Título: Estranha Obsessão
Autora: Mary Spn
Beta: Thata Martins
Gênero: Wincest / AU
Sinopse: Dois irmãos em conflito. Um amor sem limites... Até onde uma obsessão pode nos levar?
Avisos: Trata-se de Universo Alternativo, Sam e Dean não são caçadores. É Wincest, portanto, contém cenas de relações sexuais entre dois irmãos.
Estranha Obsessão
Capítulo 2
Depois de pensar muito a respeito, Dean pegou seu casaco e saiu pela rua. Caminhou até o bar, que ficava somente a um quarteirão da sua casa.
Esperaria Sam terminar seu trabalho para então poderem conversar, sem que seu irmão pudesse inventar uma desculpa e fugir novamente.
Mas quando chegou perto, viu Sam saindo para os fundos do bar. Seu irmão entrou em um automóvel preto que estava estacionado ali e, para surpresa de Dean, o motorista do carro, que Dean acabara de identificar, o beijou.
Um pouco chocado e sem saber exatamente o que fazer ou o que pensar, Dean acabou por entrar no bar, onde àquela hora da noite só estava Ellen atrás do balcão, terminando de limpar o ambiente para fechar.
- Que surpresa você por aqui, Dean! – Ellen falou enquanto lavava os copos na pia.
- Oi, Ellen, eu… Eu vim pra falar com o meu irmão, mas...
- Ah, O Sam acabou de sair com o Brady.
- Sim, eu vi. Eles... – Dean suspirou e se sentou em uma banqueta, inconformado.
- É uma péssima escolha, eu sei. Mas o seu irmão sabe o que está fazendo.
- Sabe mesmo? Há quanto tempo isso vem acontecendo?
- Pouco tempo, uns dois ou três meses, talvez.
- O meu pai sabia disso?
- Sim, ele sabia.
- Não dá pra acreditar. Como ele pôde permitir uma coisa dessas?
- Ele não aprovava, mas também não se metia nas coisas do seu irmão. E você deveria fazer o mesmo.
- Não dá pra ver uma coisa dessas e ficar calado, Ellen. Esse cara é um imbecil.
- Eu não me preocuparia com ele, Dean. Se o Sam estivesse apaixonado, eu saberia, pode ter certeza. Mas acho que ele só está se divertindo um pouco.
- Se divertindo? - Dean perguntou, indignado.
- Na idade dele, isso é bem natural, não é?
- Sabe Ellen, às vezes eu acho que não conheço mais o Sam. Ele anda tão distante, tão diferente, e eu já não sei mais o que fazer. Não sei como chegar até ele. Eu sei que ele precisa de mim, mas eu não sei como me aproximar.
- Só tenha paciência, Dean. Você vai achar um jeito. Vocês eram tão amigos, tão unidos, é impossível que isso tenha acabado.
- Eu estraguei tudo. Achei que estava fazendo o melhor ficando longe e agora eu me sinto um estranho dentro da minha própria casa.
- Com o tempo as coisas vão se ajeitar, Dean.
- Assim eu espero.
- É engraçado, duas ou três vezes por semana o seu pai vinha aqui no bar, neste mesmo horário. Ele se sentava nesta banqueta em que você está sentado agora, então tomava uma cerveja com o Sam, os dois conversavam um pouco e depois iam embora juntos.
- Muita coisa mudou desde que eu fui embora, não é? Quando eu morava em casa os dois viviam brigando, feito cão e gato – Dean sorriu com a lembrança.
- Eles só tinham um ao outro e de alguma maneira acabaram se entendendo. O mesmo vai acontecer com vocês dois agora.
- É, talvez você tenha razão. Bom, eu vou pra casa. Ele provavelmente não vai voltar, não é? – Dean suspirou desanimado.
- x -
Sam saiu do bar pela porta dos fundos e viu o carro de Brady ali parado, o esperando. Não tinha a menor vontade de vê-lo, não depois que Dean havia voltado. De qualquer forma, entrou no carro e foi recebido com um beijo.
- Eu senti sua falta.
- Mesmo? Não é o que parece. – Sam parecia chateado.
- Olha Sam, eu sinto muito pelo seu pai, sinto muito mesmo.
- Então por que não foi ao funeral?
- Eu achei que seria melhor assim.
- Claro. – Sam fez menção de sair do carro, quando Brady o segurou.
- Eu amo você, Sam. Não vá embora desse jeito, por favor?
- Eu preciso mesmo ir, o Dean está me esperando – Sam se despediu com um beijo e saiu do carro, voltando para casa.
Dean já tinha chegado em casa e novamente o esperava na sala, assistindo TV.
