Autora: Hermione-weasley86 ( www. fanfiction u/ 528474/ Hermione_weasley86)
Tradutora: Mrs. Mandy Black
Shipper: Lily Evans e James Potter
Gênero: Romance / Humor
Fic Original: Cuando me di cuenta de que estabas ahí ( www. fanfiction s/ 1723590/ 1/)
Sinopse: Lily Evans e James Potter fazem parte de grupos completamente opostos em Hogwarts. Os caminhos dos dois se cruzam bastante durante o último ano, e James acaba decidido a conquistar a ruiva. Mas será que um ano é o suficiente para Lily passar por cima de toda a imagem que construiu de Potter?
Nota da Tradutora: Todos os personagens da série pertencem a J. K. Rownling e a história pertence à Hermione-weasley86. A mim só pertence a tradução.
QUANDO ME DEI CONTA DE SUA EXISTÊNCIA
| Capítulo 4 - Sem asinhas, por favor |
Remus encarava o teto da enfermaria e suspirava. Ultimamente vinham sendo muito inconsequentes e a noite anterior poderia ter terminado em uma grande desgraça. Se não fosse pela águia... Revirou-se incomodado, por sua culpa o animal estaria morto pela ferida ou, provavelmente, tinha sido devorado no café-da-manhã da raposa. Por sua culpa. Umas lágrimas tímidas caíram por seu rosto. Estava farto de tudo aquilo, de não ser capaz de se controlar, de machucar seres inocentes...
- Remus! - a cortina do lado direito se abriu de repente e o lobisomem limpou suas lágrimas. - Está aqui!
Lily lhe sorria da cama ao lado. Vestia uma camisola da enfermaria como ele, e estava pálida.
- Lils? O que está fazendo aqui, Tracy te jogou da Torre?
- Não, mas a partir de agora vou tomar cuidado com isso - e então apontou sua barriga. - Indigestão. Nunca misture chocolate com curry, não é boa ideia.
Remus gargalhou com vontade ao ver a cara de desalento da ruiva. Ela sempre conseguia fazê-lo sorrir. Era franca, alegre, inteligente, bonita... Bonita? Na verdade era muito bonita e ficava feliz em ter alguém como ela ao seu lado.
- E o que aconteceu com você? Excesso de açúcar?
- Há, há, não. Só um pouco de febre... Escuta, Lily, por que não me disse que cantava tão bem? - perguntou, brincando, o garoto.
- Porque eu não canto muito bem. É um hobbie, Kate e Elise são bem melhores, você viu.
- A única coisa que vi foi metade do corpo estudantil diante da Monitora-Chefe de roupa íntima. - Lily jogou uma almofada em sua cara. - Ei, que culpa eu tenho se você é uma pervertida!
Com essa resposta, Lily se levantou e pegou a almofada, começando a acertar golpes no amigo com ela. Remus ria, se retorcia e pedia clemência entre os ataques, mas a ruiva exigia uma desculpa. Finalmente o garoto conseguiu roubar a almofada, então ela subiu em sua cama para enchê-lo de cosquinhas para recuperá-la. O lobisomem ria e mantinha a almofada toda desplumada fora de seu alcance. A garota estava cada vez mais próxima do garoto. Quando suas respirações se cruzaram, com os rostos a poucos centímetros um do outro, Lily percebeu a situação em que se encontrava, parou de rir e saltou rapidamente da cama do amigo.
- M-me descul-culpa... - começou a gaguejar Lily corada, diante do desconcerto de Remus, que tampouco entendia muito bem o que tinha acontecido e tossia nervoso.
- LILIANE EVANS! - Kate acabara de entrar na enfermaria e a encarava com um olhar aborrecido. - Posso saber em que demônios está pensando? - Lily, que estava no meio do corredor, ficou branca. Será que Kate tinha visto o que acabara de acontecer na cama de Remus? - Quer fazer o favor de voltar pra cama, você está doente!
E dizendo isso, se aproximou de onde ela estava, a tomou pela mão e a obrigou a voltar para a cama, cobrindo-a em seguida.
- É uma inconsequente, uma despreocupada! - Kate continuava com o sermão. - Você acha que é normal caminhar descalça pela enfermaria com essa camisola de papel? Faça o favor de usar um pouquinho o cérebro!
