Passaram-se duas semanas desde o ocorrido, e ninguém conseguia uma única pista sobre o paradeiro de Alisha. No hospital, os médicos ainda aplicavam tranqüilizantes em Marin, pois esta sempre acordava agitada. June mal pregava os olhos a noite, sempre atentos a tudo. O dia estava calmo, e isso não levantou suspeitas quando um enfermeiro desconhecido levou Aletha, que já havia saído da incubadora, de seu quarto. June vai até a janela para ver se Milo havia voltado com alguma noticia. Eis que ela enxerga um suspeito escondido atrás de uma árvore. Ela sai correndo pelo corredor, a procura do enfermeiro, para dizer-lhe que voltasse com o bebê, pois algo estranho estava acontecendo. Este ao ver que estava sendo seguido pela amazona, fugiu com a criança entrando no primeiro elevador. Neste momento surgiram quatro guerreiros desconhecidos. Em seu pensamento se passou "Eles estão levando Aletha também. Nem que custe a minha vida, não vou deixar isso acontecer." June começou a lutar com os guerreiros. Um deles a pegou no braço girando-a, e jogando a amazona contra a parede que se quebrou toda. Marin que já estava meio acordada, e pretendia ver porque June havia saído correndo e gritando algo para o tal enfermeiro, começou a lutar também. Seus golpes estavam fracos e lento demais devido aos tranqüilizantes. June ao ver que sua amiga estava levando a maior surra, partiu pra cima dos guerreiros com tudo. Na hora que ela ia usar o máximo de seu cosmo, um dos guerreiros fez o mesmo. Com o impacto dos dois cosmos, June foi jogada longe, cheia de ferimentos pelo corpo. Quanto ao tal guerreiro que atacou, este jazia morto no chão, pois havia recebido toda a força do golpe. June esforçou-se para levantar, mas os outros guerreiros utilizaram seus cosmos contra June e Marin. Dessa vez elas perderam a consciência, e nem puderam ver os guerreiros levando o que estava morto junto com eles.
Milo e Aioria sentiram que algo estava acontecendo com suas amadas. Os dois voltam ao hospital acompanhados de Shura que estava preocupado com Shina. Ao chegar na ala onde Shina estava internada, puderam ver que havia acontecido uma batalha ali dentro. Marin estava perto do médico que cuidava dos ferimentos de June, que eram muitos. Milo chegou próximo a Marin perguntando o que havia acontecido.
- Não sei exatamente o que estava acontecendo naquela hora. Estava me sentindo tonta... Mesmo assim, tentei ajudar June a vencer aqueles guerreiros. Desde que ela despertou, tem dito algo, mas não dá pra escutar direito...
Aioria usa seu poder em June. Esta se recupera rapidamente, mas mesmo assim ainda precisaria de repouso. Milo passava a mão em seus cabelos e pretendia dizer algo, mas ela o interrompe antes mesmo dele começar a falar.
- Aletha, ela foi levada por alguns guerreiros... Eles estavam atrás das crianças o tempo todo...
Shura que havia ido ao quarto de Shina pra ver se ela estava bem, havia voltado a tempo de escutar essa parte da conversa. Ele e Aioria se entreolham esperando encontrar algo em seus olhos que pudesse explicar o que estava acontecendo, mas nenhum dos dois tinha uma única opinião sobre o assunto.
Salão do Grande Mestre
A noticia chegou logo ao santuário, e Mu chamou todos os cavaleiros para uma reunião, com exceção de Shura e Aioria que continuaram com suas buscas, pois agora teriam que procurar por mais uma criança.
- Por que Phebe não vai participar da reunião, Grande Mestre? Talvez ela pudesse ser útil neste momento...
- Porque os poderes dela têm estado descontrolados desde o último aparecimento do Anjo da Morte, Kamus... A deusa Afrodite tem se manifestado em seus sonhos...
- Isso poderá se tornar mais uma dor de cabeça pra todos nós...