Sam entrou em silêncio, pois não estava a fim de conversar. Os últimos dias estavam sendo difíceis e a presença de Dean só tornava tudo pior. Cada vez que conversavam, só se magoavam ainda mais.
Foi até a geladeira pegar água, quando Dean apareceu na cozinha.
- Você chegou tarde hoje, o bar estava movimentado?
- Eu encontrei com um amigo na saída.
- Amigo? Não sabia que você e o Brady eram amigos.
- Se você sabia que eu estava com ele, por que perguntou? – Sam sorriu com ironia, guardando a garrafa na geladeira.
- Eu fui até o bar porque precisava conversar com você.
- Conversar sobre o quê?
- Sobre... Tudo! Eu preciso saber o que está acontecendo aqui.
- Não está acontecendo nada! – Sam deu as costas e ia saindo, quando Dean o puxou pelo braço.
- Então por que você fica me evitando? Me tratando como se eu nem existisse? Eu estou me sentindo um estranho dentro desta casa, Sam!
- Eu não estou te evitando! Mas é que depois de tanto tempo não é mais a mesma coisa, Dean. Você deveria saber! É bem mais fácil pra mim conversar com um estranho na rua, do que com você.
- Obrigado pela sinceridade – Dean falou com mágoa na voz.
- O que você esperava? Que fosse tudo como antes? Que eu agisse como se nada tivesse acontecido?
- Não, eu sei que não. Mas é duro enfrentar a verdade. Ainda mais porque eu sei que fui eu quem ferrou com tudo.
- Você não fez nada sozinho, Dean.
- Sammy... Depois do que aconteceu, eu não sabia o que fazer. Eu estava tão arrependido e não tinha mais como voltar atrás.
- Arrependido?
- Você é meu irmão, Sam! Você acha que o que nós fizemos foi algo normal?
- Foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida!
- Eu não... – Dean engoliu em seco – Eu sei que eu deveria ter ficado e conversado com você, mas eu fui um covarde, indo embora daquela maneira.
- Eu preferia que você nunca tivesse me falado nada. Que você nunca tivesse voltado! Eu nunca vou me arrepender do que aconteceu, Dean. Eu esperava ouvir qualquer coisa, menos você dizer que se arrependeu!
- Eu sinto muito pelo que aconteceu, Sam. Eu sinto muito por ter estragado tudo. O que nós tínhamos antes era... Era especial demais pra eu ferrar com tudo desse jeito.
- Nós podemos ter muito mais, Dean! Basta você querer. E não venha me dizer que aquela noite não significou nada pra você, porque eu sei que significou. Eu sei o que você sentiu.
- Eu não disse que não significou nada. Mas foi um erro, Sam! Você precisa entender isso.
- Quando eu acordei na manhã seguinte e o papai me falou que você tinha ido embora, eu quis morrer, Dean. Mas mesmo assim, eu nunca pensei nisso como um erro. Eu sempre esperei que você voltasse e que...
- Eu estou noivo, Sam! – Dean falou bruscamente.
- O quê? – Sam sentiu seu mundo desabar.
- Isso mesmo que você ouviu.
- Noivo? Não, você não pode... Desde quando? - Sam não conseguia acreditar, não podia ser verdade.
- Faz quase três meses. Com uma garota da faculdade. Ela acabou de se formar em psicologia.
- Três meses? Então... – Sam se virou de costas, inconformado - O papai sabia?
- Sim, ele sabia.
- E por que ele nunca me falou?
- Ele queria que eu mesmo te falasse.
- Eu não acredito... Você nem tinha namorada da última vez que esteve aqui! Como alguém pode noivar em menos de um ano?
- Eu e a Danneel já éramos amigos desde o início da faculdade. De repente começamos a namorar e... Não é como se eu a tivesse conhecido ontem, entende?
- Não. Eu não entendo. Eu tenho a impressão que você está fazendo isso por outro motivo.
- Não fale bobagens, Sam. Eu sei muito bem o que eu estou fazendo. Eu a amo.
- Ama mesmo? Ou está fazendo isso pra fugir de alguma coisa?
- Não seja ridículo! Não há nada pra fugir. E eu não vou ficar aqui discutindo a minha vida amorosa com você. Está decidido e você vai ter que aceitar.
- O casamento já está marcado? – Sam perguntou num fio de voz.
- Não. Eu acabei de me formar, agora preciso arranjar um emprego. Mas é só uma questão de tempo.
- Isso é idiotice, Dean! Você não pode estar mesmo pensando em se casar!
- Eu estou fazendo uma idiotice? E o que você está fazendo é o que?
- O que eu estou fazendo?
- Eu vi você no carro do Brady!
- E o que tem isso?
- Eu não acredito que você esteja saindo com ele, Sam. O cara é um malandro e, pelo que eu soube, ele ainda tem namorada!
