Notas: OMG... Finalmente, terminado. –morta- Demorou, mas tá aqui, capítulo 3, depois de um bloqueio mental. O inferno escrever esse capítulo, cruz credo... Espero que gostem. Juro que vou tentar não atrasar muito o próximo!
Agradecimentos especiais a Suelen, que leu e disse que tava bom, daí eu não mudei pela 1874875847 vez e terminei logo! xD
Capítulo 3
"VOCÊ FICOU LOUCO?!?" A voz de Ruki ecoou pela sala, saindo mais alta que o normal. Uruha e Aoi, que fingiam tomar café num canto mais afastado, se entreolharam já em posição para separar uma eventual briga entre os dois, de acordo com as recomendações de Kai antes de deixá-los sozinhos no mesmo recinto.
A preocupação do baterista não era por menos. Desde o final da entrevista, Ruki ficou mudo e sério e não disse uma palavra sequer, seguindo o trajeto de volta à gravadora num silêncio assustador, enquanto a comoção dentro da van se dava pelas vozes alteradas de Uruha, Aoi e do empresário deles, que mesmo sentado no banco do carona estava debruçado para trás pedindo explicações. Kai era o único que parecia se lembrar de Ruki, quieto e amuado no último banco do veículo, olhando pela janela como se qualquer coisa lá fora fosse mais interessante do que a conversa ao seu redor. E apesar de estar mais entretido em dar explicações sobre seu comportamento, Reita tinha estranhado e muito o fato do vocalista não se manifestar sobre um assunto que também lhe dizia respeito.
Até aquele momento.
"Reita! Estou falando com você!"
"Eu sei que está!" ele respondeu bufando, cruzando os braços e desviando dos olhos de Ruki que lhe encaravam quase sem piscar. "Tá, talvez eu tenha exagerado, mas-"
"Exagerado?!?" Ruki o interrompeu, arqueando uma sobrancelha.
"MAS," Reita continuou, ignorando a tentativa de protesto, "também não é prá isso tudo... Qual é, não era isso que eles queriam ouvir? Eu tenho certeza que a gente poderia negar prá sempre que a mídia ia continuar insistindo nisso. Principalmente depois que continuassem pegando no nosso pé e vendo que nós continuamos fazendo as mesmas coisas!" Desabafou, ainda com o rosto virado para a parede. Não achava que estava errado em ter feito o que fez. Para ele tinha sido até melhor, não iria ouvir o 'é verdade que vocês estão juntos?' repetidas vezes e tinha certeza que, por mais que a revelação de seu relacionamento com Ruki fosse chamar atenção por um bom tempo, seria esquecida depois.
Só que, infelizmente, o baixinho não dividia as mesmas opiniões que ele. Estava claro na expressão de seu rosto que era totalmente contra a decisão do amigo. Reita tinha soltado uma bomba! E se isso prejudicasse a carreira deles? E se fossem discriminados? Podiam dizer que era bobeira dele sim, que, de uma forma ou de outra, as fãs nunca deixariam de apoiá-los – e Ruki tinha certeza que o número delas ficaria ainda maior depois do programa que acabara de ir ao ar – mas ele tinha medo, medo de perder tudo o que conseguiu construir até hoje.
Principalmente sua amizade com Reita.
"Mas isso não te dá o direito de sair falando essas coisas sem me consultar antes! Não é só você que está envolvido nisso tudo!"
Reita bufou e girou os olhos, erguendo os braços num gesto irritado. "Faça-me o favor Ruki! Você está agindo como se o mundo fosse acabar ou alguma coisa desse tipo. Parece que está mais preocupado em como vai ficar sua reputação do que no que aconteceu realmente!"
Ruki o encarou revoltado, o rosto vermelho de raiva. "Você é um idiota!" E saiu da sala, batendo a porta com força ao passar por ela.
O baixista ficou sentado no sofá, olhando para a porta por onde Ruki tinha acabado de sair, balançando a cabeça. "Foi errado o que eu fiz?" Perguntou ao sentir o sofá mover ao seu lado, Uruha agora ocupando o lugar vazio. O loiro balançou a cabeça, olhando sério para Reita.
