Autora: Hermione-weasley86 ( www. fanfiction u/ 528474/ Hermione_weasley86)
Tradutora: Mrs. Mandy Black
Shipper: Lily Evans e James Potter
Gênero: Romance / Humor
Fic Original: Cuando me di cuenta de que estabas ahí ( www. fanfiction s/ 1723590/ 1/)
Sinopse: Lily Evans e James Potter fazem parte de grupos completamente opostos em Hogwarts. Os caminhos dos dois se cruzam bastante durante o último ano, e James acaba decidido a conquistar a ruiva. Mas será que um ano é o suficiente para Lily passar por cima de toda a imagem que construiu de Potter?
Nota da Tradutora: Todos os personagens da série pertencem a J. K. Rownling e a história pertence à Hermione-weasley86. A mim só pertence a tradução.
QUANDO ME DEI CONTA DE SUA EXISTÊNCIA
| Capítulo 3 - Coruja estúpida |
Lily voltou à sua estratégia de evitar os Marotos e as NTCMSP. Estas últimas, que não eram conhecidas por sua estabilidade, rapidamente se esqueceram do assunto e passaram a discutir outros temas mais "importantes", como a arrumação do Baile de Halloween no início de outubro.
A estratégia de Lily também incluía Remus, que tinha tentado falar com ela várias vezes, mas a ruiva conseguia sempre escapar. Contudo, em uma quinta-feira de outubro aconteceu o inevitável.
- Quero que chegue logo a lua cheia! - suspirou Sirius despreocupadamente, enquanto iam jantar no Salão Principal.
- Sim, essa rotina está começando a ficar entediante - resmungou James. - Faz quanto tempo que não fazemos nada com os sonserinos?
- Não sei... - murmurou Peter. - Duas horas?
- Tempo demais - decretaram James e Sirius.
Remus estava alheio à conversa porque observava uma certa ruiva que empilhava umas caixas pretas no final do corredor. Seus amigos perceberam e encararam confusos ele se aproximar dela.
- Olá.
Lily se assustou um pouco e olhou para a direita e para a esquerda. Estupendo, sozinha em um corredor com os quatro Marotos. Preferia enfiar o dedo no olho de um dragão a estar ali.
- Temos que conversar - sussurrou Remus, para que seus amigos não o escutassem. Lily ergueu a sobrancelha. Então ele se dirigiu aos seus amigos. - Eu tinha me esquecido que a Professora Sinistra pediu para eu ajudar a Evans a levar as lentes novas do telescópio para a sal. Já encontro vocês.
Os três assentiram com a cabeça, se despedindo, mas a ruiva surpreendeu a todos.
- Não.
- Como assim não? - perguntou Remus, confuso.
- É que eu posso levar as "lentes" - na verdade eram ingredientes para poções - sozinha, não se preocupe.
- Quero falar com você - o garoto voltou a sussurrar.
- Pois eu não quero falar com alguém que precisa inventar desculpas porque tem vergonha de mim - ela murmurou também.
- Vamos Remus, a Edgray pode levar as caixas sozinha - James o apressou.
- Me chamo Evans! E-V-A-N-S! Se custa tanto para você aprender a porcaria de um sobrenome com cinco letras, simplesmente me ignore - exclamou Lily.
- Tanto faz pra mim como você se chama! - disse James, em resposta.
- E tanto faz pra mim se você insiste em se achar o gostosão!
- E tanto faz pra mim se você continua sendo uma intrometida!
- Tá bem, tá bem - Remus separou os dois, que já estavam a ponto de se pegarem no meio do corredor. - Já captamos a essência da discussão: pra vocês tanto faz.
Lily cruzou os braços e James a olhou com seu ar de superior.
- Vamos? - perguntou Sirius, impaciente.
- Vão indo - respondeu Remus.
- Edges pode se virar sozinha - insistiu James.
Na hora em que Lily iria mandar comprarem um novo cérebro para James, Remus tampou sua boca.
- Quero conversar com ela. É minha amiga.