- Ele não a ama.
- Mesmo? E quem ele ama? Você?
- Por quê? Você acha que é impossível alguém me amar?
- Eu não disse isso. Mas ele é...
- Ele me ama, Dean. E quer ficar comigo. É o que eu quero também e você não tem nada com isso.
- Você acredita mesmo que ele vai largar tudo pra ficar com você?
- E por que não?
- Ou você é muito idiota, ou muito inocente. – Dean balançou a cabeça, inconformado.
- Deve ser mal de família. – Sam virou as costas e subiu as escadas, sem dizer mais nada.
Dean sentiu o celular vibrar em seu bolso e suspirou, vendo que era Danneel.
- Hey!
- Oi meu amor, que saudades! – Veio a voz doce do outro lado da linha.
- Oi, eu... Desculpe-me por não ter ligado. Eu tive uns problemas aqui e acabei esquecendo. Mas eu também senti muito a sua falta, me desculpe!
- Problemas? Com o seu irmão?
- É, mais ou menos. Está sendo difícil conversar com ele sem que a conversa termine em briga. Eu realmente não sei o que eu estou fazendo aqui.
- E por que você não volta pra cá? Tem uma cama quentinha aqui te esperando. – Danneel falou em tom provocativo.
- Eu não posso, Dan. Não por enquanto. Ainda tenho que encaminhar o inventário do meu pai, tratar do seguro e eu também não posso deixar o Sam assim. Eu só quero que a gente volte a se entender, eu preciso achar um jeito.
- Você vai encontrar um jeito, eu tenho certeza. Afinal de contas, você é Dean Winchester, esqueceu? – Danneel falou brincando - Deve estar sendo difícil para o seu irmão. Perder o pai e ter você de volta em casa, ele deve estar confuso.
- Que bom que eu vou me casar com uma psicóloga – Dean sorriu – O que seria de mim sem você?
- Hmm... Não se faça de modesto, meu amor. Você é o cara mais incrível que eu já conheci. Só tenha paciência com o seu irmão, está bem? Quando as coisas estiverem difíceis, tente se colocar no lugar dele.
- Eu vou fazer isso, prometo! Agora eu vou tentar dormir um pouco, porque o dia foi longo e cansativo. Mas eu te ligo amanhã, ok?
- Eu vou contar as horas. Te amo muito!
Dean desligou o telefone e subiu as escadas, pensando no quanto era sortudo por ter encontrado uma garota feito Danneel. Quando ainda eram apenas amigos, ela tinha sido a única pessoa para quem havia contado o que acontecera entre ele e seu irmão, além de todos os seus problemas. Ela tinha sido seu porto seguro desde então. Sempre tão compreensiva, tão carinhosa. Dean pensou que qualquer outra mulher no lugar dela teria fugido dele, mas ela estava sempre ao seu lado, o apoiando e o amando incondicionalmente.
Ao chegar à porta do quarto, a abriu devagar, vendo que Sam estava encolhido na cama com o cobertor lhe cobrindo até a cabeça. Sentiu uma súbita vontade de rir, pois tinha certas coisas que não mudavam nunca. Seu irmão tinha esta mania desde pequeno. Quando as coisas não aconteciam como ele queria, ficava emburrado e se enfiava debaixo do cobertor.
Dean sabia que Sam ainda estava acordado, mas apenas vestiu seu pijama e apagou a luz sem dizer nenhuma palavra. Tudo o que dissesse agora só serviria para começar outra briga. Adiou pelo tempo que conseguiu, mas do jeito que as coisas estavam, não tinha mais como esconder o seu noivado de Sam.
Tudo o que menos queria era ver o seu irmão sofrendo, mas não tinha como evitar. Sam teria que aceitar isso algum dia.
- x -
Sam saiu bem cedo e foi para o escritório de advocacia onde trabalhava durante o dia. Enquanto separava e examinava os papéis de um cliente, não conseguiu deixar de pensar no que Dean havia lhe falado.
Noivo. Seu irmão estava noivo e iria se casar. Mesmo querendo, não conseguia acreditar.
Sempre tivera esperanças de que algum dia Dean caísse em si e correspondesse ao seu amor. Esperava que quando ele voltasse para casa, depois de terminar a faculdade, pudessem se entender. Lá no fundo, queria acreditar que Dean o amava da mesma maneira. Talvez estivesse enganado.
O mais estranho era que Dean nunca se amarrava a ninguém. Dificilmente ficava com uma garota por mais de uma noite. Será que tinha mudado tanto assim? Estava sendo difícil aceitar.
Só esperava que Dean mudasse de ideia e desistisse desta besteira. Se ele chegasse mesmo a se casar, isso seria o fim de todos os seus sonhos, Sam sequer podia imaginar.
