Estranha Obsessão
Capítulo 12 – Final.
Dean já tinha conversado com advogados, verificando se havia alguma possibilidade de tirar seu irmão daquela clínica. Pensou que, talvez, se assinasse algum termo se responsabilizando por ele, o deixassem sair, mas estava enganado.
Para o seu desespero, Sam ficaria internado até que seu psiquiatra o julgasse capaz para voltar a viver em sociedade. E isso é o que o deixava ainda mais indignado. Seu irmão não era nada daquilo pelo qual estava sendo acusado. Ele não era violento, não tinha transtornos de personalidade, não era nenhum animal que precisasse ficar enjaulado, ou, no caso, dopado, para não se tornar agressivo.
Sam era doce e gentil, era tímido, embora bastante teimoso, aquele que sempre colocava os outros em primeiro lugar. Era aquele que tinha um coração enorme, capaz de abraçar o mundo. Mas por que ninguém, além dele, Dean, enxergava isso?
As coisas só pioraram com a visita de Daneel à clínica.
- Olá, Sam! - Danneel entrou no quarto, um pouco apreensiva.
O moreno estava deitado na cama, vestindo a roupa branca da clínica, com o olhar distante, completamente dopado.
- Eu... Eu gostaria de te dizer que eu não guardo nenhum rancor, Sam. O que aconteceu, eu sei que você deve ter tido os seus motivos, mas eu estou tentando esquecer aquilo e, eu só espero que o dia em que você sair daqui, que nós três possamos ser uma família. Uma família de verdade. - A ruiva segurou a mão do moreno - Os preparativos do casamento continuam... É uma pena que você não esteja conosco neste momento.
Danneel sentiu sua mão sendo apertada com força e tentou soltá-la, mas tudo aconteceu tão rápido... Fora pega desprevenida e de repente se viu deitada no chão, com as mãos de Sam apertando o seu pescoço. A ruiva lutava para se livrar das mãos do moreno e para poder respirar, até que um enfermeiro entrou no quarto e o tirou de cima dela à força. Logo mais dois enfermeiros entraram e lhe aplicaram um sedativo.
Danneel saiu da clínica aos prantos e muito assustada. Não esperava por aquilo e muito menos que Sam tivesse outra crise, justamente durante a sua visita.
Depois do incidente, Sam fora transferido para a área de isolamento da clínica, sem poder sair do quarto e sem poder receber visitas. Nem mesmo Dean pode ir visitá-lo e isso o deixara ainda mais frustrado.
O loiro estava praticamente entrando em depressão. Sentia-se de mãos atadas diante daquilo, sabendo que seu irmão estava preso naquela clínica e sem poder fazer nada para tirá-lo de lá.
Seu relacionamento com Danneel também estava abalado. A ruiva já estava ficando cansada da sua falta de interesse nos assuntos relacionados ao casamento, ou a qualquer coisa que não fosse o seu irmão. Até mesmo o sexo entre os dois já não era a mesma coisa, ela sentia que Dean a evitava, geralmente ele só ia para a cama quando ela já estava dormindo.
Já tinha se passado quase um mês e, percebendo que o seu noivo só piorava, ficando cada vez mais distante e deprimido, ela resolveu tentar ajudá-lo.
- Amor, eu conversei com o diretor da clínica hoje, por telefone. - Danneel sentou-se ao seu lado no sofá da sala e falou com cuidado, pois sabia que Dean estava muito sensível e reagiria a qualquer coisa ligada ao seu irmão.
- Dan, eu já pedi pra você ficar fora disso! - Dean levantou a voz. - Você viu o que aconteceu da última vez em que se meteu, e o meu irmão foi parar na área de isolamento...
- Eu só estou tentando ajudar, Dean! Eu pensei que... Se nós pudéssemos trazer o Sam para passar um final de semana aqui em casa conosco, seria bom tanto para ele, que se sentiria mais à vontade em casa, como para você, pra poder te animar um pouco. Eu já não aguento mais ver você desse jeito, meu amor!
- Eles não irão liberá-lo, você sabe disso. – Dean suspirou com tristeza, escondendo o rosto entre as mãos.
- Você se esqueceu que eu sou psicóloga? Por isso eu conversei com o diretor. Se eu assinar um termo, me responsabilizando por ele nestes dois dias, acredito que não haverá problemas. – Danneel acariciou os cabelos do loiro enquanto falava.
- Você acha que consegue? – Dean ficou esperançoso.
- Eu irei pessoalmente até a clínica para conversar com o diretor e o psiquiatra dele. Pela breve conversa que tivemos ao telefone, eu estou bem animada, acho que posso conseguir.
- Acho que o Sam vai gostar de voltar pra casa, não é? Mesmo que seja por apenas dois dias. – Dean finalmente sorriu.
- Se for pra eu poder ver este sorriso de novo, eu farei qualquer coisa, meu amor. – Danneel beijou o noivo de uma maneira carinhosa.
A ruiva conseguiu a liberação da clínica e Dean contava os dias para que o final de semana chegasse. Organizou a casa e comprou as comidas que seu irmão mais gostava.
Queria muito que Sam se sentisse feliz e confortável. Queria que se sentisse amado, e queria, acima de tudo, que um milagre acontecesse e que ele pudesse voltar para casa de uma vez.
Por ora, estava feliz por poder tê-lo em casa novamente, mesmo que fosse por apenas dois dias.
Quando o final de semana finalmente chegou, no sábado logo cedo, Dean e Danneel estavam na recepção da clínica, onde a ruiva recebia mais algumas instruções e assinava alguns papéis.
