Mundo Inferior
Letha andava pelos corredores de Giudeca, tropeçando em seus próprios pés. Em uma cena dramática, ela empurra o portão da sala de guerra, chamando a atenção de todos.
- Minha senhora, onde estava? Ficamos esperando por seu retorno e...
Mesmo com aquela máscara, puderam perceber que ela enviou um olhar assassino para Lune. Ela se teleporta para cima da mesa, ficando em frente ao Sacerdote.
- ( A guerra teve inicio em um lugar inusitado... – falava com um pouco de dificuldade, mesmo assim continua – Prepare os espectros para a guerra.)
- O que ela está dizendo, Sacerdote? E onde está Pappilon?
- Vocês não percebem? Ela mal tem forças pra falar. Podemos acabar com ela agora e trazer Nosso Senhor Hades de volta...
- ( Um motim?) - ela empunha a espada com dois movimentos rápidos e graciosos. As cabeças de Golen que havia dito isso, e Spyld rolaram pela mesa. Ela aponta a espada para Radamantyns. – Sei que conspira contra mim. Espero que a morte de seus comparsas sirva de lição para não cometer o mesmo erro futuramente.
Letha empunha a espada no alto, e todos engoliram em seco. Nenhum deles queria suas vidas tomadas pelo Anjo da Morte. O Sacerdote percebendo o que estava acontecendo com Letha, fala alto e claro:
- Não escutaram, seus idiotas? Sumam daqui, e se preparem pra guerra...
Com essas palavras, os Espectros restantes levantam imediatamente, e saíram atropelando uns aos outros. Quando a porta se fecha com violência, Letha cai de joelhos se apoiando na espada.
- Chamo Pappilon de volta?
- ( Ele já voltou ao seu devido lugar...)
Sem forças pra manter seu corpo de pé, ela cai sobre a mesa. O Sacerdote a coloca em seus braços, e leva para seus aposentos. Ele retira sua túnica, a deixando apenas com suas roupas de baixo, logo depois retira sua mascara. Ele pode ver muitos ferimentos pelo corpo, mas dois em especial intrigava muito. Um no ombro que estava enfaixado, e o do pulso, que parecia ser bem recente. O Sacerdote retira as faixas, e constata que realmente aqueles ferimentos eram de datas diferentes. Ele a coloca na banheira e começa a limpar as feridas, com um pensamento em mente: "Por que ela se recusou a beber sangue para se curar? E como é possível ter se machucado tanto assim?" O Sacerdote sabia de uma forma de saber de tudo o que havia acontecido, mas mesmo pra ele isso era perigoso. Teria que esperar ela recobrar a consciência, e esperar que ela estivesse disposta a falar sobre o assunto. Procurando por mais feridas, acabou encontrando alguns fragmentos de cristais. Agora mesmo que sua curiosidade ficou aguçada. Retirou sua mascara e quando estava prestes a tocar com os lábios em sua testa, sente as mãos segurando seu pescoço, querendo estrangulá-lo. Ele tentava dizer algo, só que não era ouvido. Letha ainda estava inconsciente. Súbito, ela diz algo:
- ( Morrerá, traidor...)
- Espere, Letha, sou eu... Ixion...
Imediatamente Letha o solta, olhando para todos os lados, como se estivesse procurando por algo.
- Sacerdote?! Onde está o traidor??
- Só estamos nós dois aqui, minha Senhora. Deve ter sido apenas uma alucinação por causa de seus ferimentos. – como não recebeu nenhuma resposta sobre o que realmente havia acontecido enquanto esteve no santuário, suspirou desanimado perguntando a seguir num tom preocupado - Letha, o que aconteceu com você?
- ( Aquele maldito cavaleiro de Athena... desde que ele me golpeou com aquele ataque fantasma, tenho visto essas imagens. Mas logo chegara sua vez de me pagar o que deve. )
O Sacerdote recoloca sua máscara, e sai dos aposentos de Letha. Volta algum tempo depois, trazendo um cálice. Ele entrega a Letha que bebe tudo com uma certa urgência.
- Só não achei aquela cobra que você chama de Anouk.
- ( Ao menos dessa vez, me trouxe algo de sabor razoável. Sempre que me traz sangue de animais tenho que utilizar o veneno de Anouk para deixar um pouco decente...)
- Sinto muito, mas você sabe que eu não posso caçar os humanos que vagam perto da entrada do Mundo Inferior. Peguei o sangue dos Espectros que matou...
- ( Pelo menos aqueles inúteis serviram pra alguma coisa.)
- Eles poderiam ser necessários para essa batalha. Agora temos apenas quatro Espectros.
Estava obvio que os dois alem de atrapalhar, também iriam fomentar intrigas entre os demais, e isso causaria a emancipação a mando Radamantyns. Foi necessário fazer isso para intimidar um possível confronto. Sabia disso porque os pegou tramando sua retirada permanente do trono de Hades. Mesmo que não conseguissem matá-la, poderiam pelo menos prendê-la. Também tinha uma vaga idéia de quem os ajudava nessas idéias. Mas Letha nem se daria ao trabalho de responder ao Sacerdote. Com isso ele entendeu que ela queria ficar só. Mas antes de sair, ainda chegou a falar pra ela.
- Passou todo esse tempo com ferimentos pelo corpo, e não me disse nada... Por que?
