Sonho

Vivemos nossa vida, nossa rotina
Comum, superficial, vazia
A felicidade da infância menina
Já não existe, pelo menos, como antes existia.
Vivemos sem ter motivo
Sem um alvo certo
As vidas não têm objetivo
Não vive-se; sobrevive-se, decerto.
Quando éramos crianças
Em tudo víamos alegria
Nem lembramos de nossa doce infância
Onde a coisa mais simples virava fantasia
Hoje, vivemos por viver
Sem motivo ou razão
Só espera-se morrer
Sem felicidade ou verdadeira realização
Mas acostuma-se com a tragédia
Que dia a dia no mundo se sucede
A desgraça logo se torna comédia
Para aquele que não se comede
Se analisarmos friamente
Viver neste mundo é uma batalha
É um querendo ganhar vantagem do outro, incessantemente
Pois cresce-se e perpetua-se a canalha.
Em quem confiamos acaba por nos decepcionar
Interesseira gente que finge amar e não ama
E quando o interesse deles não mais da nossa amizade precisar
Vão embora, e nem se preocupam se o enganado enche-se de gana.
Alegria plena neste mundo não há
Nada é totalmente perfeito
Sempre algum defeito vamos encontrar
Naquilo que por nós é aceito
Por isso saio daqui
Consolo-me no mundo do sonho
Fujo e refugio-me em ti
Que faz com que o viver não seja tão tristonho
Frodo querido, nunca me decepcionarás
Falso comigo tu nunca serás
Tu nunca te demonstrarás traidor
Sempre serás para comigo cheio de amor.
Meu querido, enquanto que neste mundo não há confiança
Pois aquele em quem se confia nos trai
És fiel a mim, a minha caixa de esperança
E em ti a mesquinharia se retrai.
Não existe ser com tamanha perfeição
Neste mundo maldito de ralé
Esta gente que não gosta de sermão
E não respeita nem mesmo o que é.
Frodo, refugio-me em teu sonho
Que para mim é real
Pois só posso ter semblante risonho
Se sair deste mundo rude e banal
Frodo, és meu amável querido
Quando tudo está perdido
Penso em ti; e tua imagem me acalma
Não há nada dorido
Nem ódio sentido
Quando estás em minha alma.
Frodo querido, não há mais o que dizer
Sobre o teu ser; tua imagem tudo já diz!
Mais que todos os meus poemas juntos, em apenas um segundo de imagem tua pode-se ver
Que nada descreve perfeitamente tua aura de estelar matiz
Pois ela de sonho é feita
E faz com que fique leve o coração
Nela não há nenhuma desfeita
Que possa trazer tristeza ou perdição
Perguntam-me se eu deveria
Para o real minha energia realizar
E não ficar dando serventia
A alguém que não se pode nem tocar
Mas com isso fico contente
Pois não queria que vivesses tu
Nesse ninho de serpentes
Mais podre que alimento de urubu
Querido hobbit, nunca arranjarás
Outra mulher, para deixar-me ciumenta
Também tu nunca agirás
De maneira diferente da qual imagino, e birrenta
Tu nunca me abandonarás
Estarás ao meu lado sempre; tu e tua voz que acalenta
Quem não tem sonhos
Não pode ter com que se consolar
Vive sempre tristonho
E disfarça; ou com o mundo vem a se acostumar
Mas eu tenho trunfo meu!
E que, todavia, com outros gostaria de partilhar
É o sonho, que em minha vida apareceu
Para a perfeição plena, que aqui não se encontra, me mostrar
Uns podem sonhar com uma coisa;
Outros, com coisa variada
Eu sonho com Frodo Bolseiro
Que é do meu coração o dono e de meus sonhos a morada.
Pobres coitados são
Os que acham o sonho uma besteira!
Pois não têm nunca plena mansidão
E a felicidade lhes é rarefeita
Mal sabem eles o que perdem
Riem, zombam de nossa cara!
mas os seus corações perecem!
E se arrefecem diante do real vão que os chamara.
Riam, coitados, que vossa situação é pior
Na subsistência de vossa superficialidade avara!
E que o ditado a vocês valha:
Quem ri por último, ri melhor!