Santuário
Aioros acaba de voltar ao santuário, e deparou logo com seu irmão que parecia preocupado com sua ausência. Aioros deu uma desculpa sem mencionar que havia ido ao Mundo Inferior, e se saiu de lá com essa mentira. Não era bem uma mentira, ele havia procurado Letha para saber se ela sabia de algo sobre o sumiço das crianças. Pelo menos ele teve certeza de que elas ainda estavam vivas. Ele havia tomado essa decisão depois que Shura havia dito a Shina que Aletha estava morta. Ao chegar na sua cabana, estranhou, tinha alguém lá:
- Pelo jeito você foi procurar o Anjo da Morte sem a aprovação do Grande Mestre.
- Phebe! Se veio com o intuído de reprovar a minha atitude, pode parar...
- Não, eu só quero saber se conseguiu alguma pista sobre as crianças.
- Então você também é a favor de que Letha sabe de algo? Acho que ela realmente sabe o que está acontecendo, mas não pretende dizer...
- Acha mesmo isso dela, Aioros? Não se leve pelas aparências. O Anjo da Morte pode não saber o que está acontecendo.
- Nunca esperaria isso de você, Phebe... Talvez os boatos sejam mesmo verdadeiros.
- Se está se referindo a mim e Saga, está completamente certo, e não escondemos essa verdade de ninguém. Bom eu vou indo... Aioros, lembre-se que não se deve julgar as pessoas sem antes ter certeza.
De volta ao Mundo Inferior
Os Espectros e o Sacerdote já estavam reunidos à mesa, apenas esperando por Vossa Alteza. Alguns já estavam impacientes com o atraso dela:
- Estamos aqui a horas, sem nem mesmo saber o motivo dessa reunião... Quem ela pensa que é para nos tirar de nossos afazeres só para esperá-la?
Neste momento, os Espectros que estavam do lado oposto da mesa, olharam assustados para trás de Rock de Golen. Eles estavam brancos como vela. O Espectro em questão, olhou pra trás receoso, e deu de cara com o Anjo da Morte, segurando a espada de Hades. Ele já pretendia pedir perdão, quando ela olha pro lado direito, como se estivesse vendo algo e diz:
- Essas almas aqui? – logo ela se teleportou para longe dali, deixando todos os espectros confusos.
Todos os fatos que se seguem, se passam uns 15 minutos antes do Anjo da Morte se teletransportar pra longe.
Chalé de Athena
Várias lanças seguem em direção de uma cadeira de rodas. Seu ocupante não sofreu ferimentos graves devido ao poder da deusa Athena, que também sofreu um ataque. Mas a deusa agora não era mais aquela garota mimada e totalmente dependente de seus cavaleiros. Com a força de seu cosmo, nenhuma lança a atingiu, e com sua sabedoria mostrou-se indiferente ao ataque de meros guerreiros. Acomodou Seiya que estava incapacitado, e fez desaparecer todas as lanças que deixava a cadeira de rodas suspensa.
-Viemos aqui fazer esse mortal pagar por todos seus crimes, assim como você também terá que fazer o mesmo, Athena. Você se rebelou contra os deuses, e agora eles exigem uma punição severa.
Sem virar-se para fitar aqueles dois guerreiros pergunta com suavidade e a calma de uma verdadeira deusa:
- Onde está minha irmã, guerreiro?
- Agora vejo o quão poderoso é o poder de uma deusa. Mesmo que esta seja uma deusa caída. Infelizmente não demonstrou a sabedoria dos tempos mitológicos ao permitir que seus cavaleiros levantassem a mão contra os deuses.
- Nossa deusa a aguarda em seu decadente santuário.
- Leve-me até ela. – Athena deu alguns passos na direção dos três guerreiros e estes ainda tentaram acertar Seiya com sues cosmos, porém nada aconteceu. A deusa criou uma barreira envolta da cadeira de rodas ao mesmo tempo em que falava com tranqüilidade – Vocês foram enviados apenas como mensageiros de minha irmã, guerreiros. Não há nada que vocês possam fazer contra Seiya enquanto eu zelar por sua segurança. Portanto, nos apressemos, pois não quero fazê-la esperar muito tempo.
Santuário
- Que droga!!! Já estou aqui há um dia inteiro, e não vi nada demais... O que fez ela acreditar que algo acontecerá no Santuário? E por que se preocupou a tal ponto de me enviar aqui sem que os outros Espectros soubessem?