Dean foi até o quarto de Sam e o ajudou a vestir uma roupa confortável e tênis, afinal, em casa ele não precisaria usar aquelas roupas da clínica.
O loiro esperava que ele estivesse animado para ir para casa, mas Sam parecia distante, indiferente ao que se passava ao redor.
Dean o levou até o carro e se sentou com ele no banco de trás, enquanto Danneel dirigia. Sam não dissera mais que meia dúzia de palavras durante a viagem, olhava o tempo inteiro pela janela, mas parecia alheio a tudo. Provavelmente o efeito dos remédios, Dean esperava que ele melhorasse ao chegar em casa.
Já em casa, Sam recebera a visita de Ellen, Bobby e Jô, mas nem na presença deles demonstrara algum interesse ou esboçara alguma reação. Conversaram um pouco, mas logo Sam perdia a concentração e falava coisas sem sentido, fazendo Dean pensar que tipo de drogas estavam dando a ele, para que ficasse tão fora de si.
E como se já não bastasse a culpa que carregava, ainda teve que lidar com o olhar de reprovação de Ellen e Jô quando foram embora.
Sam passara a maior parte do dia em seu quarto, deitado na cama, abraçado a um travesseiro, como se aquilo pudesse lhe dar um pouco de conforto. Brady também viera visitá-lo e passou algum tempo no quarto com ele. Quando desceu, Dean estava sozinho na sala, perdido em seus pensamentos.
- Deve estar sendo uma barra pra você, não é? – Brady comentou, vendo o quanto o loiro parecia arrasado.
- Isso tudo está acabando com ele e eu tenho que ficar assistindo, sem poder fazer nada... Eu já não aguento mais, eu... Eu não sei o que fazer. Pensei que ele ficaria feliz em poder estar em casa, mas... Ele está tão chapado de remédios que sequer pode perceber isso.
- Ele percebe, Dean. E me pareceu bem confortável e tranquilo. Você fez o que pôde, não adianta ficar se torturando por causa disso.
- Será mesmo que eu fiz o que pude? Como foi que eu deixei as coisas acabarem desse jeito, Brady? – Dean tinha lágrimas nos olhos, estava mesmo desesperado.
- Ele precisa muito de você, Dean. Agora mais do que nunca. Você precisa ser forte pra segurar as pontas, cara...
- É, eu sei... – Dean passou a mão pelo rosto, secando as lágrimas.
- Eu preciso ir agora, mas... Se precisar de alguma coisa, você sabe que pode me chamar, não sabe?
- Sei sim, Brady. Obrigado.
Danneel havia saído e demoraria a voltar. Assim que Brady fora embora, Dean respirou fundo, criando coragem, e subiu até o quarto de Sam.
- Hey! Preguiçoso! – Dean brincou, chacoalhando os ombros do irmão. – Está na hora de tirar esse traseiro da cama, você precisa tomar banho, sabia?
Sam, que antes estava deitado de bruços, com a cabeça enfiada no travesseiro, se virou, resmungando alguma coisa, mas sorriu assim que viu que era Dean.
- Eu já tenho que ir embora? – O moreno perguntou, um pouco assustado e Dean teve certeza que ele estava lúcido naquele momento.
- Não. Hoje não. Sam, eu não tenho permissão para sair dessa casa com você, mas nós podemos fazer alguma coisa, se você quiser... Sei lá, talvez algum jogo, ou ver um filme...
- Acho que eu não vou conseguir me concentrar por muito tempo. – Sam sorriu sem graça. – Só... Fica um pouco aqui comigo?
- Claro! Claro que eu fico. Mas só depois que você tomar um banho, ok?
- Está bem. – Sam se levantou rapidamente e sentiu um pouco de tontura, então Dean o ajudou a ir até o banheiro.
O loiro tirou sua própria camisa enquanto ajudava Sam com o banho, e fez guerra de espuma para tornar o momento descontraído, não queria que seu irmão ficasse envergonhado por precisar de ajuda.
O ajudou também a se barbear e a secar-se, e quando o moreno se deitou na cama, vestindo apenas uma boxer branca, Dean não pôde deixar de observar que ele tinha emagrecido.
Mesmo assim, seu corpo não deixava de ser desejável, e Dean se amaldiçoou pelos pensamentos que invadiram sua mente naquele momento. Quando se deu conta, Sam o olhava de um jeito que... "Daquele" jeito, que fazia Dean enlouquecer.
Dean se sentou na beirada da cama e inconscientemente passou a língua pelos lábios, chamando ainda mais a atenção de Sam. Sentia saudades do seu irmão, do seu corpo, dos seus lábios, da sua pele e, acima de tudo, da sua companhia. Não era apenas algo sexual, era muito mais do que isso. Era como se Sam o pertencesse, como se fosse uma parte de si.
Inclinou-se e encostou sua testa na do mais novo, sentindo a respiração dele em seu rosto. Ambos fecharam os olhos, curtindo aquele momento tão íntimo.
Os lábios do loiro roçaram pelo rosto de Sam, sentindo a textura macia da sua pele recém barbeada. Suas bocas se encontraram num beijo suave e quente, úmido e lascivo... Quando Dean abriu os olhos, notou que Sam tocava seu próprio membro por cima da cueca. Apesar do desejo que o consumia, apesar da vontade insana de possuir seu irmão, sem pensar em mais nada, Dean sabia que não seria capaz. Não enquanto não tivesse certeza de que seu irmão estava cem por cento ciente do que estava fazendo. Mas não seria tão errado assim se apenas lhe desse um pouquinho de alívio, não é mesmo?
