Título: Estranha Obsessão

Autora: Mary Spn

Beta: Thata Martins

Gênero: Wincest / AU

Sinopse: Dois irmãos em conflito. Um amor sem limites... Até onde uma obsessão pode nos levar?

Avisos: Trata-se de Universo Alternativo, Sam e Dean não são caçadores. É Wincest, portanto, contém cenas de relações sexuais entre dois irmãos.


Estranha Obsessão

Capítulo 3

Depois de uma noite mal dormida, Dean desceu as escadas e encontrou Sam na cozinha, com uma mochila nas costas, pronto para sair.

- Você vai trabalhar hoje? Em pleno sábado?

- Não, eu vou jogar basquete com alguns amigos no clube.

- Ah, ok – Dean tentou não demonstrar sua decepção, afinal, em outros tempos, com certeza seu irmão o convidaria para ir com ele - Vai ser bom você sair um pouco, se distrair.

Sam caminhou até a porta, parou por um instante e então se voltou, um pouco inseguro.

- Dean, eu também quero que as coisas voltem a ser como antes. Eu digo... Entre nós.

- Ótimo. – Dean forçou um sorriso.

- Você... Quer vir junto?

- O quê?

- Para o clube.

- Claro. Eu quero sim. Me dá um minuto pra eu trocar de roupa?

- Eu te espero no portão – Sam falou e finalmente sorriu, deixando Dean aliviado.

O clube ficava a três quadras da sua casa, então foram a pé.

Enquanto caminhavam, foram conversando sobre trivialidades e sobre os amigos de Sam, uma conversa bem descontraída e sem brigas desta vez.

- Sam, e por falar nos seus amigos, por onde anda a Jô? Eu não a vi no bar, nem no funeral do papai.

- Ela viajou com o pai, alguns dias antes do papai morrer. Não daria tempo pra eles voltarem, então...

- Ela viajou com o Bobby? E a Ellen deixou? – Dean perguntou espantado.

- Você sabe que o Bobby sempre acaba convencendo a Ellen. E quando a Jô quer mesmo alguma coisa, não adianta a Ellen querer convencê-la do contrário.

- E quando eles voltam?

- Por que tanto interesse? Você sempre achou a Jô uma pirralha!

- Porque mesmo sendo uma pirralha, ela sempre foi uma boa amiga pra você. E eu acho que você tem ficado muito sozinho ultimamente, só isso.

- Eu estou bem, Dean. Você não precisa ficar bancando o pai pra cima de mim.

- Eu não estou bancando o pai, eu só me preocupo com você. Não vamos brigar novamente, ok?

- Ok. Eles voltam amanhã. Pelo menos é o que Bobby prometeu pra Ellen.

- É estranho ver os dois separados, não?

- Hmm... Já faz tanto tempo. E depois, o Bobby nunca parou em casa mesmo!

- Sabe, eu sempre pensei que você e a Jô fossem namorar algum dia.

- Eu e a Jô? – Sam deu risadas – Você só pode estar brincando.

- Por que não? Eu acho a Jô muito bonita, apesar de ser um pé no saco.

- Eu também a acho bonita Dean, mas... nada a ver. Nós somos amigos, só isso.

- Se você está dizendo...

- Você vai jogar? – Sam perguntou assim que chegaram ao clube.

- Não, eu só vou assistir. Vai lá...

Dean se acomodou nas arquibancadas enquanto Sam correu para o vestiário, se juntando aos seus amigos.

O jogo começou e enquanto Dean o observava, sua mente estava longe dali. Lembrava-se de menos de dois anos atrás, quando vinha para casa nas férias da faculdade ou então em alguns finais de semana. Ele e Sam jogavam basquete no quintal de casa, com uma cesta improvisada. Sam geralmente ganhava, não só pela vantagem na altura, mas Dean tinha que confessar que seu irmão era muito mais ágil.

Um sorriso se formou em seu rosto com o pensamento. Bons tempos em que, quando brigavam, era por coisinhas banais e acabavam sempre fazendo as pazes no mesmo dia.

Saíam sempre juntos, para o futebol, para o supermercado, para jogar sinuca, para as baladas... Apesar da diferença de idade, eram inseparáveis.

Assim que Sam teve idade para sair, Dean o levava junto com ele e seus amigos. Isso fez com que Sam amadurecesse mais cedo, mas ao mesmo tempo criou certa dependência.

Quando foi embora há um ano atrás, Dean sabia que Sam não tinha perdido apenas um irmão, mas o seu melhor amigo. E agora seria difícil, senão impossível, reconquistar a sua confiança.

