Revele seu verdadeiro rosto Phebe Stoneheart – Parte 2
No salão do Grande Mestre
O Grande Mestre estava andando de um lado pra outro, esperando impaciente notícias sobre o Aioros ou Letha. Eis que surgem dois guardas.
- Grande Mestre, eu acabei de vir da cabana de Shaka. Os ferimentos de Ikki foram superficiais.
- Como o senhor ordenou, seguí Aioros. Ele levou o Anjo da Morte desacordada para a gruta aonde Syf ficava.
- Esqueça o nome do Anjo da Morte, soldado. Ela demonstrou não se agradar quando a chamam de Syf... Agora voltem aos seus postos.
Os dois engoliram em seco. Se o próprio Mestre do Santuário estava preocupado com a situação, era porque a coisa era séria mesmo. Viram o Mestre fazer um gesto impaciente, e saíram correndo de lá, e nem lembraram de fechar a porta, pois naquele momento, eles tinham mais medo era do Grande Mestre ou de Phebe, do que propriamente do Anjo da Morte.
Phebe estava até então em um canto do salão, de costas para o grande mestre. Já tinha se recuperado dos ferimentos externos causados pelo Anjo da Morte. Mas algumas feridas insistiam em manter-se abertas, feridas as quais só o tempo podia curar. Será que Phebe teria esse tempo, ou será que nem a sua eternidade imortal poderia reparar esse dano mental? Um soluço passou-se percebido pelo homem que estava no salão. Este se aproxima, e Phebe despeja a amargura tentando assim amenizar o que estava sentindo em seu coração para aquele que um dia foi seu pior inimigo:
- Eu pensei que na hora em que Aioros apareceu para impedir minha aniquilação, ele fazia isso porque ainda me amava... mas na verdade não era por isso. Tudo o que ele fez foi apenas porque usou seu senso de justiça. Ele ama o Anjo da Morte...
- Phebe... – Saga retira a sua máscara, revelando seus olhos azuis como seu cabelo, que demonstravam um certo pesar pelo sofrimento dela.
Phebe tentava esconder seu rosto enquanto chorava mais e mais. Saga dá um abraço e passa as mãos nas suas costas tentando consolá-la. Aos poucos Phebe foi se acalmando, mas mesmo assim continuava chorando e soluçando. Saga faz a cabeça dela encostar-se a seu peito, enquanto afagava seus cabelos. Subitamente Phebe para de chorar ao sentir que o coração de Saga estava acelerado. Ela se desvencilha do abraço de Saga e sai correndo do salão. Saga ficou sem reação por alguns minutos, mas logo após saiu correndo atrás dela do jeito que estava mesmo.
Cabana de Milo
A porta da cabana é arrombada por um chute potente. Milo que estava deitado em sua cama pensando nos acontecimentos, levantou imediatamente e correu pra sala, que era bem próximo a cozinha. Era uma cabana bem simples, porem confortável. Quando ele viu quem era o autor dessa invasão, relaxou os músculos que estavam tensos com a possibilidade de quem poderia ser.
- Você quebrou a minha porta, agora vai ter que consertar... Vê se pode, eu não vou levar a culpa de ser irresponsável por algo que eu não fiz.
June nem respondeu ao comentário do cavaleiro de escorpião. Seu olhar era indecifrável e muito frio. Sem nem porquê, atacou com seu chicote, mas Milo conseguiu se esquivar, e o chicote ficou preso no faqueiro em cima da pia.
- Que isso, garota? Enlouqueceu de vez? Como você vem aqui detonando tudo e me ataca sem dizer nada?
June lançou um olhar assassino pra ele. Quando ela puxou com força o chicote para atacar novamente, a faca veio junto e acertou Milo pelas costas. Milo gritou de dor, e retirou a faca das costas. Ela estava cheia de sangue, e ele caiu no chão.
June ao ver aquela cena, mudou a expressão de seu rosto. Chegou próximo a ele que dizia:
- Veio ver de perto eu morrer agonizando no chão como um cachorro velho e sarnento? Já não basta o que você fez não? – June continua em silencio. – Você é a pessoa mais ingrata que já conheci em toda a minha vida.
- Do que você está falando?
- Você nunca se perguntou como e nem o porquê de estar a salvo em um lugar longe de Afrodite?
- Como assim???... Tudo o que me lembro é de ver você atacando meu mestre Albiori, e eu ficando na frente pra impedir que você o matasse. A ultima visão que eu tive foi dele morrendo por suas mãos, e depois acordei longe dali sem um ferimento sequer...
- Eu recebi ordens do Grande Mestre para matar todos os traidores de Athena, mas eu percebi que eu não era o único na ilha que tinha recebido essa ordem... quando Afrodite cumpriu com sua missão eu te levei pra um lugar e te curei com meu cosmo... e agora eu morro pelas mãos da única pessoa que me fez ver que existe mais coisas neste mundo do que cumprir uma ordem sem sentido... isso não importa mais, eu agora posso morrer em paz...