- Milo, é melhor ter ela próximo a nós. Assim poderemos agir corretamente se por acaso ela se voltar contra o santuário. No entanto, essa não é a questão que eu quero levantar agora... Duas crianças foram raptadas por guerreiros desconhecidos.
- Você me mandou para investigar no local onde o bebê Shion foi encontrado, mas não encontrei nenhuma única pista.
- Em Asgard também não encontrei nada... Ninguém sabia sobre esse assunto. Nem mesmo Agnar...
- Sorento disse que se souber de qualquer coisa, ele entraria em contato com o santuário. Mesmo assim ele afirmou que colocou algumas pessoas que prestam serviços às empresas Solo a nossa disposição.
- O serviço de inteligência do santuário também foi acionado, assim como me pediu, Grande Mestre.
- Obrigado, Aldebaran... Kanon, acho que está na hora de você relatar a todos o que o Anjo da Morte lhe disse.
- As almas daqueles que foram revividos pelo sangue do Anjo da Morte pertencem a ela... para serem tomadas quando assim lhe aprouver.
- Acha que Letha teria mandado raptar as crianças como se fosse uma forma de pagamento? Recuso-me a aceitar isso...
- Aioros, então por que ela disse que não era para nenhum de nós interferir em uma possível batalha? Ela raptou as crianças para criar uma nova guerra!
- Eu não sei, Mascara da Morte, mas não creio que esse seja o verdadeiro motivo dela ter dito isso.
- Vamos acalmar os ânimos. Desse jeito não vamos chegar a lugar nenhum... Mascara da Morte pode ter razão em pensar assim, Aioros.
- Só há um jeito de descobrir se Letha está envolvida nisso... Irei ao Mundo Inferior.
- Isso está fora de questão. A deusa Afrodite disse que você deve se afastar do Anjo da Morte...
- Mas Afrodite não é uma deusa confiável.
- Se tratando desse assunto, prefiro confiar no que ela disse... O que me dá firmeza para afirmar isso foi o estado em que te encontramos, Aioros. Por pouco você não morreu. Foi a deusa Afrodite que te salvou, e mesmo assim, você ficou estranho por duas semanas. Não podemos correr esse risco, principalmente com essa crise que tem assolado os nossos companheiros.
- E o que pretende fazer, Grande Mestre? - Shaka perguntava pensativo.
- Providenciar a transferência de Shina para o hospital do santuário, e enviar Aldebaran, Afrodite, Máscara da Morte, Milo e Aioros para investigar pontos distantes. Tenho que saber primeiro onde os agentes das empresas Solo vão investigar para estabelecer outras cidades ao serviço de inteligência do santuário.
- Acho que devemos ficar de olho em June. - dizia Mu com um ar preocupado - Milo e ela se casaram, e se por acaso ela engravidar, não seremos pegos de surpresa... Não podemos permitir que esse mal que afeta a Aioria e Shura aconteça com mais alguém.
Quase dois meses já havia se passado desde que Aletha fora raptada também. Shina que já estava no hospital do santuário, começava a dar sinais de melhoras. Shura havia voltado ao santuário nesta hora, e foi fazer uma visita a ela. Recebeu a boa noticia feliz em saber que se tratava de uma questão de tempo para ver os olhos de sua amada abertos novamente. Sentou-se em uma cadeira próximo ao leito do quarto, e ficou lá, esperando. Como estava cansado, acabou pegando no sono ali mesmo. Tempos depois sente mãos delicadas tocando seu braço, e ele acorda um tanto assustado. Quando vê a quem pertenciam, sorriu feliz:
- Bem vinda de volta, meu amor!! Como se sente?
- Bem e com vontade de levantar um pouco. Acho que devo ter dormido demais.
- Você vai ficar em repouso até o medico te dar alta. E mesmo assim, quase não fará nada. Vai repousar o máximo possível até estar realmente bem.
- Não! Agora terei muitas coisas pra fazer. Cuidar da nossa filha e depois ajudar a encontrar a filha de Marin...
- Shina, precisamos conversar. - sentia-se mal com o que pretendia fazer, mas era o único jeito. - A nossa filha Aletha não está mais entre nós... ela não resistiu e morreu horas depois de nascer.