Dean olhou mais uma vez para o corpo de Sam e sentiu sua ereção pulsar dentro do jeans. Decidiu que depois poderia dar um jeito nisso.
Voltou a beijar seu irmão com paixão, descendo sua boca pelo seu maxilar e pescoço, arrancando pequenos gemidos do mais novo.
Sua mão entrou pelo tecido da boxer dele e segurou seu membro com firmeza, para então massageá-lo com perícia.
Sam empurrava seu quadril para cima, gemia e ofegava, deixando Dean ainda mais louco de tesão. Teve que usar todo o seu autocontrole par não acabar fazendo uma besteira.
E quando, ao atingir o orgasmo, Sam gemeu seu nome, o loiro sentiu lágrimas embaçarem seus olhos. Como podia amar seu próprio irmão daquela maneira insana? E como um amor tão puro e verdadeiro podia ser considerado algo errado?
Suspirou e beijou seu irmão mais uma vez, antes de limpar sua mão na toalha de banho que Sam usara. Limpou também a barriga lambuzada dele e sorriu quando ele se virou de lado e dormiu, se encolhendo na cama.
Colocou o cobertor sobre ele, recolheu a toalha suja e depois foi para o banho, precisava aliviar-se antes que acabasse enlouquecendo.
- x -
Já no domingo, Sam não parecia nada bem. Tinha poucos momentos de completa lucidez e passou o dia todo calado, com o olhar vago, sem dar atenção ao que acontecia ao seu redor.
- Tem algo de errado, Dan. Isso não pode ser normal. – Dean andava de um lado para o outro dentro da casa, inconformado.
- É assim mesmo, Dean. Esse transtorno...
- Transtorno? – Dean a interrompeu. - O Sam era completamente normal até algumas semanas atrás. Ninguém enlouquece de uma hora pra outra, Dan!
- Eu não estou dizendo que ele é louco, Dean! Mas você não pode negar que ele tem um transtorno obsessivo quando se trata de você. Talvez você nem percebesse porque convivia com ele desde criança e muita coisa acabava achando normal...
- Eu não quero ouvir isso, por favor? Eu só sei que eu preciso tirar o meu irmão daquele lugar. Esses remédios estão acabando com a sanidade dele!
- Você sabe que não tem como, ele...
- Tem! Basta você retirar a queixa e dizer que houve um engano. – Dean falava sem pensar. Queria desesperadamente acreditar que houvesse uma solução.
- Engano?
- Você pode dizer que vocês discutiram e acabaram se agredindo e sua blusa foi rasgada sem querer, no meio da briga.
- O quê? – Danneel praticamente gritou, não acreditando no que Dean estava dizendo.
- Tem certeza que não foi isso o que aconteceu? – Dean tinha quase certeza que sim, havia algo de errado naquela história toda. Conhecia Sam bem demais para acreditar que ele fosse capaz de fazer uma barbaridade daquelas.
- Dean... – A ruiva forçou uma risada, nervosa. – Você sabe o que aconteceu! Você viu do que o seu irmão é capaz e ainda assim o está defendendo?
- Eu preciso cuidar dele, Dan. Ele está há um mês naquela maldita clínica e tudo o que vejo é ele ficando cada vez pior.
- De qualquer maneira, Dean... Eu sou sua noiva, esqueceu? Você parece que não está nem aí para o que ele fez... Ele quase me estuprou! E você fica o defendendo... Ele não é mais uma criança!
- Dan... E prometi ao meu pai que cuidaria dele, e é o que eu vou fazer, não me importa o que ele faça. Ele é o meu irmão. Minha única família!
- Eu sei. E é por isso que eu assinei aquele maldito termo de responsabilidade. Pra você poder ficar perto dele por mais tempo. Agora eu já não sei mais se fiz a coisa certa... – Danneel tinha mágoa na voz.
- Me desculpe, Dan, eu... Eu já não sei mais o que estou fazendo! – Dean suspirou, passando a mão pelos cabelos.
- Eu sei! Mas eu estou aqui com você, e estarei sempre. – A ruiva o abraçou carinhosamente. – Você não está sozinho, meu amor.
- x -
Sam fora levado de volta à clínica no final da tarde, mas parecia que não estava nem ciente do que estava acontecendo. Dean o deixou lá com o coração apertado e, mesmo sabendo que o irmão não estava lúcido, o abraçou apertado ao despedir-se.
- Sam... – Dean tocou seu rosto com carinho. – Eu vou tirar você deste lugar, eu prometo! Eu estou tentando pelos meios legais, mas se eu não conseguir, eu tiro você daqui nem que nós tenhamos que fugir para o México. Eu prometo, Sam! – O loiro beijou o rosto do seu irmão e saiu, segurando a vontade de chorar.
A segunda-feira estava sendo um inferno. Dean já não suportava mais passar o dia inteiro em casa com Danneel. Não tinha certeza do que realmente acontecera naquele dia, mas, inconscientemente, sabia que a estava culpando pela situação em que seu irmão se encontrava. Ou pior, culpava a si mesmo, afinal, era ele quem tinha trazido Danneel para dentro de casa. Lutava contra estes sentimentos, mas era praticamente inútil. Pensou que acabaria entrando em depressão, caso não fizesse alguma coisa a respeito.
Quando Danneel saiu para ir ao supermercado, Dean foi até o quarto de Sam e se sentou em sua cama. Pegou seu travesseiro e aspirou aquele cheiro tão familiar.
Lembrou-se da noite de sábado, quando seu irmão estivera ali, e a saudade só machucou ainda mais.
