Santuário

Seiya tinha conseguido enfrentar suas limitações físicas, e agora se empenhava com garra na sua missão: salvar Athena. Não só ele como Hyoga, Shiryu, Shun e Ikki passaram pelos cavaleiros de bronze que já atendiam a nova ordem do santuário: matar qualquer cavaleiro que queira impedir o sacrifício de Athena para salvar o mundo e seus cavaleiros de ouro. Conseguiram passar facilmente por Jabu e os outros. Infelizmente para eles, chegaram à presença da deusa Ártemis e seus guerreiros. E como o esperado após inúmeras batalhas sem descanso, não estavam em condições para lutar contra guerreiros tão fortes quanto aquele.

Quanto aos cavaleiros de ouro, alguns estavam na dúvida se deviam interferir no massacre que devia estar acontecendo no templo principal, ou se apenas se mantinham em seus cantos, obedecendo às ordens do Anjo da Morte. Os gritos de agonia eram levados pelo vento, e de onde os cavaleiros de ouro estavam, podiam escutar muito bem. Havia horas que esses gritos de desespero tinham começado, e parecia que nunca iriam cessar.

- Já chega. Eles são apenas garotos. Não deviam sofrer tanto assim. Passado ou não por cima da ordem de Letha eu irei interferir.

- Concordo com Aioros. Não devíamos ter deixado as coisas chegarem a este ponto.

Milo dizia já deixando sua armadura cobrir seu corpo. Seus outros companheiros imitaram, e seguiram rumo à escadaria mesmo sob o protesto de Marin e Shina. Não puderam fazer muita coisa pelos cavaleiros de bronze. Estavam muito feridos, em seus corpos restava apenas um pequeno sopro de vida. No meio da batalha, Orion atacou Máscara da Morte com tanta força, que seu corpo parecia estar virando pó. Afrodite achando que podia avançar enfrentou a deusa e teve o mesmo fim assim que a flecha da deusa caçadora atingiu seu corpo.

Mundo Inferior

O Sacerdote corria pelos corredores de Giudeca, e isso deixou os Espectros curiosos, tentando entender o motivo de tanta correria. Entrou nos aposentos do Anjo da Morte sem avisar. Lá estava ela, de frente para a espada de Hades e o livro que contém todos os destinos.

- Letha, algo está acontecendo no santuário de Athena.

- [ Dois cavaleiros que foram revividos por meu sangue retornaram ao Mundo Inferior, sem a minha permissão. E não foram apenas eles. A reencarnação Athena e seus cavaleiros de bronze.]

- O que pretende fazer? Você não sabe quantos deuses despertaram, e seu corpo ainda está muito fraco.

Santuário

Aioros soltou a sua flecha e Ártemis fez o mesmo. Porém nenhuma das duas chegou ao seu destino. Uma espada desviou o curso das duas flechas com um movimento circular. Todos olham surpresos para o autor desta ação.

- Letha, você veio nos ajudar!!

- Idiota! – Letha deu uma tapa no rosto de Aioros. Ninguém conseguia acreditar no que estavam vendo. – Eu devia ter te aprisionado quando você invadiu o Mundo Inferior... Agora não tenho outra escolha...

- E o que você queria que fizéssemos? Que ficássemos com os braços cruzados enquanto o nosso mundo fosse destruído?

Sem pestanejar, ela acerta o cavaleiro de touro que cai morto no chão. Todos estavam incrédulos. Ela fez o mesmo que havia feito com o cavaleiro de libra quando este pretendia atacá-la. Mas Aldebaran só tinha dito aquilo que todos tinham em mente. Quanto a Aioros, este já não sabia mais de que lado o Anjo da Morte estava.

- Quanto a vocês, deuses do Olimpo, retornem de onde vieram ou serão sobrepujados por meus punhos.

- Quem pensa que é para se intrometer entre uma batalha? – dizia Orion louco para dar um fim a intrusa.

- Ora, ora se não é aquele ser repugnante do País dos Mortos. – o recém-chegado era baixo, magro e seus cabelos loiros pareciam um emaranhado de ouro – Estava certo em desconfiar de Hypnos. Vocês dois sempre se deram muito bem...

- Hermes? Se você está aqui, isso quer dizer que os rumores são verdadeiros... – Apolo que tinha sido o responsável pela morte de Athena e Seiya falara sem poder acreditar em sua suposição – Hades teve coragem de trazer aquele ser que fora esquecido por todos há muitos milênios.

