Ode ao meu adorado Frodo
Canto I
Mais do que os belos
lírios és sublime
Em teu olhar encerra-se a pureza
dos cristais
A suavidade rósea dos cetins em tua pele se
define
Através de tuas formas torno minhas ilusões
reais.
Em teus olhos vejo ao do diamante e d'outras pedras
Um
brilho superior
Pois as pedrarias não sofreram e não
sofrem
E tu sim é que sofreste, meu amor.
E é por
isso que tais pedras roubam, invejosas, para si de teu olhar o
esplendor.
E como tu és um bom representante da
generosidade
E como em teu semblante não há
maldade
Não te importas, meu amor, de a essas recalcadas
emprestar
Uma nesga da tua preciosidade.
Em teu belo rosto
delicado
Vejo magnífica e esplendorosa indefinição
Não
sei se é velho ou jovem; se diz sim ou não;
Mas uma
coisa é certa: é belo e enleva a alma
E faz palpitar
o coração.
É jovem na aparência; macio
e afável
É branco níveo, de alabastro
translúcido róseo
Ao se dedilhar teu rosto não
sabe-se se se toca
Uma pele humana ou a pétala de uma
rosa
Mas tem uma essência que já não é
nova
Muitas coisas tua fronte branca já viu
Desde a
maldade mais vil até a magnificência mais viçosa
Seu
próprio jubileu tua face já viu
Mas ainda ostenta da
juventude a aparência imperiosa.
Imperiosa, mas não
de déspota, e sim de um enigma dúbio
Não
pede; ordena
Não ordena; implora
Mas sem humilhar-se;
inocente humildade sábia que se demonstra inconscientemente
orgulhosa
Orgulho benéfico, que não é cego e
não faz mal
Súplica sutil, ilusão real
Não
obriga fisicamente, toda ao bem, nunca ao mal
Mas é tão
magnífica e sublime, que não há quem possa
resistir a tal.
E é por isso que, não podendo
resistir ao teu olhar amável, somos obrigados a te
obedecer;
Assim é tua suave imperiosidade, e assim o comum
torna-se teu serviçal;
Assim, de maneira irresistível,
ordenas; e faz-se tudo o que a tua vontade pode querer
Mas tu não
exiges demais; pelo contrário, seguir teu olhar é um
prazer
És bom e gentil; na verdade, nem sabes que possuis
tal poder
Mas acaba exercendo-o, mesmo sem querer
Pois tua aura
é maravilhosa, e todos só de olharem caem diante de teu
maravilhoso bem querer.
A não ser aqueles que não
têm sensibilidade no coração;
E estes poucos
não são
Só sabem ver o superficial; não
enxergam tua bondade
Acham um defeito tua afabilidade
E chamam
de covardia tua sensibilidade
Mas é justamente ela que me
enleva o coração
E fez com que por ti eu despertasse
uma grande paixão
Pois sempre que me aflijo, vejo em meus
sonhos tua figura, consoladora e magnífica, dizendo:"Não
chores mais não".
Canto II
Mais lindas que
pérolas são as lágrimas do teu pranto;
Não
há palavras belas o suficiente para descreve-lo, nem neste,
nem noutro canto
De ver tamanha beleza neste, tem-se muito
espanto;
Pois como uma manifestação de tristeza tão
pungente pode ter tamanho encanto?
Tamanho brilho magnífico,
que fonte tem?
Devem ser os teus olhos; é de lá que
esta linda luz provém.
Se eles emprestam ás
pedrarias invejosas um pouco de magnífica maravilha
reluzente
Por que não seriam fonte do brilho de teu pranto
magnificente?
E se teu pranto de madrepérola é tão
belo de se contemplar
Imagine teu riso, que é teu
jubilar?
É um riso cristalino, mais belo que do rouxinol o
trinar
É a coisa mais pura que sobre a terra há de
estar
É livre de malícia; ao êxtase puro faz
levar
Através dele, a alegria presente em todo o teu ser
pode-se sentir,
E a tristeza, rapidamente pelos teus poros se
esvair.
Riso extraordinário, que de teus lábios flui
e se espalha
Teus lábios lindos parecem-se com uma fruta
deliciosa.
Tão apetitosa! Ah! O maior esforço do
mundo para consegui-la!