"Eu entendi o que você quis quando disse aquilo. Só que... Foi muito de surpresa. Você devia ter falado com o Ruki antes. Ele estava preocupado com esse assunto." Uruha disse com calma, lançando olhares vez ou outra para Aoi, que estava sentado numa cadeira e fingindo prestar atenção em outra coisa mas ainda de olho no guitarrista loiro. "E você fez o inesperado prá ele. E como ele mesmo disse, você não é o único que estava envolvido na situação. Devia ter pensado um pouco nele."
Reita suspirou, escondendo o rosto nas mãos. "Ruki tem razão eu sou mesmo um idiota." Fez menção de levantar do sofá, mas Uruha o impediu, segurando seu braço. Recebeu um sorriso do loiro, "Pode deixar, eu vou falar com ele Reita. Ruki pode ser cabeça quente e muito turrão, mas ele não vai ficar com raiva de você por muito tempo!"
"Ah, obrigada por dizer que ele está com raiva de mim assim!"
"Relaxa Reita, vai ficar tudo bem!"
O loiro levantou do sofá com um sorriso enorme no rosto, estava tão animado com a idéia de ir conversar com Ruki que quase saiu saltitando da sala, deixando Reita muito receoso do que ele ia falar com o vocalista. "Aoi? Eu devo ter medo do que ele vai fazer?"
Aoi riu, dando de ombros. "Acho que sim, mas é melhor esperar mesmo."
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Uruha não levou muito tempo para encontrar o baixinho. Conhecia o esconderijo favorito dele, as escadas de emergência do lado de fora do prédio. Ruki estava com o corpo debruçado sobre a grade e o guitarrista riu da posição vulnerável em que ele se encontrava. Ficou tentado a fazer uma brincadeira, mas já tinha sido descoberto. "Se veio fazer piada pode voltar."
O mais velho riu e balançou a cabeça, as mãos na cintura. "Vim aqui conversar. E, como posso dizer?, explicar melhor do que Reita as razões que ele usou."
"Eu disse que não queria ouvir piadas," Ruki virou-se para encarar Uruha, cruzando os braços, o olhar sério no rosto bonito a sua frente "será que isso não ficou claro da forma que eu-"
"Você gosta do Reita."
E Ruki arregalou os olhos, surpreso, esquecendo-se até do que estava dizendo quando foi interrompido. "Não gosto."
"Não foi uma pergunta." Uruha deu alguns passos à frente, caminhando para encostar-se á grade ao lado de Ruki. "É por isso que está tão nervoso."
"Como foi-" Ele balançou a cabeça, tempo suficiente para mudar o foco de sua pergunta. O guitarrista arqueou uma sobrancelha e segurou uma risada. Ruki mentia tão mal. "De onde você tirou essa idéia?"
"Veio do mesmo neurônio que descobriu q paixão secreta de Kai pelo Miyavi." Respondeu com um sorriso sacana, vendo a expressão surpresa do baixinho ao seu lado com o canto dos olhos.
"Kai e Miyavi? Mas... Como..."
"É que eu sou muito bom nisso! Adoraria entrar em detalhes desse assunto, mas não estávamos falando deles."
Ruki encolheu os ombros, olhando para o lado. Devia ter imaginado que mais cedo ou mais tarde Uruha ia acabar notando alguma coisa. Ele era astuto demais, talvez até mais que Kai. Era praticamente impossível esconder alguma coisa dele. "Promete que não vai contar prá ninguém?" Uruha levantou as mãos até onde os olhos castanhos do outro podiam ver, sem dedos cruzados. "Eu... Eu gosto dele. Na verdade... Arriscaria dizer que... Que o amo." Disse as últimas palavras quase num sussurro, as bochechas corando intensamente com a revelação.
"É... O jeito que você fica quando ele está por perto não engana..."
"É-é muito perceptível?" Ele perguntou assustado, temendo que alguém mais pudesse saber de seu 'segredo'.