Lily concordava assustada e encarava Kate com os olhos temerosos. Muitas emoções seguidas para uma garota tão equilibrada quanto ela.
- Kate, quando notar que não estamos sozinhos na enfermaria, baixará um pouco o tom de voz? - Artemis, que tinha entrado com Elise logo atrás de Kate, se ajeitava aos pés da cama da ruiva e apontava com a cabeça para a porta, onde James, Sirius e Peter observavam, achando graça.
- Ooops - Kate puxou as cortinas da cama de Lily para evitar que Remus e os outros três Marotos a vissem corar -, não tinha me dado conta...
- Ok - Elise, que também estava acomodada aos pés da cama de Lily, lhe dava palmadinhas nas costas. - Veja o lado positivo, com toda a certeza meu primo prestou atenção em você...
Kate corou ainda mais e olhou para o outro lado, constrangida.
- E como está a sex-symbol da escola? - zombou Artemis.
- Morra - murmurou Lily enquanto seus amigos riam. - Não acho graça nenhuma em minhas amigas me chantagearem para cantar semi-nua diante de toda a escola - disse cruzando os braços, irritada.
- Não era toda a escola. E você estava vestida - respondeu Kate sorrindo, como se isso fosse desculpa suficiente. - E agora, pode ir nos contando o que aconteceu essa noite ou não te dou os sapos de chocolate que te trouxe, porque o Artemis não quis falar nada.
Lily sorriu quando escutou a palavra "chocolate" e pediu para suas duas amigas se aproximarem.
- Tivemos... probleminhas na floresta - sussurrou para que os Marotos não escutassem. Kate e Elise sabiam do segredo de Lily e Artemis.
- Esse bichinhos asquerosos que vocês vão ver... - Kate fazia caretas de nojo. - Eu disse mil vezes que são mais perigosos que uma caixa de bombas de bos...
- Não foi isso - interrompeu Artemis, ofendido. - E não são bichinhos, são...
- Tá bem, tá bem - cortou Elise, cansada. Logo ergueu as sobrancelhas e fez um gesto com a cabeça, sinalizando a cortina atrás da qual estava a cama de Remus. Lily assentiu.
- Quer dizer que...? Oh não, Lils! Ele te mor... - berrou Kate.
- Shhhh! - Artemis tampou sua boca. - Quer que toda a escola descubra?
- Foi apenas um corte nas costas. Dissemos para a enfermeira Pomfrey que caí na banheira...
- E ela acreditou? - questionou Elise.
- Nunca pergunta muito - Lily sorria. - Não é a primeira vez que nos vê chegando assim...
- Inconsequentes - sentenciou Kate, negando com a cabeça. - E ele sabe que você...
- Claro que não! E deveríamos parar de falar sobre isso - Lily apontou outra vez para a cortina e mandou que ficassem em silêncio. - Agora, onde estão esses sapos?
...
- Remus, quanto tempo! - Sirius tinha se jogado sobre seu amigo, se deitando ao seu lado na cama.
- Sim - respondeu Remus, tentando afastar Sirius -, exatamente quatro horas...
- São muitas horas - decretou Sirius, enquanto roubava um caramelo da mesinha de Remus. - E o que a minha prima louca faz por aqui?
- Veio visitar a Lily, e sua prima não está louca... - disse, observando o amigo acabar com seus doces.
- Evans? O que aconteceu com ela? - perguntou James, sentado aos pés da cama.
- Indigestão - deu de ombros.
James ergueu uma sobrancelha com cara de dúvida, mas não perguntou mais nada.
- E como está? - falou Peter.
- Bem, é que... ontem foi por pouco - Remus baixou os olhos e seus amigos se entreolharam, preocupados.
Sirius largou o sapo de chocolate que estava a ponto de comer em cima da mesinha e deu um tapinha nos ombros de Remus.
- No fim não aconteceu nada...
- Sim, mas poderia ter acontecido - insistiu Remus chateado consigo mesmo. - E vai saber o que houve com a pobre águia.
- Era só um pássaro - disse Peter sem dar importância, rapidamente recebendo um olhar de reprovação dos outros três.
- Não era só um pássaro, Wormtail - falou James, ajeitando seus óculos. Sirius e Remus concordaram. - Nos livrou de uma...
