Título: Estranha Obsessão
Autora: Mary Spn
Beta: Thata Martins
Gênero: Wincest / AU
Sinopse: Dois irmãos em conflito. Um amor sem limites... Até onde uma obsessão pode nos levar?
Avisos: Trata-se de Universo Alternativo, Sam e Dean não são caçadores. É Wincest, portanto, contém cenas de relações sexuais entre dois irmãos.
Estranha Obsessão
Capítulo 8
Aquela tarde tinha sido uma das piores que Dean já tivera. Depois da conversa que tiveram e de todo o ocorrido, por mais que Sam disfarçasse e fingisse que estava tudo bem, Dean ainda podia ver a dor estampada em seu rosto.
Foram juntos até o cartório, advogado e seguradora. Finalmente estava tudo assinado e resolvido. A burocracia era algo que realmente irritava Dean. Uma das poucas coisas que realmente o faziam perder a paciência.
Quando voltaram para casa já eram quatro horas da tarde. Sam saiu dizendo que iria visitar um amigo e Dean resolveu ir visitar o túmulo de John, na esperança de que aquilo o fizesse se sentir um pouco melhor.
Passou em uma floricultura pelo caminho, estacionou próximo ao cemitério e caminhou até o túmulo do seu pai. Não gostava de ir a cemitérios. Tinha apenas quatro anos na época, mas ainda conseguia lembrar-se do enterro de sua mãe. Fora doloroso demais ver o seu pai, que antes fora sempre tão forte e alegre, segurando seu irmãozinho de seis meses no colo e tentando manter-se firme diante da dor.
Lembrava perfeitamente da hora em que o caixão fora baixado... Seu pai o abraçou com força, chorando e mantendo o bebê entre eles, como se quisesse protegê-los daquele sofrimento.
Sam teve sorte por não entender nada naquela época. Apesar de chorar pela falta da mãe, ele não tivera que presenciar a dor e o sofrimento do pai, dia após dia.
Mas seu pai era um homem forte e conseguiu manter-se de pé, conseguiu cuidar dos filhos, da melhor maneira possível e seguir em frente.
Depois disso, John nunca tivera um relacionamento durável com outra mulher. Dean se lembrava de seu pai dizendo que nenhuma mulher substituiria Mary em sua vida, que ela tinha sido a única que amou verdadeiramente.
Ajoelhou-se diante da lápide e depositou as flores que trouxera em frente a ela. As lágrimas escorriam livremente pelo seu rosto, mas em nada diminuíam a dor que sentia dentro do peito.
" Sabe de uma coisa? – Dean arrancava algumas pétalas das flores enquanto falava - Foi uma puta de uma sacanagem o que o senhor fez com a gente, pai!
Eu sei que não foi escolha sua, mas... Foi tudo muito rápido e eu não estava preparado pra isso... Eu nunca acreditei que o senhor pudesse simplesmente morrer... Ainda mais assim, de uma hora pra outra. Acho que eu ainda o enxergava como um tipo de herói, alguém imortal, sei lá... Era como se o senhor fosse estar ali para sempre – Dean secou as lágrimas e limpou o nariz na manga da camisa, fungando - Muita coisa podia ter sido dita, podia ter sido resolvida com algumas palavras, mas eu acabava deixando para outro dia, porque... Porque eu acreditava que o senhor estaria sempre lá. Droga!
Nós nunca chegamos a conversar direito sobre o que aconteceu entre eu e Sammy. Uma e outra palavra que dissemos ao telefone, não foram o suficiente. Não pra mim, e eu sei que para o senhor também não. Eu queria ter tido coragem de voltar, de pedir o seu perdão pessoalmente, mas... Eu não sei, cada vez que eu penso a respeito, mais certeza eu tenho de que fiz a coisa certa. O que eu e o Sam sentimos um pelo outro é algo que... Está acima da minha compreensão, pai. Me desculpe!
Eu não sei quando isso tudo começou. Eu sempre o amei tanto e sempre quis protegê-lo do mundo, e de repente... Talvez eu simplesmente devesse tê-lo protegido de mim mesmo. Desse meu amor doentio...
