Capitulo VI – O Grande Mestre - parte 1

Aioros, Camus, Lady Syf e o bebê acabam de chegar no Santuário.

Ao chegar, um guarda na arena, comunicou aos Cavaleiros e Amazonas que eles haviam retornado e que Athena os convocava para uma reunião. Imediatamente todos se apressaram para se fazer presentes na dita cuja. Muitos deles estavam curiosos pra saber o que aconteceu na missão de Aioros, mas também queriam saudar o amigo que estava fora por um tempo tão longo.

Templo de Athena

Aioros contou tudo sobre o que Hilda havia dito, com exceção do nome do bebê, a todos presentes.

- ... e esta é a Amazona que estava se refugiando em Asgard, Athena. Lady Syf é uma princesa de um reino que não existe mais. Ela não tem família, e atualmente sofre de amnésia.

- Entendo... Bem vinda ao Santuário, Syf. – parou um pouco pra analisar os trapos que ela vestia – Infelizmente não posso te dar um dos quartos desse templo, espero que possa me compreender. Se eu der regalias não estarei sendo justa com as outras pessoas que vivem aqui.

Syf se manteve em silencio, fazendo todos a observar, esperando ouvir algo de sua boca. Saga ao ver que esta não diria nada, anunciou:

- Faremos uma cabana na Vila das Amazonas para você morar, Lady Syf. Mas até lá, pode ficar com Phebe. – esta até se engasgou com a própria saliva ao escutar isso. Saga ao ver a reação de Phebe, continuou - Tenho certeza que você acolherá nossa hóspede adequadamente, Phebe.

Phebe lança um olhar assassino pra Saga, que mesmo não podendo ver seus olhos, teve certeza que se pudesse, ela o mataria da forma mais impiedosa possível.

- Aioros, na sua ausência, o Santuário teve algumas mudanças. Seus companheiros explicam mais tarde... olhou pra Syf que não saia de perto de Aioros e concluiu – Acho melhor que você treine Syf.

- Mas, Athena... Por que eu e não uma amazona?

- Porque ela deve estar mais acostumada com você, e no estado que está, vai precisar se sentir segura para se entrosar com os outros... Mais uma coisa, Aioros. Traga o relatório amanha, sim?

- Como quiser, Deusa Athena.

A Deusa levanta-se de seu trono, e ruma para seus aposentos, sem esperar as formalidades de seus protetores. Estes resolveram sair do templo. Do lado de fora Aioria já foi logo dando um abraço em seu irmão.

- Foi só isso mesmo que aconteceu em Asgard, mano?

- Somente isso, Aioria... E por aqui? E meu aluno? – perguntou se soltando de Aioria.

- Não se preocupe. Eu cuidei de tudo como me pediu... – olhou para o rosto abatido do irmão – Acho melhor você ir descansar um pouco, deve estar cansado da viagem.

Aioros concordou com a cabeça, e se virou pra Syf, que estava ao seu lado. Ao seu ver, ela estava se sentindo como um peixe fora d'água.

- Venha, Syf. Vou te apresentar a pessoa com quem vai ficar provisoriamente... Está é Phebe Stoneheart. – as duas cruzaram os olhares, sem dizer nada. Aioros pegou na mão de Phebe e a levou a um canto afastado de Syf, para que esta não escutasse a conversa deles. – Pelo amor de todos os deuses, Phebe, tenha paciência com Syf, é tudo o que peço... Ela é meio desligada, e quase não fala.

Phebe dá um riso sarcástico por trás da mascara, e Aioros como a conhecia tão bem, imaginou o que já estava se passando pela cabeça dela.

- Não se preocupe, Aioros. Irei me conter... só um pouco.

Aioros colocou a mão no rosto, enquanto pensava "Sabia que isso ia acontecer. O que mais pode se esperar de Phebe?" A resposta pra sua pergunta veio logo a seguir quando Phebe se aproxima de Syf, apontando o dedo a ela, como fosse dar uma ordem

– Lady Syf... Te direi o que pode e o que não pode fazer enquanto estiver em minha cabana. Você tem o direito e obrigação de se virar sozinha... – Phebe rí debochada e continua – Em hipótese nenhuma me acorde. Não me peça nada. Não me pergunte nada. Não mecha nas minhas coisas. E não chore na minha frente porque se machucou... Ah, e tenha certeza que vai se machucar muito se treinar comigo. Quanto ao restante, saberá no dia-a-dia.

