A chegada ao acampamento com os três grandes
Foi uma questão de segundos até que Chloris aterrasse no acampamento e se não fosse o pai ela tinha caído no chão. Lilia seguiu com Hera e Luke com Poseidon, Hades apareceu novamente no maldito fumo preto que fez todos tossirem.
- ESTÁS A POLUIR O AMBIENTE IMBECÍL! – Disse Poseidon enquanto tossia.
- Entrada teatral, afinal sou um dos três grandes! – Disse num tom épico.
- Tu és é uma grande idiota – Disse Hera – Não quero mais ver esse fumo, estamos entendidos Hades!
- Mas… eu… - Ele disse desapontado – Ninguém entende o senhor da morte.
Estavam na colina dos meio-sangue e ele podiam notar uma grande algazarra na cantina.
- A Athena deve estar a dar em maluca – Murmurou Hades para Poseidon que riu. Era bem verdade, a deusa detestava confusão!
Assim que alcançaram as portadas da cantina só deram com uma enorme confusão de gritos, correrias e nenhuma organização. Athena discutia com Ares sobre qualquer coisa. Afrodite conversava com as filhas, enfim nenhum os deuses se entendiam.
- Luke faz alguma coisa, tu és o chefe da colónia! – Disse Lilia.
- Vamos lá tentar. – Ele subiu ao estrado superior e pediu silêncio, uma, duas e três vezes, mas não teve sucesso.
- HEY! SILÊNCIO! – Gritou Chloris a plenos pulmões, todos pararam e olharam para os dois semideuses e para os três grandes.
- Bem, finalmente, obrigado amor. – Luke sorriu a namorada e deu-lhe um leve beijo nos lábios, que fez Zeus resmungar algo e as filhas de Afrodite suspirarem e dizerem em coro "Tão fofinhos." Já para não falar na própria Afrodite.
- É necessário que nós organizemos! – Disse ele alto e bom som – Assim não vamos a lado nenhum!
- E como é que nós organizamos? – Connor fez a pergunta que todos tinham, e de repente Luke teve a breve visão da sua cabana, Hermes estava sentado ao lado dos filhos junto a uma das mesas, Connor e Travis estavam junto a si, bem como Aliya, uma das suas irmãs.
- Primeiro começamos por nos organizar por cabine e não todos ao molho – Disse ele – Sentem-se nas mesa, para tentar percebemos se falta algo ou alguém.
Em menos de dois minutos ele pode ver as doze mesas ocupadas devidamente, Thalia e Jason ocupavam sozinhos a primeira mesa, onde Zeus se sentou ao lado de Jason.
Chloris ocupou a mesa dois com a mãe, atitude que muitos estranharam, principal quando a marca de Hera brilhou por cima de Chloris, se não estivessem em guerra aquilo daria conversa para mais de um ano. Na mesa três sentaram-se Percy, Poseidon e Tyson e assim sucessivamente. Na última mesa, sentaram-se Perséphone , Hades, Bianca e Nico.
Luke observou cuidadosamente um enorme pergaminhos, tentando verificar se faltava alguém.
- Agora que não falta ninguém, vamos organizarmos. – Disse ele.
- Precisamos de armamento. – Disse de rompante Athena – E de uma estratégia…
- Do armamento podemos tratar – Disse Hefesto de uma das mesas no fundo da sala de refeições.
- E da estratégia… - Disse Luke – O mais indicado seria ser vocês mesmo a tratar – Disse Luke apontando para a mesa de Athena que assentiu.
Olhou para a mesa de Ares e disseram – Vocês podiam tratar de proteger a colónia, fazerem turnos, três, de cada vez. Os restantes podiam ajudar a rever os planos de guerra, a treinarem os restantes… - Ele disse tentando soar diplomático.
- Os filhos de Dionísio e da Afrodite, podiam tratar dos mantimentos, para a viagem. – Disse Luke – E das providências necessárias para as falhas em combate. – Ele disse.
- Brilhante ideia Luke – Disse Afrodite sempre radiante – Com a ajuda do Didi, vai tudo correr bem.
Uma gargalhada geral percorreu a sala quando Afrodite se referiu a Dionísio com Didi. Este apenas dirigiu a Afrodite um olhar raivoso.
- Temos todos de nós armar, preparar e ajudar a construir armas, os restantes vão ajuda nisso. – Disse Luke – Acho que é tudo.
Ele nem precisou de desfazer a reunião, os semideuses e os deuses foram aos seus afazeres, rapidamente.
- Chloris. Revê os planos. – Pediu Luke – Toma conta de tudo amor, tenho que providenciar alguma coisa.
- Roubar é feio, nunca te ensinaram! – Disse Clarisse que aparecia por trás dela abraçando a amiga.
- Estou aliviada por estar bem Chloris. Eu e a Aliya estávamos preocupadas contigo!
- Eu sei Clar. – Disse ela – Desculpa não ter dito nada, mas não queria meter-te em trabalhos.