- O que faz tão longe de seu buraco, rato do inferno?
- Quem são vocês?
- Devemos enviá-lo de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído.
E assim, o recém chegado o fez sem dar chance do espectro se defender, nem muito menos para que sua companheira impedisse.
- Orion, agiu precipitado novamente. Nossa deusa apreciaria saber o que um dos lacaios de Hades estava fazendo no santuário de Athena.
- Sabe tão bem quanto eu que ele jamais diria o que veio fazer aqui. Por outro lado, Ninfa, quis poupá-la do desprazer de ter a seus pés uma criatura tão desprezível quanto esta. Vamos esperar pelos outros na estatua de Athena.
- Ela disse para aguardarmos aqui.
- O santuário de Athena pode estar sem nenhum guardião, no entanto um servo de Hades esteve aqui. Poderá haver mais lá dentro.
- Você subestima o poder de nossa deusa. – a jovem de cabelos azuis escuros pensou um pouco e concluiu – Sabemos apenas que Athena venceu a batalha contra Hades, e que um dos Espectros estava aqui espionando. Você tem toda razão, Orion. É aconselhável que averigüemos o perímetro. Mas faremos isso às escondidas para não irritar nossa deusa.
Asgard
Agnar estava com seu filho e Hilda encima de um grande tapete de pele de urso, perto da lareira. Ele mostrava alguns brinquedinhos para seu filho.
- Olha só como Hoder é esperto. vai pro papai...
A criança engatinhava, fazendo alguns sons de bebê e chega bem próximo de uma bola colorida ao lado de seu pai. Agnar pega a criança no colo, olhando surpreso pra ele.
- Ele já está engatinhando?! Mas ele só tem quatro meses...
- Você tem estado tão distante ultimamente, que nem percebe as coisas a sua volta... Que barulho é esse??
Aquela terra era a benção para ele, sempre tão tranqüila. Mas essa tranqüilidade não durou muito. Sons de luta vindos do corredor podiam ser ouvidos. Parecia cada vez mais próxima. Agnar passou o menino para Hilda, e se preparou para a luta. Já ia atacando o invasor quando o reconheceu.
- Bud, o que está acontecendo?
- Não sei, senhora. Alguns guerreiros e soldados tomaram quase todo o castelo. Estamos cercados... Onde está minha esposa? Pensei que ela estivesse aqui com vocês.
Escutam o grito de Freya, vindo do jardim.
- Vai, Bud. Freya e a sua filha correm perigo. Eu cuido de Hilda...
Bud deixa sua vestimenta de metal cobrir seu corpo, e pula pela janela. Enfrenta alguns soldados que estavam importunando Freya.
- Procure um lugar seguro, e só saia de lá quando eu disser que pode...
No salão
Agnar enfrentou muitos soldados e guerreiros, mas sempre apareciam mais. Nem pode ver quando um guerreiro tomou seu filho dos braços de Hilda, que fazia de tudo para impedir. O guerreiro a empurrando contra a janela. Ela despenca até o chão, sem poder fazer nada pra impedir a colisão que foi fatal. Quando Agnar percebe o que estava acontecendo, já era tarde demais. Hilda jazia morta no chão coberto de neve. Ele lutou com toda fúria. Parecia um animal selvagem e sem controle.
No jardim
Muitos dos guerreiros seguraram Bud de uma forma que mesmo ele sendo um guerreiro deus, não pode se defender dos golpes. Freya que via tudo de seu esconderijo, não agüentou mais a pressão, e saiu de lá:
- Parem, por favor!! Não o machuquem mais... Eu dou o que vocês quiserem, mas por favor, parem com isso...
- Me dê a criança.
- Não! Tudo menos isso...
Os soldados tentam tirar a criança dos braços de Freya, e ela morde a mão de um deles. O que ficou com a mão ferida, pegou uma lança, e quando o outro conseguiu arrancar a criança, jogou a lança em seu peito com tanta força, que na hora que Bud se pos no trajeto, varou suas costas e entrou no ventre de Freya.
- Por que, Bud? Já me fez um grande favor ao se casar comigo, e agora deu a sua vida por mim...
- Esse era meu dever. Eu sou um guerreiro deus, e devo proteger você e Hilda nem que pra isso tenha que morrer...
