Capítulo 4 - Uma batalha. Outra Prova de Fogo
- Chloris, anda depressa. – A amiga apresava-a, rapidamente tinha chegado ao Pártenon feito em honra de Athena. Seguiam com um grupo de turistas. Annabeth assim que entrou sentiu uma paz interior tomar conta dela. Lilia sorriu, Annabeth sentia aquilo que Lilia quando virá a luz, uma sensação de plenitude imensa, um conforto que normalmente não se sentia.
- Respira fundo, sabe bem… - Lilia disse baixo a Annabeth – É como estar em casa, novamente.
Annabeth sorriu, de facto era como estar em casa.
Subiram uma enorme escadaria, imensos turistas comiam gelados, conversavam e tiravam as típicas fotografias em família.
Chloris andava rapidamente até ao cimo da escadaria, aquele imenso sol dava conta dele, e aquele imenso e insuportável calor. Pelas cuecas do tio Hades, aquilo era demais.
- Chloris, priminha, não dá para ir mais devagar! – Percy queixou-se novamente – Vá lá! A esta velocidade chegamos lá e morremos!
- Não sejas maricas, isto não é nada! – Ela disse despachada, Percy fez uma cara de ofendido. – Eu não sou maricas! Que isso fique bem claro.
- Como a água – Chloris disse sarcástica – Não te preocupes!
- Hey! – Ele disse quase sem folgo – Esquece! – Sentou-se a meio das escadas, bebendo água – Eu preciso de descansar!
Os restantes sentaram-se ali. Apenas Lilia e Chloris continuaram.
- Fraquinhos! – Lilia comentou para Chloris. – Vamos lá a cima, de certo que encontramos alguma coisa!
As duas amigas subiram em menos de dez minutos os restantes degraus da imponente escadaria, e quando chegaram ao cimo, ficaram maravilhadas com a imponência e magnitude do templo. Era arrebatador. Rapidamente o sol que tanto brilhava deu lugar ao um momento de paragem. Lilia e Chloris apenas piscaram os olhos por segundo e o tempo parou, completamente.
- Lilia. – Chloris chamou assustada, a amiga assentiu, olharam para trás e puderam ver que mesmo Percy, Annabeth e Luke estavam parados na escadaria, como se fosse escadas. O tempo estava parado.
- O que aconteceu? – Lilia perguntou quando viram uma imensa luz brilhar ao fundo, como se lhe indicasse o caminho. A luz circundou torres e colunas, as duas raparigas seguiam atrás dela.
A luz cada vez mais, e andava como se soubesse exactamente onde deveria estar.
Encontraram uma enorme e velha pedra, possivelmente tinha feito parte do templo. Olharam a pedra e viram escrito.
Το σφάλμα της Αφροδίτης Μια αγάπη λάθος. Το τέλος των θεών1
Chloris leu a frase em voz alta de forma instintiva e rapidamente a pedra afastou-se dando lugar a umas escadas que desciam. Eram poucas… Lilia olhou para Chloris que lhe acenou. Ela pegou no colar que trazia ao pescoço e transformou-o na majestosa espada. Lilia retirou da mala o ar e a flecha de ouro.
Entraram cautelosamente naquela escada, rapidamente sentiram a pedra rolar atrás delas, de volta ao lugar inicial. Os calabouços eram espaçosos, mais do que alguma delas alguma vez podia deduzir, estavam iluminados nas paredes por tochas que brilhavam intensamente. Andaram alguns minutos, em silêncio, olhando atentamente de um lado para o outro, rapidamente sentiram uma intensa luz, forte. Tinham chegado a uma antecâmara, era ampla e no tecto brilhava uma claraboia toda em branco. Tinha um aspecto assustadoramente perfeito.
- Onde é que estamos Choe? – Lilia perguntou.
- Sejam bem-vinda, deusas! – A voz de uma mulher ecoou pela antecâmara.
- Amera… - Chloris disse baixo.
- Chloris, filha de Zeus e de Hera. É um prazer ter tão ilustre deusa debaixo do meu humilde tecto.
- Nós só queremos o diadema, deixa-nos leva-lo! – Lilia disse – Deixa-nos leva-lo.
Ela riu, era quase que tenebroso o riso dela, doentio.
- Lamento, mas não vai ser possível. Se não fosse a tua mamã nada disto tinha acontecido. Sabes isso…
A mulher era sem dúvida bela. Atrativa. De uma maneira talvez vulgar. Cabelos negros e olhos castanhos. Alta e extremamente magra. Os olhos traziam um brilho doentio, quase que se satisfazia de tão demente.
Lilia viu o diadema brilhar, no alto de uma enorme mesa no centro da sala.
- Ali Chloe. Temos que lá chegar!
- NÃO LILIA!
Tarde demais, Lilia corria em direcção ao diadema, surpreendendo todos até mesmo Amera que não contava com aquilo. Assim que lhe tocou sentiu como que um enorme remoinho engoli-la.
Chloris viu a amiga tocar o diadema e este a partir-se em mil bocadinhos.
- NÃO! MORRERÁS!
Amera correu furiosamente em direcção a Lilia, mas Chloris foi mais rápida. Num compasso de segundos, já Chloris tinha chegado, desferido um golpe em Amera. O sangue dela não era dourado como o dos deuses, era negro. Completamente negro, talvez porque a sua imortalidade não fosse verdadeira. Rapidamente a atrativa mulher foi ficando mais velha, mais feia e assustadora, parecia saída de um daqueles filmes de terror, até que virou completamente pó que rapidamente desapareceu.