Tivera a chance de assumir o que sentia por seu irmão e de fazê-lo feliz. Mas por se importar demais com o que os outros pensariam a respeito, por achar que era errado, acabara transformando a vida de ambos num inferno.
Deixou toda a frustração e arrependimento que sentia o invadirem e chorou feito uma criança, os soluços abafados pelo travesseiro de Sam.
Minutos mais tarde, já um pouco mais calmo, Dean se sentou diante da escrivaninha, ligando o laptop de Sam. Só então se lembrou que tinha colocado uma câmera naquele quarto e que provavelmente ela tinha registrado todas as imagens da noite de sábado. Precisava deletar aquilo antes que Danneel ou qualquer outra pessoa visse.
Abriu o vídeo no laptop e ficou alguns minutos apenas olhando a imagem do seu irmão dormindo. Parecia tão sereno, tão tranquilo... Correu um pouco o vídeo e logo vieram as imagens de quando entrou no quarto, viu sua própria imagem enquanto beijava e acariciava o seu irmão... Aquilo parecia tão certo, tão perfeito aos seus olhos. Era como se pertencessem um ao outro.
Adiantou as sequências de imagens, mas voltou o vídeo quando viu que Danneel estivera ali. Aquilo o deixou curioso, pois não sabia que sua noiva tinha estado sozinha com Sam.
- Hey Sam! - Danneel se aproximou da cama, sorridente. - Trouxe sua medicação, espero que você não se incomode porque... Tem algumas injeções para tomar. - A ruiva preparava a seringa enquanto falava.
Sam resmungou algo e fez uma careta quando ela espetou a agulha em seu braço, sem muita delicadeza.
- O que foi? Doeu? - A ruiva deu risadas. - Eu posso aplicar a outra no seu bumbum, se preferir.
Sam não disse nada, apenas puxou a manga da camiseta para que ela aplicasse no outro braço, fazendo outra careta de dor quando foi espetado.
- Agora engula isso. - Danneel colocou alguns comprimidos na boca do moreno e um copinho com água em seguida. - Já está se sentindo grogue? - A ruiva sorriu e passou a mão pelo rosto de Sam. - A segunda dose foi por minha conta, eu confesso. Mas você não vai contar a ninguém porque sequer irá se lembrar que eu estive aqui. É uma pena que as coisas tenham que ser assim, querido... Eu tentei ser sua amiga. Eu tentei. Bastava você ter ficado longe do Dean, bastava você se apaixonar pela sonsa da Jô e seguir o seu caminho. Mas não... Você tinha que ficar aqui, atormentando a nossa vida, seduzindo o seu irmão com esse seu jeito inocente e desprotegido... – Dean sentiu- se nauseado ao ouvi-la dizendo aquilo. Se não estivesse vendo com seus próprios olhos, não acreditaria.
- E sabe o que é melhor? – Danneel continuou. - O Dean acreditou em tudo. No vazamento de gás, na encenação do estupro... Eu fui uma boa atriz, não fui? – Ela riu, orgulhosa de si mesmo. - Alguns arranhões, um pouco de maquiagem, uma blusa rasgada... Droga! Eu gostava daquela blusa. Mas valeu à pena... Todo mundo acreditou que o Sammyzinho aqui foi um menino mau... Mas infelizmente o Dean ainda olha pra você "daquele" jeito... Só que eu vou dar um jeito nisso. - Danneel agarrou os cabelos de Sam, puxando sua cabeça para trás. - Com essa medicação toda, você vai ficar tão fora de si que vai chegar quase a babar e se rastejar pelo chão. Amanhã o Dean vai olhar pra você e não vai sentir outra coisa a não ser pena... E ele vai querer que você volte para aquele hospício o quanto antes, para poder se livrar de você. E quando eu finalmente me casar com ele, você vai ficar esquecido naquele lugar, para sempre! Agora tenha bons sonhos, meu cunhado querido. – A ruiva o largou na cama e saiu, fechando a porta com cuidado.
- Não! – Dean voltou as imagens, achando que estava enlouquecendo. – Ela não pode... Ela não pode ter armado isso tudo, ela... Como foi que eu não percebi? – O loiro socou a escrivaninha e puxou os próprios cabelos, com raiva.
- Maldita! O que você fez com meu irmão? – Dean falava sozinho, chorando, desesperado.
Mais tarde, quando finalmente conseguiu se acalmar, fez uma cópia daquela parte do vídeo em um pendrive. Aquilo tudo era horrível demais, mas pelo menos agora tinha provas que inocentariam seu irmão e Danneel pagaria por tudo o que fez.
Dean estava possuído pela raiva quando desceu as escadas carregando o laptop consigo. Danneel ainda não havia voltado, mas assim que chegasse, teriam uma longa conversa. Não havia explicação para o que ela fizera, mas ainda assim, Dean precisava saber por quê.
Uma hora depois, a ruiva chegou em casa e encontrou Dean encostado no balcão da cozinha. Cumprimentou-o com um beijo, que ele sequer correspondeu.
- Oi amor. Aconteceu alguma coisa? – Ela logo percebeu que seu noivo estava sério demais.
- Dan, eu gostaria que você me explicasse mais uma vez o que aconteceu no dia em que o Sam te atacou... – Dean tentou manter a calma.
- Por que isso, Dean? Você sabe o que aconteceu... Ele me agrediu, dizendo aquelas coisas horríveis. Por que voltar esse assunto tão doloroso?
- Tem certeza que foi assim mesmo? Não teria sido... Sei lá, você pode ter dado uma pancada na cabeça dele e depois ter machucado a si mesma pra fazer de conta que foi o Sam... – Dean a encarava com um olhar mortal.