- Não!! Isso não é verdade! Eu escutei o choro dela, assim quando ela nasceu... Por que? Por que os deuses a tomaram de nós?
- Eu não sei, Shina... Eu não sei...
Ela chorou muito depois disso. Shura dava abraços e carinho para ver se acalmava sua amada, mas nada disso adiantava. Ela chorou tanto, que acabou pegando no sono nos braços de Shura. Assim que ele saiu do quarto, June e Milo vieram falar com ele:
- Shura, por que mentiu pra ela? Não acha que isso foi cruel demais?
- Não. Será melhor assim. Se ela achar que a nossa filha foi raptada, irá procurar o resto de sua vida por alguém que a gente nem tem certeza que está viva. Não quero que ela passe o mesmo que Marin e Aioria estão passando.
- E você? Acha que vai conseguir esconder a verdade pra sempre?
- É o que pretendo fazer, June. Se alguém tem que sofrer com seu desaparecimento, que seja eu.
Ele vai embora cabisbaixo. June e Milo tentaram entender seus sentimentos, mas estava difícil tomar a decisão certa. Foram se aconselhar com Aioros, que era um dos mais velhos cavaleiros, e talvez pudesse dar uma luz do que seria o certo a fazer. Aioros concordou com Shura, pois sabia, através de relatos de seu amigo, que Shina quando queria uma coisa, ia até o fim, não importando o que isso lhe custaria. Milo e June resolveram conversar com os outros sobre a decisão de Shura, e pedir a todos que não contassem a verdade a Shina. Quanto a Aioros, este sumiu da vista de todos.
Mundo Inferior
- Quero falar com vossa alteza.
- Só porque ela o trouxe de volta a vida, não significa que pode ir e vir quando bem entender. Seu castigo por tal ousadia será a morte.
- Mas não morrerei antes de falar com ela... É muito importante, e enfrentarei quem for preciso para isso.
- Você nem nenhum espectro podem falar com Vossa Alteza. Ela está a mais de dois anos reclusa em seus aposentos. Ninguém pode retirá-la de sua meditação.
- Isso não é verdade... Há um pouco mais de um mês atrás ela estava no Santuário, e passou boa parte desses anos lá.
- Mas que diabos de algazarra é esta? Quem é o responsável por isto?
- Sacerdote, deixe-me falar com o Anjo da Morte. Sei que ela voltou pra cá e eu precis...
- O quê? Ela não está com vocês? - perguntou o Sacerdote completamente nervoso, interrompendo Aioros.
- Então estávamos certos em desconfiar que durante todo este tempo ela não estava aqui.
- O Sacerdote nos enganou.
Os espectros aumentaram seus poderes e se preparavam pra atacar. Aioros fez seu cosmo chegar ao limite muito rápido enquanto dizia:
- Sacerdote, se prepare pra lutar... Não vamos ser derrotados sem dignidade.
- Sou um sacerdote. Não me é permitido lutar.
- Então se abrigue em um lugar seguro porque o negocio aqui vai pegar fogo.
Aioros atacou com chutes e socos a velocidade da luz, mas não era o suficiente para enfrentar aqueles cinco espectros. Foi agarrado por trás por um deles, enquanto Lune laçava seu pescoço com seu chicote. Aioros já estava se rendendo a morte, quando uma taça de metal cai ao chão, chamando a tenção de todos. Uma figura com uma longa capa negra e com capuz estava encima da abobada.
- Mais um invasor? Diga quem é maldito, pois vai receber o que merece...
O vulto pega a mascara e coloca no rosto. Todos perceberam de quem se tratava, e se ajoelharam imediatamente. O chicote de Lune deixou o pescoço de Aioros, e este pode se recuperar.
- Como ousa atacar meu fiel súdito, lacaio?
- Perdoe-nos, Vossa Alteza. Pensamos que o Sacerdote...
- Basta, verme. Que isso não se repita, ou toda a minha fúria cairá sobre todos vocês. Agora sumam.