- Exatamente. Exijo como mensageiro dos deuses, que dê a sua decisão sobre o que fará com este mundo, Anjo da Morte.

- Você nem nenhum outro deus estão em condições de me fazer exigências. Não tomarei nenhuma decisão enquanto vocês não me disserem meu verdadeiro nome, e porque me encontro nesta situação.

- Isso nunca. Seu nome não deve ser ouvido por nenhum mortal, para que nenhum deles volte a ter crença em você. Todos os mortais daquela Era foram caçados e assassinados para que seu nome morresse junto com eles... – Hermes analisa um pouco e chega a uma conclusão – Se não vai tomar sua decisão, suponho que não pretende intervir na destruição deste mundo.

- A questão é que vocês estão interferindo em meus planos. Eu sou o único ser que tem o direito de reclamar a alma dos cavaleiros. No entanto dois deles me foram enviado sem meu consentimento. – parou de falar por alguns instantes observando a face dos deuses – Tenho algo a propor: eu, Anjo da Morte como regente do Mundo Inferior, liderarei os mortais contra vocês e toda a horda que trouxerem. Se eu ganhar, serei a regente deste mundo assim como sou a regente do reino de Hades.

- Você não disse o que nos dará em troca se perder...

- Não perderei, deusa da caça. E para a batalha ficar mais justa, não usarei o meu medalhão.

- Está tão arrogante quanto estes mortais. – a voz de Apolo demonstrava nojo – Saiba ser repugnante do inferno, que está em uma posição difícil. Hypnos não poderá te ajudar, e só conta com esses mortais imprestáveis, contra nós três.

- E toda a horda que trouxer. A batalha terá inicio ao cair da terceira noite. Aquele que não comparecer será taxado de covarde, e seu nome sujo por toda a eternidade.

- É o que veremos... – Hermes sorriu desdenhoso, prosseguindo com uma satisfação de glória antecipada – A propósito, Anjo da Morte, tudo o que você tem passado foi por causa de sua paixão por um mortal. O que dirá Hades quando souber que nos afrontou em nome dos mortais?

Os deuses do Olimpo e seus subalternos partem dali, deixando todos pensativos sobre o que acabaram de ouvir. Letha ficou em silencio por alguns segundos e quando estava prestes a sair dali, Aioros a segura pelo braço.

- O que exatamente está acontecendo aqui? Pelo visto você não tem credibilidade entre os deuses do Olimpo. – de repente, Aioros sentiu seu sangue subir a cabeça. Estava irritado com tudo, principalmente com uma certa idéia que lhe surgiu a cabeça –Tudo o que tem feito até agora era apenas para somar uma nova aquisição a seu comando? Seu Senhor tem conhecimento de sua ganância?

- Sugiro que a solte cavaleiro de sagitário, se não quiser morrer agora mesmo. – dizia o recém-chegado impedindo Letha de responder, isso se era realmente sua vontade.

- Espectros? – instintivamente, Aioros largou o braço de Letha e se punha em postura de combate.

- Quem ousa me desobedecer?

- O Sacerdote disse que não haveria nenhum ataque ao Mundo Inferior por enquanto, e que por isso a gente tinha a obrigação de intervir se fosse necessário. Não nos puna, Senhora. Estamos apenas seguindo ordens.

- Quer dizer que o Mundo Inferior também está sob ameaça dos deuses do Olimpo?

- Eles já atacaram Asgard, e agora o santuário. O próximo poderá ser o reino dos mares, ou o País dos Mortos. Essa batalha era inevitável, mas esperava que não fosse tão cedo. – deixando Aioros com suas dúvidas, virou-se para o cavaleiro de gêmeos. – Kanon, você deve ir ao reino dos mares para vestir pela ultima vez as escamas do dragão marinho, e informar Sorento para que fique atento a qualquer movimento suspeito dos deuses. Sobretudo em Julian Solo. Bud de Arcor foi revivido, mas ele deve velar pela segurança de Asgard.

- Uma coisa ainda não foi esclarecida. E quanto às duas crianças que foram raptadas? Tem alguma ligação com está batalha? – perguntou Aioria.

- Três. A filha de Mu também foi raptada, e resultou na morte de Freya. – Letha dá as costas a todos dizendo sem expressar sentimento algum – Desistam de procurar por elas. Quem as levou tem algo em mente que foge completamente das minhas deduções.

