Um grande festejo fúnebre foi realizado para que os mortos pelos deuses gêmeos do Olímpio descansassem em paz. O prazo estipulado pelo Anjo da Morte para a batalha definitiva era muito curto para seguir as antigas tradições gregas, no entanto procuraram homenagear aqueles que lutaram com bravura na medida do possível. Aioria estava sempre ao lado de Marin, assim como Shura e Shina, Saga e Phebe. Kanon e Nysa davam toda atenção a Ítalo. Aioros e Mu eram os únicos que pareciam não compartilhar da mesma vontade de estar junto aos outros. Mas esse pequeno isolamento foi logo percebido pelos demais, que logo trataram de entretê-los. Não só a tristeza por perder tantos companheiros, Athena e as três crianças estava abatendo a todos. A incerteza do que o futuro lhes reservava estava clara na expressão facial de todos.

- Proponho a todos os presentes, que ajudemos Aioria, Shura e Mu quando esta batalha terminar. Mesmo que os três não estejam aqui para cuidar de suas filhas se tombarem perante o inimigo, e mesmo que o Anjo da Morte tenha dito que deveríamos esquecer as crianças, não é justo que elas continuem nas mãos de estranhos.

- Tem razão, Milo. Letha disse que não tinha ideia de quem era o responsável pelos raptos, nem o motivo de levar três crianças fruto de amazonas e cavaleiros. Fico pensando se Ítalo estará seguro sendo meu filho.

- Sei me cuidar sozinho, pai.

- Eu sei Ítalo, mas não quero que sua mãe fique preocupada com você. Muitas coisas podem acontecer nesta batalha...

Todos sabiam o que Kanon queria dizer. Aquela poderia ser a ultima batalha para todos, e mesmo que sobrevivesse, ninguém fazia ideia o que o Anjo da Morte estaria reservando para eles. Phebe levantou-se chamando a atenção de todos:

- Eu treinarei Dohko e Shion, mas posso continuar as buscas pelas crianças desaparecidas.

- Espere, Phebe. Eles são a reencarnações dos cavaleiros mais antigos e poderosos, mas não passam de crianças também e que tiveram suas vidas ameaçadas por pessoas que também não sabemos o motivo nem suas identidades. Eles podem correr perigo se houver algum descuido.

- Já parou para pensar, Saga, que os mesmos que raptaram as filhas de nossos companheiros podem ser os mesmos que tentaram raptar Shion e Dohko? Como não posso morrer não terei que ter receio de nada.

- Até mesmo você não está totalmente livre do Anjo da Morte, Phebe. Deve tomar muito cuidado.

O rumo daquela conversa estava deixando todos mais inquietos ainda, então Aioros levantou-se pronto para ir pra sua casa, quando Aioria o chamou.

- Sei que é difícil para você escutar o que todos falam sobre o Anjo da Morte, Aioros, mas você deve encarar a realidade. Ela é uma serva de Hades. Deu-nos a vida sabendo que mais cedo ou mais tarde os deuses iriam interferir no destino do nosso mundo. – Aioria percebeu o semblante triste do irmão e tentou argumentar – Você e ela pertencem a mundos diferentes, meu irmão. Tudo o que deve ter em mente agora é lutar para que outras pessoas possam continuar vivendo neste mundo que Athena tanto amou e lutou para que continuassem em paz. Devemos dar seguimento com os desejos de nossa deusa mesmo que ela não esteja mais conosco.

- Sou seu irmão mais velho, mas tenho agido como um garoto. Não era para você ficar aqui tentando colocar juízo na minha cabeça quando na verdade o que você mais gostaria de fazer neste momento era procurar sua filha desaparecida. Me desculpe, Aioria. Tentarei focar minha atenção na minha obrigação como irmão e como defensor de Athena.

- Quando esta batalha terminar, nós dois iremos procurar por Alisha e as outras duas meninas. Mas hoje não é o dia pra falarmos sobre esse assunto. Devemos nos juntar aos outros e não deixar o Mu continuar a remoer coisas que não tem como mudar. Foi uma fatalidade o fim das princesas de Asgard, e como o Anjo da Morte não as reviveu, tudo o que nos resta é vingar suas mortes.