"Não muito. Quer dizer... Eles que são lerdos demais prá perceber. Você gosta dele há bastante tempo não é?" Ruki balançou a cabeça em afirmativa, sem encarar o amigo. "E por que nunca disse nada?"
"Dizer o quê Uruha? Dizer que eu gosto dele, ser rejeitado e arruinar nossa amizade?" Balançou a cabeça e olhou para o chão, cabisbaixo. "Ele nunca demonstrou... Interesse em homens. Prefiro tê-lo como amigo que não ter nada."
"Aoi também nunca tinha demonstrado. Eu o seduzi."
Ruki o encarou incrédulo. Ele falava como se fosse fácil. Para Uruha era fácil, o loiro era atraente, tinha um rosto bonito, um corpo de dar inveja e não precisava fazer muito esforço para conquistar alguém. E Ruki? Pfff, quem iria querer algo com um baixinho de gênio difícil? E diga-se de passagem, nem um pouco sexy e muito desajeitado. Suspirou, não precisava nem responder ao comentário do guitarrista.
"Eu sei que você está com raiva do que ele fez," Uruha não insistiu no assunto, pela careta que Ruki fez, era como se tivesse dito uma barbaridade. Resolveu mudar de tática. "Mas será que isso não pode servir como uma chance?"
"Chance?"
"Olha, eu acredito que deve ser ruim por um lado, ter que fingir um relacionamento quando se quer ter um de verdade, mas... Será que essa história de vocês dois não pode ajudar? Quero dizer, começando pelo próprio Reita, se ele foi capaz de dizer uma coisa dessas em rede nacional, significa que ele não seja tão adverso assim à idéia não é?" Ruki balançou a cabeça, detestava ter que concordar, mas era um ponto para Uruha. "Então... Aí entra a sua parte. Tudo o que você precisa fazer é-"
"Uruha, eu não sei seduzir!"
O guitarrista bufou e desgrudou o corpo da grade, parando em frente a Ruki e o analisando de cima a baixa. Levantou os braços dele, o virou de costas, depois de frente, olhou-o de lado e de todos os ângulos possíveis. "Sinceramente Ruki, você já parou prá se olhar no espelho? Você é sexy sem querer ser! O jeito que você anda, que você fala, que você olha prás pessoas, o jeito que você sorri, você faz tudo isso com uma sensualidade de dar inveja! Por que acha que tem tantas fãs? Garanto que não é só por causa de sua bela voz!"
Ruki encolheu o corpo, sem graça com tantos elogios de uma só vez. "Eu... Mas e se der errado?"
"Você nunca vai saber se não tentar. É horrível conviver com um sentimento dentro da gente por tanto tempo. Principalmente se a pessoa de quem gostamos é tão próxima. Isso só faz crescer o sentimento e a tristeza de não termos esse alguém." Deu um sorriso fraco, dando de ombros "Se eu não tivesse arriscado eu nunca teria o Aoi prá mim."
Ruki não disse nada, prestando atenção em cada palavra que Uruha lhe dizia. E ele parecia saber exatamente o que dizia, poderia arriscar até que aquela tinha sido uma experiência própria de vida. "Como... Como foi que você disse ao Aoi que gostava dele?" Perguntou na curiosidade, não que ele fosse imitar Uruha, afinal, nunca conseguiria se igualar ao loiro, mas quem sabe não podia usar tática semelhante?
"Eu fui insinuando as coisas. Respostas meio vagas, que deixavam muito para a imaginação. Eu notei que ele começou a ficar desconfiado e me olhando de rabo de olho." Ele riu, lembrando do que tinha acontecido entre os dois nessa época. "Tentava chamar a atenção dele, mostrar que mesmo que eu não fosse uma mulher eu tinha minhas qualidades. E ele acabou cedendo." Olhou para Ruki, que parecia compenetrado, como se pensando em alguma coisa. "Você não precisa seduzir o Reita, no sentido literal da palavra. Se ele deu o passo de fingir um relacionamento com você, mesmo que seja prá enganar todo mundo, finja um relacionamento com ele. Mas finja muito bem, aja como se vocês realmente estivessem juntos. Se ele ficar desconfiado, diga que está... Tentando parecer mais convincente. Ele não vai ter como argumentar isso."