O moreno sentiu um aperto no peito ao pensar nisso, sentia-se tão sozinho, tão abandonado... Provavelmente assim que Dean resolvesse tudo a respeito da morte do seu pai ele iria embora.
Quem sabe fosse melhor assim. Eram irmãos, afinal. De uma forma ou de outra teria que aceitar e seguir com sua vida, só não imaginava que fosse assim tão difícil.
Sam pegou seu celular no bolso e ligou para Brady, combinando de encontrar-se com ele depois do trabalho no escritório.
Ligou também para Ellen dizendo que não iria trabalhar naquela noite. Precisava dar um jeito na sua vida, e quem sabe Brady poderia ser a solução.
Como combinado, depois do trabalho Sam foi encontrá-lo em um quarto de motel.
- Eu estranhei a sua ligação, afinal você nunca faltou ao trabalho no bar. O que foi que aconteceu? Não aguentou de saudades? – Brady falou em tom de brincadeira, puxando Sam pela cintura até a frente da cama, onde se sentou.
- Eu preciso falar com você – Sam parou de pé na sua frente.
- Aham... Depois a gente conversa – Brady falou enquanto abria o botão da calça de Sam.
- Brady! – Sam segurou suas mãos, chamando a sua atenção.
- Ok, nós podemos conversar primeiro, se é o que você quer. – Brady se rendeu e escorregou o corpo sobre a cama, ficando sentado com as costas apoiadas na cabeceira – O que é tão importante?
- Eu preciso saber o que você quer comigo.
- O que eu quero... Que pergunta é essa, Sam?
- Você vive dizendo que me ama, que eu sou tudo do que você precisa... Eu quero saber se isso é verdade ou é conversa fiada, só isso.
- É claro que é verdade. Por que esta desconfiança agora? Eu não faço tudo por você? Não faço todas as suas vontades?
- Então por que você continua com a Susan?
- Porque eu... Você sabe por quê.
- Não, eu não sei!
- Você vive fugindo de mim! Mal deixa eu te tocar, fica sempre arranjando uma desculpa pra não ir até o fim...
- Eu me lembro de você ter dito que esperaria até que eu estivesse pronto.
- Sim, eu disse. Mas... Por quanto tempo ainda? O máximo que você me permitiu fazer foi te chupar! Eu preciso de mais do que isso, Sam.
- Me leva pra morar com você? - Sam o encarou com os olhos pidões.
- O quê? – Brady tossiu, engasgando com a própria saliva.
- Não era isso o que você queria?
- Eu... Era! Mas não agora, eu... Você está falando sério? - Brady ainda estava em choque.
- Por que você acha que eu te chamei aqui?
- Escuta, Sam... Eu quero muito ficar com você, mas as coisas não são assim tão simples. Por que essa ideia agora?
- Eu não posso mais ficar naquela casa. – Sam se sentou na cama, colocando a cabeça entre as mãos.
- Por causa da morte do seu pai? Isso logo vai passar, você vai ver.
- Não é por isso, é porque... Esquece! Eu não sei o que eu estou fazendo aqui, eu... Eu sou mesmo um idiota. O Dean tinha toda razão.
- Sam! – Brady tentou chamá-lo, mas Sam já tinha saído pela porta, caminhando rapidamente pela rua.
Sentia-se tão perdido e tão confuso que nem se deu conta que encontraria seu irmão quando chegasse em casa.
- Sam! Onde você esteve? Eu te procurei no bar e...
- Por aí – Sam falou ofegante – Eu não fui trabalhar hoje.
- Aconteceu alguma coisa? – Dean perguntou ao perceber que algo não estava bem.
- Não, está tudo bem – Sam tentou disfarçar.
- Sammy, por favor? Por que você não se abre comigo?
- Você tinha toda razão, Dean.
- Do que você está falando?
- Do Brady. Ele não me ama porra nenhuma. Mas isso não é surpresa pra você, não é? Acabou tudo. Você pode ficar feliz agora – Sam falou com lágrimas nos olhos.
- Feliz? Você acha mesmo que eu fico feliz em ver você assim, arrasado? Sammy... Se existe alguém neste mundo que daria tudo pra poder ver você feliz, esse alguém sou eu. O que eu mais quero é que você encontre alguém que te ame de verdade, da maneira que você merece. Alguém que te respeite, que te valorize.
Sam não conseguiu dizer mais nada, apenas o encarava com o olhar mais triste que Dean já tinha visto.
- Eu sou seu irmão, Sam! Eu me importo com você. Eu gostaria... Gostaria que as coisas voltassem a ser como antes. Que nós voltássemos a ser amigos, que nós voltássemos a ser irmãos...
Continua...