- Não. Eu não vou deixar você morrer... vou chamar alguém pra cuidar de você...
- Não quero ficar aqui sozinho, por favor... não me deixe morrer sem poder olhar pra você mais uma vez...
- Tudo bem. Não deixarei você sozinho... eu vou cuidar do seu ferimento...
- Não. Agora é tarde demais... Para eu morrer em paz... – dá uma tossida e um leve fechar de olhos e continua com a voz mais fraca ainda – ... me diga agora por que você não quer que eu morra...
- Porque... porque... eu... eu gosto de você...
- Era isso o que eu queria escutar... – Milo diz isso com um grande sorriso no rosto, e a puxa para um intenso beijo. June fica sem reação por um certo tempo, mas logo começa a aceitar o beijo, se aprofundando nele.
Os dois ficaram ali por um bom tempo se beijando e acariciando as costas uns dos outros. Até que June se depara com algo que a trouxe de volta a realidade, o sangue de Milo. Ela se afasta bruscamente.
- Mas... mas você não estava morrendo? – Milo a olha com um olhar de quem não estava entendendo o que ela estava falando. Pensa um pouco e se lembra ao ver ela mostrando o sangue em suas mãos.
- Ah, você está falando desse ferimento nas minhas costas? Foi um ferimento superficial...
A expressão do rosto de June mudou bruscamente de um olhar confuso para um olhar indecifrável. Eis que ela dar-lhe uma bofetada ao qual fez o rosto do cavaleiro virar.
- Seu idiota. – foi tudo o que June conseguiu dizer a ele. Levantou-se rumando em direção ao banheiro onde procurava por algo. Eis que acha uma caixinha, ao qual pega, e aproximasse de Milo que a olhava atentamente. – Deite naquela cama, Escorpião.
Milo olhou pra ela abismado com aquele tom autoritário de voz da amazona. Quando ia protestar parou no meio do caminho ao ver que ela não estava brincando, Milo obedeceu a ordem e ficou lá deitado em silêncio. June cuida do ferimento de Milo em silêncio. Ao ver algo na beirada da cama, perto da parede , algo que parecia ser uma peça intima feminina, tira suas próprias conclusões. Milo era realmente um homem que gostava de seduzir todas as mulheres que ele via pela frente. Só de pensar nisso ela usa mais força contra ferida incomodando um pouco o cavaleiro que já relaxava com os toques delicados dela. Milo sentiu seus cabelos sendo puxados pra cima, e quando ele ia manifestar um gemido, June invade a boca de Milo com um beijo intenso. Milo achou bom e ruim ao mesmo tempo. Ela era delicada, mas também podia ser bem cruel as vezes. Quando os dois se afastaram pra respirar, a amazona disse um tanto cansada:
- Preste atenção, Cavaleiro de Escorpião, pois eu só vou dizer uma vez... Eu não quero saber de você recebendo visitas noturnas de nenhuma outra mulher. Entendeu bem?
- Não sei do que você está falando... A primeira mulher que entra aqui é você.
- É mesmo, Milo?!.. e isso aqui? – diz ela pegando a peça q ela viu na cama e rodando em um dos dedos – Por acaso você é o dono disso?
- O que? Está me estranhando é? – June olhou com olhos inquisidores e Milo só teve uma saída pra isso – Ta bom, eu confesso, isso foi de uma antiga namorada... mas já faz muito tempo e...
- Seria a mesma que eu vi você falando durante o jantar ontem?
- Quer dizer que você fica me observando o tempo todo é?! Eu gosto de um pouco de privacidade pra variar, sabia!?
Ela o faz deitar novamente para terminar logo com aquele bendito curativo. Mas o fazia de uma forma que Milo sentia mais dor ainda do que antes.
- Você quer cuidar de mim, ou me matar com essa tortura?
June o vira bruscamente assim que termina de fazer o curativo, e diz bem próximo aos lábios de Milo:
-Seria uma boa idéia te matar com uma tortura sem fim... bem que você merece isso... – diz isso segurando no maxilar de Milo – Mas pra sua sorte eu gosto de você.
Ela o beija com uma fome enorme por aqueles lábios. Algo que a consumia por dentro a tanto tempo finalmente pode ser satisfeito. E na mente de Milo se passou apenas um pensamento: "Pra minha sorte?? Imagina se não gostasse de mim".
Em outro lugar
Ao chegar na gruta Aioros a coloca sob a cama improvisada e acende uma tocha. Ele arranca a flecha do ombro de Letha e tenta usar seu cosmo para curá-la, mas o efeito parecia o contrario. Toda vez que usava seu cosmo, ela parecia ficar com os músculos contraídos, e as vezes tendo espasmos. Algo estava errado e ele não conseguia entender.