Se juntando aos outros, os dois irmão ajudam nos relatos do passado, quando ainda eram aprendizes. Isso fez com que todos esquecessem o perigo iminente. O próprio Mu ajudava em alguns relatos, quando ainda estava aprendendo a dominar a telecinese. Todos riram de do ao relembrar um certo incidente, quando Mu estava praticando e derrubou uma rocha encima da cabeça de Shaka que estava meditando próximo a área de treinamento. Alguns comentavam a cara que Shaka tinha feito ao correr atrás de Mu dizendo que iria mandar ele para o Sei San Sara, e o jovem aprendiz de Áries se escondendo atrás do grande mestre. Aioria foi logo se metendo e contando da vez que Milo havia acertado uma pedra em uma relíquia que estava sendo transportada para o templo principal. Todos se lembravam desse episodio. Milo tinha jogado a culpa na primeira pessoa que viu na frente. Claro que o Grande Mestre não acreditou que seu pupilo Mu havia feito isso, e Milo acabou tendo que pagar com exercícios dobrados. Shura também entrou na roda para relatar o caso em que Mascara da Morte quebrou os dedos quando tentou socar Mu porque ele havia contado ao Grande Mestre o que ele andava fazendo com alguns cachorros de rua. Shura é que teve que apartar para que nenhum dos dois se machucasse seriamente. Tempos bons foram aqueles. Todos recordavam os bons momentos que passaram na presença do Grande Mestre. Apenas uma pessoa se sentia desconfortável com aquele assunto. Sem que ninguém percebesse, ele já havia se recolhido ao que restou do templo principal sem perceber que havia alguém vinha logo atrás dele.

- Eu sabia que viria para cá. Mas deve deixar os fantasmas do passado e se concentrar na sua missão.

- Acha que é fácil? Por mais que eu tente jamais me perdoarei. Nem mesmo Athena foi capaz de tirar essa amargura que me sufoca. Você nunca poderá entender o que sinto.

- Acha mesmo que não existe nada em minha longa vida que tenha me causado um grande arrependimento? Eu era muito jovem quando meu mundo foi destruído e morri. Quando Afrodite me deu uma segunda chance agarrei-me a ela com a intenção de vingança. Não faz ideia de quantos matei. Quando finalmente olhe para mim mesma, percebi que havia me tornado um monstro. Levei 600 anos para perceber que não era a deusa Afrodite que havia me transformado num ser impiedoso. Se não fosse por Dohko e Shion, continuaria levando a mesma vida de sempre. Eu tenho muitos mais com o que me arrepender que você, Saga. Mesmo assim, procuro fazer o meu melhor agora para compensar tudo o que fiz. É o mesmo que deve fazer agora.

- Desculpe-me, Phebe. Nunca passou por minha cabeça o que teria acontecido em sua vida. Você sempre fez muito mistério quanto ao seu passado.

- Não é mistério, Saga. É algo que não me orgulho, portanto deve ser esquecido para que possa me concentrar no meu atual dever. Você deve lutar por Athena e por todos que vivem neste mundo. É só nisso que você deve pensar.

- Terei isso em mente, assim como outras coisas. – Saga aproximou-se de Phebe, despindo-a – Terei este momento em minha mente até minha ultima fagulha de vida. Eu te amo, Phebe.

- Também te amo, Saga. – murmurava Phebe próximo aos lábios dele.

Ao consumarem o amor os dois tiveram certeza de que estariam selando um pacto que atravessaria muitas e muitas vidas. Phebe o procuraria por toda a eternidade pois havia finalmente encontrado sua alma gêmea. Quanto a Saga, este faria de tudo para que o Anjo da Morte jamais fizesse mal a Phebe. Nem que para isso tivesse que garantir que o Anjo da Morte voltasse para Hades para nuca mais voltar.

Ao ver Saga adormecido, levantou-se e procurou avistar quem ainda estava reunido próximo a fogueira. Apenas Aioros, Shaka e Um se encontravam ali. Os outros deveriam estar se despedindo de seu amor. Pensar nessa palavra a fazia lembrar que aquela noite seria a ultima deles. Não pôde evitar as lagrimas que escorriam de seus olhos. Não sabia o que faria se algo acontecesse com Saga. Não queria voltar a passar por toda aquela solidão que era sempre frequente em sua vida imortal.