Seus três amigos pareceram não entender muito bem e Lily se surpreendeu.
- Sua amiga? - perguntou Peter.
- Sim, uma das minhas melhores amigas - respondeu Lupin. - Já era hora de vocês saberem...
E pegou algumas das caixas que a garota tinha que levar. Ela o imitou e os dois foram pelo corredor.
- Lily, só queria...
- Não precisa - interrompeu a ruiva.
- Eu queria...
- Sério, não é necessário - depois de alguns segundos de silêncio, Lily começou a rir. - Não sabia que você era tão fofinho. "Sim, uma das minhas melhores amigas. Já era hora de vocês saberem."
Remus a encarou, entre irritado e divertido.
- Não era o que queria, Srta. Edgray?
- Há, há - Lily riu, sarcástica. - Me diz uma coisa, você tem certeza que James tem mais que um neurônio?
- Ele é uma boa pessoa... os três são. Me ajudaram e me ajudam muito...
Lily apenas concordou com a cabeça. Seguiram brincando e ambos estavam felizes de que tudo voltasse a ser como antes. Depois de arrumar todas as caixas, Lupin foi para o Salão Principal e Lily se despediu dele, já que tinha combinado de se encontrar na Torre da Grifinória com Artemis para descerem para jantar.
Chegou à Sala Comunal e se sentou perto do fogo para esperar seu amigo, enquanto folheava uma revista. Ouviu um ruído que vinha de uma das janelas. Aproximou-se dos vitrais para enxergar o que estava acontecendo lá fora. Era Betty, sua coruja, um passarinho estúpido cujo ego era comparável ao de Potter e Black juntos.
Abriu a janela e a coruja convencida de penas azuladas entrou espevitada.
- Pare de fazer palhaçadas, Betty, e me entrega logo o que tem que entregar - disse Lily, cansada.
Mas Betty arrepiou suas penas e ficou tensa, visivelmente sem nenhuma intenção de entregar algo para sua dona. Fez uns barulhinhos com a garganta.
- Agora não é hora de fazer doce - Lily começava a perder a paciência e tentou agarrar a coruja, que saiu voando. - Passarinho do demônio! Me dá a minha carta, já!
- Se fosse um pouco mais amável com ela... - Artemis descia as escadas de seu dormitório, sorrindo.
- Amável? Entregue a minha carta que eu serei amável! Serei tão amável que a comerei com penas e tudo! - Lily tentava em vão agarrar a vaidosa coruja. - E ainda por cima veio fora do horário do correio, simplesmente subiu aqui e ficou dando uma de superior sem querer me dar o que quer que tenha que dar. Tonta!
Isso foi demais para o orgulho de Betty, que saiu voando até o corujal com a carta de Lily.
- Arrrg! Tanto faz, o que quer que seja, pode esperar até amanhã.
Assim desceu com Artemis para jantar.
Quando entraram no Salão Principal, todos já estavam jantando. Dirigiam-se para a mesa da Grifinória, para sentarem com Kate e Elise, quando Dumbledore levantou-se de sua cadeira.
- Saudemos todos a nova monitora da Grifinória e Monitora-Chefe deste ano, junto com James Potter! - todos no Salão Principal começaram com os aplausos, mesmo sem saberem para quem eles eram.
Lily e Artemis aplaudiram também e continuaram indo para seus lugares, mas Dumbledore voltou a falar.
- Não, não se sente Srta. Evans. Suba aqui um instante para eu apresentá-la.
Lily ficou branca e grudada no chão. Ela não podia ser monitora, tinha recusado o cargo. Muito menos Monitora-Chefe! Todo o Salão encarava a ruiva, e seus amigos estavam de queixo caído. Os Marotos e as NTCMSP não pareciam nem um pouco contentes.
- A Srta. Evans - continuou o Diretor - recusou a monitoria há dois anos, mas como um dos monitores do sexto ano foi transferido para Beauxbotons, voltei a lhe oferecer o posto e qual foi a minha surpresa quando não recebi sua carta discordando.
