Capitulo VII – Quem é Lady Syf?- parte 2
Em uma cabana
Kamus retira o último fragmento de cristal das costas de Phebe, e o coloca em uma bacia cheia deles. Foi muito sábio da parte dele resgatá-la das vistas dos novatos. Caso contrário, como os outros iriam explicar o que ele estava vendo naquele momento? Ele já tinha ouvido falar da rápida cicatrização de Phebe, mas não sabia o quão rápida era. Mal ele retirou o fragmento, e a ferida se fechava. Phebe murmurou algo incompreensível pra ele. Parecia outra língua européia.
- Phebe, está me escutando?
- Kamus? Onde estou?
- Na minha cabana. Eu não podia deixar você exposta aos olhares curiosos dos...
- Já entendi, Cavaleiro de Aquário... Você fez bem em me trazer aqui. Obrigada.
- Poderia se virar, por favor? Acho que deve ter mais fragmentos de cristais e...
- Não precisa se preocupar comigo, Kamus... Eu me viro sozinha.
- Sei que você tem capacidade de fazer isso sozinha, mas eu acho melhor te ajudar.
- Kamus, seus pensamentos estão conturbados... O que houve com você enquanto eu estive ausente do Santuário?
- Eu encontrei o amor em uma amazona, a quem eu não tive coragem de falar o que eu sentia por ela... Quando eu voltei ao Santuário depois de tudo o que passei em Hades, tive coragem de procurá-la para contar o que eu sentia por ela. Mas eu cheguei tarde demais... Leyna ao saber que eu morri na batalha das doze casas, cometeu suicídio se jogando no mar gélido da Sibéria. Suas ultimas letras escritas se referiam a estar mais próxima a mim naquele lugar...
- Kamus, eu... – Phebe nem conseguiu se expressar, e Kamus voltou a sua frieza costumeira que adquiriu com o passar dos anos.
- Quer que eu termine com os fragmentos ou você termina sozinha?
Phebe se virou e deixou que ele terminasse o trabalho. Pelo menos assim, Kamus esqueceria por um momento esse passado trágico de sua vida.
Templo do Grande Mestre
Horas depois de tudo o que aconteceu na arena, todos os cavaleiros, amazonas e os convidados, estavam reunidos para relatarem o que havia acontecido mais cedo.
- O dever do Sacerdote era cuidar de Letha, o Anjo da Morte, para o dia em que ela fosse cumprir a lei estabelecida pelos deuses... – houve um grande alvoroço por parte dos Cavaleiros que voltaram do inferno. Nenhum deles podia imaginar que o Anjo da Morte estaria ali, entre eles, sem que soubessem de nada. – E eu tenho a obrigação de apenas observar os fatos... Agora que o encantamento quebrou, e sua memória voltou, ninguém será capaz de prever qual foi a sua decisão.
- Decisão? Sobre o que você está falando?
- Ela tem o poder pra julgar qualquer ser, vivo ou morto, e punir da forma que achar adequada... E exatamente para impedir uma desgraça, os deuses criaram uma lei que a obrigava a viver nos dois mundos sem pertencer a nenhum deles. Ela deveria vagar entre os mortais, sem memória, e aprender com eles. E quando o encantamento se quebrasse, ela deveria decidir pela destruição do mundo ou não.
- Você quer dizer que ela pode simplesmente destruir tudo o que batalhamos pra salvar, assim, sem mais nem menos?
- Vai além disso, Aldebaran de Touro... Se ela cumprir com a lei...
- Não devia falar sobre o que não sabe, Tyr...
- Letha? Mas como me encontrou? É impossível que sinta a minha presença.
- Não está esquecendo de algo, traidor?
- Mas... – dizia Agnar praticamente em estado de choque – Você, assim como eu, está amaldiçoada por Hades... Aaaaaahhhhhhhh – tudo o que os que estavam presentes puderam ver foi Agnar caído de joelhos, colocando a mão sobre a queimadura na perna. Letha foi extremamente veloz ao atacá-lo, ninguém pôde ver o que aconteceu.
