Notas: Pois é... Dois capítulos de uma vez só pra compensar a demora. Só não se acostumem muito com isso não! xDDD

E gente, brigada pela paciência e por não abandonarem a fic... uu –chuif chuif- Isso me deixa muito feliz!

Capítulo 6

Estava tendo um sonho tão bom. Alguém acariciava seu rosto com ternura e se sentia tão calmo com o gesto simples. Dedos longos e calejados contornaram seu lábio inferior e ele sorriu, tentando ao máximo ignorar as vozes ao seu redor e continuar sonhando.

"Reita... Isso... faz cócegas..." resmungou em seu sono, quando os dedos brincaram com seu nariz, logo franzindo o cenho ao ouvir risadas altas.

"Errou, Ru-chan. Aqui não é o Reita." Quando ele abriu os olhos, deu de cara com um Uruha sorridente, debruçado sobre seu rosto e com um batom vermelho nas mãos.

"Uruha! Mas que merda-"

"Oh Ruki, você estava tão fofo fazendo bico e chamando o nome de Reita que eu não resisti a passar um batom em você." O vocalista sentou na cama e passou as mãos na boca, o vermelho saindo em sua pele. Empurrou Uruha para longe, tirando o resto de batom que ainda ficou na boca.

Olhou de relance para a cama de Reita, a encontrando vazia. Quando desceu na noite anterior para se juntar aos outros no restaurante do hotel – logo depois de resolver seu pequeno problema – acabou não ficando nem uma hora na companhia deles, alegando estar muito cansado do show. Não ficou acordado para ver a hora que eles voltaram para os quartos, mais especificamente o baixista, que estava no mesmo cômodo que ele.

"Se está procurando seu príncipe, ele desceu com Kai já tem um bom tempo."

Ruki ignorou o comentário, girando os olhos e bufando irritado. "Faça-me o favor Uruha, são nove da manhã. E nosso dia livre. O que você quer?"

"Não briga comigo... Só preciso de companhia." Uruha fez bico, brincando com o batom em suas mãos. "Vamos sair um pouco e comprar um monte de porcarias?"

"Por que não pede o Aoi pra ir com você? Ele é seu namorado." E deitou novamente, cobrindo até a cabeça.

"Ele vai com a gente. Está lá fora esperando." A voz dele saiu mais séria do que Ruki tinha escutado desde que acordou e deu de cara com o guitarrista. "Mas eu queria que você fosse também... Sério, Ruki, você é meu amigo, e tá tão estranho. Queria levar você pra ver se te distraía do que quer que esteja te atormentando..."

Ruki sentou novamente na cama, olhando incrédulo para o loiro a sua frente. Era incrível como ás vezes ele falava coisas que simplesmente não encaixavam na situação em que estavam. Estreitou os olhos quando ele começou a rir do nada. Alguns segundos e já estaria caindo no papo dele. "Qual é a graça?"

"Desculpa, mas é que você tá tão engraçado! Com esse cabelo despenteado e a boca borrada de vermelho!" E por mais que ele tentasse se controlar, não conseguia parar de rir.

"Sério, Uruha, você é uma mal quando quer."

"Você acha mesmo?" Perguntou inocentemente, arregalando os olhos. "Aoi costuma dizer que eu sou um baú. Sem alça e rodinhas." Disse parecendo ofendido, fazendo bico. "Saber que já subi pra uma mala, que é menor, em termos, me deixa mais contente." Ruki não segurou um sorriso. Uruha podia ser bem pentelho quase o dia todo, mas era um bom amigo.

"Espera um pouco, vou tomar um banho." Parou na porta, virando para o loiro. "À propósito, onde arrumou esse batom vermelho? Não me lembro de nenhum de nós usar essa cor..." Uruha deu um sorriso amarelo, e Ruki balançou a cabeça. "Tudo bem, é melhor eu não saber mesmo."

"Sábia decisão, Ru-chan!"

xxx

"Uruha... Você quer mesmo conversar sobre isso, aqui?" Ruki apontou a loja de roupas para o guitarrista, desacreditando que iriam ter aquele tipo de conversa num local público, enquanto Aoi não decidia se levava a calça de couro preto ou se ficava com a jeans cheia de buracos.