Então tudo ficou claro. Betty, a carta... como, maldição, poderia recusar o posto se sua estúpida coruja não tinha lhe entregue a carta?
Subiu até a mesa dos professores e encarou a massa de alunos. Justamente quando iria declinar o convite diante de toda a escola, James se levantou de seu lugar e gritou.
- Eu não quero ser Monitor-Chefe junto com ela!
- Não cabe a você decidir nada sobre esse assunto - Lily tinha mudado rapidamente de opinião, somente para contrariar o prepotente do James. - Só me resta dizer que me sinto muito honrada por ter sido nomeada para o cargo e o exercerei da melhor forma possível.
E voltou para sua mesa de cabeça erguida, sem se importar com os discretos aplausos que acompanharam seu mini-discurso.
James continuava reclamando, mas Sirius tampou sua boca, negando com a cabeça.
- Não nos contou nada! - Kate resmungou quando Lily sentou-se ao seu lado.
- Porque eu não sabia - retrucou. - A idiota da Betty não me deu a carta. Acabei de aceitar só para irritar o Potter.
Elise começou a rir.
- Olhem que casal de Monitores-Chefe centrado que temos este ano - comentou Artemis. - Certamente a partir de amanhã você será alguém importante. Tem certeza de que quer ser vista com a gente? - brincou.
- Que engraçadinho!
E continuou suportando as piadinhas de seus amigos enquanto comia duas vezes mais que o normal. Quando estava chateada, ficava morta de fome.
...
As técnicas de Lily para controlar os estudantes desordeiros eram, no mínimo, peculiares. Se dois alunos brigavam, fazia um feitiço que os obrigava a andar de mãos dadas o dia inteiro; se fizessem feitiços fora da aula, rapidamente fazia outro que os impediam de soltar a varinha até que decorassem o poema "Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá...". Quando gritavam pelos corredores, um feitiço que os fazia escutarem durante todo o dia a música do Teletubbies. Enfim, conseguiu o que nem mil Filchs poderiam ter feito: civilidade em Hogwarts. O bom era que nunca retirava pontos, o que James fazia por ela - além de, é claro, favorecer claramente sempre os grifinórios. Assim Lily se converteu, rapidamente, em uma pessoa respeitada. A mudança não agradou muito a ruiva, mas valia a pena pela cara de aborrecimento de James cada vez que a via. Uma tarde, em meados de outubro, Lily entrou em seu dormitório e se deixou cair em cima da cama, retirando os pesos das pernas e braços.
- O que estão fazendo? - perguntou, erguendo-se lentamente para enxergar suas amigas.
- A gente? Nada - Kate fez uma cara de inocente, ao mesmo tempo em que escondia alguma coisa atrás de suas costas.
Lily levantou uma sobrancelha.
- Claro que sim.
- Como foi o treinamento hoje, Lils? - Elise se meteu na conversa. - Você tem que nos deixar te ver dançar uma vez.
- É chato - na verdade, dançar em público a deixava nervosa. Elise tinha alcançado seu objetivo: mudar o assunto.
- Lógico que sim, Lils... Tem alguma coisa marcada para amanhã à tarde? - questionou Kate.
Lily revirou sua agenda em sua cabeça. Decidira que de noite iria dar uma volta na Floresta Proibida com Artemis. Iam sempre, mas a semana de lua cheia era a melhor, e começava justamente no dia seguinte.
- Não, vou ficar treinando, como sempre. Quer fazer alguma coisa?
Kate e Elise apenas encolheram os ombros.
...
No dia seguinte, à tarde, a ruiva treinava na Torre Leste e refletia. Kate e Elise estavam muito estranhas desde o dia anterior, cochichavam durante as aulas e sorriam cada vez que as encarava. Tinha tentado forçar Artemis a contar o que estava acontecendo, mas ele respondera que jurara sobre sua coleção da National Geographic que não diria nada. Então ela continuava dançando uma passagem do segundo ato de Quebra Nozes e esquentando a cabeça, tentando descobrir o que ocorria.
