Notas: Yeah, mais uma parte!!! Foi rápido até... Eu só precisava terminar de digitar aqui e corrigir uns bagulho. xD O próximo capítulo deve demorar um pouquinho, ainda tá em fase de desenvolvimento... uú
Obrigada pelos comentários, eles deixam mizu feliz! Peço paciência comigo e que não abandonem a fic quando o atraso for meio... extremo! xD
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Capítulo 1
Reita concluiu, assim que deitou no sofá do estúdio, que tinha chegado cedo demais. Estava com sono e nem Kai tinha chegado ainda. Mas depois do sermão que o baterista lhe passara, dizendo que se não chegasse na hora certa no próximo ensaio passaria o dia cantando 'O elefante incomoda' em seu ouvido até que enlouquecesse, ele não pensou duas vezes em acatar a ordem.
Não que Reita acreditasse plenamente nisso, ainda tinha lá suas dúvidas. Kai era extremamente gentil e bem humorado demais para fazer esse tipo de crueldade. Talvez gentil demais, razão suficiente para o baixista não arriscar, mesmo na incerteza. Já tinha visto Kai irritado, era normal no ramo em que estavam, e apesar de não ser nada que pudesse ameaçar a segurança mundial, dava medo. E só Deus sabia como o baterista devia ficar quando realmente irritado, e Reita não queria ser o primeiro a descobrir isso.
Fechou os olhos e quando estava muito próximo de pegar no sono, ouviu a porta abrir e o som de passos no lugar.
"Nossa Reita! Caiu da cama?" A voz de Uruha e uma risada baixa, que era de Kai.
"Não é que ele me ouviu mesmo ontem?" O baterista brincou, rindo mais uma vez quando recebeu um grunhido incompreensível de Reita.
Uruha apoiou a guitarra na parede, ao lado do baixo do loiro e foi até o sofá onde o dono do instrumento estava ainda deitado e de olhos fechados. Puxou as pernas dele para o chão e sentou no novo lugar vago, o baixista agora abrindo os olhos e sentando também.
"Eu não queria arriscar..." Disse finalmente, se espreguiçando. Virou para o loiro ao seu lado, quando o ouviu rindo de maneira escandalosa e ergueu uma sobrancelha quando Kai começou a rir também. "Ok... Estou perdendo alguma coisa?"
"Rei-chan..." Uruha passou a mão pelos cabelos loiros dele, um gesto que seria carinhoso não fosse a explícita zombaria que ele significava. "Kai não ia cantar 'o elefante incomoda' até você enlouquecer... Ele nunca seria capaz de fazer isso."
"Uh, não?"
Kai balançou a cabeça e sorriu em resposta. "Eu contava com a boa vontade do Aoi."
Reita arregalou os olhos por um momento e suspirou no outro, colocando a mão sobre o peito num gesto dramático e exagerado. "Eu nunca fiquei tão satisfeito por ter medo da autoridade de líder do Kai antes." Kai e Uruha começaram a rir novamente e ele continuou, "Sério Kai. Você é muito pior do que eu imaginava." E fez uma careta ao imaginar o que seria Aoi cantando. Conhecia bem os talentos vocais do guitarrista e estava verdadeiramente grato por ter chegado tão cedo.
Depois dessa tinha até perdido o sono!
A porta de repente abriu e no próximo segundo o guitarrista mencionado entrava por ela, falando alto e gesticulando com a mão que segurava uma revista enquanto a outra mantinha firme a guitarra no ombro.
"Eu não pude acreditar quando eu vi isso, então eu me perguntava se era verdade, mas estava lá, assim, prá todo mundo que passasse ver! Eu achei um absurdo, como podem fazer uma coisa dessas, digo, como vocês podem ter sido tão descuidados, e agora todo mundo já deve estar sabendo, inclusive o nosso empresário e agora vocês estão ferrados, porque eu não tenho nada a ver com isso e..."
Os outros três apenas olhavam para o moreno que desembestou a falar grego na frente deles, e quando Aoi percebeu que ninguém parecia ter entendido seu discurso, suspirou exasperado e estendeu a revista que trazia na frente de Reita. "Você já viu isso?"
Os olhos de Reita quase saltaram das órbitas quando ele viu a foto – enorme e bem clara na capa, ocupando todo o espaço disponível. Algumas chamadas para outras matérias espalhadas pela página em letras minúsculas e quase sem cor, tudo para não comprometer nenhum pedaço da foto de capa. E de certa forma, tinham cumprido a missão, porque nenhuma daquelas letrinhas minúsculas podia ganhar a batalha contra o Eles estão juntos? em letras garrafais no meio da página, também sem comprometer nenhum detalhe de suma importância da fotografia.