"Ninguém este prestando atenção. Agora me fala Ruki, nesses últimos dias que eu não falei com você... Como estava com Reita?"

Ele desviou os olhos, pegando uma camisa qualquer em um dos cabides, examinando-a displicentemente enquanto pensava numa resposta convincente. Nunca foi um mentiroso bem sucedido, e seu estoque de 'mentiras mais aceitáveis' estava acabando. "Ahn... Foi... Normal." Colocou o cabide de volta onde estava, olhando de relance para o amigo.

"Defina 'normal'."

Pegou outra camisa, torcendo o nariz com a estampa. Muito chamativa. "Como sempre ora. Não tem uma definição." Abriu um sorriso quando achou uma peça que era de seu gosto. Até que a idéia de sair não tinha sido de toda ruim.

"Você está mentindo." Uruha tomou a blusa das mãos dele, colocando sobre o ombro. "Fale a verdade Ruki, o que aconteceu com vocês?"

"Não aconteceu nada! Você mesmo não disse que o Reita tava agindo esquisito? Vai ver está dando certo! Ele pode ter notado alguma coisa, sei lá!"

"Mas..." Mordeu o lábio, pensativo. "Mas se ele notou alguma coisa, por que ainda não chegou em você? Qual é Ruki, ele parece um cachorro rondando a cadela no cio e isso é muito estranho!"

"Bela comparação."

"Vai se ferrar, não estou te comparando com uma cadela no cio. Só estou dizendo que é estranho. Aoi não..."

"O Reita não é o Aoi. Não significa que as táticas que você usou com ele funcionem comigo e com o Reita. Vai ver é por isso que ele está estranho." Disse sarcástico.

Uruha já se preparava para responder, quando Aoi se enfiou no meio dos dois, colocando a mão no peito de cada um antes que a discussão evoluísse para um nível mais crítico. "Detesto ter que interromper uma discussão tão calorosa, mas as pessoas estão começando a olhar." Os dois passaram os olhos pelo local, vendo que alguns funcionários da loja olhavam os dois apreensivos, e alguns clientes pareciam curiosos.

"Eu disse que não era uma boa idéia conversarmos aqui." Ruki disse entredentes, afastando-se de Aoi.

"Foi você quem começou a se alterar. Porque eu estou dizendo a verdade..."

Aoi encarou o loiro a sua frente com seriedade, movendo os lábios para murmurar um já chega, Uruha.

"Quer saber? Você tem razão! Tem toda a razão do mundo!" Ruki fez uma reverência, se aproximando do loiro para puxar a camisa do ombro dele. "Eu que sou um idiota." E saiu andando na direção do caixa, sem esperar pelos outros.

Quando Uruha se precipitou a andar, Aoi o parou, ainda sério. "Você não acha que está se metendo demais nesse assunto? Vai ver o Ruki não quer falar sobre isso, você tem que respeita-lo."

"Mas ele..."

"Eu sei que suas intenções não são ruins, mas Ruki não é como você. E o Reita não é igual a mim, Uru. Se aqueles dois tiverem que ficar juntos, eles vão ficar pelo próprio esforço deles. Eu sei­ que o Reita está estranho, não sou tão lerdo a ponto de não notar algo tão perceptível. E é notável que Ruki não está contente. Mas se você ficar insistindo demais, pode acabar deixando ele mais estressado do que já deve estar com essa história toda, principalmente por ficar pressionando ele a fazer algo de que não tem muita prática." Passou a mão no rosto do loiro, que fazia bico e estava com a expressão cabisbaixa. "Não faz essa cara. Eu tenho certeza que o Ruki não está chateado com você. Ele só precisa de um tempo." Uruha afirmou com um balanço de cabeça, suspirando.

"Tá... Já entendi..." Abriu um sorriso, puxando a calça pendurada no ombro do moreno. "Hm... Couro é muito mais sexy." O moreno sorriu e deu um beijo rápido nos lábios dele.

"Já acabaram com todo esse amor aí?" A voz de Ruki chegou até eles, o vocalista já estava pronto para sair da loja. Apesar de ainda parecer nervoso, esboçava um pequeno sorriso, que mostrava que estava brincando.

