Teus olhos
Frodo
amado, quando dormes
Tens
o rosto mais sereno.
Teu
semblante é mais conforme
E
teu respirar, mais ameno.
Dos
terrores tu te esqueces
Sonhas
com um mundo mais feliz.
Tuas
sombras tu arrefeces
E
em meio a sonhos límpidos, sorris.
Mas
algo, quando tu dormes, não se mostra
Priva-nos
tu desse teu brilho belo;
Quando
tua pálpebra na outra se encosta
Escondes
teus olhos, que são a um tempo sublimes e singelos.
Teus
olhos, brilhantes como jóias
A
elas cedem a luz
Perto
deles, diamantes são como meras clarabóias
E
teus olhos, apiedados, a um pouco de luz os conduz.
Dizem
por aí que os olhos são
As
janelas d'alma;
Se
este ditado não for em vão
Então
a mais proba e linda é a tua; e isto me acalma.
A
paz que eles emanam
É
a mais plena;
A
tristeza eles amainam
Grandes
feitos viram, para uma alma tão pequena.
Teus
olhos, quase sempre tristes
De
expressão cheia de melancolia
Mas
em teu semblante magoado existe
Um
laivo de esperança e alegria.
Há
neles um brilho indefinível
Recôndito
e misterioso
Que
é de expressão dúbia, inverossímil
Que
é ao mesmo tempo entristecido e ditoso.
Tua
alma esconde um segredo
Que
mais que os oceanos é profundo
Tens
tua felicidade em degredo
No
teu mais escondido e secreto fundo.
Teus
olhos são deste segredo a chave;
Se
a estes alguém consegue decifrar
O
cofre de tua alma então se abre
E
tua mente esse alguém poderá sem segredos contemplar.
Essa
chave por ninguém ainda foi achada
O
enigma do brilho dos teus olhos ninguém conseguiu desvendar
Tua
alma permanece incompreendida e não avistada
E
ainda não achaste alguém digno de teu amor.
Pois
as pessoas só valorizam
O
que os olhos podem ver
E
o que os olhos em ti enxergam
Não
é nada perto do que por dentro tu podes ser.
Teus
olhos são portal
Mais
lindo; que não se pode abrir
Queria
eu ser capaz de tal!
Para
tua alma e teus mistérios descobrir.
A
aura que te envolve
Translúcida
e diáfana como um véu
Às
alegrias puras volve
A
alma, que fica como se estivesse no Céu.
Apenas
teus olhos podem fazer
Com
que esta cura possa ser vislumbrada.
Mesmo
que vista de fato ela não possa ser
Pelo
menos um raio de sua luz pode ser captada.
Pois
teus olhos o deixam escapar
E
estão sempre à vista
Para
eles sempre se pode olhar
E
por isso ao menos uma amostra
Da
tua alma pode ser percebida
Frodo
querido, queria que me entregasses
Esse
mistério do olhar teu.
Queria
que a mim tu amasses
E
que tu fosses só meu.
Querido,
nunca mulher alguma
Te
amou como eu te amei.
Nem
que queira, nenhuma
Vai
pensar tua alma como pensei.
Talvez
tua mãe tenha
Te
amado tanto quanto eu.
Mas
mãe é mãe; quero dizer sobre aquelas que venham
A
te conhecer depois do teu apogeu.
Aquelas
que não são parentas
Que
não são sangue do teu.
Nenhuma
delas se aparenta
A
ter tanto amor quanto o meu.
Nenhuma
delas até hoje
O
brilho dos teus olhos entendeu.
Não
o vêem como uma linda ode
Que
toda a beleza em si compreendeu.
Nenhuma
tem por tua pessoa
Como
eu tamanha paixão
Pois
te amam como parente que se apessoa
Ou
filho, ou irmão.
Eu
te amo como companheiro
Quero
tua paixão junto a mim
E
teus olhos, Frodo Bolseiro
São
mais belos que o polido marfim.
Quero
ter-te, jóia alva
De
matizes multicor
Pois
acabo de desvendar em teus olhos tua alma
E
acabo de compreender plenamente teu amor!
