Luar

Branca areia; noite alva
Mar límpido; beleza sem ressalva
Vejo uma figura estendida a descansar
Mui singela, vestida de luar
Puro céu, pela lamparina noturna iluminado
Cheia de perfeição, cumpre a todo o agrado
A satisfação de a esta figura banhar
Candidamente, com a vestimenta do luar
Figura serena; aparenta estar dormindo
Sua pele branca do luar vai se servindo
Parece que dentro de si tem uma luz a emanar
Serenamente, por todo seu corpo, abundante luar
Rosto jovem; mui afável
De beleza admirável
Cílios negros tem a contrastar
Com sua brancura pura de luar
Lábios lindos e claros
Doces, de um néctar mui caro
Assemelham-se a morangos, róseos ao clarear
Da brancura pura do luar
Cabelos anelados e escuros tem
Cuja macieza nenhuns outros têm
Reluzem e parecem se misturar
Com a luz alva do luar
Lindas mãos, aparentadas da rosa nívea
De cor marfínea
Que só vêm a se realçar
Com o brilho que lhe empresta o luar
Revestidas das pétalas mais suaves
De um formato tão belo que nem do sol as claves
Podem a elas se comparar
Mais belas são que o brilho do luar
Pele linda que a esta magnífica figura reveste
E se confunde com suas belas vestes
Etéreas e vaporosas, que por sua vez vêm a se combinar
Com a linda emanação do luar
De repente do seu sono se levanta
E não se espanta
De ver, no céu, magnífica a brilhar
Ithil e seu incomum luar
A figura e Ithil pareciam combinados
Um ao outro pareciam ligados
E da figura finalmente vejo o olhar
Onde se espelha o luar
Olhos lindos; lindas pedras preciosas
Cravejadas em tal rosto, cuja maciez é a da rosa
Parecem, de tão belos, a enfeitiçar
A magnífica manifestação do luar
Em seu rosto, apesar da física juventude
Vê-se que tem da sabedoria a magnitude
E não é tão jovem quanto se poderia esperar
Como engana a luz do luar!
Quantas coisas esta figura já viu
A tantas coisas ruins este belo rosto se opôs; a tanta coisa vil!
Já chegou mesmo a achar
Que nunca mais veria a luz do luar
Mas a todas as intempéries sobreviveu
E por causa disso, tudo vale um sorriso seu!
Ainda mais se este sorriso vier a acompanhar
A bela Ithil e seu luar!
Repentinamente, a figura vira-se para mim
Fita-me com sua beleza sem fim
Em toda sua brancura etérea parece quase flutuar
Parece que seu corpo é todo feito de luar
Sorri; e então tudo se ilumina
E esse seu gesto faz-me sentir que vivi até hoje só para ter esta doce sina;
A doce sina de poder contemplar
Tanta beleza; superior à do luar
Por um instante, para mim, é tudo felicidade
E então a figura, com um gesto, arrebata-me da realidade
O maior dos afagos me faz só com o olhar
Que destila o luar
E então, a figura some; do nada desaparece
Rapidamente a magnífica figura fenece
E agora, como no início, só há areia e mar
Pois a figura foi-se, e levou consigo o luar.