ela teve um pequeno acidente na arena... Como está desacordada, resolvi trazê-la aqui.

- E por acaso eu tenho cara de babá de marmanjo?

- Não, mas ela não é a sua aluna? Então você que cuide dela... – já estava se preparando para sair quando Phebe o chama.

- Milo de Escorpião, o que aconteceu pra ela estar neste estado?

- Não faço a mínima... Pergunta a ela quando acordar... Tenho que ir agora. Estou todo ensopado, e nem jantei ainda.

Saiu sem dar mais nenhuma explicação, deixando Phebe com cara de taxo, que não teve outra solução a não ser colocá-la em cima da cama, e tentar acordá-la.

- Acorda, menina. – disse em um tom firme de voz, ao mesmo tempo em que dava umas leves tapinhas para despertá-la, e quando conseguiu, June já foi enviando um soco, porém, Phebe era muito mais rápida que ela. Segurou seu punho, e lhe deu uma chave-de-braço. – Pelo jeito o "acidente" que você teve foi lutando com alguém.

- Me solta... Eu vou matar aquele assassino miserável.

- Por que tem tanta raiva assim dele? Milo pode ser arrogante e metido, mas não é nada disso que você diz.

- Como...como sabe que eu falo dele! Não precisa dizer... Ele veio aqui pra falar de mim... Não importa. Ele matou o meu mestre e eu pretendo vingá-lo.

- Para eu saber das coisas, não preciso que ninguém me conte...Preste atenção, June. Milo fez o que o Grande Mestre ordenou, e ele como um Cavaleiro de Ouro, tinha que obedecer... Se ele fosse um assassino, como você fala, já teria te matado sem pensar duas vezes só por desafiá-lo. No entanto ele te trouxe aqui pra você não ficar na chuva.

- E por que ele fez isso?

- Quem sabe? – Phebe olhou pra outra amazona, e viu que seu estado não estava tão mau assim – Acho que você deve ir pra sua casa pra pensar melhor. E procure se afastar de Milo, ou ele pode te machucar de verdade. – ao ver June saindo de sua casa pensou: "Essas crianças não tem jeito mesmo. Esses dois ainda vão acabar me dando dor-de-cabeça. June está realmente disposta a se vingar".

Continua...

Gente, mil desculpas. No capitulo anterior (Capitulo III – Lady Syf Amazona sem rumo)

eu esqueci de colocar uma coisinha pra vocês se situarem. A Ilha de Andrômeda e a Ilha da Rainha da Morte foram restauradas pelos cosmos dos Cavaleiros no dia seguinte que eles chegaram no Santuário. Isso foi a pedido de Saga, que estava muito arrependido pelo o que fez como o "Grande Mestre".

Eu sei, eu sei, que desastre. Mas por favor, não me esfole viva... Eu sou esquecida mesmo. Hahahahaha

Espero que todos tenham gostado desse capitulo.

Beijos pra todos e até o próximo capitulo.

Kayla