Capitulo IX – Revelações – Parte 1
- Você... Você... – Aioros se afastava dela dando uns passos pra trás, completamente incrédulo e com seus olhos arregalados. Letha apenas o olhava sem nenhuma expressão na face, esperando ele concluir o que estava preso em sua garganta – é a irmã gêmea dele... você é igual a ele.
- Eu nunca serei igual a ele... e o traidor não é nada meu.
Com essas palavras Letha empurra Aioros que cai ao chão sem reflexo de tão pasmo que estava com tal revelação. Letha era a irmã gêmea de Agnar. Ele a vê sair da gruta tão veloz que suas palavras não foram alcançadas pelos ouvidos dela. "Letha, volte. Não foi a minha intenção te ofender." Em sua ultima tentativa de alcançá-la ele se levanta e corre na velocidade da luz, mais ela havia se teletransportado. Ele desiste quando sente os primeiros pingos de chuva.
- Era por isso que ela sempre usava aquela máscara, pra não ser assimilada ao irmão... e o idiota aqui estragou tudo. – Com essas ultimas palavras ele soca uma rocha que logo se esfacela toda. O cavaleiro de sagitário deixa seu corpo cair em uma poça de lama. A chuva o ensopava, e a lama o sujava, suas lagrimas escorriam como a muito não escorriam em seu rosto. As únicas vezes que ele havia chorado foi quando seus pais morreram deixando Aioria tão novo a seus cuidados, e quando seus melhores amigos o traíram. A sua única chance de ser feliz com sua amada foi jogada fora. A felicidade escorreu por suas mãos como a chuva escorria por seu corpo.
Na cabana de Shaka
Shaka curou as feridas de Ikki com seu cosmo, mas mesmo assim, precisava de certos cuidados. Indicou uma cama para que ele repousasse até que se sentisse melhor.
- Eu ainda não consigo entender o motivo da minha armadura ter coberto o corpo daquele ser das trevas, e nem como ela conseguiu reagir ao meu ataque fantasma. Era pra alma dela ser destruída naquele momento.
- Ikki, sugiro que esqueça o que viu aqui, e parta o quanto antes.
- Um cavaleiro de ouro temeroso por causa de um simples ser das trevas? O Santuário de Athena está mesmo caindo aos pedaços depois de uma dessa.
- Ela não é um simples ser das trevas... Ela é vossa alteza das trevas, o Anjo da Morte, e por isso não tem alma para ser destruída...
- O que a torna diferente dos outros deuses?
- Como eu disse, ela não tem alma, mas tem uma grande força desconhecida até mesmo pra deusa Afrodite e Athena. Seu poder é obscuro, e imprevisível. Ela esteve aqui por vários meses, e mesmo assim só se revelou como uma inimiga a pouco tempo...
- Entendo... Mas e quanto a questão da minha armadura?
- Existe uma fabula que fala sobre um ser que aprisionou a Fênix que havia renascido das cinzas, e que esse ser escravizou a ave. Em uma lenda dizia que o ser dividiu a Fênix em dois, o lado bom contendo uma pequena parte de maldade, e a parte má contendo uma pequena parte de bondade...Nunca tive certeza que essas estórias teriam um fundo de verdade, mas diante do que vimos, é realmente capaz do Anjo da Morte ser o responsável por isso.
Ikki ficou um tanto pensativo sobre esse assunto. O que Shaka havia contado podia ser realmente possível. Mas o que mais o preocupava nesse momento era entender o motivo desse ser maligno estar a solta pelo santuário e o afastamento da sua deusa.
No templo de sagitário
Saga acaba de chegar sorrateiramente procurando por algo... Phebe. Não conseguia enxergar quase nada a sua frente devido a pouca luz do ambiente. Eis que escuta um soluço e segue em direção de onde imaginou ter escutado esse som com um pensamento na cabeça: "Sabia que eu a encontraria aqui."
- Gostaria de ficar sozinha, Grande Mestre...
- Phebe, eu não vim aqui como o Grande Mestre ou como o Cavaleiro de Gêmeos que você conheceu a muito tempo. Eu vim como Saga, um novo homem e seu amigo...
- Seja como for, eu não quero que você me veja assim, tão fraca e patética.