Pronto. Phebe conseguiu se superar dessa vez. Nem Aioros podia imaginar que ela chegaria a tanto. Pensou: "Isso não vai dar certo... É capaz de Phebe se irritar antes mesmo de chegar na casa de Aquário. Acho melhor acompanhar as duas até a cabana. Pelo menos por hoje, Syf pode se safar". E foi o que ele fez, os três desceram em silencio. Porém, ao chegar perto das cabanas, Syf para de andar. Aioros percebeu e foi até ela.

- Por que parou? Está cansada? Não estamos longe de onde você vai ficar.

- Não... Vou ficar ali. – e apontou pra uma gruta, que mesmo de dia parecia sombria.

- Mas aquilo não é uma casa. Não é adequado pra nenhuma pessoa, quanto mais a uma pessoa como você.

Phebe percebeu que Aioros dava muita atenção a Syf:

- Deixa a princesinha fazer o que quiser, Aioros. Não irá conseguir pregar os olhos um minuto sequer... Quem sabe assim ela aprenda a se acostumar com a rotina do Santuário, ou desista e vai embora.

Syf não esperou a discussão continuar e foi em direção a gruta onde tentou se acomodar. Aioros, que fitava Phebe com um olhar sério, quando percebeu que Syf se afastou, a repreendeu:

- Não devia ter tratado Lady Syf tão mau, Phebe. Ela não te fez nada pra que agisse assim. – e sai de lá furioso, de encontro a Syf, e deixando Phebe extremamente pasma.

Quando chegou na gruta, percebeu que Syf estava deitada sobre uma pedra, e não parecia estar confortável. A gruta era grande, e no fundo parecia ter um abismo. Quando o vento soprava, escutava-se um barulho que poderia tirar o sossego até dos mortos. – Syf, tem certeza que quer ficar aqui? – viu que ela se remexia na tentativa de acomodar-se melhor.

- Prefiro ficar aqui, isolada de todos. Posso ir e vir na hora que eu achar melhor.

- Se é o que quer, irei providenciar algumas coisas para ficar mais confortável.

Aioros a deixou e foi até Athena.

- Athena, preciso de um favor.

- Diga o que precisa e eu providenciarei.

-Não é necessário que se ocupe com isso... Lady Syf se nega a viver entre as Amazonas, optando por morar em uma gruta desconfortável. Também há a questão que não tem nada além da roupa que veste.

- Eu já tinha percebido isso. É justo que me peça esse favor, Aioros. Como você me disse que ela não tem ninguém neste mundo, só pode contar com a boa vontade de todos nós... Passe na minha mansão na cidade e pegue dinheiro com Tatsumi pra comprar o que precisa.

- Muito obrigado, minha Deusa.

- Aioros, aproveite e compre um vestido pra ela sair essa noite com você, Kamus, Aioria, Marin e Phebe, que na ultima folga permaneceram no Santuário.

Aioros faz uma reverencia e sai do salão. Chegando a primeira casa do zodíaco, encontra Mu, Aioria, Marin, Camus e Phebe.

- Athena disse que: "Aqueles que não saíram na ultima folga, poderiam sair está noite".

- Ela acha que já sofremos muito, e que pelo menos devemos tentar desopilar uma noite pra nos recompensar, Aioros.

- Uma ou duas noites de folga não fará muita diferença... – Alguns sentiram uma pequena tristeza na voz de Sagitário. – Bom, eu tenho que ir ao centro agora. Vou resolver umas coisas que Athena me pediu pra fazer.

Ao dizer isso começou a se afastar dos demais, sem perceber algo a sua volta. Já estava a uma certa distancia quando sentiu seu braço ser tocado por uma mão feminina.

- Por que não me dirigiu a palavra, Aioros?

- Não falei nem com o meu irmão, Phebe...

- Você e o restante do Santuário estão agindo estranho... Principalmente você e Aioria. O que está acontecendo afinal de contas?

- Não estamos agindo estranhos, Phebe. Apenas o efeito dos maus bocados que passamos nos fez evoluir.

- Que evolução é essa que o faz se afastar de mim? Ainda me lembro de suas ultimas palavras apaixonadas antes de morrer...

- Eu... eu tenho muito que fazer agora... Outra hora a gente conversa melhor.

Aioros deixou passar um pouco de nervosismo em sua voz, o que não passou despercebido por Phebe. Pôs-se de volta ao seu caminho, deixando uma certa Amazona falando ao vento.

- Você está escondendo algo de mim, Aioros... Tenho a leve impressão que não vou gostar de saber o que é...