Dean estava tão concentrado em seus pensamentos que nem tinha percebido Brady se aproximar.

- Hey Dean! – Brady o cumprimentou e se sentou duas arquibancadas abaixo.

- Hey! – Dean respondeu apenas por educação, não queria conversa com aquele sujeito.

- Você vai ficar muito tempo na cidade?

- Por quê? Aí você fica mais à vontade pra manipular o meu irmão? – Dean falou com aspereza.

- O Sam...

- Sim, ele me contou.

- Olha, Dean...

- Eu não quero saber, ok? Só quero você o mais longe dele possível.

- Eu nunca manipulei o seu irmão.

- Não mesmo? – Dean ironizou.

- Ele tem vinte e um anos, Dean. Não é mais uma criança e sabe muito bem o que quer.

- Não vem com essa conversa de que conhece ele melhor que eu. Porque ninguém conhece. E eu nem sei o que você está fazendo aqui, afinal.

- Eu preciso conversar com ele.

- Ele não quer mais saber de você! Será que não entendeu ainda?

- Se ele não quiser, eu vou respeitar sua vontade - Brady falou calmamente, deixando Dean ainda mais irritado.

O jogo terminou e depois de se trocar, Sam veio na direção de Dean, só então percebendo que Brady também estava ali.

- Já podemos ir, Sam? – Dean mal esperou o mais novo se aproximar.

- Claro.

- Sam, eu... Será que nós podemos conversar? – Brady perguntou, se aproximando.

- Eu...

- Dez minutinhos, Sam. Por favor?

Sam olhou inseguro para Dean, percebendo a irritação do irmão. Mas achou injusto se negar a conversar com Brady, afinal, sabia que tinha agido feito um idiota no seu último encontro.

- Tudo bem. Você já pode ir, Dean. Eu... Eu vou depois.

- Tem certeza? – Dean sorriu com sarcasmo, balançou a cabeça em reprovação e saiu, visivelmente aborrecido.

Dean caminhou de volta para casa sozinho, já que não teve outra alternativa.

Pensou em ligar para Danneel, mas estava tão irritado que acabou desistindo. Ela perceberia na sua voz que havia algo de errado. Algo que nem ele mesmo conseguia entender ou explicar.

Estava certo do que queria para si, iria se casar, construir uma família junto de Danneel, começar uma vida nova. Sabia que depois disso, seu irmão também encontraria o seu caminho.

Mas tinha algo dentro de si, um sentimento mesquinho, egoísta, que não queria se livrar do passado. Quando este sentimento vinha à tona, Dean perdia completamente o seu lado racional. E em momentos como este, que estava vivendo agora, queria que Sam fosse seu, apenas seu.

Entrou em casa batendo a porta com força. Um misto de raiva e ciúmes o corroia por dentro. Ciúmes pelo fato de Sam ter escolhido ficar com Brady ao invés de voltar para casa com ele. E raiva de si mesmo, por não ter controle sobre este tipo de sentimento. Não gostava de se sentir assim, fraco, sentimental, vulnerável.

Ao entrar no quarto, sentou-se na cama do seu irmão. Deslizou as mãos pelos lençóis, sentindo a textura. O cheiro de Sam estava ali, impregnado. Assim como as lembranças daquela maldita noite. A noite em que perdera completamente o controle sobre si mesmo... A noite em que se deixara levar pelos seus desejos, sem sequer pensar ou se preocupar com as consequências... A noite em que tinha destruído a sua família.

Passara o último ano longe de casa, tentando entender o que tinha acontecido. Tentando entender por que tinha cedido com tanta facilidade as vontades de Sam.

Agora tudo parecia tão claro. Não só aquela noite, mas tudo o que havia acontecido antes. As palavras, os gestos, os toques... Tudo o que, sem perceberem, os levara por aquele caminho.

Dean olhou ao redor, revivendo tudo o que tinha acontecido ali, naquele quarto. Tantas noites acordara angustiado, sem poder dormir. Nestas noites, sem se dar conta, se sentava na beirada da cama de seu irmão e ficava observando-o dormir, ouvindo a sua respiração, ora calma, ora agitada. Não sabia por quanto tempo ficava ali, às vezes só observando, outras vezes colocando a mão sobre o peito de Sam, sentindo as batidas do seu coração, ou ainda deslizando a mão pelos fios do seu cabelo, fazendo um leve carinho.