Ruki cruzou os braços, olhando para a parede a sua frente, um bolo de idéias se confundindo em sua cabeça. Pensou em tudo o que o guitarrista tinha lhe dito, principalmente sobre o fato de Reita ter criado uma mentira explicitamente. Mesmo que fosse para livrar a cara dos dois, se ele fosse um homofóbico não teria feito isso nem que fosse a única maneira de sair dessa confusão. E apesar de detestar ter que admitir isso, ele até tinha gostado da parte de 'fingir um relacionamento com Reita'. Bom, tinha lá seu lado negativo, mas saber que teria mais tempo junto dele com isso lhe deixava imensamente satisfeito.
"Então, vai reconsiderar a proposta dele?" Uruha perguntou de repente, o interrompendo em suas conclusões.
"Acho que você tem razão... Eu devia pelo menos tentar."
"É claro que eu tenho razão, eu sempre tenho razão."
"Vá se ferrar, Uruha. Se isso não der certo, eu mato você. E é bom que esteja de prontidão caso eu precise. Não vou hesitar de ligar prá você nas horas em que estiver 'ocupado' com Aoi prá me dar uma solução."
Uruha abriu um largo sorriso e passou um braço em volta do pescoço de Ruki, guiando ambos para dentro do prédio. "Tudo bem, eu consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo. Se importa em ouvir gemidos durante a conversa?"
"Uruha!" Mas ele riu em seguida, e os dois entraram no prédio entre risadas e comentários sacanas.
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Reita estava com os olhos arregalados, ainda se perguntando que bicho tinha mordido Ruki prá que ele mudasse de idéia assim. Piscou algumas vezes, o cenho franzido e seu olhar migrou do vocalista sentado ao seu lado para Uruha do outro lado da sala, conversando com Aoi algo que deveria ser imoral, pelo jeito que o moreno estava vermelho e sorrindo sem jeito.
"Então," Reita começou novamente, respirando fundo e tentando ignorar o pensamento de que alguma coisa estava muito errada naquela história toda, "Você tá dizendo que vai fazer esse jogo de enganar todo mundo?"
"Isso. Olha, não é que eu esteja aprovando sua idéia. Ainda acho que você devia ter me avisado antes. Mas não quero deixar isso barato. E vai ser divertido ver todo mundo que tá tão interessado na nossa vida sendo enganados desse jeito." Sorriu, só de pensar na cara de todos os repórteres, fãs e o que fosse, boquiabertos quando souberem que era tudo uma farsa para chamar a atenção. E satisfeito também por conseguir começar a colocar seu plano em prática. Trocou um olhar cúmplice com Uruha, que lhe deu um sorriso encorajador e levantou o polegar num gesto positivo.
"Tá, isso eu entendi... Mas..." Olhou mais uma vez para Uruha, desconfiado, "O que ele falou prá você aceitar assim tão rápido? Porque, sério, do jeito que você saiu daqui eu achei que não fosse falar comigo por bastante tempo."
"E devia!" Respondeu indignado, cruzando os braços. "Aquilo não é coisa que se faça. Mas ele me ajudou a ver o lado bom disso, no caso, de sacanear todo mundo." Era incrível como ele conseguia ser tão convincente.
"Hm... Até que ele serve prá alguma coisa além de só falar sacanagem e zoar os outros." Reita deu de ombros, sorrindo contente por sua idéia ter sido aprovada. Agora sim as coisas começariam a ficar divertidas. "Então, já que você aceita e me perdoa..." Deu uma risadinha quando Ruki bufou e girou os olhos. "Precisamos começar os preparativos."
"Preparativos?" Ele ergueu uma sobrancelha.
"Claro, eu já pensei em tudo. Aliás, tem que parecer real não tem?"
E Ruki não tinha mais certeza se queria continuar com aquilo.