E agora? O que eu devo fazer? Devo ir embora? Devo fugir dele novamente? Eu me sinto um covarde... É, um covarde...
A minha vida inteira, desde que nós éramos crianças e o senhor me pedia pra cuidar do Sammy, eu sempre achei que estava fazendo um bom trabalho, sabe? Ver ele bem, ver ele feliz, era tudo o que me importava.
Mas agora é diferente. Eu já não posso mais fazer as vontades dele para agradá-lo. E eu não sei o que fazer, mas eu sei que ele está infeliz. Eu nem sei como ou por que ele está aguentando tudo isso... Aceitando a Danneel na nossa casa. Se fosse há algum tempo ele jamais teria aceitado esta situação.
Muitas vezes eu não sei o que esperar dele, eu só sei que algo mudou... Talvez durante este tempo em que estive fora, às vezes acho que já não o conheço mais como conhecia. E isso me dá medo. Era muito mais fácil quando ele me dizia o que estava sentindo, quando me contava tudo...
O senhor o conhecia melhor do que ninguém, não é mesmo? Ele deve sentir falta disso. De ter alguém que o compreenda de verdade. O senhor sempre foi tão paciente, sempre foi tão justo... Muitas vezes eu me pego pensando no que o senhor teria feito se nós dois resolvêssemos mandar tudo pro inferno e ficarmos juntos... Eu deveria ter perguntado quando tive chance. Agora nunca vou saber... - Dean sorriu de um jeito amargo – Eu só espero estar fazendo a coisa certa. Queria tanto que o senhor estivesse aqui pra me dizer! Queria tanto poder abraçá-lo só mais uma vez...
Desculpe-me por tudo pai! Pelas decepções e pelo sofrimento que eu causei. Vou deixar o senhor descansar em paz agora. Mas se o senhor estiver nos vendo, em algum lugar... Dá uma forcinha pra gente, vai?"
Dean ajeitou as flores mais uma vez sobre o túmulo, antes de se levantar e ir de volta para casa. Sabia que ninguém podia ajudá-lo neste momento, ninguém poderia arrancar toda a dor e culpa que carregava, teria que resolver seus problemas sozinho.
- x -
Danneel e Joanna voltaram no final da tarde e ficaram algum tempo na sala, conversando, já que estavam sozinhas em casa.
- Aquilo que você me contou sobre você e o Sam, foi só daquela vez? Nunca mais aconteceu nada entre vocês? – Danneel estava curiosa.
- Não, o Sam é apaixonado por outra pessoa e eu... Bom, nós somos grandes amigos, só isso.
- Impressão minha, ou eu senti uma pontinha de tristeza quando você falou isso?
- Tristeza? Não! Claro que não! – Jô tentou disfarçar.
- Você gosta dele, não gosta? Mais do que como seu melhor amigo.
- Eu não, sei, eu... Acho que eu o namoraria, se ele me quisesse, mas... Isso é um sonho impossível, Dan.
- Nada é impossível, Jô. Olhe só pra você! Você é uma mulher linda! E você o conhece melhor do que ninguém. Isso já é um grande passo, acredite!
- Mas ele... Não, sem chance! – Jô riu de si mesma, um pouco constrangida com o assunto.
- Talvez seja somente a maneira que ele enxerga você.
- Como?
- Vocês cresceram juntos, você sempre esteve ali, ao lado dele, como a melhor amiga. Sabe o que falta, Jô? Ele enxergar você como uma mulher.
- Isso nunca vai mudar, é o que eu sou para ele, a sua melhor amiga, nada mais.
- Eu aposto que se você me deixar te ajudar, ele vai passar a ver você com outros olhos... Vem comigo - Danneel pegou Jô pela mão e a levou até o quarto em que dormia com Dean, retirando do armário alguns vestidos e sapatos – Quero que você prove estes.
- O quê? Mas eu não...
- Eu tenho muitos vestidos e acabo não usando a maioria deles, Jô. E por sorte nós duas usamos o mesmo manequim, então... Se você gostar, pode ficar com eles.