O Anjo da Morte parte junto com os espectros. Mu ainda estava atônito com a notícia. Freya estava esperando uma filha dele, e mandou uma carta dizendo que ia se casar com um guerreiro deus apenas para afastar qualquer tipo de contato com ele. Ela fez isso para esquecê-lo? Ela fez isso para que Mu não a procurasse? Isso não importava agora. Aquela pessoa que o fez sofrer por vários meses agora estava morta. Ele lembrou-se das sutis linhas escritas na carta, e como teve vontade de ir a Asgard para impedir o casamento dela. Agora ela estava morta e sua filha estava desaparecida do mesmo jeito que aconteceu com Shina e Marin. Mu não conteve um grito de raiva e frustração. Shaka foi o primeiro a oferecer suas condolências ao amigo. Shura e Aioria entendiam bem o que Mu estava sentindo em relação ao rapto de sua filha, mas nem conseguiam imaginar o quanto ele estaria sofrendo em relação à perda de Freya porque nenhum dos dois passou por isso.

Minutos depois, Templo de Sagitário

Aioros desejava ajudar Mu a superar a perda de duas pessoas que lhe era muito querida embora não conhecesse sua filha pessoalmente. Mas teria que ficar para depois. Agora teria que encontrar Letha antes que ela partisse do santuário. Lá estava ela e seus Espectros. O Anjo da Morte aparentava tranqüilidade, enquanto os Espectros preparavam-se para lutar contra o cavaleiro.

- Permitirei que se ausentem do Mundo Inferior por um dia inteiro, Espectros. Nem um minuto a mais.

Os Espectros olham pra ela ainda sem acreditar na ordem que receberam, e resolvem partir ao ver para onde a mão do Anjo da Morte seguia. Ela segurava o punho da espada de Hades.

- Precisamos conversar, Letha. – dizia Aioros assim que os Espectros já estavam a uma boa distancia. – Estamos precisando de todo o pessoal possível para enfrentar o desafio que fez aos deuses, e, no entanto, você não só matou Aldebaran como não o trouxe de volta a vida. Assim como Máscara da Morte e Afrodite. Por quê?

- Eu lhes dei a vida. Sou a única dona dela para dar e tirar no momento que achar melhor. Não posso admitir que minhas ordens sejam contestadas por quem quer que seja.

- O punisse de outra forma então. O que estou dizendo é que ele poderia ter sido muito útil nesta batalha.

- Agora até os deuses do Olimpo entenderam o recado. O mesmo não posso dizer de você. – Letha o encarou e Aioros não resistiu, aproximou-se tanto que podia escutar sua respiração. Sem se abalar, concluiu – Aldebaran estará melhor onde está.

- Se acredita mesmo nisso então porque não me mata também?

Letha empurra Aioros até a pilastra em ruínas, saca a espada encostando a lâmina no pescoço dele:

- Bem que você está merecendo isso. É o meu mais insubordinado lacaio. – ela aspira fortemente assim que algumas gotas de sangue escorregam pela lâmina – Seu sangue tem um cheiro tão doce. Ele me atrai. Faz sentir desejo em provar cada gota sem desperdiçar.

- Então prove. – Aioros estava tão perto que podia escutar cada ruído. A máscara parecia dificultar a respiração de Letha. Removeu-a de seu rosto sem nenhum obstáculo, deixando-a cair no chão.