Já estava no inicio, quando Aioros chegou na gruta trazendo uma carroça cheia de coisas. Descarrega tudo na entrada da gruta, depois acende uma tocha e adentra mais na gruta encontrando Syf dormindo. Ele imagina que ela estivesse muito cansada. Aioros colocou a tocha em um lugar da parede, que iluminou o suficiente para ver onde pisava. Foi até a entrada para pegar o fogão, panelas de barros, canecas, jarros com água potável, pratos, talheres, mantimentos, sabão, roupas simples e de treino, mais tochas, travesseiros e lençóis. Ao colocar tudo em lugares diferentes, como se estivesse arrumando uma casa, Aioros se virou para pegar o colchão, e percebeu que Syf estava desperta a pouco tempo, observando-o.

- Poderia se levantar, Syf?

Ela o obedeceu, e ele colocou o colchão onde ela antes estava deitada. Syf olhava o tempo todo pra um canto da gruta curiosa.

- Para que serve isto? – ela falou apontando para o fogão, e Aioros achou estranha essa pergunta, mas depois ele pensou que por se tratar de uma princesa, talvez nunca tivesse visto um, afinal de contas deveria ter muitos servos para fazer qualquer coisa pra ela.

- Isso é um fogão, e serve para fazer comida. – ele a viu aproximar do fogão, olhando por um certo tempo e logo depois, começou a chutá-lo – O que está fazendo?

- Isto não quer me dar comida.

- Não é assim que funciona... Peste atenção, que só vou ensinar uma vez.

Ele pegou as panelas e as colocou encima do fogão. Pegou a jarra que trouxe com água a qual despeja nas panelas. Coloca arroz em uma panela, na outra ele coloca carne e legumes. Ela apenas observava atenta a tudo. Tempos depois, a comida estava pronta. Cheirava tão bem que depois de servir o prato, Aioros provou um pouco da comida.

- Humm! Está muito bom, prove. – ofereceu uma colher cheia, porém acabou de perceber que estava fazendo isso a uma amazona e não a um aluno seu. Ficou constrangido com a sua falta de atenção. Colocou a colher de volta ao prato e deixou-o encima do fogão.

O que ela fez a seguir o deixou abismado. Ela pegou o prato encima do fogão com uma das mãos e com a outra retirou sua mascara, comendo logo a seguir. Se não fosse pela pouca iluminação e por ela ficar com a cabeça praticamente dentro do prato, teria visto seu rosto. Ficou tão pasmo com o que Syf fez, que não teve reação de impedi-la, ou de sair da gruta. Estancou no mesmo canto pensando: "Essa Amazona é estranha... ou maluca. Eu não consigo acreditar que ela esteja fazendo isso na frente minha frente, como se fosse a coisa mais natural do mundo". Quando ela termina coloca o prato no fogão, e recoloca a mascara.

- Você não pode retirar a mascara na frente de nenhum Cavaleiro, Syf. – Aioros esperou ela esboçar alguma coisa, como não o fez, concluiu que ela não havia compreendido o que disse. – Há coisas que não me sinto muito à vontade para explicar. É algo que só outra Amazona pode fazer por você... Toma esse vestido. É pra você usar essa noite. Athena permitiu que alguns de nós, Cavaleiros e Amazonas, saíssemos pra se divertir um pouco.

Syf pegou o vestido das mãos dele, que se virou logo em seguida para pegar algo. Aioros estava preste a entregar a sandália que havia pego, mas a deixa cair no chão tamanha foi a surpresa. Virou-se rapidamente, corado ao ver tal cena. A figura de uma mulher de um lindo corpo, completamente nua a sua frente.

- SYF! O que diabos pensa que está fazendo! Ponha essa roupa agora! – gritou tão alto, que dentro da caverna se escutava o eco por alguns segundos ainda. Depois se sentiu mal por ter gritado com ela. Lembrou-se do que Agnar havia dito, imaginou ter magoado a menina. Voltou a falar mais sereno para consertar o que havia feito a pouco: – Também não pode tirar a roupa na minha frente, Syf.

- Por que não posso, Aioros?

- Oras... Porque você é uma mulher e eu sou um homem.

- E qual a diferença?

- Todas possíveis... – Aioros já estava perdendo a paciência. Se com ele estava sendo assim, imagine como seria com Phebe então? – Preste atenção, Syf. Você está em um lugar que tem muitas regras. Elas existem para serem obedecidas, entendeu?

Nessas ultimas palavras, Aioros se voltou pra ela, suspirando aliviado ao vê-la devidamente vestida. Mas a resposta de Syf, foi apenas um gesto negativo de cabeça. Aioros resolveu sair dali o quanto antes, e procurar uma pessoa adequada para instruí-la nas coisas básicas da vida e do Santuário, porque com certeza não conseguiria sozinho.