...
Poucas horas depois a enfermaria estava em silêncio. Alguém entrou cautelosamente e Remus escutou como a pessoa afastou a cortina da cama de Lily e então voltou a fechá-la. Em seguida, esse alguém se dirigiu até sua cama.
- Remus? - Elise colocou a cabeça entre as cortinas.
- Elise - sorriu -, o que está fazendo aqui?
- Vim ver a Lily, mas ela está dormindo - ficou de pé ao lado de sua cama. - E como você está?
- Bem... - Remus se sentia incomodado com a presença dessa garota que parecia saber tanto dele. Ali estava ela, encarando-o com uma mistura de delicadeza e desafio, e ele sem saber quanto nem o quê escondia aquele sorriso - Esta tarde mesmo a Srta. Pomfrey vai me dar alta.
Elise sorriu um pouco mais.
- Fico feliz. Então, vou indo... fique bom logo - e separou a cortina para sair.
- Elise... - a garota virou-se para ele novamente. - Como me escutou?
A morena voltou a sorrir e apoiou sua mão na cabeceira da cama.
- Tenho um bom ouvido, e seu jeito de respirar é inconfundível - levou um dedo aos lábios e encarou o teto, pensativa. - Se não soubesse que era você, diria que era um animal - sorriu enigmática e desapareceu.
Remus juntou mais uma preocupação à sua longa lista: descobrir se Elise sabia de seu segredo.
...
O luar da meia-noite entrava pelas janelas da enfermaria. Lily lia um volume sobre Feitiços em sua cama. Estava sozinha, a enfermeira Pomfrey tinha se recolhido, mas ela estava sem sono. As cortinas de sua direita se abriram, assustando-a.
- Oi pra você - James tinha entrado na cabine de Lily.
- Oi, coisa - respondeu a garota. - Seu amigo foi liberado esta tarde, já não está na enfermaria. Pode confirmar.
- Que malvada...
- Veja só, sou um encanto! - a ruiva piscava os cílios comicamente.
- A verdade é que vim te ver.
- Já me viu, então já pode ir - finalizou voltando à leitura de seu livro.
- Quero falar com você - James sentou-se na cama dela, que lhe enviou um olhar zangado.
- É sério, Potter, você tem namorada. Sabia que é ela quem tem que te aguentar?
- Estava me perguntando - continuou James, ignorando-a - por que estava na enfermaria. - Lily ergueu os olhos de seu livro e encontrou os olhos dele. - Remus me contou que foi uma indigestão, mas ontem você jantou comigo e comeu normalmente... Por outro lado, uma indigestão não te obriga a passar o dia inteiro na enfermaria, uma poção já dá jeito... O que você acha?
- Acho que você precisa comprar uma vida e me deixar em paz - respondeu Lily, tentando esconder seu nervosismo.
- Bom, outro segredo da minha ruiva favorita - sorriu James.
- Tira o "minha" e "favorita", fazendo o favor. Creio que respirar o mesmo ar que você prejudica meu cérebro, então por favor, vá embora.
- Não vai falara nada?
- Não te devo explicações sobre a minha vida - respondeu secamente.
Encararam-se por alguns segundos. Desafio e curiosidade eram as palavras que podiam ser lidas nos olhos de James, e Lily se opunha com resistência.
- Tudo bem - James levantou-se da cama e se dirigiu à saída. - Melhore.
- Pode deixar - murmurou, cortante.
- Que bom - disse James já de costas, fechando a cortina atrás dele.
...
Os dias seguintes foram um bocado entediantes para Lily, Elise e Kate. Não paravam de pedir para cantarem ou tocarem algo como se fossem palhaços de feira, perdendo o anonimato de que tanto gostavam porque podiam fazer o que tivessem vontade. Ensaiar se converteu em uma odisséia para evitar que os estudantes mais novos espiassem. Mas, como sempre acontece, tudo deixou de ser novidade e conseguiram uma relativa tranquilidade. Relativa porque James não relaxava seu empenho em perseguir Lily, e se a isso juntarmos o fato de que toda a seção masculina do colégio descobriu que por baixo dos metros de roupa a ruiva tinha pernas, entenderemos porque Lily tentou assassinar Elise depois de precisar correr a maratona por Hogwarts inteira para poder treinar.