De repente, Elise entrou na sala correndo.
- Ah, Lily! Você não sabe o que aconteceu... Ai meu Deus! - Elise estava muito alterada.
Lily deu stop no som e foi correndo até a morena.
- O que houve? - perguntava, enquanto a balançava pelos ombros.
- Não sei o a Kate tem! Parece que está morrendo! Venha, por favor.
- Vamos!
- Não vai se trocar? - Elise ergueu uma sobrancelha. Lily vestia o collant preto com tiras finas no lugar das mangas, meia calça, as sapatilhas e as polainas que sempre usava para treinar, além do cabelo preso em um coque.
- Como espera que eu me troque se Kate está passando mal? Onde ela está? - berrou Lily, nervosa.
- Ah, claro! Vamos, corra. Na sala de Estudos dos Trouxas - enquanto Lily saía correndo, Elise aproveitou para pegar em sua bolsa um short branco que já a vira usar outras vezes. Sabia que a amiga iria lhe matar, mas se pelo menos lhe entregasse o short...
Lily corria muito rápido, principalmente para alguém que carregava pesos de 20 quilos, e logo chegou na sala de Estudo dos Trouxas. Abriu a porta violentamente e entrou correndo. Mas... Kate estava ali sentada tranquilamente, com a guitarra apoiada nas pernas. Um momento... O que estava acontecendo? O que era esse murmúrio que ouvia à sua esquerda? Todos os alunos do sétimo de Estudo dos Trouxas estavam ali - e isso significava todos os alunos do sétimo ano de Hogwarts, exceto Lily e outros três que faziam Alquimia.
- AAAAAAAAH! - berrou e saiu correndo da sala, fechando a porta com tanta força quanto a tinha aberto.
Elise chegava correndo pelo corredor com o short branco de Lily em sua mão.
- Eu mato vocês! - gritava Lily, vermelha e tremendo.
- Eu avisei pra você se vestir... - comentou Elise.
- Como queria que eu me vestisse se me disse que Kate estava morrendo?
- Eu estava morrendo? - Kate acabara de sair para o corredor. - Faça-me o favor, Elise, você exagerou um pouco...
- Mas foi ideia sua! - queixou-se a morena.
- Há!
- De quem foi a ideia de me fazer pagar um mico diante de todo o corpo estudantil da escola? - berrou Lily.
- Não de todo, só do sétimo ano... - murmurou Kate.
Lily bufou.
- Não fique irritada - Elise se antecipou. - Não queríamos te fazer pagar um mico...
- Não sabíamos que ficava tão sexy para treinar - Artemis também tinha acabado de sair da sala. - Já falei para todo mundo que você tem medo de palco.
- Você também? - Lily estava começando a se desequilibrar.
- É que você precisa nos ajudar! - interrompeu Kate. - Temos que apresentar um projeto para Estudo dos Trouxas e pensamos em fazer algo sobre música... O negócio é que decidimos apresentar duas ou três canções, mas precisamos que você cante e toque guitarra.
- E por que, demônios, não me pediram!
- Teria dito sim? - perguntou Artemis.
- Não!
- Foi por isso.
- Agora, vai aceitar? - disse Kate, esperançosa.
- Claro que não!
- Pois dará ao Potter uma enorme satisfação... - comentou Elise, em voz baixa.
Isso pareceu captar a atenção da ruiva, que tentou soar despreocupada.
- Por quê?
- Porque quando falamos que teríamos que te buscar para cantar, ele disse que certamente seria melhor escutar um gato miando que você.
- Me dá esse short aqui!
Lily se vestia e os outros três trocavam sorrisos entre si: tudo saíra tal e como tinham planejado.
Enquanto isso, dentro da sala todo muito comentava o que tinha acontecido.
- Aquela era a Lily, Lily? A Monitora-Chefe? - perguntava um atônito Peter. - É um avião!
Sirius concordava com a cabeça, recordando a garota alta e com o corpo envolvido em um... maiô?
- Se ficasse mais tempo de maiô e parasse de usar aquela roupa-saco dela, já teríamos percebido isso - comentou.