- Estava esperando que alguém tentasse tirar proveito da minha situação, e assim revelar os traidores. Aconteceu tudo como planejei. Agora temos um problema a menos.
- Os deuses já devem saber de seu retorno. E logo você terá que tomar a sua decisão.
- Enquanto a guerra não chegar ao Mundo Inferior, não irei interferir.
- Mas Letha, a lei diz que...
- Eu sei o que a lei diz, Ixion. – Letha se serviu mais uma vez, sorvendo o liquido sem pressa, prosseguindo a seguir com pouco interesse naquele dialogo - Não vou tomar nenhuma decisão. Que os deuses do Olimpo façam o que bem entendam, desde que os eles não me incomodem.
- Letha, está se arriscando muito. Hypnos pareceu muito preocupado com você quando ele veio a sua procura. Desde então ele não apareceu mais...
- ( E você está escondendo algo de mim. ) - ela diz isso para si mesma.
Santuário
Athena sobe a escadaria do santuário com os três guerreiros de Ártemis. Ao chegar no topo, encontra Saga com sua vestimenta de Grande Mestre, mas estava sem sua mascara, e ferido de leve no canto da boca. Estava ajoelhado perante a outra deusa. Próximo a ela estava Orion e a mulher que era conhecida apenas por Napéia.
- Até que enfim chegou, Athena. Esse é o momento da destruição deste mundo, pra possibilitar a recriação a nossa maneira. Voltará a ser como a muitas Eras atrás, quando os deuses caminhavam por essas terras. Começarei a destruição por este Santuário. E o primeiro a morrer será este Cavaleiro...
- Por favor, minha irmã, eu suplico misericórdia a meus cavaleiros. Tudo o que eles fizeram foi em meu nome... – Athena respirou profundamente e anunciou ajoelhando-se - Estou disposta a fazer qualquer coisa para que poupe a vida deles e das pessoas deste mundo.
- Por eles estaria disposta a dar sua vida mortal em troca da vida desses humanos arrogantes?
- Com um grande pesar, aceito... Como sinal de boa fé, entrego-lhe meu báculo, símbolo da minha soberania sobre o reino da Terra. – abaixou a cabeça em sinal de subserviência a outra deusa - Meus fiéis Cavaleiros não tem culpa de nada. Eles nasceram o único objetivo de me proteger. – ela corta seu próprio pulso – Minha ultima ordem dirigida aos cavaleiros de ouro, Saga, será de deixarem de ser cavaleiros de Athena e sejam fiéis a deusa Ártemis.
- Jamais a esqueceremos, Athena.
Assim que Saga beijou a mão de Athena ela falou bem baixo só para ele escutar:
- Proteja Seiya e os outros. Não permita que eles morram pelas mãos dos deuses. Nem que para realizar meu ultimo pedido tenham que matá-los. Já sofreram demais, e tenho certeza que Ártemis será impiedosa com Seiya e os outros.
Tempos depois, todos já estavam reunidos na arena, e Saga havia contado tudo o que tinha acontecido no templo principal.
- Isso é insano. Não podemos deixar Athena morrer.
- Concordo com Milo. Athena é e sempre será a nossa deusa. – Aioros nem cogitava trocar sua deusa por outra como se fosse uma roupa que precisasse trocar.
- Somos Cavaleiros de Ouro, e nosso dever é defendê-la... Vamos a guerra. – bradou Shura incentivando o animo de todos.
- Não!! – todos olharam para Shaka incrédulos – Fomos revividos pelo Anjo da Morte com outro objetivo.
- Detesto admitir, mas Shaka tem razão. Por algum motivo desconhecido, não podemos desobedecer o Anjo da Morte.
- Vamos fazer como Athena disse e ponto final. Foi seu ultimo desejo como nossa deusa. Devemos isso a ela. – Saga apenas diz isso e afasta-se de lá tão pensativo que nem percebeu que alguém o seguia.
- Os pensamentos de todos estavam muito conturbados, não dava pra ficar naquele lugar... – o cavaleiro de gêmeos nunca ouvira aquele tom de voz vindo de Phebe, e suas palavras seguintes pareciam que eram chorosas - O pensamento que mais me perturba é o seu.
- Pretendo fazer o que Athena me pediu. Custe o que custar.
- É isso que me preocupa, Saga. – não se agüentando, abraça Saga quase que em desespero - Queria poder te levar pro lugar mais longe daqui...
Saga nunca imaginou o quanto Phebe poderia parecer tão frágil até aquele momento. Era sempre tão segura de si, forte o suficiente para agüentar a vida de solidão que devia sentir ao longo desses séculos. Ela temia por ele, pelo resultado que teria aquela guerra que nem sabiam se aconteceria mesmo ou não. Utilizando um tom confiante e carinhoso pediu:
- Quero que me prometa uma coisa, Phebe... – Saga não se afastou, levou sua mão ao queixo dela, fazendo-a erguer o rosto - Leve Dohko e Shion pra longe do Santuário, e não olhe pra trás. Eles terão a chance de crescer e assumir o nosso lugar no futuro...
- Isso não é justo. Nem comigo nem com nenhum de vocês... Onde está o Anjo da Morte para reivindicar o direito sobre a alma de vocês?
Continua...