"Não sei como o idiota do Potter consegue me encontrar sempre", pensava. E era certeza, ao virar nos corredores, atrás das estátuas da porta do banheiro... James a vigiava incansavelmente e ela estava começando a desconfiar. Ao menos tinha a sorte de treinar sempre quando James praticava Quadribol, então ele não tinha descoberto esse segredo.
O Halloween se aproximava e o colégio estava se preparando para comemorá-lo. Dumbledore aceitara a proposta das NTCMSP de realizar um baile de máscaras, coisa estúpida na opinião de Elise e, segundo Kate, apenas uma desculpa das "fofas-e-belas" para se vestirem de princesas. Ainda assim iriam participar. Quem não tinha tanta certeza assim era Lily, que não fora a nenhum dos bailes desde que tinha entrado na escola e pensava que este não seria uma exceção. Dois dias antes do tão esperado baile, os quatro amigos estavam na sala de Estudos dos Trouxas escutando uma das fitas de Lily.
- E do que vocês vão se fantasiar? - perguntou Artemis, de repente.
- Eu de mulher-gato e Elise de odalisca - Kate contou de uma vez, ao mesmo tempo em que Elise falava "Isso não se conta!". Então Kate acabou ganhando um tapa no ombro, dado pela morena.
- Que sexies - disse Artemis, rindo da cara de aborrecimento de Elise. - Querem ficar comigo, babies?
- Ao menos você tem certeza que não está gripado... - ironizou Kate.
Todos riram, lembrando-se da causa da piada interna.
- Não fale bobagens, Kate. Só falta os homens do colégio perceberem que você tem um corpaço e não vai conseguir mais tirá-los de cima. Olha como é com a Lily - a garota mencionada mostrou-lhe a língua. - Pois eu irei de Júlio César! - Artemis adotou uma postura altiva que fez com que as três voltassem a rir. - E você, Lils?
- Eu não vou - respondeu, distraída.
- Como assim não vai? - perguntou Artemis escandalizado, enquanto Kate e Elise faziam cara de cansaço. Estavam fartas de tentar convencer Lily, e já tinham tentado de tudo: chantagem emocional, subornos, pendurá-la em uma das gárgulas do castelo e ameaçar não deixá-la descer enquanto não aceitasse ir... - Tem que ir ao baile. É o nosso último Halloween em Hogwarts.
Lily suspirou.
- Não gosto de bailes. É muita gente, muito barulho... e além disso nem tenho par.
- Nenhum de nós tem par - contestou Artemis -, ninguém falou que precisamos de pares.
- Mas continuo sem ter uma fantasia e em dois dias não consigo nada decente. - Esse era um argumento válido. Lily sorriu triunfalmente, enquanto seus três amigos se davam por vencidos.
De repente, o rosto de Elise se iluminou.
- Se conseguirmos uma fantasia, você vai?
- Hmmm...
- Agora não tem mais desculpas - ameaçou Artemis. - Se disser que não, vou pensar que se acha importante demais para ir com a gente.
- Artemis... - suplicou Lily, mas o garoto negava com a cabeça. - Ótimo, está bem, mas somente se não me obrigaram a me fantasiar de pizza, de carta de baralho ou algo do gênero.
- Temos um trato - disseram Artemis, Kate e Elise de uma vez.
...
No Salão Comunal, os três Marotos jogavam pôquer enquanto suas amigas comentavam, pela vigésima sexta vez, sobre os esplêndidos trajes que usariam - todos variavam entre princesas, damas, dançarinas de cabaré, etc. James, Sirius - que continuava com Monique, quebrando todas as expectativas - e Remus começavam a se questionar quanto tempo uma garota poderia passar falando sobre sapatos e tecidos. Eles tinham decido fantasiar-se de Os Três Mosqueteiros, e Peter iria junto com sua namorada de pirata. Enquanto Rachel, Gilda, Tracy e algumas outras discutiam sobre o tamanho ideal dos saltos finos, entraram Kate, Lily e Elise.
- Do que elas vão fantasiadas? - murmurou James, encarando-as.
- Minha prima? De monstro. Só falta se pintar de verde - respondeu Sirus, alto o suficiente para que todos ouvissem. Suas amigas soltaram risinhos tolos, concordando com a cabeça.
