A vida
A
vida é nada; a vida é tudo
A
vida é viva; o ser é mudo
Um
dia vivo; no outro morto
Quem
acha estar reto já está torto
Nesta
vida maldita, não existe Romantismo
Tudo
é ilusão; mais real que o Realismo
Coisa
boa realmente não há
É
tudo ruim e amargo
Quem
é fraco e só sabe chorar
Não
vai ter piedade nem embargo
Quero
acordar; foi só um pesadelo
Não
houve nada; não quero chorar
Nada
neste mundo merece tanto desvelo
Pois,
no fim, tudo foi como um sonho, e logo há de se acordar
Nada
é como queremos; que importa então
Continuar
vivendo em desgraça?
Fujamos,
pois, para a imaginação
Mas
até ela tem que ser coerente
Não
deve ser perfeita demais
Deve
ter ao menos um pouco de real corrente
Com
nosso familiar mundo; e um pouco de "ais"
Frodo
me amaria?
Frodo
me desposaria?
Frodo
me acharia
A
mais bela? A maior maravilha?
Não;
pensemos bem, ele não me consolaria
Uma
desenxabida me acharia
E
sutilmente me desprezaria
Com
ar tépido me trataria
Nem
ódio; nem amor
Deixar
de ter gentileza não deixaria
Mas
amar não me amaria
Como
a qualquer outro me trataria
E
eu morreria de dor.
Quero
deitar-me; chorar em paz
De
agora em diante, o que vou fazer?
Sofrer
não quero mais
Vou
deitar-me; vou morrer
Para
mim já não há mais esperança
Não
quero me conformar
Com
a cruel desaventurança
De
felicidade plena não poder desfrutar
Não;
Frodo não me desprezaria!
por
que iria dar-me tamanho sofrimento?
Pelo
menos na ilusão quero ter alegria!
Ele
iria amparar-me em mal momento
E
por que não haveria de me amar
Se
eu a ele amo tanto?
Acho-o
a pérola do maior brilhar
E
das almas a que tem maior encanto.
Tenho
um jeito parecido
Com
o dele de pensar
A
alma dele tem jeito dorido
A
minha também; já não dá para agüentar
Neste
mundo viver
Mas
eu sou fraca; adversidades não sei suportar
Qualquer
coisa e já me sinto perecer
Mesmo
assim, Frodo, contigo tenho semelhança
Com
tua personalidade muito me identifico
És
inocente como uma criança
E
sábio como um ancião; me certifico
Que
és dúbio e magnífico
És
simples e complexo
Com
misterioso e indefinido nexo.
Por
que, querido, não irias gostar de mim
Se
eu prezo tanto teu ser?
Se
contigo pareço tanto assim
Por
que não seria eu teu bem querer?
Fujamos,
pois! A vida não presta!
Só
há Frodo de esperança!
Que
de tão extraordinário, o brilho às jóias
empresta
Mais
belo que a existência mais bela que a vista alcança!
ao
menos em ti, donzel querido
Posso
ter alegria plena; em teu semblante adorável
Esquece-se
que o mundo é dorido
Pois
em ti só há sensação bela e afável
Em
tua bondade inigualável
Não
irias me rejeitar
Se
tu és o mais nobre e admirável
Como
poderias me abandonar?
Querido,
amado, adorado, Frodo!
Salve-me
deste mundo de maldição
O
mais lindo nome, o mais cheio de perfeição
Perto
do teu não passa de mero apodo!
Querido
hobbit, se sem ti eu tiver que viver
Não
irei agüentar
Quero
deitar-me; quero morrer
Se
não puder contigo sonhar
Mais
que a figura da mais linda sífilde
A
tua é mais bela e límpida
Na
terra, no mar, no firmamento, não existe
Alma
mais pura e feição mais linda
Se
os belos raios da aurora incidem
Sobre
tua bela cabeça os raios
Eles
se se ofuscam ao se refletirem
Em
teu corpo, que é mais vistoso; tornam-se baços
Os
primores da Primavera ao chegares tu
A
algum bosque para a tudo enfeitar
Encolhem-se
de vergonha, como alguém nu
Pois
nada são perante tua beleza e o teu brilhar
Tudo
afunda se tu não vens
Tudo
é luto; tudo é lodo
Sem
teu alvor, do qual as belezas são reféns.
Tu
me consolarás, meu belo Frodo,
Quando
a tristeza profunda vier
Só
teu nome já é mais consolador
Que
o bálsamo mais confortante
Aplacas
toda a tristeza e a dor
Com
tua imagem bela e deslumbrante
No
fim de tudo, de todas as esperanças
Quando
sozinha e sem ninguém eu estiver
Lá
estarás tu, com teu brilho e inocência de criança
E
sabedoria ambígua que ninguém pode ter
Lá
tu estarás, com teus afagos e desvelos
A
consolar-me os cabelos com as mãos
E
a enlevar com tua voz, a fazer sumir os pesadelos
Dizendo
sempre: "Não chores mais, não."