- Eu não... Eu não posso aceitar, eu... – Joanna não sabia o que dizer, os vestidos deveriam ter custado muito caro.
- Por que não? Você é tão bonita naturalmente, Jô. Com estes vestidos e um pouco de maquiagem, vai realçar a sua feminilidade, você vai ficar ainda mais linda!
- Você acha mesmo que ele vai gostar? – Jô franziu o cenho, insegura.
- Eles podem até não admitir, mas todo homem gosta de ver uma mulher arrumada e bem vestida. Pode confiar em mim.
- x -
Sam não queria se deparar com Danneel quando ela e Jô voltassem, e muito menos ver ela e o irmão juntos, então saiu para ver os amigos no final da tarde.
Por sorte, assim que ela e Jô voltaram, a loira ligou para o seu celular, o convidando para irem ao cinema e Sam aceitou sem nem mesmo querer saber qual era o filme que iriam ver.
Tomou um banho, se vestiu e desceu até a sala para esperar por Jô, mas tomou um susto quando viu que a loira já o estava esperando. Sam sorriu abertamente ao ver a amiga com um vestido curto rodado e sandálias de salto alto. E não era só isso, ela estava maquiada e com o cabelo parcialmente preso, Sam pensou que não se parecia nada com a garota espevitada que corria por ali de jeans e botas todos os dias.
- Uau! Quem é você e o que fez com a Jô? – Sam brincou, fazendo a loira ficar levemente constrangida.
- Ela não está linda, Sam? – Danneel de repente apareceu, saindo da cozinha.
- Está sim. Muito linda – Sam ainda a olhava um pouco espantado – Mas pra que tudo isso? Você marcou algum encontro no cinema, ou algo assim?
- Então eu não posso me arrumar pra sair com o meu melhor amigo? – Jô fez bico, se fazendo de ofendida.
- Essa produção toda é só pra ir comigo ao cinema? – Sam sorriu abertamente – Os caras vão morrer de inveja, vamos lá.
Sam deu um beijo na bochecha da amiga e então pegou as chaves do carro que antes era de John e Dean havia consertado.
No cinema, Sam não conseguia deixar de estranhar o comportamento da amiga. Em primeiro lugar, fora a escolha do filme. Comédia Romântica... Jô riria da sua cara se algum dia a convidasse para assistir a algum filme do gênero e, definitivamente, não fazia o tipo dela. Ainda mais quando a história do filme, que Sam quase não estava prestando atenção, era baseada no relacionamento de dois amigos - melhores amigos - que acabaram se apaixonando um pelo outro.
E pior ainda era o fato de Jô a todo o momento ficar roçando sem querer a perna dela na sua, além de estar segurando a sua mão desde o início do filme. Com certeza, isso queria dizer alguma coisa, e Sam estava morrendo de medo de descobrir.
A situação já estava se tornando desconfortável, Sam não sabia o que tinha acontecido, afinal, ela nunca fizera nada assim antes. Decidiu fazer de conta que estava prestando atenção no filme para não ter que olhar para a amiga, caso ela estivesse pensando em tentar algo mais.
Quando o filme terminou, no caminho de volta para casa, Sam não sabia bem o que fazer. Ficou calado e só respondia quando Jô puxava conversa. Não queria magoar a amiga, mas também não daria margem para que ela continuasse com aquilo.
- Você não gostou do filme, Sam?
- Gostei! – Sam respondeu rápido demais - Quero dizer, não é bem o tipo de filme que eu curto, mas... Deu pra encarar – Sam sorriu, tentando levar a conversa numa boa.
- É que... Sei lá, você está tão quieto, pensei que estivesse aborrecido.
- Eu não estou aborrecido, só... – Sam tirou a mão do volante e a passou pelos cabelos, em sinal de nervosismo – O que está acontecendo, Jô? Você nunca gostou de comédia romântica, e de repente se produz toda pra ir comigo ao cinema, e...
- Eu só quis ficar bonita pra você, tem algo de errado nisso? E aqueles filmes de terror que você gosta já estavam me enjoando.