Freya dá seu ultimo suspiro agradecendo ao bravo guerreiro deus. Ele retira a lança de seus corpos, e com muita dificuldade tenta levá-la para um banco do jardim. A deposita lá, e diz bem próximo ao seu ouvido.
- Custe o que custar encontrarei Agatha para que você possa descansar em paz... Cuidarei dela para você. Eu juro!
E sai de lá se arrastando. Seu sangue manchava toda a neve branca de vermelho. Seu corpo não agüentou por muito tempo, e ele cai a alguns metros de distancia do corpo de Hilda, com um único pensamento "Ela também não!! Por Odin, o que está acontecendo aqui?!"
Não muito longe dali
Letha caminhava pelas trilhas gélidas de Asgard. O clima havia ficado muito estranho de uma hora pra outra.
- Essa criança não tem utilidade pra gente... Abandone a sua própria sorte.
O homem que havia dado a ordem saiu de lá acompanhado dos outros guerreiros e soldados. O soldado que havia pego Hoder estava prestes a jogá-lo no abismo, todavia Letha chegou nesse exato momento. Ela apontou a espada pra ele.
- Dê-me a criança, e diga por que ela não tem utilidade para seu mestre, cão.
- Não te devo satisfação, maldita.
Letha usou o seu teletransporte para se aproximar dele e tomar a criança. Pondo a espada próxima do pescoço do guerreiro, dando-lhe um ultimato com este gesto.
- Até entendo que vocês queiram matar os cavaleiros que reencarnaram. Mas esta criança não é uma delas.
- É melhor que essa criança morra agora. Todos irão morrer mesmo durante a destruição dos mundos baixos...
- Então a guerra está para começar... Qual é a ligação das filhas dos cavaleiros revividos por mim tem com essa guerra? – Letha continuava com a espada entre eles, esperando qualquer movimento em falso.
- Você... você é o Anjo da Morte...
Em total desespero ele pulou no precipício. Letha pensou se devia ou não ir até ele, dar-lhe vida para que respondesse tudo, e depois lhe tirava a vida. Optou por procurar outra fonte de informação. Continuou com seu percurso difícil até chegar ao castelo, encontrando Agnar caído ao chão próximo de Hilda. Mais a frente o corpo pálido e sem sangue de Bud estava estirado na neve. Ela se aproxima de Agnar e tenta ver se ele ainda estava vivo. Estava fraco, mas estava vivo. Ela bateu em seu rosto até que ele despertou. Ao ver seu filho, ficou um pouco mais desperto, mas mesmo assim, triste.
- Tyr, eles estavam procurando por uma criança, mas esta aqui não era a que eles procuravam... de quem era a outra criança?
- Letha, por favor... de vida as duas... Hilda e Freya...
- Responda a minha pergunta!!
- Era de Freya...
- Quem era o pai?
- Bud...
- Você está mentindo... – ela retira sua máscara, e olha profundamente nos olhos do outro que tinha os olhos da mesma cor e continua – Tyr, quem era o pai daquela criança?
Agnar começa a se lembrar do que havia acontecido alguns meses atrás. Bud e Freya cochichando no jardim. Ela estava chorando e o guerreiro deus a abraçava dizendo que não era para ela se preocupar. No mês seguinte, Bud e Freya se casaram, e ela disse que estava grávida. No dia de seu casamento com Hilda, Freya veio lhe confessar algo que fez entender o verdadeiro motivo dela ter se casado com seu amigo, e assim, aparentemente esquecendo tão rapidamente de Mu.
Não sabia se devia contar algo que lhe foi confiado como segredo, mas diante da expressão de Letha, algo muito sério estava acontecendo.
- A criança é filha do cavaleiro Mu de Áries...
- Maldição... o Sacerdote estava certo em desconfiar que mais uma criança filha de um cavaleiro revivido desapareceria... o que ele sabe que não pode me dizer?
Agnar levantasse, pegando seu filho dos braços dela, que logo coloca a mascara em seu rosto. Letha corta seu pulso com a espada, e deixa o sangue jorrar encima de Bud. Começa a se sentir mais fraca, pega um pedaço de pano e estanca o sangue. Dá as costas para os três, saindo sem dizer mais nada, e nem prestando atenção no que Agnar gritava.
- Letha... dê vida a Hilda e Freya também, por favor... Elas são apenas vitimas desses malditos... Lethaaa!
Continua...