E bem, ele tinha razões para ficar desesperado e suar frio como fazia agora, porque na fotografia não havia nada mais nada menos que ele e Ruki. Mas não apenas ele e Ruki como nas fotografias dos ensaios que participavam, era ele, sem faixa no nariz, com o cabelo despenteado, sem maquiagem, vestido como uma pessoa normal e BEIJANDO o rosto de Ruki, também sem maquiagem, sem as roupas estilosas e bem escolhidas dos ensaios ou dos shows ou de qualquer coisa que servisse para promovê-los.
Ok, então agora ele tentava pensar em alguma coisa que tornasse aquela foto uma mera manipulação de um fã louco. Já tinha visto várias dessas e sabia muito bem que existiam pessoas que faziam modificações tão convincentes que era impossível dizer que a foto não era verdadeira.
Mas mesmo que ele tentasse se convencer de que aquela fotografia de capa era mais uma manipulação muito bem feita, sabia que era real, porque aquele era o Cafe onde tinha se encontrado com Ruki ontem. E eram as roupas que estavam vestindo no dia. E estava chovendo e naquele momento, ele tinha implicado com Ruki e realmente dado um beijo no rosto dele.
"Bem, Reita... Essa é uma foto bastante..."
"Comprometedora." Kai terminou a frase de Uruha, ambos debruçados sobre o baixista para olhar a revista também.
Aoi concordou, parado em frente ao loiro sentado no sofá, ainda analisando a foto e parecendo em transe. "Eu não consegui acreditar quando eu vi. Não sabia nem o que pensar, porque não fazia idéia de que eles dois estavam juntos."
"E como isso foi cair nas mãos desses... Dessa revista?" Kai perguntou com uma careta, apontando para o título da revista, em letras rosas e desenhadas. Uma revista de fofocas sobre artistas e bastante popular entre os jovens.
"Você sabe... Qualquer um pode tirar uma foto com o celular e vender por um bom preço para uma revista sensacionalista que explora esse tipo de coisa. Principalmente essa." Uruha apontou para o nome da revista e depois virou os olhos para o loiro ao seu lado. "E você, o que me diz sobre isso heim?"
Mas Reita ainda estava em transe, os olhos grudados no beijo que ele dava no rosto do vocalista. Era real mesmo, tinha acontecido no dia anterior quando se atrasaram para o ensaio. E como ele não viu ninguém bater uma foto dessas? "Puta. Merda." Conseguiu falar depois de muito tempo, antes de abrir a revista na página indicada e seu desespero aumentar com a quantidade de fotos dos dois no Cafe. Bom, era uma matéria muito bem ilustrada, diga-se de passagem.
Algumas informações, dizendo como um fã conseguiu encontrar os dois tomando café nesse lugar em tal hora e parecendo muito íntimos – como era possível comprovar nas fotos – além de trocar gestos carinhosos e sorrisos suspeitos, tudo confirmado nas fotografias. E uma imensidão de especulações sobre um possível relacionamento entre os dois e insinuações sobre os famosos fanservices que realizavam nos palcos.
Mas eram só um monte de boatos sem sentido, porque os fanservices eram apenas representações em palco e ele e Ruki eram nada mais além de amigos! Oh, mas como convencer a todos disso, quando um mundo de fotografias dos dois estava numa revista famosa e conhecida por divulgar informações da vida pessoal dos famosos? Tudo lá, tudo, quase uma fotonovela, foto dele lendo a letra que Ruki tinha lhe mostrado, do momento em que ele passou as mãos no rosto do mais novo, quando ele apertou as bochechas dele, os sorrisos, uma outra que Ruki parecia envergonhado e ele o encarava sério, quando ele cutucou a bochecha de Ruki e os dois já parados na porta. No final uma seqüência, de quando ele passou o braço ao redor dos ombros do vocalista e beijou o rosto dele.
"Puta. Merda. Mesmo."
Antes que ele pudesse continuar a praguejar sua má sorte, a porta abriu novamente, revelando um afobado Ruki, com o rosto vermelho, respirando ofegante e com um bolo de revistas pressionadas contra seu peito. Todos os olhos se voltaram para ele, até os de Reita – que pareciam que nunca mais conseguiriam se desgrudar daquela revista.
Ruki viu o que Reita tinha no colo e seu rosto era uma expressão de puro desespero. "Reita!" Ele chamou o nome do baixista quase num suplício, como se ele pudesse fazer alguma coisa para amenizar a situação.
Mas o loiro encolheu os ombros. "Nem me fale...", murmurou alto o suficiente para Ruki escutar e colocou as mãos na cabeça, perdido.
Ruki andou até ele e parou em sua frente, olhando para as fotos sem parecer muito surpreso. "Como isso foi acontecer?"
"Não faço idéia..."
"E o que vamos fazer, é provável que o Japão inteiro, melhor, o mundo inteiro já esteja sabendo disso!"
