Resgaste de doidos
A ilha apesar de lindíssima era bastante sinuosa. Poseidon seguiu com por um dos lados com Percy, Chloris e Luke. Bianca seguiu atrás do pai, com Lilia e Annabeth ao seu lado.
Poseidon seguia a frente, com uma enorme espada em punho. Percy empunhava a Riptide, Luke a Blackbiter e Chloris a que o pai lhe tinha dado.
- Devagar. Eu consigo ouvir barulhos ao fundo… - Disse ele calmamente – Ali.
Eles viram Ares atado a uma corda de ouro juntamente com Athena, Afrodite e com Artemisa. Mais a frente viram Hermes, Apolo, Hefesto, Dionísio, Deméter e Héstia numa caverna presos.
Não consigam ver Hera ou Zeus, podiam quase apostar que eles estavam no fundo da caverna, também não viam ninguém.
- Vamos avançar, mas cuidado com as armadilhas. Comecem por libertar os que estão atados pela corda.
Poseidon saiu primeiro e os deuses assim que reparar nele gritaram algo, que ele não percebeu, nem deu tempo, porque no momento seguinte, Chloris corta a enorme armadinha que cai de cima, desfazendo-a.
- Está tudo bem! – Disse ele – Brilhante trabalho!
- Eu sei! – Disse Chloris, no momento em que Hades chega com as raparigas.
- Libertem-nos! – Disse Ares. Lilia chega perto, mas o nó na corda não se desfazia.
- É mágica – Informou Athena – Só o pai a pode desfazer!
- E onde é que ele está? – Perguntou Hades depressa. – Onde Athena?
- Para além da colina, numa cave, não sei mais.
- Eu tenho uma ideia! – Disse Annabeth com um enorme sorriso – Claro, Zeus só pode quebrar o nó com um raio. Por isso… Chloris é claro, desfaz o nó tu.
- E com a sorte que tenho, vou pulverizar a ilha toda antes de fazer isso. – Disse ela – Preciso de ir buscar o meu pai. É bem mais seguro.
- Não há tempo – Argumentou Artemisa. – E nós não vamos morrer. Podemos não ter os nossos poderes mas não vamos morrer, ainda somos imortais.
- Então preparem-se. – Disse Chloris fechando os olhos.
Em menos de nada, a deusa pairava a alguns centímetros do ar, uma enorme carga de energia a rodeando. Foram precisos segundos e a corda que envolvia os deuses desapareceu por entre o fumo.
Chloris caiu, e Luke apanhou-a antes mesmo de ela embater no chão.
Os deuses levantaram-se rapidamente. Por essa altura já Hades e Poseidon tinham partido em direcção a colina e Lilia e Bianca tinham libertado os outros deuses que estavam presos na caverna.
- Vamos depressa. Nós temos de os levar até a praia. Ai já irão ter os vossos poderes de volta. – Disse Bianca tentando abrir caminho por entre as árvores com a espada.
- Lilia, filha, estou tão orgulhosa de ti. – Disse Afrodite com os olhos a brilhar de emoção – Tão orgulhosa.
Luke olhava o pai, mantendo-se a distância. Perto da namorada. Não lhe tinha dirigido a palavra desde da enorme e pouco feliz conversa com Zeus, quando ele o perdoou por roubar o raio mestre.
- Luke! – Annabeth chamou – LUKE!
- Sim, desculpa. – Disse ele tentando focar a atenção no problema que tinha entre mãos. – Para que lado fica a praia.
- Em frente, segue em frente, Annabeth – Disse ele – Sempre em frente.
E seguiram assim, Ares resmungando algo como "demorar tanto" e "estou cheio de fome" e por fim "onde está a minha mãe".
- Onde estão os meus pais? – Perguntou Artemisa preocupada.
- Hades e Poseidon foram busca-los. Estão para lá da colina… acho eu… - Disse Annabeth que seguia ao lado da mãe, que a olhava com um misto de orgulho e de ternura.
- Nós precisamos de os ir ajudar! – Disse Ares e os irmãos assentiram.
- Impossível. – Disse Chloris – Os poderes dos deuses aqui não funcionam e o mais importante para nós agora, é levar-vos até a praia, para que possam sair daqui em liberdade. Nós – Disse ela apontando para os restante semideuses – Vamos depois voltar, para ajudar. Mas vocês vão embora, não vos pode acontecer nada. Cronos está a tentar entrar no Olimpo e vocês são os únicos que podem impedir.
- E vamos deixar o Zeus e a Hera ficarem a mercê de Cronos.
- Ninguém disse que eles iam ficar a mercê de Cronos. – Disse Lilia face a pregunta da deusa das colheitas. – Nós vamos lá.
- Não vais não. – Declarou Afrodite – Nós vamos!
- Vocês nem sequer estão armados. É suicida. - Declarou Percy – Têm que chegar ao acampamento salvos.