- Ok! Nós não precisamos mais ver filmes de terror. Eu pensei que você também gostasse, me desculpe! E Jô... Você é bonita de qualquer jeito, com calça jeans, botas... Até mesmo quando acorda pela manhã você é bonita. Não precisa mudar o que você é pra chamar a atenção das pessoas – Sam falou sem querer magoá-la, enquanto parava o carro em frente ao bar.
- Você não entende nada de mulheres, Sam! Você é um idiota! – Jô bufou e bateu a porta do carro com força ao sair.
Sam voltou para casa, chateado. Se já não bastasse tudo o que havia acontecido naquele dia, agora ainda tinha conseguido deixar sua melhor amiga brava.
Foi direto para o quarto, ignorando a presença de Danneel e Dean na sala. Tirou suas roupas e deitou-se na cama, pois tudo o que precisava era de uma boa noite de sono. Pelo menos enquanto dormia, os problemas desapareciam da sua mente.
- O que foi que deu nele? – Danneel perguntou, estranhando a atitude de Sam – Será que a ida ao cinema com a Jô não foi boa?
- Cinema com a Jô?
- Sim, você devia ter visto como ela estava linda! – Danneel sorriu, empolgada – Você não acha que eles formam um casal bonitinho?
- Quem? – Dean não estava entendendo nada.
- O Sam com a Jô! Eles não são fofos juntos?
- Eles são apenas amigos, Dan. Você está vendo coisa onde não existe.
- Nós dois também éramos amigos, lembra? Quem sabe com um empurrãozinho eles não possam ficar juntos?
Dean forçou um sorriso e tratou de mudar de assunto, afinal, falar sobre Sam, depois do que havia acontecido entre eles, não era mesmo uma boa ideia.
Ambos assistiam a um filme e Danneel já estava com sono, quando resolveu ir para o quarto.
- Acho que eu já vou me deitar, amor. Você vem? – A ruiva lhe estendeu a mão, com um sorriso convidativo no rosto.
- Eu vou assistir mais um pouquinho, pode ir, eu já subo em seguida – Dean disfarçou. Tudo o que menos queria agora era fazer amor com Danneel. As lembranças do que havia acontecido pela manhã ainda estavam frescas demais em sua mente.
- Ok, eu vou te esperar na cama – Danneel subiu as escadas em direção ao quarto, um pouco decepcionada.
Dean nem sequer estava interessado no filme, mas ainda ficou algum tempo na sala, torcendo para que a ruiva dormisse logo.
Depois de algum tempo, subiu as escadas em silêncio e antes de ir para o seu quarto, abriu a porta do quarto de Sam. Ficou alguns minutos ali, parado na porta, apenas o observando dormir. Sua cabeça estava tão confusa e o seu coração tão em pedaços que Dean não sabia até quando poderia aguentar esta situação.
Fechou a porta devagar e caminhou até o seu quarto, sentindo-se aliviado ao ver que Danneel dormia profundamente. Olhou para a sua noiva, admirando o quanto ela era bonita. Danneel tinha sido uma grande amiga, uma força muito grande quando Dean havia saído de casa, depois que tudo acontecera. Ela era doce e compreensiva, e acima de tudo, o amava incondicionalmente. Isso só fazia com que Dean se sentisse ainda pior. Ela não merecia o que ele estava fazendo, não merecia ser traída daquela maneira.
Lá no fundo, Dean sabia que precisaria tomar uma decisão em breve, pois esta situação não poderia continuar. Seu coração chegava a doer em pensar que um dos dois sairia muito magoado nesta história. Estava sendo difícil demais escolher, mesmo sabendo que o mais acertado seria deixar Sam seguir sua vida e casar-se com Danneel, seu coração insistia em dizer o contrário.
Continua...
N/A: Hoje é dia de fazer os meus leitores felizes... Minha segunda atualização! (A outra é "Ironia do Destino)
Muito obrigada a quem está acompanhando. Se continuam gostando, ou não... Me deixem saber, ok? Adoro vocês! *-*
Beijokas da Mary!