- O quê? – A ruiva riu, nervosa. – Você está ficando louco?
- Eu achei que estivesse. Porque em nenhum momento eu acreditei que o Sam faria mal a alguém, nem mesmo a você... Até eu ver este vídeo. – Dean abriu o laptop e colocou o vídeo para rodar.
- O quê...? – Danneel parou boquiaberta ao ver as imagens. – Quem gravou isso?
- Pois é, eu havia colocado uma câmera no quarto do Sam, para saber como ele se comportava durante a noite, e olha só... – Dean deu de ombros, comprimindo os lábios.
- Espera, Dean... Não é o que você está pensando, eu posso explicar isso...
- Pode explicar? Mesmo? – O loiro riu sem humor.
- Isso não é real! O que eu falei não é real... Era só um teste pra ver se o seu irmão reagia. Eu achei que ele estivesse fingindo, e...
- Cala essa boca! – Dean gritou. – Além de tudo o que você fez para se livrar dele, você ainda o dopou! Como você pôde fazer isso, Danneel? Eu só consigo sentir pena de você! – Dean tinha desprezo na voz.
- Não! Você não está entendendo... Tudo o que eu fiz foi por amor! – A ruiva se ajoelhou aos pés de Dean. – Eu fiz isso por nós dois!
- Amor? Será que você consegue enxergar o quanto isso soa patético? – O sorriso do loiro era de escárnio.
- O que você queria que eu fizesse, Dean? – Danneel se levantou, secando as lágrimas do rosto. – Você nunca olhou pra mim do jeito que olhava para ele... Você nunca me amou de verdade... Como você queria que eu suportasse isso tudo? Ele é seu irmão! Como você pôde fazer isso?
- O que há entre eu e o Sam é problema só nosso. Eu ia me casar com você, Dan. Nada disso precisava ter acontecido... – Dean balançava a cabeça, indignado.
- Casar não era suficiente! Eu queria que você me amasse! – Danneel gritou, com a voz histérica.
- Queria que eu te amasse? Desta maneira? Prejudicando a pessoa que eu mais amo neste mundo?
- Eu precisava tirar ele do caminho... Ele...
- Chega Danneel! Chega! Eu não quero mais ouvir sua voz, eu não quero mais ver você na minha frente. Tudo o que eu quero agora é tirar o meu irmão daquela clínica...
- Não! Nós ainda podemos... Eu te amo, Dean! Você não pode me deixar! Não depois de tudo o que eu fiz em nome do nosso amor! – Danneel chorava desesperadamente.
- Amor? Isso não é amor, isso é doença! Você é quem precisa de tratamento!
- Não! – Danneel abriu a gaveta do armário e pegou uma faca pontuda, apontando-a para Dean.
- Dan, o que você...? Você está louca? Larga essa faca!
- Não! Você precisa me perdoar... Eu vou te fazer feliz, meu amor... Por favor? – A ruiva implorava, ainda com a faca apontada para o loiro.
- Dan, me dá essa faca, por favor? – Dean pediu gentilmente. A ruiva parecia enlouquecida, ele já não sabia como argumentar.
- Se você não pode ser meu, não vai ser de mais ninguém...
- Eu chamei a polícia, Dan. Eles já devem estar chegando. É melhor você parar com isso. – Dean falava com calma, mas no fundo estava com medo do que ela pudesse fazer.
- O Sam não vai vencer... – A ruiva riu. – Ele não vai ficar com você, porque você é meu, Dean!
- Dan... Me dá esta faca! – Dean insistiu, ouvindo a sirene da polícia se aproximando. Tinha ligado para a emergência quando ouviu o carro de sua noiva chegar em casa.
- Mande-os embora, Dean! – Ela gritou quando um policial apareceu na porta, apontando uma arma.
- Largue esta faca, moça! – O policial apontava a arma para ela. – Afaste-se dele e coloque a faca no chão!
- Dan... – Dean implorava com os olhos.
- Eu já disse que você não será de mais ninguém! – Num ato de loucura, Danneel enfiou a faca no abdômen de Dean, que caiu de joelhos, sangrando.
Um tiro pôde ser ouvido em seguida, e Danneel desabou no chão, seu sangue escorrendo pelo piso da cozinha...
- x -
Quando Dean despertou no hospital, mal pode acreditar, ao encontrar os olhos verdes de seu irmão o observando.
- Sam? Eu... – Dean piscou várias vezes. – Eu estou sonhando?
- Não. – O mais novo sorriu. – Eu estou aqui, Dean.
- Eu... Eu não me lembro direito do que...
- Calma, Dean! Você acabou de acordar, não pode fazer nenhum esforço.
- Mas o quê...? Há quanto tempo eu estou aqui?
- Três dias. Eles te doparam pra que você não sentisse dor, por isso você não se lembra de nada.
- E você? Como está? – Dean segurou a mão de Sam e o olhou, preocupado.
- Eu estou bem. – Sam disse sem olhar nos olhos do irmão.
- Quando você saiu da clínica?
- Há dois dias. Eu estou na casa da Ellen, não precisa se preocupar.
- Ah, que ótimo. – Dean engoliu em seco. – Sam, eu... Eu quero te pedir desculpas por...
- Não! – Sam o interrompeu. – Não foi culpa sua, Dean. Não tem do que se desculpar.
- Tem sim. Tudo o que você passou neste último mês, eu... Fui eu quem colocou ela dentro da nossa casa, Sammy. É tudo culpa minha. – Dean falou com a voz embargada. Queria poder abraçar seu irmão e fazer todas as lembranças ruins irem embora.