Saga chega perto dela e a ergue do chão passando a mão em seu rosto para enxugar as lagrimas que teimavam em cair. Era um toque tão caloroso, tão cheio de ternura que Phebe estava começando a ceder aos poucos.
- Phebe, chorar de vez em quando não é significado de fraqueza. Mostra que mesmo que se corpo pertença a deusa Afrodite, você ainda tem a sua humanidade... Eu queria poder fazer algo pra não te ver mais assim, triste por causa de Aioros. Eu não posso culpar ele por ter seus sentimentos mudados, porque uma vez eu também passei por algo parecido... Ela... – Saga que se interrompeu ao ver Phebe o fitando diretamente em seus olhos.
Phebe olhou diretamente pros olhos do homem a sua frente que falava em um tom tão triste. Ela sempre o via como um Cavaleiro poderoso, arrogante e sobretudo, sem um pingo de remorso quando praticava o mau. Mas este homem que estava a sua frente não era nada disso. Era um homem sensível, carinhoso e acima de tudo, charmoso. Ela não podia acreditar que ele sofrera alguma vez na sua vida por causa de seus sentimentos não correspondidos. Tudo o que ela tentava imaginar naquela hora é "Ela??!! Quem poderia ser essa mulher pela qual fez Saga sofrer calado?" A sua curiosidade foi tão grande que mais uma vez ela rompeu com a sua própria promessa, e leu a mente do homem a sua frente. Phebe arregalou os olhos e afastou um pouco dele. Para Saga ficou claro que ela havia usado seus poderes para ler a sua mente. Ele a segurou pelos braços e tomou coragem pra dizer tudo o que estava guardado a tantos anos sem ao menos poder compartilhar com alguém:
- Phebe, eu...
- Por que, Saga? Como você pode ter sentido isso e ter me tratado mal por tantos anos seguidos?
- Quando eu te conheci, no salão do Grande Mestre, eu senti uma forte atração por você. E cada vez que nos víamos no relatório semanal, eu sentia isso crescer dentro de mim. Foi a partir deste momento, que Ares encontrou uma brecha pra me confundir e tentar me dominar. Tudo o que ele queria era fazer Afrodite dominar seu corpo de uma vez por todas, e assim ele ficaria com ela para juntos conquistarem a terra. Eu comecei a afastar esse sentimento para não acontecer o pior, e também porque eu não queria que você fosse embora. E vi que só podia fazer isso se eu te insultasse o tempo todo para que me odiasse... O que eu não esperava era que você se apaixonasse por Aioros. E foi nesse momento que minha mente ficou fraca por causa do ciúme e do ódio. Com isso, deixei Ares assumir o controle sobre meu corpo para que tirasse Aioros do meu caminho, e eu poderia ficar com você só pra mim... mas os anos se passaram, e você abandonou o santuário depois de alguns anos após a morte dele... Foi Athena que me indicou uma saída para esse sofrimento... a morte. Agora estou de volta a vida, mas continuo sendo um homem incompleto, sem nenhum motivo pra viver...
- Saga...
- Depois de tudo que eu fiz até agora nessa nova vida que me foi concedida não foi o suficiente para te mostrar que realmente mudei. Não há mais nada que eu possa fazer pra mudar suas idéias sobre minha pessoa. – Saga posou suas mãos nos ombros de Phebe e beijou suavemente a sua testa. Em sua mente as imaginações de um beijo caloroso e apaixonado era desenhado com os mínimos detalhes. Seu rosto corou com esse pensamento. Afastando-se de Phebe, ele diz sem olhar pra trás – Espero que um dia você saiba reconhecer meus sentimentos.
Phebe não só percebeu o que ele pensou, como também corou com aquele beijo que parecia puro na ação, porem carregados de sentimentos impuros também.
- Phebe Stoneheart... O que está se passando por sua cabeça? – ela dizia a si mesma. Olhou na mesma direção que Saga pegou, e sentiu um grande aperto em seu coração.
- Eu diria a mesma coisa... A sua única chance de ser feliz, e você está desperdiçando com alguém que nunca irá poder ter os mesmos sentimentos de anos atrás.
- Kanon?! O que faz aqui?
- Senti que o cosmos de meu irmão estava triste, e resolvi subir pra ver se podia ajudá-lo, mas vejo que não sou a pessoa mais indicada pra isso... Phebe, Saga fez tudo isso porque te amava... E você também sente algo por ele.