Elise, que escutara seu primo perfeitamente, voltou-se para ele, estampando inocência em seu rosto.
- E vocês irão de quê, de cérebro? Para dar um terão que juntar os quatro, né?
- Retire isso - Sirius se levantou da poltrona, apertando os punhos.
- Lógico, assim que você se jogar pela janela... - respondeu Elise.
- Menina estúpida, não sei como se atreve a falar assim com o Sirius! - berrou Rachel Rayan.
- Porque ela tem algo que falta a todos vocês: P-E-R-S-O-N-A-L-I-D-A-D-E - disse Lily, em resposta.
- E por que você está se metendo, linguaruda insuportável? - Tracy tinha se levantado e se colocado ao lado de Rachel.
- Ela se mete porque é nossa amiga, Barbie! - exclamou Kate. - E porque vocês se meteram com ela sem ter feito nada pra vocês!
- Olhem, as garotas perfeitas em sua cruzada pela justiça - ironizou Gilda.
- Em vez de arriscar frases de efeito, continue decidindo se o salto ideal tem 8 ou 9 cm que você ganha mais, queridinha - respondeu Lily.
- Pelo menos não somos umas bregas que nem vocês! - Rachel apontou suas roupas.
- Pelo menos temos coisas melhores para fazer do que só ficar se preocupando com nossa aparência - Kate disse, dando de ombros.
Em meio aos gritos, pode-se ouvir uma voz pausada e tranquila.
- O que está acontecendo aqui? - Artemis acabara de entrar no Salão Comunal e se deparar com o show do qual todos os grifinórios estavam desfrutando.
Kate, Elise e Lily o encararam, ainda chateadas. O garoto compreendeu rapidamente.
- Anda, vamos para outro lugar - falou docemente, empurrando-as pelos ombros em direção ao seu dormitório. - Parem de discutir.
- Isso, façam como seu amigo, que sabe quem tem a razão - afirmou Tracy, triunfante.
- Chambers, estou levando-as daqui porque elas ainda não entenderam que não vale a pena discutir com pessoas como vocês - cortou-a Artemis. - Isso definitivamente não é para fazer um favor a você.
Tracy e suas amigas ficaram sem saber o que dizer, cheias de raiva. Não estavam acostumadas com um garoto que não gaguejasse diante delas ou pelo menos que tentasse conquistá-las. Os Marotos, que estavam observando a cena, não abriram a boca, mesmo com suas amigas cutucando-os para que as defendesse do garoto que acabara de insultá-las tão elegantemente. Sirius, Remus e James estavam muito ocupados vendo com Artemis apertava a bochecha de Lily, lhe arrancando um belo sorriso. E como puxava uma mecha do cabelo de Elise, de forma carinhosa. Ou ainda como dava um tapinha na cabeça de Kate porque a loira tinha socado a parede com raiva contida.
- São muito especiais - murmurou Remus. Apenas James e Sirius o escutaram, mas não disseram nada.
...
Nessa mesma noite, de madrugada, Kate estava de volta ao Salão Comunal, comendo feijõezinhos de todos os sabores deitada no chão. Ficara arrumando a fantasia de Lily com Elise, durante toda a tarde - enquanto a ruiva treinava, já que seria uma surpresa - e também durante o jantar, por isso ficara sem comer. Ao deitar não notou a fome, mas à meia-noite seu estômago rugia ferozmente, pedindo sustento. Não queria ir até a cozinha sozinha, então recorrera à única coisa que encontrou, o saquinho de feijõezinhos, e desceu para o Salão Comunal para comê-los sem perturbar suas amigas. Saboreava tranquilamente um com gosto de pizza Quatro Estações quando um barulho a assustou.
- Prongs, não faça tanto barulho ou vai acordar o poço sem fundo do Peter e ele vai querer vir...
- Moony não vem?
- Não, não tem fome e está cansado, querendo dormir e...
- Padfoot, tem alguém aqui - murmurou James, avistando a silhueta de Kate ao lado do fogo.
A garota os encarava com o cenho franzido.
- Padfoot? E eu que acreditava que quando se superava a pré-adolescência também se deixava de usar apelidos absurdos...
- É a Katherine? - perguntou James, incomodado.
- Kate, se não se importa. Só quem me chama de Katherine é meu pai quando recebe minhas notas.