- O que foi que disse? - Tracy ficou indignada. - Nenhuma garota decente andaria de maiô pela escola, muito menos com meias 3/4. Simplesmente não combina!
- Cinco anos de Estudo dos Trouxas e não perceberam que Lily estava vestida de bailarina? - Remus balançava sua cabeça, sem acreditar. - Não eram um maiô, muito menos meias 3/4. Era um collant e polainas.
- Bailarina? - disseram todos, confusos. Pelo que se sabia sobre Lily, não entrava na cabeça de ninguém que ela fosse bailarina.
- Além disso, faz parte do vestuário - Remus encolheu os ombros.
James, entretanto, não tinha a boca aberta. Estava muito concentrado no que tinha visto. Essa garota não deixava de surpreendê-lo.
Então a porta se abriu e os quatro entraram. Lily, que evitava encarar os outros alunos, se sentou em seu banquinho, pegando a guitarra de Elise. Não tocava tão bem quanto ela, mas se garantia. Kate sentou ao seu lado, com o baixo, e Elise se dirigiu ao piano.
- Yesterday, um dueto comigo - respondeu Kate. Lily fez cara de surpresa: era exatamente uma das canções que mais haviam tocado ultimamente. A loira adivinhou seus pensamentos. - Não pensava que iríamos te trazer sem ensaiar, né?
Artemis as estava anunciando, enquanto elas faziam um sonorus na voz para que todos a escutassem bem.
- As garotas interpretarão duas canções. Para começar, Yesterday, dos Beatles, um conhecido grupo trouxa.
As três começaram a tocar e cantar. As vozes de Lily e Kate se encaixavam bem e soavam por toda a sala. Faziam um bom dueto, acompanhadas pelo baixo, guitarra e piano.
Os alunos foram tocados pela música. Algumas meninas que a escutavam pela primeira vez estavam chorando, inclusive aquelas do NTCMSP, que tiveram que fazer um grande esforço para continuar demonstrando desagrado. Quando terminaram, toda a sala irrompeu em aplausos e as garotas sorriram discretamente e agradeceram com um aceno de cabeça.
- Agora qual? - questionou Lily, desejando acabar logo com aquilo.
- Então, Flash dance...
- Me lembre de matá-los quando sairmos daqui, sim? - disse Lily, entredentes.
Ao mesmo tempo em que Artemis anunciava a segunda música e Elise trocava o piano pelo teclado, Kate preparou a caixa de música, uma espécie de gravadora mágica com a qual incorporavam à canção os instrumentos que não tinham ali.
Desta vez o público se entusiasmou com a música e os aplausos foram ensurdecedores. Todos gostaram da canção. Monique e Rachel, inclusive, se levantaram de suas cadeiras para dançar, assim como outras garotas, coisa que irritou muito a Tracy.
O trio agradeceu enquanto alguns pediam bis, mas Lily fugiu da sala antes que suas amigas voltassem a fazer algum tipo de chantagem emocional. Tinha decidido não aparecer no Salão Principal até o próximo mês. Tudo tinha seu lado positivo, é claro... Elise e Kate receberam um 10 com méritos!
...
Remus descia para a enfermaria. Em duas horas seria noite e teria que ir para a Casa dos Gritos. Quando passou pelo quinto andar, ouviu uma música, que vinha de um piano... Olhou o relógio, ainda tinha tempo. A melodia saía da sala de Estudos dos Trouxas. Aproximou-se e viu Elise na penumbra.
- Não gosto que me espiem quando toco, Lupin - murmurou Elise, sem se mexer ou deixar de tocar.
Remus se sobressaltou.
- Como me escutou?
- Não é o único da escola que tem um bom ouvido.
Remus se aproximou da garota, ficando atrás dela.
- Clair de lune é uma canção muito bonita.
- É mesmo - Elise tocou muitas teclas de uma vez com seus dedos e se levantou -, mas creio que você não gosta muito da lua.