- Eu estou bem. Vai ficar tudo bem. Eu liguei pra faculdade e eles aceitaram que eu comece, mesmo com algumas semanas de atraso. – Sam tentou mostrar empolgação. – Tudo vai voltar ao normal agora.
- Que ótimo! – Dean sorriu, tentando demonstrar que estava feliz com a notícia. – Isso é ótimo, não é? Quando você começa?
- Na semana que vem.
- Ah. – Dean esperava ter mais tempo ao lado de Sam antes dele ir embora. - Mas não é muito cedo pra você ir... Quero dizer, você acabou de sair de uma clínica, e...
- Eu preciso seguir a minha vida, Dean. Quanto antes melhor. Eu só quero esquecer isso tudo, e... Bom, você sabe. – Sam tentou disfarçar, mas Dean podia sentir a mágoa em sua voz.
- Certo. Você tem razão. Vai ser bom pra você. Ambiente novo, novos amigos...
- É. – O moreno sentiu um nó na garganta, não sabia o que dizer. Não pensou que fosse ser tão difícil.
- Sam, eu... Eu posso perguntar o que houve com a Danneel? Ela foi presa, ou...?
- Ela... – Sam se virou de costas e caminhou até a janela.
- Sam? – Dean o olhou, desconfiado.
- Ela... Quando ela esfaqueou você, o policial atirou e... Ela não sobreviveu, Dean. – O moreno falou baixinho, como se isso pudesse amenizar a dor do seu irmão.
- Você está dizendo que ela...?
- Ela morreu. – Sam falou com pesar. – Eu sinto muito, Dean. – Sam não sabia se o abraçava, se dizia alguma coisa, ou se saía correndo dali.
O moreno foi até a janela e ficou olhando o movimento lá fora por alguns minutos, esperando que seu irmão digerisse a notícia. Sabia que ele ficaria muito abalado, afinal, era a sua noiva.
– Você quer alguma coisa? – Sam finalmente voltou para o lado da cama. – Eu posso trazer algo pra você comer, se quiser. Nenhum órgão foi atingido, então você não tem nenhuma restrição.
- Não, eu... Eu estou sem fome, Sam. Obrigado. – Dean tentou manter a voz firme.
- Dean, é... – Sam piscou demoradamente e respirou fundo. – Você vai ter alta dentro de alguns dias, e... A Ellen me prometeu que vai tomar conta de você. Mas se você quiser, eu... Eu posso ficar, Dean. A faculdade pode esperar.
- Não. De jeito nenhum, Sam. Eu já atrasei demais a sua vida, é hora de você seguir em frente. Eu vou ficar bem, eu juro!
- Você vai me ligar, não vai? Eu não vou conseguir ficar longe sem saber se você está bem. – Sam falou com os olhos marejados.
- Eu ligo todos os dias. Prometo! Você vai enjoar de ouvir a minha voz. – Dean brincou.
- Nunca! Eu nunca canso de ouvir sua voz... – Sam o olhou com ternura. – Vou deixar você descansar agora.
- x -
Seis longos meses se passaram e, enquanto Sam estava longe dali, cursando a faculdade, Dean tentava seguir com sua vida. Sabia que precisava tomar um rumo, arranjar um emprego e seguir uma carreira, afinal tinha estudado engenharia mecânica para isso, mas tinha optado por trabalhar na oficina de Bobby temporariamente.
O que era para ser um emprego provisório, já tinha se estendido por meses e Dean sabia que só estava adiando o inevitável. Sentia-se seguro e confortável ali, mas a saudade que sentia do seu irmão chegava quase a sufocá-lo.
Suas noites eram mal dormidas, com pesadelos que achava que jamais iria superar. Apesar de Sam tê-lo perdoado e, mesmo depois de todo o trauma, seu irmão estar se saindo melhor do que o esperado, Dean ainda carregava muita culpa pelo que acontecera.
Conversavam quase todos os dias, por e-mail, sms ou telefone. Era o momento do dia que Dean mais esperava... Ouvir a voz do seu irmão acalmava o seu coração e fazia o seu dia parecer melhor.
Mas não era o suficiente. Depois de pensar muito a respeito, finalmente Dean criara coragem de ir atrás dele. Chegou à cidade sem conhecer praticamente nada, se instalou em um motel vagabundo e saiu à procura de trabalho.
Em poucos dias, estava empregado em uma grande indústria, com um salário decente. Já era um bom começo. Alugou um apartamento, não muito distante da faculdade e só então foi procurar pelo seu irmão.
Viu Sam se despedir de alguns amigos e caminhar em direção ao portão da faculdade. Fisicamente, seu irmão não tinha mudado muito. Apenas os cabelos estavam um pouco mais compridos, o que o deixava ainda mais bonito. O mais novo só percebeu sua presença quando estava bem próximo, e o sorriso que ele abriu ao vê-lo valeu por todos os seis meses de espera...
- Dean! - Sam se aproximou, sem saber exatamente o que fazer. - Como...? O que você...? - O moreno não chegou a completar a frase, pois Dean o puxou para um abraço apertado.
- Eu senti tanto a sua falta, Sammy! - Dean falou quando se separaram do abraço, tinha os olhos marejados.
- Eu também. Mas... O que deu em você para aparecer aqui desse jeito? Aconteceu alguma coisa? - Sam o olhava, preocupado.
- Aconteceu. Eu... Eu não aguentava mais de saudades. - Dean sorriu sem graça. - Acabei de alugar um apartamento na cidade e consegui um bom emprego.