Assim que esta desapareceu, o tecto começou a ruir, colunas caiam…
Chloris pegou na amiga e saiu o mais depressa possível dali. Com algum esforço chegaram a superfície no momento em que toda aquela majestosa sala se destrói por completo.
- ANNABETH! LUKE! PERCY!
Chloris gritou, no momento em que os semi-deuses voltaram a consciência. Contudo, todos os mortais continuavam parados.
- O QUE ACONTECEU?
Percy acorreu ao local. Lilia estava desmaiada e parecia demasiado fraca para acordar… Mal eles sabiam o que esta estava a passar…
Uma suave luz branca iluminava Lilia. Parecia o céu, apenas se distinguia do que esta conhecia pelas cores rosas suaves. Uma linda mulher estava parada lá, os olhos azuis eram resplandecentes e os cabelos loiros longos e bela, a mulher era hipnotizante.
- Mãe?
A voz de Lilia falhou, a bela mulher apenas lhe sorria.
- Minha pequena Lilia. – A voz da mulher era tão harmoniosa – Muito obrigada. Salvas-te o Olimpo.
Lilia sentiu os olhos molharem-se, devido as lágrimas, mas aquela paz que ela sentia era completamente indescritível.
- Graças a ti, tudo ficara bem. Estou tão orgulhosa de ti, pequena.
Sentiu a mãe aproximar-se e no momento em que as mãos desta lhe tocaram o rosto, uma enorme e preciosa paz a invadiu. Beijou a testa, ternamente, no momento em que Lilia abre os olhos novamente, vê a cara dos amigos.
- Lilia! Lilia, estás bem? – Chloris perguntou – Acabou tudo. Amera está morta!
Ao fim de algum tempo, já Annabeth, Luke e Percy sabiam de toda a história. De como Amera tinha morrido e de como Lilia e Chloris tinham saído daquele lugar.
- Mas há algo que não faz sentido – Interpôs Annabeth – Porque é que a Lilia se manteve acordada enquanto todos nós ficamos a dormir? E a Chloris consigo entender, afinal ela é uma deusa, mas a Lilia é uma semi-deusa como todos nós…
- A tarefa de recuperar o diadema foi dada a Lilia… Se calhar foi por isso que ela se manteve acordada.
- Eu estou aqui. – Disse Lilia levantando-se devagar. Annabeth e Chloris ajudaram Afrodite a levantar-se – Parem de falar de mim como se estivesse morta!
- Credo Lilia. – Disse Chloris – Não sejas parva.
- Onde está o diadema? – Perguntou Annabeth
- Com a minha mãe – Disse Lilia – Eu estive com ela.
- Não estiveste não. Estiveste sempre aqui. – Disse Percy.
- Não fisicamente, estivemos juntas… Sei lá, é estranho de explicar. Mas quando o Diadema se destruir, voltou para a minha mãe. Ele está mais calma agora. Tudo parece calmo agora…
- Mas há algo que não bate certo. Porque está tudo parado?
Olharam em volta, todos os mortais ainda estavam parados.
- Algo ainda não está bem! – Disse Chloris – É melhor voltarmos a acampamento.
Luke tentou abrir uma passagem, mas não funcionava.
- Luke despacha-te! – Disse Lilia impaciente.
- Não funciona. Não estou a conseguir. – Ele disse.
- Tenta abrir para outro sítio! – Propôs Chloris – Tenta para o Empire State Building.
Assim que Luke se concentrou imediatamente uma enorme passagem se abriu para eles. O tempo em Nova Iorque não estava normal, estava tudo parado como na Grécia, mas não havia sol ou lua no céu, nuvens ou qualquer outra coisa.
- Algo está errado! O QUE É AQUILO! – Disse Luke assim que viu um enorme vulto voar contra eles.
- Uma fúria. Baixem-se. – Disse Annabeth. Chloris tirou o colar e transformou-o numa espada. Annabeth tirou um punhal e Lilia o arco e as flechas.
E de repente de onde apareceu a fúria, apareceram muitas mais, muitos mais monstros.
- Nós estamos aqui para ajudar! – Ouviram uma voz atrás deles. Piper, Nico, Jason, Thalia, Marcus, Fyra… E muitos mais semi-deuses.
- PERCY! CHLORIS! – Disse Annabeth – Vão até ao monte Olimpo. Vejam o que aconteceu com os deuses. Nós tratamos disto aqui.
Eles assentiram. Chloris olhou para Luke e beijou-o rapidamente.
- Vemo-nos mais tarde. – A voz carregada de emoção – Amo-te.
- Têm cuidado meu anjo - Disse Luke – Até daqui a pouco.
Eles sorriram um para o outro. E Chloris correu para o elevador para junto de Percy.
- Para o último andar. E que a dracmas estejam do nosso lado. – Disse Chloris no momento em que sentiu o elevador andar furiosamente até ao último andar. Noutra qualquer ocasião ela teria ficado maldisposta ou simplesmente nem sairia do elevador, mas adrenalina era bem maior. E eles tinham bem mais para fazer, quando viram o Olimpo praticamente destruído e sem deuses a vista.