Vila das Amazonas

Aioros acaba de chegar em seu destino. Bate na porta com uma certa urgência. Dentro da casa, mais especificamente, dentro do quarto, duas pessoas estão trocando caricia, quando escutam as batidas da porta. A Amazona faz menção de levantar e atender seu visitante, mas foi impedida por seu acompanhante.

- Parece importante. Pode ser algum guarda trazendo...

- Shii!... Passamos nossas vidas inteiras nos dedicando as leis e obrigações do Santuário... Quero esquecer as responsabilidades só esta noite.

As batidas continuavam, o que já estava começando a intrigar os dois por tamanha insistência.

- Marin... Você está aí?

Dentro do quarto, os dois se entreolharam.

- Meu irmão aqui? Será que aconteceu alguma coisa?

- Não sei, mas ele parece agitado... Espera aqui que vou ver do que se trata.

Marin levantou-se rapidamente colocando a máscara, e foi atender a porta. Aioros foi entrando sem cerimônia, e já despejando de uma vez:

- Marin. Preciso de sua ajuda. É que... – Quando ele se deu conta que Marin estava toda amarrotada, com os cabelos desalinhados, e um par de sapatos na entrada do quarto, corou imediatamente. Já quase saindo da casa ele fala sem jeito: – Desculpe. Cheguei em uma hora inoportuna... Depois eu falo com você.

- O que aconteceu pra te deixar nessa consumição toda, Aioros? Algum problema sério?

Aioria estava segurando o braço do seu irmão para impedir que saísse sem explicar. Aioros viu pela cara de Aioria, que não o deixaria ir embora sem dizer o motivo de seu estado. Já que estava ali teria que seguir em frente, falando logo de uma vez.

- Aquela Amazona é completamente maluca.

- Phebe tem lá as suas esquisitices, mas é claro que ela não é louca.

- Eu me refiro a Lady Syf... Estou tendo problemas com ela.

- Que tipo de problemas? – Aioria começou a estranhar. Com Phebe é que ele deveria se preocupar mais. Afinal de contas aquela lá tinha um gênio...

- Do tipo que só outra amazona pode resolver... – Aioros andava de um lado pro outro, mexendo as mãos, impaciente. – Como ela preferiu morar na gruta que tem aqui perto, resolvi levar umas coisas pra deixar o lugar mais confortável possível... O fogão ela chutou porque não dava comida. Depois que fiz algo pra ela poder jantar, comeu na minha frente como se isso fosse normal. E quando eu dei um vestido pra ela usar mais tarde... – ele havia despejado tudo em um fôlego só, mas ao chegar nessa ultima parte da historia, ficou rubro ao

lembrar da visão que teve, e fala mais baixo, um tanto envergonhado – ... ela ficou nua na minha frente.

- O que? – os dois estavam incrédulos com a revelação de Aioros. Este ao ver que eles interpretaram mal, tentou corrigir imediatamente:

- Ela estava trocando de roupas.

- Nem sei o que dizer...

- Nem eu... Mas que garota mais safad...

- Te proíbo de terminar essa frase, Aioria. – Aioros disse isso interrompendo seu irmão, de uma forma grotesca – Syf é apenas uma menina ingênua.

- Tem certeza? Acho que o ingênuo é voc... – mais uma vez, Aioria foi interrompido por seu irmão. Só que dessa vez, Aioros desferiu uma bofetada em seu rosto com tanta força, que quase fez Aioria cair ao mesmo tempo em que gritava:

-Meça suas palavras quando se referir a Lady Syf. Eu não te eduquei para difamar a honra de uma mulher, seu garoto atrevido.

Os dois olharam para Aioros com uma expressão de espanto. Ninguém havia visto ele desse jeito, sem controle. Ao perceber o que acabara de fazer, Aioros saiu da casa o mais rápido que pode sem dizer nada, deixando os dois pasmos, e sem reação.

Já a uma certa distancia da Vila das Amazonas, Aioros diminuiu o ritmo de seus passos. Há tempos que andava com a cabeça quente, mas essa foi a primeira vez que se deixou levar pela raiva. Talvez isso aconteceu por causa da tensão de não saber porque foi revivido, ou talvez porque o Anjo da Morte não veio procurá-lo, ou até mesmo por causa do retorno de Phebe... Mas a única certeza que ele tinha agora era que ele nunca havia levantado a mão para seu irmão menor, e como agora o fez, Aioria jamais o perdoaria.

Já havia feito o mal mesmo, e não podia voltar atrás. Não queria pensar em mais nada. Por isso foi pra sua cabana para tomar um banho e ver se esfriava a cabeça.

Continua... Capitulo VI – O Grande Mestre - parte 2

Até o próximo capitulo