- Como ousa? Você não sabe sobre o que...
- Negar a si mesmo é a pior mentira na qual você acreditaria. Mas se é isso que você quer, eu só posso lamentar pelos dois, e desejar que você reconheça isso a tempo...
Kanon dá meia volta e desce pra sua cabana com a face um tanto triste deixando Phebe pra trás pensativa. "Como ele pode saber o que eu sinto?... Espere, desde quando eu tenho esses sentimentos por Saga? Eu sempre o odiei... Mas como? Entendo, aconteceu gradativamente..." Sem pensar mais nada ela sai em disparada para o salão do grande mestre, mas para ao chegar na porta do salão pois havia sentido que ele estava parado do lado de fora contemplando as estrelas. Na palma de sua mão era criado um pequeno cosmo com a silhueta de mulher. Ela aproximasse ao perceber que aquela ali era ela esculpida em sua mão. A pequena figura se desfaz quando ele percebe sua presença.
- Muito linda essa escultura!!
- Você sempre dizia que o cosmos não servia somente para lutar e destruir... Mas não foi por isso que veio até aqui encima.
- Com o Anjo da Morte a solta o futuro se tornou incerto. Devemos...
- Não quero falar sobre esse ser, nem de duvidas sobre nosso futuro... - Saga chega bem próximo de seus lábios e acaricia com seu polegar, e fala bem baixo e sedutor – ...prefiro pensar no presente.
Phebe corou com esse toque quente e cheio de ternura. Mas na mente de ambos se passaram coisas alem de apenas isso. Sem perda de tempo, os dois se abraçam e beijam profundamente. Saga começa a passar suas mãos em suas costas e descia lentamente como se desenhasse as curvas de sua amada. Phebe soltou um pequeno gemido quando ele morde de leve o lóbulo de sua orelha. Phebe estava tão aérea que nem percebeu que aos poucos suas roupas eram retiradas. Saga procurou seus lábios dando leves mordidas o que fez o tesão de ambos aumentar significativamente. Ele a ergue em seus braços sob um leve protesto de Phebe que não desmanchou o beijo. E assim Saga a conduziu até o salão da piscina, deixando a sua manta encharcada d'água. Phebe o ajuda a retirá-la . Assim que conseguem, se abraçam, e se beijam ardentemente. Qualquer deus podia vir para destruir o santuário, que eles jamais sairiam dali. Agora e para sempre, eles se tornariam um só ser de puro desejo.
Um mês depois
Kanon estava fazendo uma caminhada pelo santuário até chegar perto de um bosque. Ele parou diante de uma rocha um tanto pensativo. Ele sentiu uma imensa vontade de olhar pro lado esquerdo. Havia os restos de uma cabana que fora consumida pelas chamas a muitos anos atrás. E lá ele pode avistar uma mulher andando por entre o alicerce da velha cabana. Fez menção em ir até lá pra descobrir a identidade dela, porem algo o deteve. Um chute certeiro em seu abdômen que fora desferido por um rapaz que gritava o impediu.
- Maldito assassino, vai pagar por ter matado meu pai. Não permitirei que você faça mais vitimas.
Kanon queria perguntar o motivo de tudo isso, mas o rapaz não dava uma folga sequer, atacava e contra-atacava quando Kanon fazia o mesmo. O cavaleiro de gêmeos tentava conter-se em seus golpes, pois não queria ferir aquele rapaz, mas sempre que tentava isso o outro desviava facilmente. Isso fez Kanon ver a crer que ele poderia ser um inimigo, e o acerta sem um pingo de rancor. Não deixaria que ninguém invadisse assim para tentar matar a ele e seus companheiros. O golpe faz o rapaz acertar com a cabeça em uma rocha e perder a consciência. Quando ele se aproxima pra tentar identificar a pessoa
- Não mate ele também. Ele é tudo que tenho na vida.