Lembrou-se de algumas noites em que, na proximidade, sentira vontade de beijá-lo. Uma noite chegara até a selar seus lábios, muito suavemente, com medo que Sam acordasse e o flagrasse no ato.

Até que ponto isso podia ser considerado normal?

Dean fechou os olhos e mais lembranças vieram a sua mente. Três semanas depois de ter saído de casa daquela maneira, praticamente fugido, veio a ligação de John:

- Eu preciso de uma explicação, Dean – John falou com a voz calma, mas firme.

- Do que o senhor está falando?

- O Sam me contou tudo o que aconteceu entre vocês. Agora é a sua vez.

- O Sam... O que... O que ele... – Dean sentiu seu coração disparar. Não sabia o que dizer, não conseguia acreditar que Sam tinha mesmo contado a verdade ao seu pai.

- Tudo.

- Eu... E por que ele fez isso?

- O seu irmão surtou desde que você foi embora, Dean. Ele não come, não dorme, não conversa com ninguém. Passa o dia trancado no quarto, sozinho.

- Pai, eu não sabia, eu...

- Eu não vi outra saída e o levei quase arrastado ao médico. Este me indicou um psicólogo, mas o Sam se recusa a ir. Então hoje eu fiz uma última tentativa, o pressionei e pedi que ele se abrisse comigo, disse que não importava o que fosse, ele poderia me contar.

- E ele contou – Dean suspirou, desanimado.

- Há quanto tempo você sabia disso?

- Do quê?

- Droga! Isso não é conversa pra se ter por telefone, Dean! – John esbravejou – Há quanto tempo você sabia o que o seu irmão sentia por você?

- Desde... Um dia antes de eu partir. Eu estava arrumando as minhas coisas e ele apareceu no quarto, desesperado, queria que eu o levasse comigo.

- Só isso?

- Aí ele... Eu não sei direito o que aconteceu, quando eu percebi, eu estava... Encostado na porta, e... E a gente estava se beijando.

- E por que você não me disse nada?

- Porque... Eu pensei que... Que tinha sido só uma crise, que ele só estivesse confuso, sei lá. E o senhor não estava em casa, lembra?

- E antes disso?

- Nunca houve nada, eu juro! – Dean tinha a voz embargada.

- Mas você nunca... Dean, eu sei o que o seu irmão está sentindo, mas eu preciso saber o que se passa com você também.

- Nada, pai! Eu o amo como eu sempre amei, como um irmão. Só isso!

- E você nunca deu esperanças ou deu a entender que fosse mais do que isso?

- Nunca!

- Então por que, Dean? - Dean pôde ouvir John socar a mesa.

- Pai...

- Foi por sacanagem? Você quis saber como era, ou que diabos deu em você pra fazer algo assim?

- Eu... Eu não sei, eu...

- O Sam assumiu toda a culpa, disse que foi ele quem provocou, mas... Ele não estuprou você, então quer dizer que você também quis! Por que, Dean? Eu preciso saber por quê.

- Eu juro que eu daria tudo pra poder voltar atrás, pai. As coisas... Fugiram do meu controle. O Sam tinha desaparecido e quando eu o encontrei ele estava congelando na chuva, e... Eu tentei aquecê-lo, achei que... Eu tive muito medo de perdê-lo, pai! Eu tive muito medo. Então quando ele voltou a si, nós estávamos muito próximos e simplesmente aconteceu... Quando eu acordei no outro dia que eu me dei conta do que tinha feito, então eu...

- Então você foi embora.

- Eu pensei que era o melhor a fazer, não sabia como encarar o Sam depois disso.

- Eu preferia que vocês tivessem feito isso por sacanagem, eu juro!

- Por quê? Qual a diferença?

- Seria mais fácil de resolver. Eu saberia como lidar. Agora eu estou de mãos atadas, sem saber o que fazer pra ajudar o seu irmão. Droga, Dean! Eu podia esperar qualquer coisa do Sam, que sempre foi um tanto impulsivo e inconsequente, mas de você?

- Eu sinto muito, pai!

- Sente muito? Então coloque esse seu traseiro dentro de um avião e volte pra casa, para nós três conversarmos e resolvermos isso.

- Eu... Eu não posso, pai! Me desculpe! – Dean falou e desligou o telefone em seguida.

Depois desta conversa, tinha ficado quase dois meses sem ligar ou atender as ligações de John. Quando finalmente se falaram, seu pai não perguntou mais nada. Apenas disse que Sam estava melhor e que algum dia Dean teria que conversar com ele. A situação não poderia continuar assim.