Que ela tanto não valha!
Nesses
teus lábios lindos, nesse teu pomo tão
desejável
Guarda-se o néctar mais doce e puro; de
uma afabilidade inigualável
Tão delicioso e
extasiante que torna-se puro demais;
Inalcançável e
inatingível.
Ninguém nunca provou a tua maior
doçura;
Pois tua existência é casta e
pura;
Ninguém poderá corromper tua candura
E teu
néctar sempre intocado será
Tua virgindade para
sempre intacta permanecerá
Teu néctar é puro
demais; é maravilhoso demais;
Ninguém merece dele
provar, e ninguém nunca o provará
Tua nudez olhos de
mulher nunca verão
Ah! Tua pureza cândida é
tão linda!
Causa-me por ti admiração
infinda!
Pois, neste mundo onde vivo, cruel e dorido
Onde se
acha um ser que por mais de cinqüenta primaveras
Tenha tal
imaculada castidade mantido?
Pois os idiotas secos e frios, em sua
mentalidade curta
Acham que virgindade e pureza são como
doenças
E logo devem ser extinguidas
Eles e sua cara
imunda!
Dão valor à prostituta e à
vagabunda!
Acham que quem é puro, como tu és, é
tolo e não sabe o que é bom
Mas eles é que
não sabem que a pureza é o melhor dos dons!
Ah,
como é difícil viver nesse tipo de lugar!
Onde a
podridão domina das cabeças o pensar!
Mas a tua luz
clara vejo no fim de um túnel de escuridão!
Brilhas;
sorri diante dessa gente que acha que pureza como a tua é
impossível!
Sorri! E com teu clarão de candura
ofuscas a podridão!
Fita-me e simplesmente dizes: "Não
chores mais, não".
Canto III
Mais do que a
rocha mais resistente teu espírito é forte
As
pessoas pensam que por teres uma aparência delicada
Não
és resistente; e acham que és frágil ao
extremo
Mas tu és justamente o contrário; te manténs
firme até a morte
Tua alma ninguém abala;o valor de
alguém não se mede por porte
E sim pelo que esse
alguém carrega dentro de si;
Reconheço grande valor
em ti;
Na nobreza de alma está o teu poder
Perdoas
àqueles que um dia te fizeram mal;
Teu semblante é
cheio de amor
Não posso acreditar que tu não possas
existir
Pois é tua presença que me faz viver
E
sem ela, parece que tudo vai se esvair!
Teus olhos límpidos
fonte de felicidade são
E sem eles irei definhar em
solidão!
Teu ser e tua alma são o sangue que em
minhas veias flui
E se não te vejo, o ânimo de
minhalma diminui!
Teus cabelos de fios de seda
escura parece que já toquei
E mesmo sem ver-te, por toda a
vida te amei!
Teu rosto magnífico parece que há anos
já conheço
Mas há menos de meio ano que de
tal imagem me apeteço!
E em alguns dias tu minha alma
conquistaste!
Será que em algum dia tu me amaste?
Serei
eu digna de teu coração?
Meu Pequeno adorado! Não
me deixes, não!
Que teus olhos são o sol do meu
calor
E tua pele o refúgio do meu amor
Os anéis
dos teus cabelos macios e escuros
São o refúgio dos
meus sonhos mais lindos e puros
Teus lábios, lindos e
desejáveis que são
Pelo contrário do que se
poderia pensar
Por serem puros como são, afastam-me de toda
a predição
Tuas mãos são o mais belo
afago
Que conseguem tocar o fundo do meu âmago
Sem ao
menos minha pele tocar
Tuas mãos, tão lindas...
De
beleza branca, infinda
Não são menos belas apesar de
um dedo em uma delas faltar
Teu hálito de flores é o
perfume de minha vida
Teu aroma, superior ao de rosas, minha
aurora querida
Tua existência é a certeza infinda
De
que a esperança, mesmo em meu mundo ruim, vive
ainda;
Esperança de que haja alguém que ao menos se
assemelhe a ti
Pois ninguém pode se igualar à tua
figura magnífica
Que, sempre quando tudo parece perdido e
envolto em escuridão
Aparece e alivia a dor, dizendo só
com o olhar:
"Não chores mais, não!"
Santos, 22 de maio de 2002/26 de junho de 2002