- Acampamento Peter Johnson! ACAMPAMENTO!? – Disse Dionísio - Nós vamos para o Olimpo, para o acampamento…
- O Olimpo está sobre ataque, Hebe mal consegue manter o Olimpo fechado aos monstros, alguns semideuses estão a ajuda-la mas não parece ser o suficiente.
- Por esta altura já o Olimpo caiu, afinal o que é que a deusa da juventude pode fazer, transformar os monstros em monstros bebés? – Debochou Apolo.
- Ela é bem melhor do que vocês pensam – Disse Chloris – Ela está a fazer bem mais do que devia. Bem mais do que muitos de vocês estariam a fazer.
- Não subestimem a Hebe – Riu Ares perante o olhar parvos dos irmãos, desde de quando Ares defende Hebe, dizendo que ela realmente sabe lutar…
- Deves ter levado uma pancada forte! – Disse Apolo examinando o irmão.
- Saí Apolo! – Disse Ares entre dentes – A Hebe sabe lutar melhor do que vocês pensam!
- Desde de quando defendes a Hebe.
- Ela é minha irmã, idiota. – Disse ele – E fui eu que a ensinei!
- CHEGAMOS! – Disse Artemisa assim que avistou a praia. Correram em direcção a beira-mar sentido os poderes deles chegarem. Chloris sentiu-se também mais forte, inexplicavelmente mais forte. Como se um brilho dourado tomasse conta dela, era avassalador.
- Chloris, o teu corpo. – Disse Percy perante o olhar espantado de todos.
- Os teus poderes, estão a manifestar-se – Declarou Athena com a maior das naturalidades. – Pensa em controla-los, como se fossem parte de ti. É fácil…
A menina suspirou e tão depressa apareceram com desapareceram.
- Prefiro a forma de semideusa – Disse ela fazendo um relâmpago transpassar o céu e praticamente atingindo Apolo.
- Desculpa, costumo descontrolar-me – Disse ela vendo um deus do sol respirar fundo. – É por isso que eu evito fazer isto!
Olharam para os deuses, Artemisa e Ares praticamente rolavam no chão de tanto rir da cara de emburrado do irmão. Mas os risos foram calados rapidamente por um enorme barulho no centro da ilha.
- Vamos! – Disse Chloris para Lilia. E antes que qualquer um pudesse dizer alguma coisa, Lilia e Chloris, seguidas por Luke entraram na floresta.
Os deuses acabaram por se resignar e segundos depois desapareceram da beira-mar da ilha. Chloris nunca correu tanto na vida, nem sequer tinha a espada na mão, corria desenfreadamente.
O enorme barulho e fumo vinha mesmo do centro e assim que ela conseguiu ter um vislumbre do que acontecia, quase que tomou o susto da vida dela.
Um enorme dragão, com mais de três cabeças cuspia fogo furiosamente, podiam distinguir ao longe os tios e os pais, mas o fumo era imenso.
- Vamos a isto? – Perguntou Luke empunhando a espada.
- E agora ou nunca. – Respondeu Lilia confiante, confiança essa que Chloris não inspirava. Em tantos anos de luta ela nunca se deu com um monstro assim, e ela já enfrentou muitos.
Luke foi o primeiro a espetar a espada mesmo no pé do enorme dragão, mas aquilo parecia apenas ter feito alguma comichão ao monstro.
- Temos de os tirar daqui. – Disse ele em meio de grito de desespero enquanto se tentava esquivar de uma enorme baforada de fogo. – Não temos meios de destruir esta coisa!
- Aos três corremos para o outro lado, para os tentarmos encontrar. – Disse Lilia e todos os outros assentiram. – UM. DOIS… E TRÊS!
E eles correram, por caminhos diferentes. O dragão, pareceu confuso a princípio não sabendo bem qual escolher, mas optou por lançar sobre Lilia uma baforada de fogo, enquanto sobre Luke abanou freneticamente a pesada cauda atirando o semideus para bem longe.
- LUKE! – Chloris gritou e atraiu a atenção do dragão para ela. – Ajuda o Luke, Lils, e dou conta dele!
A amiga assentiu e correu para Luke enquanto Chloris puxou do colar e transformou-o na poderosa espada. Parecia cega, nem sequer dava atenção aos gritos incessantes de Lilia ou de Luke, que com dificuldade se ponha em pé.
- VAMOS CHLORIS!- O namorado tocou-lhe o braço, de onde escorria um fio de sangue. – AGORA!
E rapidamente os três semideuses entraram na caverna mais a frente. Se não estivessem na situação que estavam, diriam que a gruta era lindíssima, uma enorme abertura no centro da gruta de onde brotava uma maravilhosa cascata de água, iluminada pela luz brilhante do céu. Mais a frente, estavam Hades e Poseidon, junto a um casal. A cabeça dela repousava no peito dele, que a abraçava ternamente. Os dois olhavam preocupados para Hades e para Poseidon.