- Eu sei. – Disse ela caminhando ao seu lado em direcção a mesa onde estavam a discutir os planos de ataque – Vemos isto?
- Claro. – Disse ela. Juntaram-se a elas Aliya e Lilia. – Que acham?
Lilia estudou o mapa com atenção.
- Para mim está perfeito. Falta apenas decidir quem vai atacar o quê e como? – Disse Lilia – Nós podíamos começar por aqui, juntamente com a Annabeth, com Luke e com o Percy.
- Parece-me uma boa ideia – Disse Clarisse – Teríamos de destruir as primeiras linhas de batalha.
- Podíamos por os melhores arqueiros em cima dos telhados mais alto, dali podiam tentar parar com flechas alguns dos monstros aéreos…
- Sim. – Disse Chloris – Chamem Athena. – Disse ela dirigindo-se a duas raparigas da cabana de Apolo. – Depressa.
Rapidamente as duas raparigas trouxeram Athena até a mesa. As quatro raparigas explicaram o que achavam a deusa da estratégia militar, que ficou impressionada com as ideias das quatro raparigas. Alguns ajustes e tudo estava feito.
- Nós concentramos as nossas forças até quebramos as barreiras e depois concentramos a nossa força em destruir Cronos.
- Exacto. – Disse ela – Quem pode ficar com os Arqueiros?
- Ah, nós já vimos isso – Disse Clarisse tirando um papel da mesa. – Os melhores arqueiros que temos são os filhos de Apolo, as caçadoras de Artemisa, que nem sei se deixará que elas lutem ao nosso lado, e individualmente temos a Piper, a Thalia, a Bianca, o Austin, o Connor's, o Marc, o Thomas, o Eddie e bem pouco mais.
- Parece-me ser suficiente – Disse a deusa – Muito impressionante meninas. E quem fica a batalhar na linha da frente, vocês serão insuficientes…
- Ah também já vimos isso - Disse Choris – Para além de nós, a Annabeth, o Marcus, o Luke, o Percy, a Silena, o Andrew, o Malcom… Enfim, a cabana toda do Ares e da senhora, o Jason, a Thalia, o Nico, a Bianca… Acho que faziam mais falta aqui do que nos Arqueiros… E todos os deuses.
- Eu concordo. – Disse ela – O melhor é chamarmos os restantes. Ares, faz-te útil e chama os restantes.
- Desculpa, tu é que és a inútil aqui! – Disse Ares ficando vermelho de raiva, acção imitada por Athena.
- Quietos, os dois. – Gritou Hera imponente – Comportem-se e tratem de fazer o que a Chloris diz. Sem discussão!
- Sim mãe – Disseram os dois deuses em coro, olhando ainda raivosos um para o outro.
- Clarie, Aly, Lil's é a nossa vez – Disse Chloris chamando as amigas – Temos patrulha.
Clarisse, Alyia e Lilia juntaram-se as amigas empunhando as armas.
- Onde é que a minha filha vai? – Disse Zeus – Ali para fora é que não é?
Chloris inspirou fundo.
- Evidentemente que cá para dentro não é de certeza, o que lhe parece que vou fazer? – Ela tentou soar compreensiva mas estava a começar a irritar-se com a protecção excessiva. – Fazer o meu trabalho.
- Lá fora há monstros, não vais a lado nenhum, que mandem outro.
- Eu não vou discutir, porque nem sequer tem discussão. – Disse ela e Zeus sorriu, achando que ela ia ficar, mas Chloris apenas deu meia volta e saiu pela porta.
- Chloris! – Disse ele mas ela nem sequer se deu ao trabalho de ouvir. – Hera, tens que lhe meter juízo na cabeça.
- Não és pai… Então ao trabalho – Ela riu da cara de exasperado do marido, beijou-lhe os lábios docemente. – Ela é perfeita.
A noite caiu rapidamente e ficara demasiado escuro e perigoso para ir para rondas, mas ninguém parecia querer ir dormir, ou nem sequer conseguissem. Os filhos de Hefesto, juntamente com o pai, continuaram a trabalhar em armas e todos reviam os planos de batalha.
Na cantina, já tudo estava organizado e Chloris revia sozinha pela milésia vez os planos de guerra.
- Já chega. – Disse Ares sentando ao lado da irmã – Esse planos da Athena, tem outra função para além de servirem para a guerra. – Ele riu torto quando Chloris o observou – Enlouquecem quem os observa por muito tempo, tem demasiadas setas, demasiadas linhas e demasiadas possibilidades. Eu quase que dei em maluco quando vi os da segunda guerra mundial. É sério!
- Ela riu, pela primeira vez naquela noite.
- É… Melhor parar mesmo – Disse ela guardando os planos – Têm que dar certo.
- E se não derem – Disse Ares imitando um tom imponente – É todo ao molho e fé em Zeus…
- Acho que o provérbio não é bem assim… - Ela disse rindo – Mas faz sentido.
Eles dirigiram-se a mesa central, onde Zeus discutia algo com Poseidon e Hades. Eles pareciam também rever posições e discutir estratégias de batalha.