Os espectros obedecem a ordem daquele ser, que aparentava uma grande tranqüilidade, mas que escondia o terror em meio dessa ameaça. Quando eles fecham a porta ela desce. Aioros se aproxima dela, demonstrando que pretendia abraçá-la, mas esta o repudiou, e foi se sentar no trono de Hades. Com isso Aioros percebeu o seu lugar, e se ajoelhou perante ela. O Sacerdote observou tudo com certos pensamentos: "O que aconteceu entre esses dois para este cavaleiro não temê-la? E quanto a ela, jamais deixaria chegar a tentar esse tipo de liberdade, pois já teria virado pó." O sacerdote continua observando os dois que estavam em silencio até que:
- Senhora, eu vim porque fatos estranhos têm acontecido perto do santuário, e penso que saiba o motivo... As filhas de Marin e Shina foram raptadas por guerreiros fortes e...
- E o que eu tenho haver com isso? - ela perguntou com uma voz de pouco interesse.
- Como foi você que trouxe aquelas crianças, Shion e Dohko, pensei que podia ter alguma ligação, já que os pais das crianças são Aioria e Shura.
- Duas crianças filhas de cavaleiros que foram revividos pelo poder do Anjo da Morte?! Duas meninas? Alteza, não sei porque, mas acho que deve...
- Silencio... Quanto a você, Cavaleiro, se era apenas isso, já pode partir.
- Ao menos me diga se Alisha e Aletha estão mortas ou não...
Letha ficou em silencio por alguns segundos, encarando Aioros. Volta seu olhar para o Sacerdote e ordena:
- Traga o livro, Sacerdote. - o Sacerdote saiu, e alguns minutos depois, já estava com o livro dos mortos entregando a sua senhora que o abriu e procurou pelos nomes - Elas estão vivas em algum lugar... Já te dei uma resposta, agora deve ir.
Ela se levanta dando as costas pra ele, e se preparava pra sair quando sente seu braço ser segurado pelas mãos de Aioros.
- Letha, espere... Desculpe-me. Eu não queria magoar a pessoa que mais amo e...
- Não sou uma pessoa, Sagitário. Agora parta imediatamente, não repetirei esta ordem. - ela olhou pra ele enquanto dizia isso.
- Nos veremos de novo?
- Sim, Aioros... Quando eu for buscar a alma de todos os cavaleiros. - ela se solta e sai da sala.
- O que ela disse, Sacerdote?
- É melhor você não saber... Agora vá embora. Você trouxe instabilidade para este reino com sua visita inconseqüente.
Assim que Aioros foi embora, o Sacerdote foi aos aposentos de Letha que estava olhando para sua armadura e medalhão. Ele aproximou-se dela:
- Chame Papillon... darei uma missão a ele, mas não quero que os outros espectros saibam.
- Pretende mandar investigar sobre o sumiço das crianças?
Ela não responde a essa pergunta. O Sacerdote faz o que ela mandou e logo depois já estava com Papillon em seus aposentos, sem levantar suspeitas entre os outros espectros.
- Vá para o Santuário de Athena, e vigie sem ser notado por ninguém.
- Está se preparando para outra batalha contra o Santuário?
- Os motivos de Vossa Alteza não lhe dizem respeito. Você veio aqui para receber ordens, e cumpri-las sem questionar. Agora vá. Lembre-se, vigie a distancia e nos comunique qualquer movimento suspeito.
O espectro fez uma reverencia respeitosa e saiu logo a seguir. O Sacerdote também pretendia fazer o mesmo, mas ela disse algo antes disso.
Ele saiu de seus aposentos estranhando suas palavras, mas mesmo assim, foi procurar os espectros, um a um para comparecem a tal reunião. O Sacerdote não tinha idéia sobre o que seria discutido nessa reunião, mas estava tendo um pressentimento ruim. Muito ruim.
Continua...
Notas finais:
Eita!! As coisas estão ficando cada vez mais complicadas.
Até o próximo capitulo, pessoal.