Sirius e James não puderam conter a risada com o comentário.
- O que está fazendo aqui a esta hora, Kate? - questionou Sirius.
- O mesmo pergunto eu.
- Não, não, não... - disse Sirius galanteador, enquanto as bochechas de Kate ficavam vermelhas. - Eu perguntei primeiro.
- Ah, não é nenhum segredo. Estava comendo - e lhes mostrou o saquinho de feijõezinhos meio-vazio. - Querem?
James e Sirius se entreolharam desconfiados e logo encararam a garota, levantando uma sobrancelha.
- O quê? Não tem veneno! - a garota apoiou as mãos no quadril, ofendida. - Não sou tão perversa!
Os garotos finalmente pegaram um feijãozinho. Um atrás do outro, porque se sentaram em uma poltrona devorando os doces com a loira enquanto conversavam sobre as aulas. Kate começou a pensar que talvez os Marotos não fossem tão desagradáveis e assim, entre risadas, terminaram rapidamente com os feijõezinhos.
- Te deixamos sem! - exclamou Sirius.
- Não importa, estou sem fome - mas o estômago de Kate a traiu e voltou a roncar insistentemente, coisa que os garotos acharam muito engraçado.
- Venha, vamos te levar com a gente para a cozinha - disse James, levantando-se e ajudando Kate a fazer o mesmo.
Seguidos por Sirius, desceram silenciosamente até as masmorras e entraram na cozinha. Um grupo de elfos os recebeu imediatamente, convidando-os a sentarem e escolherem o que quiserem. Um dos elfos, mais gordinho e baixinho, se aproximou de Kate.
- Senhorita, deseja o de sempre?
- Não se preocupe Inflen, eu mesma pego alguma coisa e...
- Não, não, a senhorita senta que eu preparo - o elfo a tinha tomado pela mão e a obrigado a se sentar. - Façamos assim, tem que prometer a Inflen que o deixará continuar subindo para escutar como a senhorita e as suas amigas fazem música.
- Combinado, podem todos subir sempre que quiserem - Inflen e alguns outros elfos sorriram para, em seguida, sumirem pela imensa cozinha. James e Sirius se sentaram ao seu lado e encaravam a loira com muito interesse. - O quê?
- Pensei que não sabia onde ficava a cozinha - respondeu James.
- Ah, claro que sei. Passamos muito por aqui e os elfos sempre nos visitam quando ensaiamos, eles gostam de música. E além disso se dão maravilhosamente bem com Artemis.
- "O fantástico Artemis" - zombou James, um tanto desgostoso.
- Ele é mesmo - Kate preferiu ignorar a ironia.
- E por que nunca receberam detenção por virem à cozinha? - perguntou Sirius, intrigado.
- Porque nunca nos pegaram - respondeu Kate. - Suponho que somos mais discretos que vocês e não nos dedicamos a algazarras.
James e Sirius a encararam ofendidos.
- Para mim, deixar todo o time da Sonserina com as cuecas por cima das calças é armar uma algazarra - explicou a garota, sorrindo enquanto se servia do macarrão que Inflen acabara de lhe trazer.
- E Evans também sai à noite pela escola? - perguntou James. Kate começou a rir.
- Melhor descobrir sozinho, Sr. Detetive. Você vem deixando-a tão contente com essa perseguição... - James corou e Sirius os encarava como se tivesse acabado de perder um ponto muito importante.
- Vou... vou indo. Já estou sem fome. Boa noite, Kate - e o apanhador da Grifinória saiu voando da cozinha, deixando para trás um Sirius atônito e uma Kate morrendo de rir.
- O que foi isso? - o animago parecia um pouco contrariado por ter que perguntar.
- Nada, deixa ele. Coma!
- Olha, não me trate como se eu fosse burro. Não importa o que minha prima esquisita tenha te falado.
- Sua prima não acha que você seja burro.
- Não?
- Não.
- Pois me trata como tal.
- Porque você a trata como se ela fosse uma pedra no seu sapato - respondeu Kate, terminando seu macarrão.
- Porque ela sempre me deixa com cara de tacho.
- De certo modo, Elise te admira. O que acontece é que não aprova seu jeito de ser, Black. Lily também não, mas nenhuma delas acha que você seja imbecil. Todo mundo sabe que é um dos melhores alunos da escola.