- Aqui? Isso é sério? - Sam parecia espantado. - Por que você não me disse nada?
- Não sei, eu... Eu queria te fazer uma surpresa, e... Também fiquei com medo de perder a coragem, então...
- Então você veio pra ficar? - Sam perguntou de um jeito sério.
- Sim, e eu... O apartamento é bem confortável, você pode vir morar comigo, se quiser. - Dean falou com empolgação.
- Eu... Não sei, é tudo tão repentino... Eu... – Sam coçou a cabeça, sem saber o que dizer. Aquilo o tinha pegado de surpresa.
- Tudo bem, você não precisa decidir isso agora. - Dean tentou disfarçar a tristeza que sentiu, diante da hesitação de Sam.
- Ta. Se você precisar de ajuda pra ajeitar suas coisas, eu estou livre todas as noites.
- Ótimo. Eu vou querer sua ajuda sim. Você sabe que eu sou péssimo com esse negócio de arrumação.
Nas noites seguintes, conforme prometido, Sam ajudara seu irmão com a arrumação dos móveis e a decoração do apartamento. Às vezes ia até lá apenas para assistirem filmes e comerem pizza, outras noites saíam para algum barzinho, e passavam a maior parte do tempo juntos.
Ainda assim, tarde da noite, Sam sempre voltava para o seu dormitório. Não que não sentisse vontade de ficar ali, na companhia de Dean, mas sabia o quanto aquela proximidade podia ser perigosa.
Cada vez que olhava para o seu irmão, sentia seu coração disparar, além dos pensamentos nada puros que tinha quando olhava para os seus lábios ou para o seu corpo. Seis meses longe dele não tinham modificado em nada o que sentia, e não tinha certeza que Dean sentia a mesma coisa. Talvez estivesse ali somente por não ter mais ninguém, ele não tinha deixado claro por que viera.
Depois de três semanas, Sam concordou em dividirem o apartamento. Estavam sempre juntos e sem dúvida o lugar era muito mais confortável do que o seu dormitório.
Certa noite, estavam sentados no tapete da sala, comendo pizza sobre a mesinha de centro. Conversavam sobre lembranças do seu pai e assuntos de família, quando Sam tomou coragem de tocar no assunto que vinha adiando há dias.
- Dean, você... Ainda pensa nela?
- Em quem?
- Na Danneel? - Sam apertou os lábios, com medo da resposta.
- Eu não vou dizer que não porque... Não vou mentir pra você, Sam. Eu ainda penso muito em tudo o que aconteceu. Mas eu não penso nela do jeito que você está pensando, quero dizer, eu nunca a amei, eu... Eu pensei que pudesse... – Dean suspirou e passou a mão pelos cabelos. – Eu pensei que pudesse te esquecer, que pudesse me casar com ela e levar uma vida normal... Sei lá. Mas eu estava enganado. Eu nunca consegui deixar de pensar em você. E não como um irmão deveria, se é que você me entende. – Dean forçou um sorriso.
- Por que você veio pra cá, Dean? – Sam não conseguiu evitar a pergunta que martelava em sua cabeça.
- Eu pensei que... Eu tinha esperanças que você pudesse me perdoar, e... E quem sabe... Quem sabe nós pudéssemos ter uma segunda chance... – Dean o encarava, esperançoso.
- Eu já disse que...
- Que não há o que perdoar. Que a culpa não é minha, eu sei. Mas eu também sei que lá no fundo, você ainda guarda alguma mágoa, mesmo que jamais admita isso. Fui eu quem te criou, esqueceu? – Dean sorriu, fazendo Sam sorrir também.
- Você tem certeza de que é isso mesmo o que você quer?
- Tenho. Eu nunca estive tão certo de algo em toda a minha vida. – Dean segurou a mão de Sam, que estava em cima da mesa.
- Você não está com medo? – Sam entrelaçou seus dedos com os do irmão.
- Estou. Mas eu tenho mais medo de ficar longe de você. Isso sim me assusta.
- A mim também. Por isso eu quase não acreditei quando você apareceu lá na faculdade aquele dia. Às vezes eu tenho medo que isso tudo seja um sonho, ou alguma alucinação da minha cabeça, e que eu acorde naquele hospício novamente.
- Não. Não é um sonho e você nunca mais vai voltar para aquele lugar. Eu estou aqui, Sammy. Eu sei que eu falhei com você, mas isso não vai acontecer novamente. Eu prometo!
- Você nunca falhou comigo, Dean. Você sempre esteve ao meu lado. – Sam engatinhou até onde Dean estava e se sentou entre as suas pernas, a cabeça encostada em seu peito, sentindo os braços do mais velho envolvê-lo com carinho.
Dean depositou beijos suaves nos cabelos e no rosto do irmão, ficaram ali abraçados por algum tempo, apenas curtindo a companhia um do outro.
Mais tarde, depois de limparem a mesinha da sala e colocarem as coisas em ordem, Sam foi para o banho; quando Dean viu que ele deixara a porta aberta, interpretou aquilo como um convite.
Tirou toda a sua roupa e entrou no box. Sam estava virado para a parede, a água escorrendo pelos seus cabelos e suas costas.
Dean se aproximou e o abraçou por trás, deslizando suas mãos pela cintura e abdômen do mais novo, sentindo os músculos firmes e a pele macia... Beijou seu ombro e pescoço, arranhando sua pele com a barba por fazer e mordendo de leve, se deliciando com os gemidos baixos do seu irmão.