Mas o tempo foi passando, chegou o natal, ano novo, o aniversário do seu pai. Tinha sido bem mais fácil arranjar uma desculpa para não aparecer em casa do que ter que encarar seu irmão.

O mais difícil era sentir a mágoa e a tristeza na voz do seu pai, mas John era um homem forte e Dean sabia que lá no fundo, ele o compreendia.

Dean voltou para a cozinha e começou a preparar o almoço. A manhã tinha passado tão rápido que nem se deu conta do quanto estava faminto.

Ouviu a porta da entrada se abrir e os passos receosos de Sam se aproximando.

O mais novo parou no batente da porta da cozinha, observando Dean sentado em frente à mesa, picando alguns legumes.

Dean não abriu a boca, apenas continuou com seus afazeres em silêncio, sem sequer levantar os olhos para o seu irmão.

- Você está zangado? – Sam finalmente perguntou, ao ver que Dean ignorara a sua presença.

- Tenho motivo para estar? – Dean respondeu secamente.

- Não que eu saiba, mas então por que essa cara?

- Me deixa em paz, Sam! Eu estou tentando fazer o almoço.

- Foi porque eu não voltei com você? – Sam se aproximou.

- Você faz o que quiser da sua vida, Sam. Eu não tenho nada com isso.

- Eu só... Nós apenas conversamos, esclarecemos as coisas, eu não tenho mais nada com o Brady. Mas nem por isso eu vou me tornar inimigo dele.

- Eu não estou nem aí, será que dá pra entender e calar essa boca? – Dean elevou a voz, sem conseguir esconder a irritação.

- Está bem, me desculpe – Sam foi até a porta, quando Dean voltou a falar.

- Eu só queria entender por que, com tanto homem e tanta mulher nessa maldita cidade, você foi escolher logo ele?

- Porque... Aconteceu, sei lá. E ele é bonito, bacana, inteligente. Ele até se parece um pouco com você.

Dean riu com sarcasmo.

- É um imbecil, um aproveitador e bem mais velho que você.

- Ele tem a mesma idade que você. E era o seu melhor amigo no colegial.

- Era! Você disse bem.

Agora foi Sam quem deu risadas.

- Vocês dois brigaram por causa de uma garota! E ela acabou não ficando com nenhum dos dois! O quão patético isso pode ser?

- Ele era meu amigo e ficou com a garota de quem eu gostava. Você quer mais motivos pra terminar uma amizade?

- Acontece que ele também era apaixonado por ela, só que você não deu chances pra ele se explicar.

- Vai defender o namoradinho agora?

- Eu já disse que ele não é meu namorado. Nós só... Deixa pra lá.

- Você deveria namorar alguém da sua idade.

- Isso era o que o papai dizia. Eu pensei que você não fosse tão antiquado, mas você é pior do que ele.

- Espera aí, você... Você falava com o pai sobre essas coisas? – Dean finalmente largou os legumes e o encarou, incrédulo.

- Falava. Por quê?

- Sobre tudo? Quero dizer, você falava com ele sobre o Brady e essas coisas?

- Aham.

- Mas que porra! – Dean deu um soco na mesa.

- Qual é o problema? – Sam não estava entendendo nada – Com quem mais eu podia falar sobre isso?

- Às vezes eu me pergunto se o pai que eu conheci é o mesmo que o seu...

- Dean...

- É sério! Desde quando ele se tornou esse homem liberal? Porque eu não o conheci assim!

- Acho que depois que você foi embora, não é que ele ficou liberal, mas... Nós fizemos um acordo.

- Que tipo de acordo?

- De contar tudo um pro outro. Não esconder nada. Mas parece que...

- O quê?

- Parece que só eu cumpria a minha parte, não é? Afinal ele me escondeu sobre o seu noivado o tempo todo. – Sam tinha mágoa na voz.

- Bom, isso era sobre mim, e não sobre ele. E eu já te falei, ele queria que eu mesmo contasse.

- Isso não muda nada.

- Vai ficar bravo com ele agora? Acho que não vai adiantar muito.

- Idiota! – Sam bufou e abriu a geladeira, pegando uma garrafa de suco.

- Vai me ajudar com o almoço ou não?

- Só se você desfizer essa tromba! Não combina com você – Sam falou brincando.

- Tromba? Olha só quem fala! Sabe qual é o seu problema, Sam?

- Hmm?

- Falta de surra!

Sam deu gargalhada.

- Você teve a sua chance. Agora eu sou maior que você!

Continua...