- E você? - pressionou Black. Tinham acabado de se levantar da mesa e se dirigiam para a saída.
- Eu... eu só sei que até pouco tempo você ignorava a minha existência... - Sirius fez cara de que iria protestar. - Não estou te acusando, só falo porque isso diz muito sobre você e sua maneira de ser. E tampouco acho que seja burro.
Continuaram caminhando. Depois das palavras de Kate, seguiu-se uns segundos de silêncio. Não era um silêncio incômodo, mas sim um repleto de reflexão. Kate se sentia um pouco esquisita por ficar falando essas coisas com o garoto de quem gostava desde que entrara na escola, mas por outro lado sentia que era algo natural. Sirius pensava nas palavras de Remus à tarde. "São especiais..."
- É fácil conversar contigo - disse Sirius, de repente.
- Com você também. Espero que não ache que eu sou prepotente por ter falado aquilo e...
- Não, tudo bem. Só falou o que pensa.
- E você, o que acha das minhas amigas?
- Que devem ser inteligentes.
- São mesmo - sorriu Kate.
- É, mas têm essa mania de serem diferentes de todo mundo, como se o resto não fosse suficientemente bom para vocês.
Kate encolheu os ombros.
- Não é isso. Simplesmente... sei lá, é que parece que gostamos de coisas diferentes. Mas sabemos melhor que ninguém que somos as "esquisitas do sétimo ano" porque decidimos seguir outro caminho.
- Entendo - murmurou Sirius. O silêncio os seguiu até chegarem ao Salão Comunal.
Entraram na Torra deserta e Kate se dirigiu às escadas que levavam ao seu dormitório.
- Kate - chamou Sirius.
- Sim?
- Eu não acho que você seja esquisita.
- Eu também não acho que você seja tão mal. Boa noite.
- Boa noite.
Kate se sentiu feliz nesse dia. Não porque Sirius tinha dito que não a achava esquisita, nem por ter passado um tempo com ele. Mas soube que não estava apaixonada por um monstro, e isso era reconfortante.
...
- E por que tenho que ir fantasiada de galinha? - gritou Lily.
Faltavam duas horas para o baile de Halloween e Elise e Kate tinham acabado de mostrar a Lily qual seria sua fantasia.
- Não é de galinha. Você vai de Princesa Odette, tem que usar asas de cisne - repetiu Kate pela décima vez.
- FANTÁSTICO! De princesinha e, ainda por cima, com asas de galinha nas costas.
- De cisne... - corrigiu Kate.
- Dá no mesmo.
- Não, na verdade um cisne não tem nada a ver com... - começou Artemis, que também estava no dormitório das garotas. Lily cerrou os olhos, concentrando todo seu ódio no garoto de olhos claros. - Acho que vou me arrumar... tchau!
- Não, Artemis, não nos deixe sozinhas com ela. Irá nos matar! - gritou Kate da porta do dormitório. - Maldito traidor! Você nos ajudou a convencê-la! - as garotas dos dormitórios ao lado se aproximaram para ver o que era o escândalo. - Ooops... - Kate fechou a porta, corada.
Lily tinha se sentado em sua cama com um olhar que dizia "Atreva-se a colocar essas asas em mim e você verá aonde vou enfiá-las".
- Lils... - suplicou Elise.
- Não.
- Você prometeu - lembrou Kate.
- E a minha reputação?
- Que reputação? - disseram Kate e Elise.
- Tanto faz, não vou deixar ninguém me ver desse jeito.
- É um vestido tão elegante, Lily! Não gosta? - perguntou Elise, fingindo sentir-se atingida. - Fizemos especialmente para você...
- Não quero que ninguém me veja com isso - Lily se mantinha firme.
- Você vai usar uma máscara, ninguém vai te reconhecer. E tingiremos magicamente seu cabelo de preto para que ninguém saiba que é você...
Lily não respondeu nada.
- Venha...
Ela continuava parada em seu lugar.
- Venha, Lily - suas amigas choramingavam.
- Está bem! Mas parem de fazer essas caras - e sem delicadeza nenhuma, pegou sua fantasia e se trancou no banheiro.
Kate e Elise se encararam, triunfantes.
Fim do capítulo