- Eu já disse que esses planos são para enlouquecer as pessoas… - Disse ele para o pai. – A Athena está a tentar pôr-nos malucos a todos de vez. – Ele disse olhando o pai – Demasiadas cores e demasiadas setes. Um dia vão me dar razãoooooooooo…
Ares praticamente tinha caído se a força de impacto de Afrodite não fosse fraca.
- Areszinhooooooooooooo – Disse ela atirando-se para os braços do namorado… amante… Ares nem sequer percebia bem… - ESTOU LIVREEEEEEE
- Afrodite não podes fazer isso aqui –Disse ele – O Hefesto pode estar por ai.
- É que esteja amor – Disse ela – Livre fofinho. Livres para ficarmos juntos.
Afrodite exibiu a mão esquerda livre de aliança, eles beijaram-se sob o olhar espantado de toda a cabana de Ares, e sob os suspiros felizes das filhas de Afrodite. Chloris sorria ao lado deles, Afrodite parecia bem feliz com a notícia, onde cor-de-rosa irradiavam dela.
- Parece feliz – Disse Lilia ao lado de Clarisse – Vamos ser irmãs Clar…
As duas olharam sérias uma para a outra, mas desataram a rir a bandeiras despregadas.
- Querem ver uma coisa melhor… - Disse Aliya – Olhem para ali.
Aliya virou a cabeça em direcção a uma cena que tomava o palco mais a frente. Luke conversava com Hermes.
- Luke acredita naquilo que te digo, eu nunca de maneira alguma, deixei de acreditar em ti – Disse ele – Mas Zeus, fez passar a lei que nós não podemos ter contacto com os nossos filhos mortais. Ele nunca permitiu excepções. – Ele tentou explicar.
- Mas isso não muda o que vocês fazem, nada do que fazem – Disse ele – Tantos filhos indeterminados, tantos, e porquê? Porque vocês não dão valor a nada. Eu fui determinado, mas quantos filhos estão por determinar!
- Tens toda a razão – Disse ele – Mas eu não quero perder o meu filho, Luke. Acredita no que te digo, nunca te abandonaria, sob circunstância nenhuma. Meu filho, perdoa-me.
Luke olhou nos olhos do pai, tão azuis, tão iguais aos seus. Ele tinha de admitir, queria ter o pai ao seu lado mais que tudo, mas o medo, que ele nunca admitia, assombrava-o.
- Eu peço desculpa – Disse ele – Pelo meu comportamento pai. Nunca quis…
- Eu sei meu filho. – Abraçaram-se longamente sob uma chuva de aplausos que começou na namorada de Luke. Eles separaram-se ligeiramente embaraçados, sorrindo.
- Luke! – A filha de Zeus praticamente lançou-se para os braços do namorado. – Estou tão orgulhosa de ti – Beijou-o apaixonadamente. Zeus continuava a olhar de esguelha, pronto a partir o filho de Hermes em dois, pulveriza-lo e oferecer ao filho, os olhinhos deles, numa caixinha de fósforos, mas nem Hera, Chloris ou Hermes o perdoariam, afinal aquele garoto era neto dele… Mas ele tinha tantos, mais um, menos um, não ia fazer nenhuma diferença.
- Nem te atrevas Zeus. – Disse Hera lendo-lhe os pensamentos. – Eu gosto do rapaz. E ele gosta da nossa filha.
- Já sei… Já sei, não posso manda-lo para o Tártaro, não posso desmembra-lo, não posso amaldiçoa-lo, não posso cega-lo ou retirar-lhe parte importantes da sua anatomia, não posso manda-lo e viver com o Hades ou feri-lo gravemente, não posso faze-lo sentir mal perto de mim, nem disparar o meu raio contra o rabo dele.
- Efectivamente – Disse Hera rindo – Finalmente entendeste.
- Depois de ouvir tantas e tantas vezes estava a tornar-se impossível. – Disse ele tentando parecer carrancudo. Mas ela beijou-o docemente nos lábios, trazendo ao rei dos deuses um enorme e ostentoso sorriso.
- Vêm. – Ela puxou-o pela mão até ao exterior. Afastaram-se os dois até a clareira da floresta.
Ficaram os dois assim, ela abraçava-a pela fina cintura e ela que encostava a cabeça ao peito dele.
- Eu acho que nunca enfrentamos uma crise tão grande Zeus – Disse ela para ele – Isto pode ser o nosso fim.
- Não vai ser! – Ele parecia determinado – Eu não vou deixar!
- Zeus, isso está fora do nosso alcance, até mesmo nós deuses.
- Eu vou lutar, já derrotamos Cronos uma vez, iremos faze-lo de novo! – Parecia determinado – Não deixarei que o nosso domínio cai. Não agora.
Hera virou-se para ele. Os olhos azuis faiscavam, mostravam a determinação que só ele possuía. Ela apenas o beijou, profundamente, porque ela sabia bem, que podia ser a última vez que ela o beijava.