Mundo Inferior

Todos estavam muito agitados com as vésperas da batalha. Faltava apenas poucas horas para eles chegarem ao santuário onde seus destinos incertos o aguardavam. Tinham certeza que não voltariam a pisar no Mundo Inferior com suas próprias pernas. O Sacerdote era o que aparentava mais ansioso com o desenrolar dessa batalha que poderia representar o fim tanto para o mundo dos vivos e quem sabe do Mundo Inferior também. Ele vai até os aposentos de Letha, e a encontra cobrindo seu corpo com a armadura sem nenhuma pressa. Ele a ajuda a colocar suas ultimas partes da armadura.

- Está em desvantagem numérica e de força, Letha. Não seria melhor levar o... ?

- Não levarei o medalhão, Ixion. Sei que minhas forças não estão completamente restauradas, mas vencerei os deuses do Olimpo. Sem o medalhão, Asgard sucumbirá à falta das orações de Hilda.

- Deveria ter ressuscitado ela. Assim não estaria em desvantagem...

- Ela me deveria sua alma e eu compraria guerra com os deuses do norte.

Quando o Sacerdote afastou para pegar o cálice que havia posto encima da mesa, Letha já o ameaçava com a espada de Hades.

- Já me cansei desse joguinho dos deuses, e de você me escondendo alguns fatos. Não me importo com as filhas daqueles cavaleiros, mas sei que você sabe de algo. Chegou o momento de falar, Sacerdote.

- Seria capaz de tirar a minha vida, Letha? Matar aquele quem cuidou de você nos momentos que mais precisou, teria mesmo coragem de fazer isso?

- Sabe que na minha condição eu não conto com isso que os humanos chamam de amizade. Você já me foi muito útil, e poderá continuar sendo se falar aquilo que sabe.

- Quanto as crianças raptadas tenho apenas uma intuição, nada de concreto. Mas há algo que tem me incomodado estes dias. Um sonho que tenho de uns tempos pra cá. Lembra-se daquele lugar onde estava esta armadura?

Letha embainhou a espada de Hades e foi ao tal lugar sendo acompanhada pelo Sacerdote. Ao chegarem no lugar inóspito procuram qualquer coisa que pudesse servir como pista. Não sabiam o que estavam procurando, e por isso, estava difícil. Até que algo atraiu a atenção do Sacerdote.

- Esta parede... há algo peculiar nela. Parece que ela foi construída depois... – subitamente o Sacerdote sentiu um calafrio e um mau pressentimento - Senhora, seja o que for que tenha ai dentro, talvez seja melhor deixar lacrado.

Letha não deu ouvido. Com um forte golpe, derrubou tudo aquilo. Quando a poeira baixou, puderam perceber que havia varias prateleiras e nelas tinham manuscritos. Logo, duas espadas vieram em sua direção, e se encaixando nas caneleiras de sua armadura. Ela retira as duas espadas e percebe que uma tinha a lamina de tom avermelhado, e a outra tinha um tom azulado. Elas emitiam um brilho incomum, como se estivessem vivas. Eram pequenas, e não parecia ser tão perigosas. Depois de analisá-las, Letha viu algo mais a sua frente. Uma tumba. Havia uma escritura que só ela conseguia ler:

"Aqui jaz o mortal que levou o amor de uma deusa. Sua alma será guiada por toda a eternidade, e seu corpo jamais apodrecerá".

Quando Letha toca na tumba, com a intenção de abri-la teve uma sensação estranha e viu algumas imagens como um relâmpago. Um homem alto, atlético e de uma beleza extraordinária caindo ao chão com o toque de uma mulher de longos cabelos negros. Afastou-se imediatamente deixando o Sacerdote preocupado.

- A guerra já vai começar. – pronunciou tentado disfarçar seu tormento. Aquela tumba devia ter alguma ligação ao que Hermes falou.

Escondido entre as sombras, o ser que observava em sigilo fora surpreendido pela voz de uma mulher:

- Eu tinha certeza que você ajudaria o Anjo da Morte, Deus do Sono.

- Eu apenas indiquei uma saída ao Sacerdote durante seu sono, e Letha fez o restante. Mas já que fui descoberto pela deusa da justiça... Qual será o meu castigo?

- Não comentarei nada aos demais devido a um segredo que guarda. Acho justo que ela use estas espadas na luta já que ficou tanto tempo sem seu medalhão e pretende lutar sem ele, o que tirará toda sua vantagem sobre seus oponentes... O que me intriga é essa decisão que tomou.

- Tudo o que Letha quer agora é descobrir sobre seu passado, Têmis, nem que pra isso ela tenha que fazer um por um dos deuses passar por tudo o que passou nesses dois séculos.