- Assim está melhor... Quando Athena me feriu com a espada de Hades, retirou essa maldição de mim. Agora sei identificar onde quer que esteja a sua desprezível presença... Suma da minha frente,ou terá o que merece. – viu ele se afastar sendo ajudada por Freiya, e depois se vira para os Cavaleiros – Quanto a vocês, nunca se esqueçam do que foi dito em Hades... – ela diz isso sumindo da visão de todos.
Templo de sagitário
Aioros correu o mais rápido que pode para tentar pegar Agnar ainda no Santuário. Mas não precisou correr muito, pois o rapaz que estava sendo conduzido por Freiya, mal podia dar um passo.
- Espere, Agnar... Eu preciso conversar com você.
- Freiya, por favor poderia me esperar na primeira casa?
- Não vou deixar você aqui, com esse ferimento e...
- Pode deixar, Agnar, eu vou levá-la a primeira casa. Vou ter que passar por lá mesmo...
- Obrigado, Mu. – Agnar ficou observando Mu tentar levar Freiya com uma certa insistência, afinal de contas ela estava resoluta em sua decisão de manter-se ali pra ajudar o cunhado. Mas por fim acabou cedendo ao pedido dele.
- Agora acredito no que você disse, Agnar. Ela sem dúvidas é o Anjo da Morte... O que eu não entendo é porque você sugeriu que ela viesse pro santuário.
- Isso ela já deveria ter feito 234 anos atrás. E mesmo assim ela só faria isso porque a lei a obrigaria isso. Ela jamais teve a intenção de sair do Mundo Inferior...
- Como isso é possível? Todo ser humano tem vontade de conhecer as coisas boas da vida. Um dia ela teria que sair daquele mundo onde a maldade reina.
- E quem disse que ela é um ser humano? – Aioros ficou pasmo com essa revelação. Agnar percebeu a besteira que acabou de fazer, e tenta consertar antes que o outro aparecesse com perguntas que talvez ele não pudesse responder – Entenda uma coisa, Cavaleiro... Ela é um ser que surgiu no mundo apenas pra servir aos propósitos de Hades... O Anjo da Morte jamais terá sentimentos.
- Mas você a ama. – Aioros deixou seu rancor passar na voz. E Agnar ficou branco como uma vela.
- C-Como! Você escutou o que eu disse na arena?
Nessa hora Aioros imaginou que os dois já se conheciam a muito tempo, e que ela não tinha vontade de sair do mundo inferior fosse porque sentia algo por Agnar. Pensou que o ocorrido da arena fosse por causa de ele ser um traidor de Hades, e como tinha sua obrigação, eles se afastaram de uma certa forma. Isso explicaria o porque dela o ter poupado. Algo mais passou em sua mente, e não foi menos perturbador quanto as outras deduções que fez a pouco.Se os dois se amavam, eles poderiam ter tido um relacionamento, e que por ele ser um traidor, ela decidiu usar a máscara para tentar se redimir esquecendo-o. Aioros balançou a cabeça pra ver se conseguia dissipar esses pensamentos que o torturavam cada vez mais. A raiva crescia a cada olhar para o homem à sua frente. Não podia suportar a idéia que Agnar havia tocado naquele ser que há muito ele descobriu que amava.
- Ela te amou um dia não foi?
- Isso nunca... Ela jamais poderia amar alguém em sua existência.
- Como você pode afirmar isso veementemente? Quando ela era Syf, demonstrava sentir algo por mim...
- Isso podia até ser possível, pois a sua memória foi apagada completamente por um encantamento que Têmis entregou ao Sacerdote para ele usá-lo quando chegasse o momento certo. Mas agora que sua memória voltou, o seu comportamento inescrupuloso voltou também. Não se engane ao pensar que ela sentia algo por você ou qualquer outra pessoa. Ela é um ser amaldiçoado...
Agnar sai dali deixando Aioros completamente desiludido com a vida. Como ele podia amar tanto uma pessoa, e ela ser tão incessível como Agnar havia dito?