Letha retira a espada do pescoço dele, e fica parada, apenas observando a gota de sangue escorrer pelo pescoço, como se estivesse hipnotizada. Sem reter mais seus desejos, ela lambe cada gota até chegar o ponto de origem dela, detendo-se ali. Cada segundo desejava sugar com mais força, mas o furo era tão ínfimo que teria que morder para ter mais daquele saboroso líquido viscoso. Afastou-se tentando não seguir com seus impulsos. Aioros fitava os olhos de Letha que continuavam fixos no local que acabara de abandonar. Ela era tão linda. Como um ser que matou um de seus companheiros a sangue frio podia ter uma expressão facial tão alheia aos infortúnios? Como ela podia parecer tão inocente com aquele rosto delicado e vivendo no inferno? Não agüentando mais reprimir o desejo de tomar aqueles lábios, beijou a com paixão. Sua mão livre agora segurava a nuca de Letha para aprofundar mais o beijo, enquanto que seu braço fazia o corpo dela encaixar-se com seu em um forte abraço. Todo seu ser agitava-se com a consumação de seu desejo. Girou o corpo trazendo Letha consigo, e prensando-a contra a pilastra. Sua mão agora percorria lentamente da nuca, passando pelo colo, e detendo-se em seu seio direito, massageando. Aioros gemeu em seus lábios ao sentir seu baixo ventre implorar para fazer ali mesmo o que uma mulher e um homem fazem entre quatro paredes. Abandonou os lábios dela dando leves beijos demorados pelo queixo. Ia descendo lentamente até chegar próximo de onde sua mão movimentava-se. Erguia-se ao poucos até alcançar o lóbulo da orelha, onde anunciava abertamente seu amor por ela em meio a leves mordidas naquela área. Com a voz entrecortada pela paixão que crescia a cada instante, Aioros pegou sua mão levando-a até seu peito:

- Sinta as batidas do meu coração. Ele bate rápido por você. É a prova viva do quanto te amo. – Aioros tocou no peito de Letha, e logo seus olhos arregalaram, e dando alguns passos para trás – Não sinto nem uma sequer batida do seu coração. Isso é impossível.

- Consegue entender agora a nossas diferenças, sagitário? – a pergunta de Letha mais parecia uma demonstração do que era óbvio do simplesmente uma pergunta. Era algo tão vazio, sem sentimentos.

- Espere! Senti uma fraca batida. Agora entendo. As batidas de seu coração é o oposto das batidas de Phebe. Ela precisa que seu sangue percorra seu corpo com uma rapidez anormal para poder cicatrizar suas feridas mais rápido. O seu metabolismo tem que ser lento, para poder trazer os mortos a vida sem arriscar perder muito sangue. Quando você bebe sangue, é como se fosse um remédio que cura qualquer ferida. Por esse motivo que meu cosmo não pôde te curar.

- Sugiro que aproveitem seus últimos dias de vida, cavaleiro de Athena. Dei a todos uma segunda chance. Se fizeram bom uso de minha benevolência ou não pouco me importa. Quando retornarem ao País dos Mortos, espero que não me incomodem com suas lamurias novamente.

Letha deu as costas a Aioros, pegando sua máscara e recolocando no rosto seguiu seu caminho, deixando para trás o cavaleiro de sagitário, sozinho com seus tormentos. Não muito longe dali, fica de frente com Phebe que parou de subir correndo a escadaria ao avistá-la. Com a mão no punho da espada de Hades, Letha a encara dizendo:

- Essa espada pode não te matar, morta-viva, mas a deixaria amaldiçoada. Procure não se esquecer disso quando chegar à hora. – continuou seu caminho quando Phebe deu-lhe passagem, e sem olhar para ela – Aproveitem o pouco tempo que lhes resta agora. Os mortais nunca estão satisfeitos com nada. Faça um festejo fúnebre com todas as honras. E aconselhe os cavaleiros a rezarem para o deus do País dos Mortos, pedindo clemência.

Letha seguiu seu caminho. Phebe a observou até perdê-la de vista, tendo a sensação que seu coração estava quase saindo pela boca. Mas tinha que se controlar, pois logo a frente estava uma pessoa completamente arrasada, precisando de seu ombro amigo.

Continua...


Olá, pessoal. Para alguns leitores que tiveram a dificuldade de acompanhar a historia até agora por causa do meu sumiço, e por esse motivo se perderam um pouco por causa dos inúmeros personagens, darei uma breve explicação. Letha não é o verdadeiro nome do Anjo da Morte, foi o nome dado pelo Sacerdote. Lady Syf foi o nome dado pela mãe dela quando ela saiu do País dos Mortos. O nome Agnar foi dato pela mãe dele (que também é a mãe de Letha, afinal, ambos são irmãos gêmeos) e Tyr foi o nome que Hades deu a ele (Agnar que deveria viver no Mundo Inferior).

Explicado essa parte, vamos entrar em outro assunto: Essa fic está chegando muito próximo do fim. Talvez o último capítulo saia junto com as outras fics que também estou pensando em terminar. To pensando em dar um tempo, tipo uma aposentadoria aos meus dedos hauhauhauhuhauhuah.

Obrigada a todos por ler essa historia, e a todos que comentaram.

Beijos e até o próximo capitulo.