E Reita também não sabia como responder as outras perguntas que Ruki fez. Deus, ele também estava no meio disso, como ia conseguir pensar numa solução sabendo que o mundo inteiro agora achava que tinham um caso?
Kai, Uruha e Aoi eram completamente ignorados pelos dois, observando a conversa com olhos arregalados. E continuariam como meros espectadores não fosse o guitarrista loiro levantar do sofá com um suspiro alto, empurrando Ruki para sentar no lugar que estava ocupando. Parou em frente aos dois e colocou as mãos na cintura, encarando ambos com seriedade. "Afinal, vocês estão juntos ou não?"
"NÃO!" A resposta veio em uníssono e o loiro fez uma careta pelo volume alto demais em seus ouvidos.
"Mesmo?" Ele ergueu uma sobrancelha, um meio sorriso nos lábios.
"Vá se ferrar, Uruha." Foi a resposta de Ruki, enquanto Reita só se mexeu para mostrar o dedo do meio.
"Oh, como eu amo a educação de vocês!" Ele levantou os braços, apontando depois para as revistas que o vocalista ainda trazia apertadas contra seu peito. "Quê isso?"
Ruki corou e olhou para as revistas, abaixando o suficiente para os outros verem que era a mesma com as fotos, um monte delas. Os olhos de Reita arregalaram, mas foi Kai quem perguntou, "Você comprou todas elas?" E apesar de estar preocupado com a situação tinha algo de surpreso na voz dele.
O rosto do baixinho ficou ainda mais vermelho quando ele balançou a cabeça em negativa, fitando o chão, como se um buraco pudesse surgir nele e lhe salvar de toda essa confusão. "Eu... peguei todas e saí correndo." Admitiu depois de um tempo, se remexendo no sofá.
"Nossa, isso é pior do que eu pensava..." Aoi exclamou surpreso, Uruha caindo na gargalhada e Kai, o único que franziu o cenho, parecendo realmente preocupado com as outras atitudes que Ruki podia tomar para resolver a situação.
"O quê? Eu fiquei... Desesperado. Essas malditas revistas!" E num acesso de raiva, lançou os exemplares no chão. "Esses idiotas que não sabem o que fazer com qualquer merda que tira foto, inventam essas merdas prá ferrar com a vida da gente e vendem prum bando de urubus sensacionalistas... Os malditos deviam enfiar as malditas câmeras no –"
"Ok, já entendemos seu ponto de vista, Ru." Uruha se apressou para cobrir boca do vocalista, ainda rindo. "Não se preocupa, nós vamos pensar em alguma coisa prá ajudar vocês..."
Kai e Aoi concordaram com o loiro e Reita, bem, esse não precisava concordar com nada, porque já tinha começado a pensar em alguma coisa. Ou tentando. Ruki bufou e cruzou os braços, nervoso e ainda com raiva.
Na verdade, a raiva não era pela insinuação do caso com Reita. Era pela publicação em escala nacional, quem sabe mundial de que tinha um caso com Reita. Não que ele não quisesse ter um caso com o baixista, mas mostrar ao país inteiro que eles tinham um possível relacionamento era um susto e tanto. E uma situação constrangedora para os envolvidos, taxados de homossexuais. Aquilo deve ter assustado mais a Reita do que a ele, porque o baixista nunca demonstrou interesse nesses assuntos, mesmo sabendo que ele não tinha nada contra, afinal, Uruha e Aoi tinham um caso e de vez em quando se esqueciam de onde estavam. Agora estava com medo que Reita pudesse se afastar dele para tentar provar que não tinham nada e assim, seu plano de conquistar o coração dele acabava de descer pelo ralo bem diante de seus olhos.
Deu um suspiro longo e cansado, e sentiu Kai tocar seu ombro, um sorriso encorajador nos lábios do moreno, apesar do semblante ainda preocupado. "Vai dar tudo certo está bem."
"Obrigado Kai..." Ele murmurou, tentando se convencer de que realmente tudo ficaria bem, além de poder voltar a tentar alguma coisa com o baixista. "Rei?"
O loiro foi tirado de seus pensamentos e virou o rosto para encarar Ruki sorrindo e encolhendo os ombros. Ruki sorriu de volta, tímido, e continuou, "É melhor não pensar muito né... Daqui a pouco sai fumaça."
O loiro franziu o cenho, mas riu com a piada e preparava-se para uma resposta a altura, quando, pela quarta vez naquele dia, a porta do estúdio abriu e o empresário deles apareceu em seguida, sério, uma revista em mãos.
"Ruki-san, Reita-san. Podemos ter uma conversa rápida?"
Os dois se entreolharam nervosos e levantaram do sofá, deixando os outros três membros extremamente preocupados dentro do estúdio.