- Sammy... – Dean esfregava sua ereção recém formada na bunda do mais novo e levou sua mão até o membro do outro, que se encontrava já tão duro quanto o seu.
Massageou-o de leve, arrancando mais gemidos do moreno. Logo Sam se virou de frente e suas bocas se encontraram num beijo quente e cheio de desejo, suas línguas se tocando de um jeito cúmplice e íntimo.
A língua de Sam percorreu o maxilar e o pescoço do loiro, descendo para o peito, enquanto suas mãos acariciavam as costas largas dele. Dean agarrou as nádegas de Sam e o puxou para si, suas ereções se esfregando, seus corpos colados e suas bocas unidas num beijo apaixonado.
Quase não podia acreditar que tinha Sam - o seu Sammy - em seus braços novamente, sem nada nem ninguém para impedi-los ou separá-los. Nada mais importava, além de terem um ao outro, saciando os desejos, não apenas de seus corpos, mas também de suas almas.
Dean saiu rapidamente do box para pegar o lubrificante no armário do banheiro, fazendo Sam dar risadas. Então o loiro o silenciou, voltando a beijá-lo, ao mesmo tempo em que escorregava seu dedo, agora lambuzado de lubrificante, na fenda entre as nádegas de Sam.
O moreno gemeu e apertou ainda mais as costas de Dean, ao sentir-se invadido por seus dedos, que abriam caminho e o preparavam com carinho. Quando sentiu que o outro estava pronto, Dean retirou seus dedos e empurrou o mais novo contra a parede do box. Ergueu a perna direita dele, envolvendo-a em sua cintura e o penetrou devagar, sentindo o corpo do outro se abrir para recebê-lo.
Os movimentos começaram lentos e foram ganhando velocidade, fazendo ambos gemerem na boca um do outro.
- Deeeean! – Sam gemia quando o loiro estocava com força, atingindo sua próstata e o fazendo ter espasmos de prazer. Seus dedos cravados na carne branca das nádegas do irmão, deixando marcas, o fazendo entrar cada vez mais fundo, o preenchendo por completo.
Dean continha a vontade de gritar cada vez que entrava e saía do corpo quente e acolhedor do mais novo, metendo com força e levando ambos à beira da loucura.
Já estavam no limite... Dean segurou o membro de Sam e o masturbou no mesmo ritmo de suas estocadas, e logo o líquido quente do irmão escorreu por sua mão e seu abdômen.
O loiro sentiu o corpo de Sam se contrair pelo orgasmo e gozou logo em seguida, se derramando dentro dele.
Permaneceram escorados um no outro, tentando recuperar o fôlego e a sanidade, até que Dean saiu de dentro do irmão com cuidado. Abraçaram-se e beijaram-se, deixando a água lavar o suor e o gozo dos seus corpos.
- Eu te amo, Dean! – Sam falou, ainda ofegante, olhando nos olhos do irmão.
- Eu também te amo, Sam! – O loiro segurou o rosto do mais novo entre as mãos e o beijou. - Meu Sammy...
Dean sabia que o que acontecera no passado não seria esquecido tão facilmente. Sam o perdoaria, tinha certeza disso e, quem sabe algum dia, Dean também pudesse perdoar a si mesmo.
O que sentiam um pelo outro tinha sobrevivido a todas as dificuldades e, com certeza, sobreviveria ao que estivesse por vir...
FIM.
Comentário da Beta:
Poxa vida, que final sensacional! Danneel maníaca do parque, fazendo de tudo pra ferrar com a vida do Sammy, deixando o Dean completamente louco de dúvida, dando uma de boazinha quando, na verdade, não passava de uma megera... E ainda tendo a cara de pau de ir até a clínica pra dar um oizinho pro cunhado... Mereceu a morte, com toda a certeza!
O desespero do Dean durante todo o capítulo me deu um desespero louco também. Vontade de pegar o Impala e levar os dois pra bem longe de tudo. E o final, com declarações de amor eterno... Ai, ai. Melhor do que qualquer filme do Nicholas Sparks, com toda a certeza.
Agora vamos para a nota.
Nota da beta:
Só devo avisar que qualquer erro encontrado na parte final deste texto é culpa da Mary, que escreve umas coisas tão quentes que eu até esqueço de me preocupar com a gramática.
Agora vamos encher a caixa de emails da Mary com comentários cheios de amor e pedidos de fics com psicopatas porque eu adorei isso aqui!
Obrigada por me deixar participar e ler antecipadamente (há, morram de inveja!), e pelo tantão de paciência comigo, beta gorda e desligada. Amei cada segundo de betagem e, se precisar de mim de novo, estamos aí.
Nota da autora:
É tanto discurso de final de fanfic que eu já nem sei mais o que dizer... hahaha.
Em primeiro lugar, quero dizer obrigada à minha beta linda, Thata Martins, por corrigir minhas gafes, por aturar minha insegurança e, principalmente, por deixar meu ego nas alturas com seus comentários... hahaha *me achando aqui*. Obrigada, de coração!
Aos meus leitores lindos e fofynhos... Obrigada pela paciência, pela consideração e pelo carinho! Adorei compartilhar mais essa história insana com vocês, e seus comentários foram muito, muito especiais... Amo vocês!
Agora, momento confissão: Eu fiquei louquinha pra fazer do Sam um psicopata no final... Mas ok, meu instinto "final feliz" falou mais alto desta vez... rsrs.
Espero não ter decepcionado com o final, e espero que tenham gostado da fic tanto quanto eu gostei de escrevê-la... Enfim, missão cumprida!
Um grande abraço e um beijo no coração!
Mary.
