Formosura
Tu
és, meu amado, a obra mais bela
Que
já foi feita.
Tua
formosura é tão singela
E
ao mesmo tempo tão sublime e perfeita.
Deus
fez os homens
E
os hobbits como rascunho
E
depois a ti, que é a obra-prima
Do
mais lindo cunho.
Para
que o mundo serviria
Se
tu não viesses a nascer?
Mais
belo que a estrela vespertina
E
do que do sol o resplandecer!
O
ocaso é belo ao extremo
Embriaga
a alma só de a ele se vislumbrar
Mais
aromático que o jasmim
Que
sem fim seu aroma místico exala a desabrochar,
Ainda
flor assim não surgiu.
Mas
o ocaso e o jasmim, pobres medíocres
São
perante tua magnitude
Que
mesmo ao tocar a velhice
Tem
a aparência intacta da juventude
A
visão de teu rosto entorpece e enleva mais
Do
que o magnífico ocaso
Que
perto da tua luz de matizes matinais
É
um simples fio de luz de lamparina , que surgiu e foi embora ao
acaso.
E
do jasmim nem se sente do aroma o esplendor
Quando
tu estás por perto
Pois
perto de ti, até se deduz que o aroma do jasmim, se ainda o
for
Nem
existe mais, decerto.
E
a seda, invejosa
Que
perto da tua pele tão macia, alva e rósea
Deixa
completamente de ser maravilhosa?
E
a rosa, que apesar de toda a beleza
Se
comparada à tua grandeza
Chega
até mesmo a ser horrorosa?
Frodo,
a fruta mais deliciosa
Mais
doce e maravilhosa
Da
calda mais saborosa
Que
provada nunca será.
Frodo,
dos olhos mais brilhantes
Mais
que a aurora boreal cintilantes
Que
enfeitiçam e prendem, com seus laços embriagantes
Que
com malícia pérfida nunca vão enxergar
Frodo,
do rosto cuja beleza é mais doce que o mel
Sempre
com ares de donzel
Esculpido
pelo mais preciso cinzel
Que
nunca por outro rosto superado será
Frodo,
de eterna formosura
Que
se embeleza ainda mais com a candura
De
sua moldura virgem, casta e pura
Que
nunca, jamais, se aviltará.
Frodo:
teu nome é o mais lindo
Lembra
um fruto que vai me servindo
Do
mais tenro farnel, que vai nutrindo
Minhas
quimeras, apenas com um sorriso ou um olhar
Frodo,
não és ariano
Tens
olhos e cabelos castanhos
Mas
com a pele mais alva que o luar que, estranho
Te
embeleza e faz com que da loirice dos cabelos tu não venhas a
precisar
Tu
devias ser, em tua meninice,
A
criança mais linda de todo o Condado
Embora
as pessoas assim talvez não o vissem
Como
que cegos, tua lindeza não teriam enxergado.
E
quando, aos 12 anos, quase caíste de tanta tristeza
Quase
não se importaram; e continuaram sem ver tua beleza
Quando
cresceste, te tornaste o mais magnífico mancebo
Não
apenas na aparência física, mas também na mente
E,
mesmo assim, não te percebiam como eu hoje te percebo
Tu
tinhas o coração puro e transparente
O
mais belo e probo tu eras em tua mocidade
Conseguias
transformar em fantasia a realidade
E
mesmo assim não te davam o valor que tu merecias
Tua
grandiosidade não enxergavam. Quem diria!
Cresceste
mais; de casa mudou
E
a maioria sem perceber teu brilho continuou
Foste
vivendo tua vida, e por poucos foste amado e reconhecido
Não
ligavas; vivias normalmente, sem sentir-se ressentido
Nem
te achavas com tal brilho, por causa da tua humildade
Não
te achavas lindo, nem incomum, nem fora da normalidade
Mas
tu o eras, embora essa visão rejeitasse
E
teu esplendor continuava, embora tua forma física crescesse e
mudasse
Atingiste
a maturidade
E
com ela veio uma grande responsabilidade
Que
era grande demais para qualquer um
Mas
teu grande valor tu mostrarias
Ao
carregá-la como outro nenhum
E
então tu, que não te achavas ser alguém fora do
normal
Mostraste
a todos e a ti mesmo que eras sobrenatural
Descobriste
quem eras na realidade
Mas
sem sentir orgulho e sem perder a simplicidade.
Não
te vangloriavas e não te achavas aos outros superior
E
mesmo assim, dos outros não recebeste muito valor
Enquanto
teus amigos, que te ajudaram em tua empreitada
Foram
muito aplaudidos, a ti não ligaram quase nada
A
eles perguntavam, indagavam, respeitavam, admiravam...
Mas
a ti quase que ignoravam
Quase
ninguém vinha curioso, saber do que passaste
E
era raro alguém que te admirasse
Enfim,
foste embora. Poucos sentiram tua falta
Aos
Portos foste; só com ida, sem volta
Em
53 anos, nenhuma mulher por ti se interessou
Nenhuma,
humana ou hobbit, por ti se apaixonou
E
nem tu te interessaste por alguma.
Como
é que nenhuma te amou, sendo tu portador de tanta lindura?
E
tendo um caráter tão excepcional?
Não
percebiam tua sublimidade virginal?
Enfim,
foste embora e quase ninguém notou
Assim,
tua vida no Condado se acabou.
Foste
viver no paraíso perfeito
Sozinho,
doente, triste, cansado e sem jeito.
Tua
vida lá ninguém soube, só quem lá residia
Não
se soube se tu te curaste, se muito viveste ou se logo morrerias
Foste
o principal causador da salvação da terra onde os
hobbits viviam
Ingratos
foram! Isto mal reconheceriam.
Nasceste;
ninguém reparou
Cresceste;
ninguém percebeu
Viveste;
ninguém notou
Sofreste;
ninguém se condoeu
Brilhaste;
ninguém se ofuscou
Salvaste;
ninguém agradeceu
Perdoaste;ninguém
se desculpou
Partiste;
ninguém disse "adeus".
Poucos
amigos verdadeiros tiveste
Mas
estes te valeram mais que mithrill
Por
mais que a maioria não te percebesse
Esses
teus amigos preencheram teu vazio.
Porém,
no fim, tiveste que deixá-los
Eles
tiveram a si mesmos; tu, só a si
E
depois de tanto sofrimento, solidão
Encontraste
teu reconhecimento tão merecido em mim
Eu
te amo, te adoro com infinita paixão
Para
mim és o donzel alvo dos lábios de carmim
Que
sempre viverá em meu coração.
Nascente;
eu vislumbrei
Cresceste;
eu senti
Viveste;
eu reparei
Sofreste;
te conheci
Brilhaste;
te venerei
Salvaste;
me condoí
Perdoaste;
me apaixonei
Partiste;
então sofri
Te
acolhi em meus braços
Teu
rosto afaguei
Tua
pele pálida, enquanto sofrias em delírios crassos
Com
castidade e ternura beijei
Tua
virgindade e teu crisol santo
Pasmada,
admirei
E
quando partiste, levando da Terra-Média a formosura
Eu
fui junto, pois minha vontade ninguém segura
Intermináveis
odes a ti escrevo
E
da tua imagem esplêndida me embeveço
Em
tua pura formosura
Está
de todos os males a cura
E
por meio das minhas palavras de ardor
Recebeste,
finalmente, o teu valor.
Ó
magnífico dentre os mortais, cuja aura é tão
pura
Que
nenhum outro pode superar tua formosura!