- É melhor você parar... Isso não pode me curar. Apenas quando eu bebo sangue que me curo.
Aioros lembrou do tempo em que esteve no Mundo Inferior, que ela estava ferida e logo depois de beber o conteúdo do cálice que o Sacerdote deu a ela, sua feriada se fechou. Prontamente retirou a sua armadura, e cortou seu pulso fazendo menção em dar-lhe seu sangue. Porém ela o deteve no meio do caminho de sua tentativa de tirar a sua mascara. Aioros ficou sem entender, mas teria que fechar o corte antes que perdesse muito sangue desnecessariamente.
- Não posso aceitar o seu sangue, Aioros... – levantando-se imediatamente, o que a fez perder o equilíbrio e foi de encontro ao corpo de Aioros que a segurou com firmeza – Por que você quer me ajudar?
- Tudo o que quero saber é o motivo de você ter me salvo do meio daquelas almas. – Aioros disse bem próximo a mascara de Letha.
- Não preciso de uma razão para fazer o que eu quero. Nem muito menos lhe devo explicações...
Aioros percebeu que ela havia deixado de falar da forma fria com a qual ele a conheceu. Ela parecia irritada. Em sua cabeça se passou muitas coisas, todas eram hipóteses sobre o motivo desse súbito mau humor. Mas não deveria ficar perdendo tempo com isso, teria que saber mais.
- Qual é o seu verdadeiro nome, e por que ele não pode ser mencionado por nenhum ser humano?
- Eu não faço idéia de qual seja o meu verdadeiro nome nem do porquê dele não poder ser mencionado. Tudo o que sei é que Afrodite sabe mas não pretende falar.
- E por que você não perguntou a Athena o seu verdadeiro nome? Ela é a deusa da sabedoria, deve saber de tudo.
- Saori é apenas a reencarnação de Athena, e não a própria deusa...
Se já estava confuso na cabeça do cavaleiro de Sagitário, agora tudo ficou mais ainda. O que o Anjo da Morte era realmente afinal de contas? Por que ela não poderia saber seu verdadeiro nome? E quem era o autor de ter feito isso com ela? Seria Hades? Esse poderia ser o mais provável, assim ele a mantinha como sua serva, para fazer tudo o que ele desejasse... Só agora Aioros se tocou que estivera o tempo todo conversando com ela apenas com sua mascara os separando.
- Consegue se lembra de algo que aconteceu quando você estava sem memória? – Letha não fez nenhum gesto, ou disse algo, e Aioros insistiu – Consegue se lembrar do dia que você estava tomando banho no lago?
- Sim... Você me rejeitou... e agora eu sei qual foi o motivo... a morta viva...
- Não vou negar que um dia eu amei muito Phebe... Mas o agora é que importa. Eu te rejeitei porque eu não sabia que Syf e o Anjo da Morte eram a mesma pessoa. – Aioros colocou a mão em sua mascara para retirá-la, mas Letha o impediu de prosseguir segurando sua mão.
- Essa mascara esconde algo repugnante...
– Não me importa o que possa ter acontecido com seu rosto. Eu te amo sem nunca ter visto ele, não será um problema estético que nos afastará.
Ela tapa os olhos dele com suas mãos enquanto Aioros retirava sua mascara. Ele procura os lábios dela para um longo beijo, o qual parecia que não terminaria nunca. Ambos entorpecidos pela paixão esquecem de tudo a sua volta. Letha retira sua mão dos olhos de Aioros que os mantinha fechados. Quando eles pararam pra respirar Aioros abre lentamente seus olhos, e deparando com uma par de olhos vermelho-vinho como os cabelos. Ele ficou olhando somente aqueles olhos a sua frente, hipnotizado pelo brilho que a tanto tempo desejava ver. Quando ele olha para o rosto de Letha, se afasta aterrorizado com a visão.
- Você... você...
Continua...
Nota da autora: Espero que todos tenham gostado desse capitulo. Eu sei que estou sendo terrível ao fazer vocês esperarem pra saber o que Aioros viu no rosto de Letha. Sim... ele ficou transtornado com o que viu. O que poderia ser?
Gente, quem não entendeu ou capitulo anterior, ou outros capítulos, me add no MSN, ou simplesmente mande um email especificando as duvidas. Tem personagens nesta fic que tem dois nomes (Syf Letha, Agnar Tyr, tem outros também ) a questão é que não posso adivinhar quais são as dúvidas. Se por acaso errei ao escrever algo, as vezes não vejo minha falha, e só posso contar com as pessoas que estão acompanhando a fic.
Obrigada pela compreensão de todos e até +.
Beijos e até o próximo capitulo.