- Sua proximidade com os mortais está fazendo cometer os mesmos erros deles. Talvez a minha decisão de obrigá-la a viver também entre os mortais tenha sido um erro... O que acontecerá quando ela descobrir tudo?

- Se nenhum mortal mencionar seu verdadeiro nome, nada mudará... Vocês do Olimpo são os culpados desse clima de incertezas. Enquanto ela era útil aos demais deuses e que ela aceitava a proteção de Hades, todos vocês a toleravam. Agora a temem.

- Ela era muito instável, suas ações mostraram isso. Devido a tantos conhecimentos que adquiriu em tão pouco tempo, sua mente estava ensandecendo. Era apenas uma questão de tempo para que se voltasse contra os deuses do Olimpo.

Santuário

- Aqui estamos, e nem mesmo um Espectro apareceu para ajudá-los, cavaleiros. Agora entendem como os seres do Mundo Inferior são a escória. Suas palavras não valem nada.

- E vocês do Olimpo tomam conclusões precipitadas. Jamais mancharia o nome de meu senhor com a covardia de minha ausência em uma batalha... Vejo que estão tão confiantes da vitória que trouxeram poucos lacaios.

- Vou fazer esta miserável pagar por este insulto.

- Não, Oríon. Logo ela perceberá que o tabuleiro não foi completamente posto.

- Veja minha querida irmã. O Anjo da Morte diz que estamos confiantes demais, no entanto, ela mesma está cometendo um grande erro. Sem o medalhão a espada de do imperador do país dos mortos seria a única vantagem nessa batalha. E ela não trouxe a espada consigo.

No lugar das antigas trombetas ou gritos de guerra surgiu apenas o ataque dos Espectros, que pareciam impacientes com o resultado daquela batalha. Logo os cavaleiros seguiram a iniciativa deles e tudo o que se podia ver era o choque da cosmo energias de ambos os lados. O chão parecia tremer a cada golpe desferido. Em pouco tempo, os adversários se afastavam com seus oponentes procurando mais espaço para agir sem esbarrar em seus companheiros.

Letha esperava encontrar facilmente o deus Apolo, ou a deusa Ártemis. Tudo o que podia ver era um espetáculo tenebroso para pessoas comuns. O ar exalava um cheiro que a agradava muito. Todavia não devia pensar nisso. Deveria encontrar os lideres daquela batalha. Sem eles, a vitória seria certa.

- Finalmente nos encontramos no campo de batalha. Ensinar-lhe-ei onde é seu lugar...

- Não desperdiçarei meu tempo com lacaios.

Letha atravessou o peito de Órion com o punho. Ele, mesmo surpreso com a força daquele ataque, contra atacou com uma forte joelhada no ventre dela. Estava ferido, e mesmo assim reunia todo seu cosmo para um ataque final. O anjo da morte não conseguia se afastar dele. Ela deduziu que o cosmo dele estava mantendo-a prisioneira. Sorrindo certo da vitória ele diz:

- Pode ter conseguido me ferir mortalmente, mas não continuará viva para saborear essa pequena vitória. Eu acabarei com você, e minha deusa matará todos esses mortais idiotas que ousam levantar a mão contra os deuses.

No instante seguinte, Órion percebe que ela conseguiu escapar usando o teletransporte, levando consigo o coração dele, que tomba sem vida.

- Não posso gastar tanta energia usando o truque eu aprendi com Mu. Tenho que alcançar meu objetivo antes que seja tarde demais.

Em outros pontos, a batalha sangrenta seguia seu curso. Ambos os lados estavam perdendo, enquanto os deuses gêmeos apenas observavam sem levantar um único dedo.

Continua...


Até que enfim este foi o penultimo capitulo. No proximo todos saberão o resultado dessa batalha.

Não sei se todos que acompanham esta fic está sabendo, mas agora sou moderado do ID Fanfictions, um fórum de divulgação de fanfics e fanarts que visa aproximar leitores e autores. No meu profile e no que eu escrevo "A Assassina e o Cavaleiro" tem o link deste fórum. espero poder contar com vocês por lá.

Abrigada por acompanharem esta fic e se preparem para o ultimo capitulo. No final desta semana irei postar no ID Fanfictions o trailer do ultimo capitulo dessa fic para deixá-los ainda mais curiosos XD

Até o próximo capitulo pessoal.