- Mãe. Pai. – A voz fina de Chloris, começou a ficar embrenhada em lágrimas. O rosto da filha estava coberto de pó, sangue e algumas feridas.
- Alguns minutos longe de nós, e acabam assim. – Disse Hades referindo-se ao estado lastimável da sobrinha e aos restantes jovens – Passaram pela fera lá fora… Impressionante.
- Devias estar longe daqui – Disse Hera analisando o rosto da filha – Tu não és imortal. Podias ter morrido lá fora! – Ela disse preocupada.
- Já passei pior. – Disse ela trivialmente – Estava preocupada. Nós vós podia deixar aqui. Temos de chegar a praia, os restantes já estão no acampamento, espero eu.
- Não há maneira de sair daqui pequena – Disse Zeus – O dragão está a guardar-nos, sem armas nem poderes, não há nada a fazer.
- Mas os nossos funcionam – Disse Chloris – Os poderes dos semideuses funcionam.
- Sim, mas sem a mesma intensidade – Disse ele – Não é o suficiente para sairmos daqui.
- E sair pelas traseiras é possível. Sei lá – Sugeriu Luke.
- E tu deves achar que isto é a casa de campo, sei lá… - Disse Hades sarcástico – Em que há a porta da cozinha que te esquivas para ir ter com a namorada. Pareces ser filho da Afrodite, e vai na volta!
- Hades – Repreendeu-o a irmã – Vê como falas com o garoto, ele quer ajudar.
- Com sugestões dessas nem sequer saímos daqui em mil anos. – Ele disse – Pensa garoto. Se fosse assim tão simples já tínhamos saído daqui!
- Pela saída! Em cima! – Disse Lilia – É tão fácil.
- E como pensas chegar lá em cima. – Disse Hades – É estreito demais, não passamos ali.
- Não para nós – Disse Lilia olhando para Chloris – É praticamente a nossa medida.
- Nota-se. – Disse Poseidon – Vocês parecem duas garotas de dez anos.
- Nós temos de pesar pouco por causa da ginástica – Disse Chloris enquanto Luke pegava a namorada ao colo e a ergui até a entrada esta agarrou uma pedras e facilmente subiu o restante até chegar a entrada. Lilia seguiu o exemplo da amiga.
- Luke, ainda tens a corda que trouxemos? – Perguntou ela ao namorado que assentiu e tirou da mochila uma corda dourada. – Lança-a.
As duas raparigas olharam em volta e viram uma árvore.
- Eu vou. – Disse Lilia – Quando acabar de atar a corda a árvore ajuda-os a subir.
Chloris assentiu e disse-lhe. – Tem cuidado por favor. Não quero que morras agora!
- Eu não morro.
Sorriu-lhe e desceu até atar a corda ao grosso tronco da árvore, felizmente o dragão não deu por ela.
- Já está! – Disse ela aos que ainda estavam dentro. Poseidon foi o primeiro a subir, seguido de Hades, Hera subiu a seguir e depois Zeus, já que queria ter a certeza que Hera não caía no chão, esta é claro dispensou a atenção e subiu sem problemas, Zeus subiu a seguir e por fim Luke.
- Agora só temos de chegar até a beira-mar e o resto é fácil. – Disse Lilia – O problema é chegar lá…
Chloris trocou um olhar preocupado com a amiga e com o namorado, Luke olhou para Hades e para Poseidon que empunhavam as espadas. Ele tirou da mala uma espada e estendeu-a a Zeus.
- Obrigado rapaz – Disse ele empunhando a espada.
- Eu também preciso de uma – Disse Hera e o marido e os irmãos olharam para ela quase que horrorizados. – Não vou deixar-vos proteger-me como uma princesa indefesa, sinceramente…
Luke olhou para Lilia, que trazia consigo uma espada extra. Ela estendeu a espada a Hera, e Hades começou a ironizar.
- Sabes Hera, isso é uma espada, é um objecto afiado usado para lutar. – Disse ele num tom didático, ela olhou para o irmão mais velho. Sorriu sarcástica e num movimento rápido, manejou a espada e apontou directamente a garganta do irmão. – Bastante bom, não concordas Hades? – Disse inocentemente. – Achavas que só vocês é que sabiam lutar…
- Hera, querida… - Disse Zeus delicadamente espantando todos. – Não era propriamente fácil deduzir que tu sabias lutar querida, quer dizer, tu és a deusa da maternidade, dos bebés…
- Por essa ordem de ideias só o Ares sabia lutar. – Disse ela – Deixemos as conversas, temos de chegar a praia o quanto antes.
Passar pelo dragão foi mais fácil do que se estava a espera, um a um, devagar, passaram pelo dragão que observava ansioso a entrada principal da gruta.
O resto foi fácil. Chegaram a beira-mar e cada semideus segurou o braço de um dos deuses e desapareceram rapidamente. Nunca mais, pensou Chloris, vou voltar a esta ilha!