Na primeira casa
Freiya e Mu estavam aos beijos. Desde o dia anterior, os dois sempre passavam horas e mais horas conversando. Os dois sabiam que sentiram amor a primeira vista, e como ela teria que voltar pra Asgard a qualquer momento, Mu havia dito o que sentia por ela. Não se sabe dizer quem ficou mais feliz com a revelação de um. Se foi ele ou se foi Freiya. Tudo o que importa é que ambos estavam felizes naquele momento, e nada estragaria isso.
- Freiya! Que modos são esses! Você é uma princesa... se dê ao respeito de sua condição.
- Eu o amo, Agnar, com todas as forças da minha vida.
- O problema é que você tem as suas obrigações para com sua irmã e para com Asgard... E Mu como cavaleiro, não pode se ausentar do Santuário.
Ela caiu na realidade. Suas lágrimas banharam seu rosto alvo. Freiya saiu dali correndo pra dentro do templo de Áries, deixando Agnar e Mu, onde estavam, com o coração partido ao ver aquela cena. Mu teve vontade de sair correndo atrás dela, mas foi impedido por Agnar:
- Cavaleiro de Áries, sabe que se tentar manter esse romance, ambos sofrerão. – Agnar pode ver a angústia nos olhos de Mu, e continuou – Cuide bem de Freiya enquanto eu estiver fora... Preciso ir a um lugar, e não posso submeter os olhos inocentes dela, à visão medonha que estou acostumado a ver... Lembre-se, Mu. Cuide de Freiya, mas deixe claro que acabou o romance entre vocês.
Com isso Agnar vai embora do Santuário, e Mu foi procurar Freiya em seu Templo. A encontra ajoelhada ao chão, abraçando uma fria coluna do templo. Chorava compulsivamente, enquanto balbuciava algumas palavras, juras de amor que não podiam ser correspondidas por causa de seu status. Mu se aproximou, e quando ela percebeu a presença dele, se jogou nos braços de seu amado e entre os soluços causados pelo choro.
- Eu te amo, mas entendo o que Agnar quis dizer...Nós dois temos responsabilidades, as quais não podemos abdicar. Realmente não podemos continuar nos encontrando.
- Mesmo que tenhamos que nos afastar, o nosso amor nunca morrerá. – Mu dizia isso enquanto desenlaçava cada laço do vestido de Freiya – Teremos pelo menos esse momento para nos confortar em nossa solidão...
Mundo Inferior
Um vulto avança em alta velocidade por entre os domínios de Hades. Sua destreza era tão grande, que passava por caminhos aonde só os Espectros tinham acesso.
- Parado aí, miserável... Dessa vez nem mesmo o Sacerdote irá me impedir de te matar.
- Não tenho tempo para gastar com suas baboseira... – essa pessoa ataca ferozmente Sylphid, que havia se posto no caminho para impedir que o outro avançasse mais. Com um chute certeiro unido ao poder do cosmo, essa pessoa fez Sylphid ser jogado com grande força contra a porta que se abriu com o impacto.
- Tyr?
- Em outra ocasião eu me irritaria com você por me chamar desse nome amaldiçoado... Sua memória voltou... Letha está de volta.
- Eu já sabia desse fato... tenho algo pra te mostrar... – o Sacerdote leva Agnar até a sala onde deveriam estar a armadura e o medalhão de Letha.
- Onde estão a armadura e o medalhão dela?
O Sacerdote olha pra cima apontando pro teto. Agnar acompanha com os olhos o lugar indicado pelo Sacerdote.
- Houve uma grande explosão, que foi ouvida por todos deste lugar. Chegaram a pensar que o Mundo Inferior estava sendo destruído. Quando eu vim aqui, foi isso que eu vi... O medalhão e a armadura querem voltar pra sua dona...
- Mas por que ela se nega a recebê-los de volta?
- Eu esperava que você soubesse...
- Ela está muito diferente, Sacerdote... você sabe que nada no mundo seria capaz de impedir que ela me fizesse mal. O ódio que ela sente por mim é tão grande que apenas Hades poderia impedí-la de me matar... no entanto, ela hesitou...