Remus a encarou com os olhos assustados e ela sorriu.
- Deveria se apressar - murmurou -, já é quase noite.
E saiu da sala rapidamente.
...
- Evans! - Lily virou-se. Tinha decidido jantar na cozinha, pois preferia não ter que ver ninguém.
Era James quem a chamava, alguns metros atrás no corredor.
- Aprendeu meu sobrenome ou o escreveu na mão para se lembrar?
- Muito engraçada. Vai jantar?
- Sim, estou indo para a cozinha.
- Vou descer com você.
- Por quê?
- Porque eu também vou jantar.
- E não pode ir sozinho?
- Prefiro ir contigo.
- Potter, não ache que vou te contar alguma coisa.
- Não se ache tão importante, só quero comer.
Lily encolheu os ombros e continuou seu caminho até a cozinha, com James calado ao seu lado. Entraram no amplo aposento subterr?eo e pegaram uma porção de comida, que logo se puseram a devorar.
- Quantos segredos mais você tem? - perguntou James, de repente.
Lily o encarou com seus olhos verdes, desafiadora.
- Que segredos?
- Sabe do que estou falando - James gesticulava com uma coxa de frango na mão. - É uma garota forte, canta, toca guitarra, é boa em quase todas as matérias... E cada dia para ter mais coisas.
- Te dou medo?
- Me intriga - respondeu o garoto dos cabelos revoltados. - Eu achava que sabia tudo sobre todo mundo, então apareceu você e...
- Nem sequer sabia que eu existia, Potter. Podia ter acontecido isso com um monte de pessoas.
James negava com a cabeça.
- Não é isso. Estava pensando, você e seus amigos são as únicas pessoas de todo o castelo que eu apenas conheço de vista. E não sei porquê.
- Simples, nunca tivemos interesse em que nos conhecesse.
- E ainda tem isso. Todo mundo se dá bem comigo.
- Por isso mesmo. Nós não somos "todo mundo", somos apenas nós e nos damos bem com quem gosta da gente pelo o que somos. Não precisamos que o deus do colégio fale com a gente para que sentirmos que somos alguém.
- Está equivocada, Evans. Quero te conhecer.
- Eu estou muito bem sem que me conheças.
- Então será um desafio - os olhos de James brilhavam.
- Que medo - ironizou Lily. - Não sei o que a sua namorada vai pensar disso, principalmente de mim. Mesmo que eu não seja bonita ou popular, não deixo de ser uma garota. Não acho que vai gostar muito - e se levantou, para em seguida desaparecer pelas escadas.
- Vou conseguir - murmurou James.
...
A lua banhava a clareira no bosque, onde um cervo, um lobo, um cachorro e um pequeno rato repousavam. O lobo parecia estar muito cansado, a aurora estava próxima, e seus esquisitos companheiros pareciam igualmente exaustos. De repente, o lobo remexeu-se inquieto e se pôs a correr até o castelo que ficava perto dali. Seus companheiros não demoraram nem dois segundos para reagir e segui-lo, mas o lobo tinha uma grande vantagem sobre eles e estava a ponto de entrar na escola. Então, em frente ao portão de entrada surgiu uma águia enorme, da cor do fogo, se colocando diante do lobo e o impedindo de ver através de suas asas. O lobo tentava tirá-la da sua frente com suas garras, mas a águia era persistente. Um ataque foi certeiro, rasgando todas as costas da elegante ave. O lobo ficou livre de novo, mas então o cervo e o cachorro já o tinham alcançado e conseguiram amansar seu companheiro, enquanto a águia se retorcia de dor na terra. Assim que controlaram o lobo, o cervo se aproximou do animal machucado e lambeu a ferida de suas costas... Conseguiu ver que os olhos do charmoso animal eram verdes, mas em seguida apareceu outro visitante noturno, uma raposa de pelagem clara e olhos negros que rosnou para o imponente cervo para que este deixasse a ave. Logo a tomou e a arrastou bosque adentro. Tarde demais para que o cervo pudesse segui-lo.
Fim do capítulo