Kanon ao ver a autora dessa frase, fica atônito. Ela não poderia estar ali na frente dele depois de tantos anos. Era uma mulher de longos cabelos prateados como a lua, olhos azuis marinho muito expressivos, rosto delicado e corpo magro. Tirando a questão dela parecer mais madura agora, estava igual ao tempo em que a tinha visto pela ultima vez... A única reação que teve foi observar a atenção que ela dava ao rapaz. Com uma voz carregada de poucos sentimentos, ele pega o rapaz e coloca-o nas suas costas e começa a caminhar enquanto dizia:
- Eu não acertei para matar. Não entendo o porque dessa raiva contra mim, mas nesse estado jamais saberei.
- O que você vai fazer?
- Vou levá-lo até minha casa pra você cuidar do ferimento dele. – andaram por todo o caminho até a cabana sem dizer nada. Ao chegar, Kanon o deixa encima da cama e aponta para uma porta – No banheiro tem um kit de primeiros socorros. Acho que será suficiente, afinal de contas ele não se feriu tanto assim.
- Você está morando aqui agora?
- Todos os cavaleiros estão morando nessas cabanas. Em parte foi nossa vontade, e de Athena também. – ele olha de lado pra ver como ela estava cuidando dele e pode perceber que o cuidado que ela tinha com aquele rapaz era até um pouco exagerado. Morrendo de ciúmes se vira pra ela dizendo com um certa raiva em sua voz - O tempo de namorar com um garoto já passou, não acha?
- Ele é meu filho.
- O quê???!!! Quantos anos ele deverá ter agora? Entre treze ou catorze anos...Você deveria ter tido ele com mais ou menos essa idade...E que história foi essa de eu ter matado o pai dele?
- Eu te odeio por tudo que você fez. Principalmente por ter matado o pai de meu filho. Você o julgou sem nem ao menos uma chance de se defender. Acha mesmo que pode ser Júri, Juiz e carrasco?
- Eu não...
- Ele era uma boa pessoa, sempre se preocupava comigo. Lembra-se do que você me disse naquele tempo? "Ele é um traidor, e eu tive que puni-lo". Eu nunca poderia imaginar que você fosse tão frio assim. Todo dia eu te implorava pra você soltá-lo, e sua resposta foi sempre não. Nem ao menos me deixou vê-lo. Queria que você se sensibilizasse com meu estado, e soltasse o pai do meu filho. Saga, te odeio do fundo de meu coração por ter deixado meu único amor morrer na prisão do Cabo Sunion.
- O quê???!! Esse rapaz é meu filho???!!!
- K- Kanon??!! Você está...
Ela a desmaia e o cavaleiro de gêmeos a segura pelo braço chamando seu nome, nessa hora o rapaz desperta e vê ela desacordada nos braços de Kanon.
- Mamãe não morra por favor!!.. – Ele olha para kanon cheio de ódio. – Não bastou você matar meu pai, e agora quer matar minha mãe que é uma pessoa doente. Você não tem nenhum escrúpulo, maldi...
Kanon não deixa o rapaz terminar a frase e sai em disparada com a mulher em seus braços, sendo seguido pelo rapaz. Na cabeça de Kanon passaram-se muitas coisas, mas a que martelava cada segundo era "Nysa, agüente firme. Eu não posso te perder novamente. Não agora". Porém ambos se deparam com Shura ao sair da cabana.
- Shura, eu quero que o Grande Mestre nos encontre o hospital do Santuário o mais rápido possível!!!
Shura ia perguntar algo, mas desistiu ao perceber que seria impossível ele escutar qualquer coisa.
No hospital
Kanon andava de um lado para outro, esperando ansiosamente uma noticia dela. Quanto ao rapaz, não entendia essa reação dele. Eis que bruscamente, Kanon se volta para ele e pergunta em um tom firme.
- Rapaz, qual a doença de sua mãe?
- E o te importa saber disso? Você é um hipócrita tentando disfarçar...
- Qual é a doença dela, responda logo!!!
- A mesma da mãe dela, um problema no coração, ela não pode sofrer fortes emoções. A duras penas ela conseguiu manter a gravidez, pois esse problema começou a se manifestar depois que meu pai foi preso. Com oito meses ela teve a mim e minha irmã. Mas...
Nesse momento o Grande Mestre chega acompanhado de Phebe e Shura, que estava preocupado com a aflição de Kanon naquele momento.
- Você!!!!! Sabia de tudo e não me contou nada.- Kanon deu um forte soco no rosto do Grande Mestre, que foi amparado por Phebe.
Continua...
