O segredo
Se
todos soubessem
O
segredo que agora eu vou contar
Não
haveria mais vida
Para
a História realizar.
Se
todos vissem a verdade
Que
eu tive o privilégio de enxergar
Acabaria-se
a humana pusilanimidade
E
todos acabariam, um por um, por se matar.
Quando
morremos
Quando
nos desligamos deste mundo
-aí
sim é que vivemos!
E
saímos do lixo imundo.
Quando
partimos
Realizamos
nossos sonhos
Deixamos
do ódio humano o limbo
E
acabamos de ser tristonhos.
Quando
eu morrer
E
isso não há de tardar
Meu
pesar irá se desvanecer
E
o meu Frodo eu vou encontrar.
Frodo,
meu queridinho!
Pareces
feito de devaneio
Mas
em teus trajes de linho
Vens
a ser todo o meu esteio.
Entre
eu e tu, meu amor
Há
intransponível barreira
Mas
um dia hei de a transpor
Para
realizar-me e tornar-me faceira.
Querido,
da alma mais bela e suave
Que
consola a minha vã vida
Maia
bela que do Sol as claves
É
tua aurora querida!
Tu
não poderias
Ao
meu mundo pertencer
Pois
o mundo te entristeceria
E
tu não ias agüentar viver.
Tu
és perfeito demais
Para
este meu mundo habitar
No
meio de tantos ais
Tua
perfeição ia ceder; não ias agüentar.
Por
isso amo-te à distância
Meu
amado Virgem da pureza suprema
Tu
supres as instâncias
Da
minha vida e da minha paixão extrema.
Adorado
hobbit do olhar claro
Amar-te
será meu quinhão
Tua
essência, mais bela que a canção dum bardo
Arrebatou
completamente meu coração.
A
vida nos separa
Essa
prostituta cruel!
O
sonho nos ajuntara
E
fez do amor nosso farnel.
Sol
das minhas vontades!
Lindo
Bolseiro, és o centro de minhas atenções.
Tua
beleza supera as vaidades
E
as falsidades dos corações.
Já
perdi tudo: família verdadeira nunca tive.
Só
me restam a vida e a virgindade
Que
resistindo ao mundo mantive.
Se
um dia alguém à força ela me tirar
Aí!
Minha vida há de se acabar!
No
instante seguinte
Eu
hei de me suicidar!
mas
se isto não vier a ocorrer
Destino
diferente não hei de ter
Apenas
dezesseis primaveras completei
E
mesmo assim já peguei desgosto
Da
vida, e logo morrerei:
Este
será meu posto.
Por
trás da desgraça da morte
Há
o brilho da realização
O
azar transforma-se em sorte
E
a alegria faz até serão!
Quando
para este mundo deixamos de existir
A
fantasia vira realidade
E
a anterior realidade já pode se ir
E
extinguir a sua vã fealdade!
a
morte é a última esperança
De
se ter o que se apetece
Pois
em vida não há boa lembrança
E
nada é o que parece.
Se
algo parece agradável
Na
verdade é ruim
E
se algo parece rejeitável
Pior
ele é na realidade assim.
Frodo
Bolseiro, jóia branca e pura
Quero
possuir tua alma de candura
E
guardar-te comigo
Quero
afagar teu rosto
Te
dar todo o carinho
Que
mereces, pois és oposto
Ao
espírito vão, falso e mesquinho.
Frodo,
tenho ciúmes de ti
Quero
apenas para mim
Tua
alma e teu amor
Quero
abraçar-te, mas não posso
Impede-me
a barreira
Mas
com a morte eu hei de a transpor
Então
irei te encontrar
Então
irei te abraçar
Então
irei te beijar
E
contigo hei de me casar.
Quem
me dera que os lábios teus
Doces
e nunca beijados
Fossem
tocados pelos meus
Que
também pos outros nunca foram tocados
Mas
nesta vida que tenho isto não pode acontecer
Pois
a barreira teima em nos separar
Mas
no dia em que eu morrer
Irei
meu sonho realizar!
eu
ainda não me matei
Mas
vontade não falta para consumar
Tal
ato; é que sempre faltei
Com
a coragem para tal coisa confirmar
Mas
futuro aqui não quero ter!
quero
mais é morrer
Que
a morte é meu passaporte para te ver
E
que me adianta nesse mundo maldito viver?
Frodo
Bolseiro, o dia em que eu vier a expirar
Aí
sim irei meu sonho realizar!
e
do teu ser irei me regalar
E
então feliz sempre eu irei estar!