"Oh, acho que Aoi não me deu amor suficiente!" Uruha passou os braços pelo pescoço dele, piscando um olho para o baixinho, que fez cara de enfado e foi andando na frente. "Ah, Ruki, espera a gente!"

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Quando Reita voltou para o quarto estranhou não ter encontrado Ruki dormindo. Ele parecia tão cansado para levantar antes do meio dia... Viu um bilhete bem no meio de seu travesseiro, passando a informação de que Ruki tinha ido passear com Uruha e Aoi. E pelos garranchos disformes a letra era do guitarrista loiro.

Ao menos uma boa notícia, não saberia o que fazer se tivesse que passar o dia inteiro na companhia do vocalista. Como se já não bastasse a cena vergonhosa que fez no apartamento dele, ainda beija-lo no show... Não sabia de onde veio a coragem repentina para fazer isso. E agora se arrependia profundamente de suas ações.

Desde o final do show, preferiu ficar distante dele, e Ruki também parecia evita-lo a todo custo. Tinha estragado tudo. Teria conseguido levar tudo na normalidade, se não se deixasse ultrapassar os limites impostos a si mesmo. Mas um beijo... Tinha sido demais. Ruki devia pensar o quê dele agora? Não queria nem imaginar...

"Que merda, Reita..."

Deitou-se na cama, cruzando os braços sobre o estômago, mirando um lugar qualquer no quarto. Seus olhos bateram em sua câmera sobre uma mesinha próxima à cama. Tinha até se esquecido dela. Levantou e pegou-a, verificando que estava sem bateria. "Aquele Uruha... Deixou a câmera ligada esse tempo todo." Reclamou, sabendo que o último a usar tinha sido ele. Catou o cabo para liga-la direto na tomada e precisou voltar tudo para ver o que tinha sido gravado.

Sorriu vendo as brincadeiras que tinham sido gravadas, Kai fazendo caretas engraçadas na companhia de Aoi e Ruki olhando sério para a câmera quando Uruha se aproximava demais. Depois que se juntavam para assistir o vídeo morriam de rir das próprias bobeiras que faziam.

A gravação no quarto de hotel tinha sido a última do dia, e momento em que Uruha deixou a câmera ligada. Pôde ver na tela quando eles estavam saindo do quarto, e Ruki dizendo que ia tomar um banho antes de descer. Ele lembrava exatamente disso. Quando Ruki desceu, não ficou nem uma hora com eles, e permaneceu calado durante todo o tempo.

Suspirou e já ia desligar a câmera, provavelmente só veria imagem estática a partir dali.

"Pára, Ruki. Melhor não pensar nisso agora."

E sua atenção voltou para o vídeo novamente. Ainda não conseguia ver Ruki na tela, mas sabia que ele estava no quarto, pelo que conseguia ouvir de sua voz. Seu coração acelerava á medida em que Ruki falava mais alguma coisa, nada muito importante. Continuou assistindo, curioso, aquela frase tinha lhe feito pensar em muitas coisas, e agora precisava saber se ele tinha dito mais alguma coisa. Sorte Ruki ter o péssimo hábito de falar consigo mesmo quando estava sozinho e com problemas.

Conseguiu vê-lo apenas quando deitou de bruços na cama, estava um pouco longe, mas era possível distingui-lo com clareza.

Sua boca ficou seca e sua respiração acelerou, e ele suprimiu um som de surpresa que estava pronto para sair por entre seus lábios quando teve noção das próximas ações do vocalista. Ele estava...

"Rei-ta..."

A simples menção de seu nome, saído dos lábios cheios e avermelhados, quando ele alcançou o orgasmo foi muito para suportar. Largou a câmera sobre a cama, os olhos vidrados no nada, a boca entreaberta e a respiração ofegante.

Não conseguia acreditar no que tinha acabado de ver.

Ruki. Se masturbando. E chamando seu nome.

E aquela mera visão lhe deixou completamente excitado. Nervoso. Perdido sobre o que fazer e como agir com o outro.

E muito esperançoso.