- Isso não é verdade... Ela sempre teve esse senso de fidelidade a Hades, e você como traidor de seu senhor, tinha que ser extirpado deste mundo... você sabe que ela é incapaz de sentir raiva ou qualquer outro sentimento...
- Sacerdote, eu acho que os deuses tomaram uma péssima decisão ao obrigá-la a viver nos dois mundos... Ela aprendeu muitas coisas no tempo em que esteve ausente do Mundo Inferior...
- O que aconteceu pra você afirmar isso?
- Pra começar ela mantêm o cabelo na mesma cor que ela deixou de usar quando se apossou do medalhão e colocou aquela temível máscara... E ela agora é capaz de usar cosmos como os cavaleiros de Athena.
- Você quer dizer que ela tem mais forças agora do que tinha antes?
Agnar apenas afirmou com a cabeça, e o Sacerdote sentiu seu corpo fraquejar um pouco. Os dois eram os únicos que sabiam o verdadeiro motivo pelo qual a fez tentar ser diferente. Mas daí a ela manter o cabelo na mesma cor ao qual abandonou há muitos anos, era incompreensível. O que poderia estar realmente se passando na mente do Anjo da Morte? O que eles poderiam esperar daquele momento em diante agora que ela não tinha nada a temer?
Santuário
Agnar depois de dois dias voltou ao lugar onde não pretendia colocar mais os pés. Não sabia onde Letha poderia estar, mas como tinha que levar Freiya de volta a Asgard, não teve outro jeito. Ele passava pela entra do Santuário com muita cautela, mas isso não impediu de se assustar com a presença repentina de Aioros que o esperava a um certo tempo:
- Que lugar é esse que você foi, e não podia levar Freiya?
- É melhor você parar de me fazer perguntas, Cavaleiro... Eu tenho que partir imediatamente.
Quando Agnar passou por trás de uma árvore, o galho que estava baixo cobriu a parte de cima de seu rosto. Aioros olhou com mais atenção para poder ter certeza do que estava pensando:
- O que você é de Syf?
- Se Letha escutar você se referindo assim dela, morrerá... Quanto à sua pergunta a resposta é simples.: somos inimigos mortais.
- Ela é a sua irmã, não é?
- Sim... Ela foi largada no rio Estige por Hades ao nascer. O Sacerdote a salvou e a criou. Ele que a treinou antes de se tornar o Sacerdote de Têmis.
- Você mencionou a lenda, e nela diz que nenhum mortal pode pronunciar seu verdadeiro nome. O que acontece se eu falar: Letha?
- Esse foi o nome que o Sacerdote deu a ela... Aioros, sugiro que esqueça tudo o que você pensa que sabe sobre o Anjo da Morte.
Agnar foi procurar Freiya para voltarem a Asgard. Aioros teve vontade de ir atrás dele para perguntar mais umas coisas, mas Phebe se pôs no seu caminho.
- Aioros, siga o conselho de Agnar... Se você continuar insistindo nesse assunto, algo muito ruim pode acontecer...
- O que você sabe sobre o Anjo da Morte, Phebe?
- O que eu sei, não posso revelar... Deixe tudo do jeito que está, Sagitário. Há coisas que devem permanecer ocultas...
- Eu queria saber porque ela me escolheu dentre tantas almas pra salvar.
- Acredita mesmo que está salvo de... – Em uma fração de segundos o corpo de Aioros desapareceu.
Uma gargalhada insana e macabra surge no ar. A noite pareceu se tornar mais sombria no momento em que o Anjo da Morte apareceu. Phebe estava completamente embasbacada com o que aconteceu com a pessoa que ela mais amou na vida.
- Porque você fez isso? Ele não fez nada contra você.
Continua...
"Letha: em grego, significa: esquecimento, ou cair em esquecimento. É um nome apropriado para um ser ao qual caiu em esquecimento por muitos milênios. Não acham?
"Leyna: em alemão antigo significa: pequeno anjo.
Agradeço a Perséfone por ter betado esse capítulo, e também agradeço a todos que estão acompanhando esse Fanfic.
Beijos e até o próximo capítulo.
